Ferragus

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Ferragus é um romance de Honoré de Balzac, publicado na Revue de Paris, editado em 1834 por madame Charles-Béchet.

O título completo da obra, dedicada a Hector Berlioz, era Ferragus, chef des Dévorants (em português, Ferragus, chefe dos devoradores[1] ). Uma edição pirata publicada em 1833 por Méline anunciava já a primeira parte da reunião Histoire des Treize (que inclui Ferragus, La Duchesse de Langeais e La fille aux yeux d'or). Integra as Cenas da vida parisiense da Comédia Humana.

Enredo[editar | editar código-fonte]

A ação se situa por volta de 1820. Auguste de Malincour, jovem oficial de cavalaria, passeando por um bairro mal-afamado de Paris, percebe ao longe a jovem dama casada pela qual está secretamente apaixonado, contentando-se de admirá-la ao longe. Ele a vê desaparecer em uma casa sórdida como todas as outras do bairro. Qual é o segredo dessa mulher, conhecida na grande sociedade parisiense como um modelo de virtude conjugal? Reencontrando Clémence Desmarets na mesma tarde na casa de Madame de Nucingen, ele tenta tirar dela seu segredo. Mas a jovem dama pretende não ter saído de casa pela tarde. Auguste decide, então, espionar a casa na qual a viu entrar. Tendo sucesso em penetrá-la, ele descobre a dama em companhia de uma persoangem inquietante: Ferragus.

Nos dias que seguem, o jovem escapa por pouco de vários acidentes que parecem tentativas repetidas de assassinatos, pois ele descobriu os segredos de gente poderosa e misteriosa. Quase esmagado por uma grande pedra de construção, vítima de sabotagem de um dos eixos de sua carruagem, provocado em duelo pelo marquês de Ronquerolles, que o fere gravemente, finalmente, envenenado pelos cabelos depois de um baile, Auguste revela ao marido de Clémence, Jules Desmarets, riquíssimo agente de câmbio, os detalhes de suas descobertas em relação à sua mulher e a Ferragus, que não é nada mais que um velho forçado. A dúvida se instala, então, em um casamento até então admirável de paixão recíproca. Jules surpreende as pequenas mentiras de sua esposa que lhe fazem sofrer terrivelmente e que lhe conduzem à destruição de sua adorada mulher. A verdade é esclarecida tarde demais pois Clémence sucumbe à dor de não poder se justificar diante de seu marido: suas visitas a Ferragus foram ditadas pelo amor filial, pois o forçado era seu pai.

De seu verdadeiro nome Bourignard, Ferragus XXIII foi trabalhador, depois empreiteiro de construções. Foi na época (até 1806, data de sua prisão) muito rico, um belo jovem, membro da ordem dos Devoradores, da qual se tornaria chefe. Condenado à vinte anos de prisão em 1806, ele escapa e retorna a Paris on ele vive sob diversos nomes falsos e disfarces.

Até 1815, ele esteve envolvido com muitos casos sombrios, como por exemplo a expedição de Henri de Marsay à mansão de San-Réal para tentar raptar Paquita, a menina dos olhos de ouro.

O marquês de Ronquerolles é um dos seus cúplices e auxiliou-lhe em sua fuga da prisão. O marquês faz parte de uma sociedade secreta e da qual também faz parte de Marsay. e que Balzac descreve em seu prefácio à História dos Treze como um mundo "à parte do mundo, não reconhece nenhuma lei, nem se submente à consciência senão da necessidade... agindo todos por um único de seus associados quando um deles reclama assistência dos outros; essa vida de flibusteiro em luvas amarelas e em carruagens, essa união de pessoas superiores, frias e zombeteiras... essa religião do prazer fanatizou treze homens que recomeçaram a Sociedade de Jesus para o benefício do diabo[2] "

A narrativa termina como uma tragédia com a morte de Auguste e de Clémence, o desespero de Jules e a decrepitude física de Ferragus.

Referências

  1. Honoré de Balzac. A comédia humana. Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume VIII
  2. Hachette 1980, p. 18. Préface signée Paris. 1831

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (fr) Anne-Marie Baron, « Statut et fonctions de l’observateur », l'Année balzacienne, 1989, n° 10, p. 301-316.
  • (en) David F. Bell, « Balzac with Laplace: Remarks on the Status of Chance in Balzacian Narrative », One Culture: Essays in Science and Literature, Madison, U of Wisconsin P, 1987, p. 180-199.
  • (fr) Eric Bordas, « La Composition balzacienne dans Ferragus et La Fille aux yeux d'or : de la négligence à l’ambivalence », Orbis Litterarum: International Review of Literary Studies, 1994, n° 49 (6), p. 338-47.
  • (fr) Nathalie Buchet Rogers, « Indiana et Ferragus : fondements de l’autorité narrative et esthétique chez Sand et Balzac », George Sand Studies, 1999, n° 18 (1-2), p. 47-64.
  • (en) Diana Festa-McCormick, « Paris as the Grey Eminence in Balzac’s Ferragus », Laurels, Spring 1980, n° 51 (1), p. 33-43.
  • (fr) Chantal Massol-Bedoin, « L’Énigme de Ferragus : du roman noir au roman réaliste », L’Année balzacienne, 1987, n° 8, p. 59-77.
  • (en) James Mileham, « Labyrinths in Balzac’s Ferragus », Nineteenth-Century French Studies, 1995, n° 23 (3-4), p. 356-64.
  • (fr) Henri Mitterand, « Formes et fonctions de l’espace dans le récit : Ferragus de Balzac », Le Roman de Balzac : recherches critiques, méthodes, lectures, Montréal, Didier, 1980, p. 5-17.
  • (en) Henri Mitterand, « Place and Meaning: Parisian Space in Ferragus, by Balzac », Sociocriticism, 1986-1987, n° 4-5, p. 13-34.
  • (de) Wolfram Nitsch, « Vom Mikrokosmos zum Knotenpunkt: Raum in der Kulturanthropologie Leroi-Gourhans und in Balzacs Ferragus », Von Pilgerwegen, Schriftspuren und Blickpunkten: Raumpraktiken in medienhistorischer Perspektive, Würzburg, Königshausen & Neumann, 2004, p. 175-85.
  • (fr) Adélaïde Perilli, « La Sirène et l’imaginaire dans Ferragus », L’Année balzacienne, 1993, n° 44, p. 229-59.
  • (fr) Claude Pichois, « Deux hypothèses sur Ferragus », Revue d’Histoire Littéraire de la France, 1956, n° 56, p. 569-572.
  • (en) Søren Pold, « Panoramic Realism: An Early and Illustrative Passage from Urban Space to Media Space in Honoré de Balzac’s Parisian Novels, Ferragus and Le Père Goriot », Nineteenth-Century French Studies, 2000 Fall-2001 Winter, n° 29 (1-2), p. 47-63.
  • (fr) Alan Raitt, « L’Art de la narration dans Ferragus », Année balzacienne, 1996, n° 17, p. 367-75.
  • (fr) (en) Nigel E. Smith, « The Myth of the City in Balzac’s Ferragus », Romance Notes, 1993 Fall, n° 34 (1), p. 39-45.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]