Fernando I de Parma

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Fernando de Bourbon
Duque de Parma e Placência
Ferdinando de Parma1.jpg
Fernando I, Duque de Parma
Governo
Consorte Maria Amália da Áustria
Casa Real Casa Ducal de Parma
Dinastia Bourbon-Parma
Vida
Nascimento 20 de Janeiro de 1751
Parma, Flag of the Duchy of Parma.svg Ducado de Parma e Placência
Morte 9 de outubro de 1802 (51 anos)
Fontevivo, Flag of the Duchy of Parma.svg Ducado de Parma e Placência
Filhos Carolina de Parma
Luís I da Etrúria
Maria Antónia de Parma
Pai Filipe I de Parma
Mãe Luísa Isabel de França

Fernando de Bourbón (Ferdinando Maria Filippo Luigi Sebastiano Francesco Jacopo) (20 de janeiro de 1751 – 9 de outubro de 1802) foi Duque de Parma de 1765 a 1802. Era o segundo filho e único varão de Filipe I, Duque de Parma e da Princess Luísa Isabel de França, filha mais velha de Luís XV de França e de Maria Leszczyńska. Os seus avós paternos eram Filipe V de Espanha (também ele um neto de Luís XIV) e da sua segunda mulher, Isabel Farnésio.

Vida[editar | editar código-fonte]

Nascido no Palácio Ducal de Colorno, era considerado como o neto favorito do rei Luís XV de França. Sendo neto por via masculina do rei Filipe V de Espanha, era também Infante de Espanha.

Casamento - A aproximação com a Áustria[editar | editar código-fonte]

A França e a Espanha tentam organizar o casamento de Fernando. Guillaume du Tillot, o primeiro-ministro em exercício, exprime a sua preferência por Maria Beatriz d'Este, filha do Duque de Módena Hércules III: à morte deste, os dois ducados (e ainda o estado de Massa-Carrara) ficariam reunidos nas mãos de Fernando. O duque de Choiseul, secretário de estado de Luís XV, propõe a princesa Batilde de Orleães, uma noiva particularmente rica, mas a Espanha logo repudia a proposta. Pela sua parte, o imperador José II (viúvo inconsolável de Isabel de Parma, irmã mais velha de Fernando) calcula que se o ducado permanecesse sem herdeiro, conseguiria reintegrá-lo nas possessões austríacas.

Por fim, a corte de Viena acaba por convergir as opiniões de todos ao propor como noiva a arquiduquesa Maria Amália, filha da lmperatriz Maria Teresa da Áustria e do defunto imperador Francisco I e irmã de José II, da rainha Maria Carolina de Nápoles e de Maria Antonieta, futura consorte de Luís XVI.

Em 21 de junho de 1769, Fernando, com 18 anos, pede oficialmente a mão de Maria Amália, com 23 anos. Obtida a necessária dispensa papal em virtude do próximo grau de parentesco, o casamento é celebrado em Viena por procuração em 27 de junho de 1769. Maria Amália deixa a Áustria no dia 1 de julho de 1769 chegando a Mântua em 16 de julho, acompanhada de seu irmão o imperador José II. Fernando vai ao seu encontro e no decurso de uma cerimónia, o bispo confirma o casamento em em 19 de julho no Palazzo Ducale de Colorno, seguindo-se festas espetaculares. O casal ducal chega a Parma na manhã do dia 24.

O casal ducal: Fernando I e Maria Amália.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Deste casamento nasceram sete filhos:

  1. Carolina (Carolina) (1770-1804), casou em 1792 com Príncipe-herdeiro Maximiliano da Saxónia.
  2. Luís (Ludovico) (1773-1803) casou em 1795 com Maria Luísa de Bourbon, infanta de Espanha;
  3. Maria Antónia (Maria Antonia) (1774-1841), também conhecida por Maria Antonieta de Parma, abadessa Ursulina;
  4. Carlota (Carlotta) (1777-1813), religiosa;
  5. Filipe (Filippo) (1783-1786).
  6. Antonieta Luísa (Antonietta Luisa) (1784).
  7. Luísa Maria (Luisa Maria) (1787-1789).

Ingerências estrangeiras e a Revolução Francesa[editar | editar código-fonte]

Desde 1759 que o Ducado é governando por Guillaume Du Tillot, o ministro instalado pela França. Tal como outras monarquias católicas (Portugal, França e Espanha), Fernando expulsa os jesuítas mas dada a sua extrema religiosidade, resiste até 1768.

À sua chegada, Maria Amália pretende substituir a anterior influência franco-espanhola pela da sua terra natal, opondo-se frontalmente ao primeiro-ministro. Apesar da oposição da França, da Espanha e até da Áustria, este é substituído por um novo ministro, o espanhol José Augustin de Llano, fortemente empenhado em melhorar a situação financeira do Ducado, dada a vida desordenada do casal ducal. Mal acolhido o ministro espanhol é demitido (1772), o que provoca um breve corte de relações entre as três potências e Parma. A reconciliação tem lugar alguns meses mais tarde aquando do nascimento do príncipe herdeiro.

Com as alterações trazidas pela Revolução Francesa e a execução dos seus cunhados, os reis de França, de quem Maria Amália era próxima, fazem dos Duques de Parma inimigos irredutíveis dos revolucionários.

Apesar de Fernando se declarar neutral, assina um pacto secreto com a Áustria, em 13 de maio de 1794.

En 1796, Bonaparte, a quem fora ocupado o exército de Itália, ocupa Placência, Parma e, por fim, Milão. São impostas fortes contribuições e o Ducado passa a permitir a passagem das tropas estrangeiras.

Pelo Tratado de Aranjuez, celebrado em 21 de Março de 1801 entre a França e a Espanha, confirmando os termos do terceiro tratado de Santo Ildefonso. Adicionalmente, Fernando concordou em cedar o Ducado de Parma (com Placência e Guastalla) à França. O filho de Fernando, Luís, recebia o Grão-ducado da Toscana, que se tornaria o Reino da Etrúria. Fernando III, o Grão-duque Habsburgo da Toscana, foi compensado com os territórios secularizados do Arcebispado de Salzburgo, redenominado Eleitorado de Salzburgo.

Fernando morreu em Parma com a idade de 51 anos, suspeitando-se sue tenha sido envenenado embora as autoridades francesas atribuam as causas da morte a outras razões. No leito da morte, ele designa o seu filho Luís (que se encontrava em Espanha) como sucessor, nomeando um Conselho de Regência presidido pela sua mulher Maria Amália, que se opunha firmemente aos termos do Tratado de Aranjuez, no que respeitava ao seu ducado. A regência durou apenas alguns dias e o Ducado de Parma foi anexado à França.

Ascendência[editar | editar código-fonte]

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16. Luís XIV de França
 
 
 
 
 
 
 
8. Luís, o Grande Delfim
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17. Maria Teresa de Espanha
 
 
 
 
 
 
 
4. Filipe V de Espanha
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18. Fernando Maria da Baviera
 
 
 
 
 
 
 
9. Maria Ana da Baviera
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19. Henriqueta Adelaide da Sabóia
 
 
 
 
 
 
 
2. Filipe I de Parma
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20. Rainúncio II, Duque de Parma
 
 
 
 
 
 
 
10. Eduardo (II) Farnésio
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21. Isabel de Este
 
 
 
 
 
 
 
5. Isabel Farnésio
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22. Filipe Guilherme de Neuburgo
 
 
 
 
 
 
 
11. Doroteia Sofia de Neuburgo
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23. Isabel Amália de Hesse-Darmstadt
 
 
 
 
 
 
 
1. Fernando, Duque de Parma
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24. Luís, o Grande Delfim (=8)
 
 
 
 
 
 
 
12. Luís, duque de Borgonha
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25. Maria Ana da Baviera (=9)
 
 
 
 
 
 
 
6. Luís XV de França
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26. Vítor Amadeu II de Saboia
 
 
 
 
 
 
 
13. Maria Adelaide de Saboia
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27. Ana Maria de Orleães
 
 
 
 
 
 
 
3. Luísa Isabel de França
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28. Rafał Leszczyński
 
 
 
 
 
 
 
14. Estanislau I
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29. Anna Jabłonowska
 
 
 
 
 
 
 
7. Maria Leszczyńska
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30. Jan Karol Opaliński
 
 
 
 
 
 
 
15. Catarina Opalińska
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31. Zofia Czarnkowska
 
 
 
 
 
 

Títulos e honras[editar | editar código-fonte]

  • 20 de Janeiro de 1751 - 18 de julho de 1765, Sua Alteza Real o Príncipe Fernando de Parma[1]
  • 18 de julho de 1765 - 9 de outubro de 1802, Sua Alteza Real o Duque de Parma, Placência e Guastalla

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Filipe I de Parma
Duque de Parma e de Placência
1765-1802
Ducal Coat of Arms of Parma (1748-1802).svg
Sucedido por
ocupação francesa