Fernando I de Habsburgo

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Fernando I
Sacro Imperador Romano-Germânico
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Fernando I
Governo
Títulos Arquiduque e duque da Áustria, duque da Carníola, duque da Caríntia, duque da Estíria e conde do Tirol a partir de 1520. Rei da Hungria e da Boêmia a partir de 1526; rei da Croácia em 1540.
Vida
Nascimento 10 de março de 1503
Morte 25 de julho de 1564 (61 anos)
Pai Filipe I de Castela
Mãe Joana I de Castela

Fernando I de Habsburgo (em alemão Ferdinand, em tcheco; Ferdinánd, em húngaro) (*Alcalá de Henares, 10 de março de 1503 — †Viena, 25 de julho de 1564) foi imperador do Sacro Imperador Romano-Germânico de 1556 até a sua morte.

Seus pais foram o arquiduque da Áustria Filipe I de Castela (também conhecido como Filipe I de Espanha, apelidado "o Belo") e a rainha Joana I de Castela, apelidada "a Louca". Seu irmão mais velho era Carlos I de Espanha (e Sacro Imperador como Carlos V).

Dados biográficos[editar | editar código-fonte]

Em 1531, foi eleito Rei dos Romanos, o que fez dele herdeiro do Sacro Imperador Carlos V, seu irmão; Fernando governava o império nas ausências do irmão. Assumiu a dignidade de Sacro Imperador em 1556 (coroado em 1558).

Educado na Espanha, foi o neto favorito do rei Fernando II de Aragão, que previa para ele uma regência espanhola nas ausências do irmão. Mas seu outro avô, Maximiliano, obteve para ele a sucessão dupla na Boêmia e Hungria.

Carlos V reconhecera ao irmão pelo Tratado de Worms (1521) a posse e soberania plena dos cinco Estados hereditários dos Habsburgos: os arquiducados e ducados da Alta e Baixa Áustria, Caríntia, Estíria, Carníola, logo depois o condado do Tirol e possessões hereditárias de sua Casa no sul da Alemanha. Esta partilha constituiu o patrimônio de Fernando. Foi nomeado para governar o ducado de Vurtemberga e integrar o conselho de regência que governava a Alemanha nas ausências do Imperador.

Pelas convenções de Bruxelas em 1522, recebeu o título de governador das regiões da Alemanha do Sul, do Tirol e da Alta Alsácia.

A época era de expansão otomana, desde a queda de Constantinopla em 1453. Em 1529, Viena esteve sob assédio turco. Até o século XVII, a Europa teria que conviver com o avanço das forças turcas, ameaçando a Sicília, Malta e os territórios de Veneza.

Rei da Boêmia e da Hungria[editar | editar código-fonte]

Em 29 de agosto de 1526, morreu seu cunhado Luís II, rei da Boémia e da Hungria, derrotado pelas tropas otomanas do sultão Solimão, o Magnífico, na batalha de Mohács.

Fernando foi escolhido rei da Boêmia e rei da Hungria. Coroado rei da Boêmia em Praga, em fevereiro de 1527, não pôde assegurar a coroa da Hungria, pois ali João Zápolya, príncipe da Transilvânia, apoiado por parte da nobreza e depois pelos turcos, mantinha a resistência, embora compromisso posterior assegurasse a integridade das possessões dos Habsburgos. O reino da Hungria tornou-se objeto de uma disputa dinástica entre Habsburgos e Zápolyas, cada partido sendo apoiado por uma parcela da nobreza húngara. Fernando contava ademais com o apoio de seu irmão Carlos V.

Em 1527, Fernando venceu a Batalha de Tokaj, porém não foi o suficiente para ganhar o controle de toda Hungria. Em todo caso, fez-se coroar rei da Hungria em novembro de 1527, sem tomar posse do país.

Em 1529, suas tropas repeliram com sucesso o ataque de Solimão à capital, Viena (Cerco de Viena), mesmo com Fernando já tendo se retirado para Boêmia. Finalmente, em 1533 Fernando assinou tratado de paz com o Império Otomano, dividindo o reino da Hungria entre os Habsburgos no oeste e João Zápolya no leste. Em 1527 os Habsburgos deram início a um processo histórico que levaria à incorporação das terras das coroas da Boêmia e da Hungria às suas possessões hereditárias.

Em 1538, pelo tratado de Nagyvárad, Fernando tornou-se o sucessor de Zápolya, sendo entretanto incapaz de impor o acordo.

A vida de Fernando ficou marcada por uma luta dupla: contra o Islão, no Danúbio, onde, após a morte de seu cunhado Luís II em 1526, foi eleito rei da Boêmia e Hungria, devendo conter o avanço otomano sobre Viena. Não conseguiu tomar Buda em 1541 e teria que assinar uma trégua de oito anos (1562) pagando tributo anual ao sultão e reconhecimento, na Transilvânia, da dinastia rival de João Zápolya. Sua segunda luta foi contra os protestantes, com uma relativa indiferença. Fernando, aluno e amigo dos jesuítas, deixara-se influenciar em sua estada em Flandres pelos humanistas, sobretudo Erasmo. Participara da Assembleia de Ratisbona em 1524, que decidiu a reforma católica na Alemanha, constituiu com os cinco cantões católicos primitivos da Suíça uma União Cristã, em 1529, para combater a heresia protestante, assinou com a Liga de Esmalcalda o Tratado de Kadan e esmagou revolta dos senhores tchecos na Boêmia. Mas desejava sinceramente reformas na Igreja: tentou obter de Roma a comunhão sob duas espécies em 1554 e esforçou-se por atenuar o conflito religioso, negociando a Paz de Augsburgo em 1555.

Em 1540, João Sigismundo Zápolya, filho de João com Isabel Jagelão, foi eleito rei da Hungria, inicialmente apoiado pelo rei seu tio, Sigismundo II da Polônia e Lituânia, irmão de Isabel. Em 1549 um tratado foi assinado entre os Habsburgos e o soberano polonês: a Polónia ficou neutra no conflito com os Habsburgos e Sigismundo II se casou com Isabel de Habsburgo, filha de Fernando I.

Como soberano da Áustria, Boêmia e Hungria, Fernando I tentou centralizar e construir uma monarquia absoluta moderna. Em 1527, editou uma constituição para seus domínios hereditários (Hofstaatsordnung) e estabeleceu instituições à moda austríaca em Bratislava para a Hungria, em Praga para a Boémia e em Wrocław (Breslau) para a Silésia. Uma forte oposição dos nobres forçou-o em 1559 a declarar tais instituições livres de supervisão pelo governo central em Viena.

Em 1551 chamou os jesuítas a Viena e em 1556 a Praga, reativando o arcebispado desta última. Príncipe católico, apoiou a Contra-Reforma.

Sacro Imperador Romano[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1531, Fernando fora eleito rei dos Romanos em Colônia, o que era um passo rumo à coroa imperial. Reconhecido herdeiro de Carlos V ao trono imperial em 1551, a abdicação deste último em 1556 fez com que Fernando fosse coroado Sacro Imperador Romano-Germânico em 1558, em Aachen.

Continuou a enfrentar a ameaça externa da política expansionista do sultão Solimão, o Magnífico. Carlos V havia defendido Viena em 1529, mas as terras foram ameaçadas de novo em 1532 e 1541. Enfrentou ainda, como o irmão, a ameaça interna das divisões entre católicos e luteranos: em 1534, Filipe de Hesse, chefe político dos luteranos, arrancou Vurtemberga do controle dos Habsburgos e Fernando I apoiou o imperador seu irmão na sua campanha de 1546-7 para destruir a Liga de Esmalcalda, formada por protestantes.

Talvez mais realista do que Carlos, deve-se a Fernando a Paz de Augsburgo, de 1555.

Carlos excluiu seu filho o infante Filipe, futuro Filipe II de Espanha, da sucessão imperial germânica, que foi transmitida ao primogênito de Fernando, Maximiliano (1527–1576).

Casamento[editar | editar código-fonte]

Em 25 de maio de 1521, em Linz, Áustria, Fernando casou-se com Ana Jagelão, filha de Vladislau II da Hungria e da Boêmia e de Ana de Foix-Candale.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Mesa de Fernando I em 1558.

Filhos de Fernando e Ana:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Carlos V
Sacro Imperador Romano-Germânico
15581564
Sucedido por
Maximiliano II
Precedido por
Luís II
Rei da Hungria
Rei da Boêmia

15261564
Sucedido por
Maximiliano II
Precedido por
Carlos V
Arquiduque da Áustria
15201564
Sucedido por
Maximiliano II