Fernando de Almada, 2.º conde de Avranches

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Dom Fernando de Almada (que em novo se chamou D. Fernando de Abranches).

Quando seu famoso pai D. Álvaro Vaz de Almada foi morto em desgraça na batalha de Alfarrobeira, D. Fernando era ainda era uma criança muito pequena e seu avô materno estava nas boas graças de D. Afonso V de Portugal, nesse sentido nem ele nem sua mãe sentiram qualquer necessidade de se exilarem em Espanha, como fez seu irmão mais velho D. João de Almada e Abranches.

Na verdade, mesmo depois desse histórico momento recebeu o mesmo título de conde de Abranches[1] , o 2º depois de seu pai e há quem diga que último, que terá sido dado pelo rei francês a pedido do referido monarca português, bem como dele e em terras portuguesas exerceu os cargo de Capitão-Mor do Mar[2] ou Capitão-Mor da Frota (Real)[3] e de Conselheiro do mesmo rei[4] .

Terá sido um dos primeiros vinte e sete cavaleiros a receber a Ordem da Torre e Espada[5] [6] .

Dados históricos[editar | editar código-fonte]

Casou em 1463, antes de 13 de Julho, mas, por contrato aprovado por El-Rei D. Afonso V só em 24 de Setembro.

Casou por dote e arras e não em carta de metade, conforme era costume e usança dos Reinos, levando sua mulher D. Constança como dote cinco mil coroas, dadas por El-Rei e mais para ajuda do dito dote, mil e quinhentas coroas, dadas por sua mãe D. Brites ou Beatriz de Noronha e ainda, outras mil e quinhentas, por sua tia D. Constança de Noronha, Duquesa de Bragança, ambas netas de Enrique II rei de Castela e da princesa Dona Isabel de Portugal.

Não foi porém só este valor o dote que D. Constança de Noronha e Almada trouxe para o casal. Por virtude do seu casamento, foi por ela ainda que o Senhorio dos Lagares d’El-Rei passou à posse da Casa Almada.

Segundo Pinheiro Chagas, D. Afonso V gastou com os casamentos de seus vassalos, uma soma superior a 600.000 coroas.

Existe no arquivo da Casa Almada, uma escritura de D. Fernando e sua mulher D. Constança de Noronha e Almada, que compraram em 27 de Junho de 1467, a Nuno Barbudo, fidalgo da casa d’El-Rei, e sua mulher Beatriz Simões, umas casas que eram possuidores, às Portas de Santo Antão.

Não sabemos se a família já teria outras, mas provavelmente, foram estas que deram origem ao Palácio Almada no Rossio, que através dos tempos foi sofrendo alterações, para dar o que hoje chamam Palácio da Independência.

Terá participado na Batalha de Toro[7] .

Precisamente terá sido, conforme de lê em Rui de Pina, quando D. Fernando d'Almada, fez parte da comitiva de D. Afonso V, quando este se deslocou a França para solicitar a Luiz XI, a colaboração nas lutas de sucessão de Joana, a Beltraneja, filha de Henrique IV, ao trono de Castela.

Na corografia de Pe. Carvalho, A. B. Freire e Oliveira Martins no "Príncipe Perfeito" diz: "D. Fernando foi feito Conde de Avranches, por Luís XI de França em 1476, estando já a Normandia em poder desta Coroa".

Este título anteriormente, tinha sido dado a seu pai D. Álvaro Vaz de Almada, por Henrique VI de Inglaterra a 4 de Agosto de 1445, quando a Normandia era um Ducado Inglês. A. B. Freire, nos "Brasões da Sala de Sintra" liv. 3º pg. 325 e seg., diz: "encontro porém uma carta mandada passar por D. João, por graça de Deus, Príncipe primogénito herdeiro dos Reinos de Portugal e dos Algarves, em 7 de Maio de 1478, pela qual declara ter mandado ora assentar em seus livros a D. Fernando d'Almada, Conde de Avranches, e quer que tenha de seu assento em cada ano, desde o 1º de Janeiro passado em diante 102.864 reais brancos. Esta carta encontra-se transcrita na de confirmação do referido assentamento ao mesmo Conde em 18 de Março de 1489, está registada, só por si no liv. 1º do Cartório de Santiago, fls. 135".

Em 12 de Novembro de 1469, D. Afonso V privilegia D. Fernando de Almada, seu conselheiro régio e capitão-mor do reino, concedendo-lhe licença para poder nomear na cidade do Porto, um alcaide do mar[8] .

Na verdade, é nessa qualidade, que ao seu filho D. Antão eram dadas tenças que tinham sido pagos pela casa da sisa dos vinhos de Lisboa ao seu pai, em satisfação da renda do sisão dos judeus, por uma carta feita na vila de Arronches a 10 de Maio de 1475, confirmada por outra feita em Beja a 24 de Março de 1489, que por sua vez, é confirmada por outra carta feita em Setúbal, a 27 de Abril de 1496[9] .

Num artigo do jornal do O Comércio do Porto, de 3 de julho de 1902 por Silex, intitulado "O Camareiro" diz: "Foram também, confirmados os bens da coroa que seu Pai houvera".

A. B. Freire, nos "Brasões da Sala de Sintra" liv. 3º fls. 352 e seguintes, cita Chancelaria de D. Manuel, liv. 34 fls. 47 V dizendo: "morreu nas proximidades de 29 de Abril de 1496, em que se andava confirmando a casa de filho".

Dados genealógicos[editar | editar código-fonte]

D. Fernando de Almada (2º Conde de Avranches).

Filho de:

Casou com: D. Constança de Noronha, 5ª senhora dos Lagares d’El-Rei, "donzela da princesa Santa Joana e «sobrinha d'El-Rei»[10] ", filha de Ruy Vaz Pereira, 4º senhor dos Lagares d’El-Rei, senhor de Cabeceiras de Basto, etc., e de D. Beatriz de Noronha, camareira-mor da rainha de Castela (D. Joana de Portugal) e por sua vez filha de D. Afonso Henriques, conde de Gijón e Noronha, filho de Henrique II de Castela e da infanta Isabel de Portugal.

Tiveram:

  1. D. Pedro de Almada, que morreu solteiro.
  2. D. Antão de Almada, casado com D. Maria de Menezes.
  3. D. Isabel de Noronha casada com António de Furtado de Mendonça, o "Chús", Comendador de Veiros, Serpa, Cano e Moura, na Ordem de Aviz[11] , filho de Nuno Furtado de Mendonça, Aposentador-mor do Reino[12] .

Filha natural (desconhecendo-se a sua mãe):

  • Branca ou Beatriz Fernandes de Abranches casada com Diogo Afonso, Fidalgo da Casa Real, 1º senhor da casa de Mangualde.[13]

Referências

  1. Decreto de 1 de Janeiro de 1478 e Carta de 7 de Maio do mesmo ano (D. Afonso V. — Regist. no Arch. da T. do T., Liv., 3 dos Místicos fl. 188.) - Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 38
  2. Dado em Évora a 27 de Fevereiro de 1456. Gomes Anes a fez. A confirmação de D. João II é dada em Beja a 24 de Março de 1489. Fernão de Pina a fez. Rui de Pina a fez.
  3. Carta passada em Beja, a 14 de Março de 1489, em confirmação de outra de El-Rei passada a seu pai, datada de Évora a 29 de Fevereiro de 1456. - Annaes da Marinha Portugueza, Ignacio da Costa Quintella, Na typ. da mesma Academia [das sciencias], 1839, Volume 1, pág. 191
  4. D. Afonso V privilegia D. Fernando de Almada, conselheiro régio e capitão-mor do reino, concedendo-lhe licença para poder nomear na cidade do Porto, um alcaide do mar, para que exerça este ofício tal como o foi o alcaide da cidade de Lisboa, Chancelaria de D. Afonso V, liv. 31, fl. 126v, 12 de Novembro de 1469, ANTT
  5. Sousa, António Caetano, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, Tomo III, pág. 7
  6. A Torre e Espada para o piloto Nascimento Costa, por António do Valle-Domingues, A Voz, 18 de Março de 1961
  7. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 19
  8. D. Afonso V privilegia D. Fernando de Almada, conselheiro régio e capitão-mor do reino, concedendo-lhe licença para poder nomear na cidade do Porto, um alcaide do mar, para que exerça este ofício tal como o foi o alcaide da cidade de Lisboa, Chancelaria de D. Afonso V, liv. 31, fl. 126v, 12 de Novembro de 1469, ANTT
  9. A D. Antão de Abranches, fidalgo da Casa d'el-Rei e capitão-mor de Lisboa, e a um seu filho barão, tença anual de 400 reais, Chancelaria de D. Manuel I, liv. 19, fl. 12v, ANTT
  10. «D. Constança de Noronha, nossa sobrinha, donzela da infanta D. Joanna, minha muito presada, e amada filha» (D. Afonso V, rei de Portugal, em carta de 18.9.1463), fonte: Manuel Abranches de Soveral, roglo
  11. António Carvalho da Costa, Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal, na Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1708, pág.564
  12. Nuno Furtado de Mendonça, roglo
  13. Manuel Abranches de Soveral - «Ascendências Visienses. Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII», Porto 2004, ISBN 972-97430-6-1

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]