Fernando Sarney
Fernando José Macieira Sarney, mais conhecido como Fernando Sarney (São Luís, 1955) é um empresário brasileiro, com base no Estado do Maranhão.
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[editar] Biografia
Fernando Sarney é o filho do atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e de sua esposa, Marly Macieira Sarney. Tem dois irmãos: os políticos Roseana Sarney e José Sarney Filho.
Graduou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1978.[1]
Casou-se com Teresa Murad, com quem tem três filhas: Maria Clara, Maria Fernanda e Maria Adriana.
Fernando é vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e proprietário do Sistema Mirante de Comunicação, um conglomerado de emissoras de rádio e televisão no Maranhão, sendo diretor da TV Mirante em São Luís.
[editar] Acusações de crimes
Em 2006, a Polícia Federal realizou a Operação Boi Barrica (que mudou de nome para Operação Faktor, depois que o grupo musical do mesmo nome, existente há mais de 20 anos, reclamou a associação do nome da operação ao grupo, que não tem ligação ao caso) com o objetivo de apurar saques em dinheiro de pelo menos 3,5 milhões de reais relacionados a empresas da família Sarney no período das eleições estaduais do Maranhão daquele ano. À época, Roseana Sarney, irmã de Fernando, era candidata ao governo maranhense, mas perdeu para Jackson Lago no segundo turno.
Em 5 de outubro de 2008, os jornais O Imparcial e Jornal Pequeno (ambos de São Luís) publicaram em primeira mão reportagens baseadas em relatórios da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) sobre o envolvimento do Fernando Sarney num mega-esquema criminoso com tentáculos em vários estados e órgãos estratégicos da administração federal (principalmente nos setores elétrico e de transportes).[2]
Segundo a PF e o MPF, que deram o nome “Operação Boi Barrica” (depois rebatizada “Faktor”) à investigação, Fernando e o grupo por ele chefiado sangraram os cofres públicos durante ao menos 10 anos, cometendo uma extensa lista de crimes contra o sistema financeiro nacional e a administração pública. Os principais investigados foram Teresa Cristina Murad Sarney (mulher de Fernando), Silas Rondeau Cavalcanti Silva (membro do Conselho de Administração da Petrobras); Astrogildo Fraguglia Quental (diretor financeiro e de Relações com Investidores da Eletrobrás); Ulisses Assad (diretor afastado de Engenharia da Valec); Flávio Barbosa Lima, Gianfranco Antonio Vitório e Artur Perasso (ambos empresários) (veja os perfis completos de cada um deles no quadro). As reportagens publicadas pelos jornais foram reproduzidas pela imprensa nacional.[2]
No dia 15 de julho de 2009, Fernando Sarney foi indiciado pela Polícia Federal sob a acusação, entre outros crimes, de formação de quadrilha, tráfico de influência e falsificação de documentos para favorecer empresas privadas em contratos com empresas estatais. Ele foi apontado como o "mentor intelectual" da quadrilha, mas negou ter cometido irregularidades. Outras pessoas suspeitas de envolvimento no esquema são: Thucidides Frota, Marcelo Aragão e Walfredo Dantas.[3]
O órgão mais visado, segundo os investigadores, foi o Ministério de Minas e Energia. Na época da apuração dos fatos, entre 2006 e 2007, o ministro de Minas e Energia era Silas Rondeau, amigo pessoal de Sarney, que se afastou do cargo depois que a Polícia Federal o apontou como um dos principais suspeitos na Operação Navalha.[4]
Em 16 de julho de 2009, a Polícia Federal também indiciou a esposa e a filha de Fernando Sarney, acusadas de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e por operar instituição financeira sem autorização. Ambas são sócias das empresas suspeitas de transações financeiras ilegais no Estado.[5]
A Rede Globo, cuja afiliada em São Luís e no Maranhão é a TV Mirante, veiculou as notícias das acusações contra Sarney nos telejornais Jornal Hoje, Jornal Nacional, Jornal da Globo e Bom Dia Brasil (dia 17), mas a emissora de São Luís não veiculou nos telejornais locais de JMTV 1ª e 2ª edições nem no Bom Dia Mirante.[6]
[editar] Pedido de censura aos Jornais
No dia 30 de julho de 2009, Fernando Sarney pediu ao desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), que proibisse o jornal O Estado de S. Paulo e o seu portal de publicar reportagens com informações sobre a Operação Faktor. Tal recurso judicial, cuja liminar foi concedida no dia seguinte por Vieira, determina ainda que seja aplicada uma multa de 150 mil reais para cada reportagem publicada, caso a decisão do juiz seja violada. O pedido original de Fernando Sarney correspondia a 300 mil reais.
De acordo com os advogados de Sarney, o Estado cometeu um crime ao publicar trechos das conversas telefônicas gravadas pela Operação, pois continham "diálogos íntimos", ferindo a honra da família Sarney. As gravações revelaram que José Sarney contratava afilhados políticos e parentes através de atos secretos.[7] O jornal nega as acusações e pretende recorrer a decisão que considera censura.
Da mesma forma, o Jornal Pequeno, por determinação do juiz Nemias Nunes Carvalho, da 2ª Vara Cível de São Luís, teve de retirar do ar no próprio site do jornal, a reportagem com dados da “Boi Barrica”, envolvendo Fernando Sarney e suas filhas (“Fernando usa ‘caixa 2’ da Mirante para pagar mesadas das filhas”, de 8 de março de 2009). O jornal recorreu, mas a censura persiste. Além da censura por via judicial, integrantes da Família Sarney também tentam contra o jornal com processos na Justiça. Fernando Sarney, Teresa Murad Sarney e Ana Clara Murad Sarney (filha do casal) representaram contra o jornal por ter divulgado informações dos relatórios da “Boi Barrica”, assim como duas outras filhas de Fernando e Teresa (Maria Adriana Murad Sarney e Ana Theresa Murad Sarney).[2]
Em 10 de dezembro de 2009 o jornal Estado de S. Paulo foi impedido pelo Supremo Tribunal Federal de publicar notícias sobre a Operação Boi Barrica.[8]
No dia 18 de dezembro, a ação foi removida por Fernando Sarney:
- Nota à Imprensa
- Encaminhei à Justiça de Brasília desistência da ação que movo contra o Jornal O Estado de São Paulo.
- A ação foi necessária para defesa de meus direitos individuais protegidos pela Constituição e sob tutela do segredo de Justiça, reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal. Infelizmente este meu gesto individual de cidadão teve, independente de minha vontade, interpretação equívoca de restringir a liberdade de imprensa, o que jamais poderia ser meu objetivo. Para reafirmar esta minha convicção e jamais restar qualquer dúvida sobre ela, resolvi tomar esta atitude, considerando que a Liberdade de Imprensa é um patrimônio da democracia e que jamais tive desejo de fazer qualquer censura a seu exercício.
- Fernando Sarney
- São Luis, 18 de dezembro, 2009[9]
Mesmo assim, em 29 de janeiro de 2010, o jornal O Estado de S. Paulo rejeitou na Justiça esse pedido, alegando através do advogado, que quer esse processo de pedido de impedimento da publicação seja extinto, pois não acredita a desistência do Fernando Sarney.[10]
O Jornal continua aguardando (há um ano, a partir de 31 de julho de 2009) ser intimado pela justiça para decidir se aceita a remoção do processo ou espera pela apreciação do mérito.
[editar] Contas no Exterior
Em 7 de março de 2010, matéria de capa do jornal Folha de S. Paulo, intitulada de Governo acha dinheiro de filho de Sarney no exterior, escrita por Leonardo Souza, divulgou que o governo brasileiro conseguiu documentos que comprovam que o empresário movimentou dinheiro no exterior sem declará-lo à Receita Federal (ou Fisco). Segundo o jornal, o empresário enviou US$ 1 milhão em 2008 para uma conta em um paraíso fiscal até a cidade de Qingdao, leste da China. Por e-mail, o empresário disse à Folha que a imprensa trata de suas movimentações financeiras de forma "truncada e dissociada da realidade" e que é alvo de "vazamento criminoso" de informações que estão sob segredo de Justiça.[11]
No dia 25 de março, o mesmo jornal, divulga mais detalhes da conta na China: intitulada de Suiça bloqueia conta de filho de Sarney, escrita por Leonardo Souza e Andreza Matais, divulgou que o Governo da Suíça bloqueou a conta de US$ 13 milhões controlada pelo empresário, após os depósitos serem rastreados a pedido da Justiça brasileira. Segundo o jornal, o dinheiro não está declarado à Receita Federal (Fisco).[12] Autoridades chinesas informaram ao Ministério da Justiça brasileiro que o empresário operou pessoalmente no início de 2008, uma conta num paraíso fiscal, em nome de uma empresa "offshore" com sede no Caribe. Ele usou o canal financeiro para transferir US$ 1 milhão para uma agência do banco HSBC na cidade de Qingdao e a autorização da transação contém a assinatura dele.[13]
O bloqueio (que é administrativo) ocorreu quando Fernando tentava enviar recursos da Suíça para Liechtenstein, considerado um paraíso fiscal. Caso seja comprovado que o dinheiro tem origem ilícita, o bloqueio passará a ter caráter criminal e os recursos poderão ser repatriados.[12]
Porém, ao ser procurado, Fernando Sarney disse que soube do assunto pelo jornal e afirmou que não falaria do que não conhece, mas a defesa, contatada pelo celular, não ligou de volta. Já o pai e senador José Sarney declarou: "Fernando é maior de idade e tem advogado constituído".[12]
Em 7 de maio, Fernando Sarney foi indiciado pela Polícia Federal, durante o depoimento na cidade de São Paulo por evasão de divisas por ter a conta na China, depois de se recusar responder todas as perguntas.
Referências
- ↑ "O Grupo da Poli de 78" (Revista Época)
- ↑ a b c OSWALDO VIVIANI (11 de outubro de 2009, 8h56min). Caso que abalou a família Sarney completa um ano. Jornal Pequeno. Página visitada em 02-06-2010.
- ↑ Polícia Federal indicia filho de Sarney (Agência Brasil)
- ↑ Polícia Federal indicia filho do senador (Zero Hora)
- ↑ PF indicia nora de Sarney na Operação Boi Barrica
- ↑ Telejornais em 17 e 18 de julho de 2009
- ↑ Justiça censura Estado e proíbe informações sobre Sarney
- ↑ STF. "Arquivada ação do jornal O Estado de S. Paulo contra proibição de veicular matérias sobre Fernando Sarney". . (página da notícia visitada em 11/12/2009)
- ↑ http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,fernando-sarney-desiste-de-acao-contra-estado,484443,0.htm
- ↑ Da Redação (1º de fevereiro de 2010, 8hs35min). Jornal O Estado de S. Paulo rejeita arquivamento de censura prévia. Portal IMPRENSA. Página visitada em 24-09-2010.
- ↑ Folha Online. "Governo acha dinheiro de filho de Sarney no exterior". 07/03/2010. (página da notícia visitada em 25/03/2010)
- ↑ a b c Folha Online. "Suíça bloqueia conta de filho de Sarney". 25/03/2010. (página da notícia visitada em 25/03/2010)
- ↑ Folha Online. "Entenda as denúncias contra Fernando Sarney". 25/03/2010. (página da notícia visitada em 25/03/2010)
[editar] Ver também
- Fernando Sarney fraudou operação, diz Polícia Federal, Jornal Pequeno, 19 de maio de 2010, às 7:56. Acessado em 28 de maio de 2010. (Maiores detalhes)