Ferrovia Trans-iraniana

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Mapa da Ferrovia Trans-iraniana ligando o Golfo Pérsico ao Mar Cáspio.

A Ferrovia Trans-iraniana foi um grande projeto de construção ferroviária iniciada em 1927 e concluída em 1938, sob a direção do monarca persa, Reza Shah, e inteiramente com capital indígena. Ela liga a capital Teerã com o Golfo Pérsico e o Mar Cáspio. A ferrovia ligava Bandar Shah (agora: Bandar Torkaman) no norte e Shahpur Bandar (agora: Bandar-e Emam Khomeyni) no sul através de Ahvaz, Qom e Teerã.[1] Durante as reformas agrárias implementadas por Mohammad Reza Pahlavi em 1963 como parte da "Revolução Branca" a ferrovia Trans-iraniana foi estendido para vincular Teerã a Mashhad, Tabriz e Isfahan.[2]

Operações britanicas e soviéticas (1941–42)[editar | editar código-fonte]

Após a invasão da URSS pela Alemanha em junho de 1941, a Grã-Bretanha e a União Soviética tornaram-se aliados e ambos voltaram sua atenção para o Irã. A Grã-Bretanha e a URSS viram a recém-inaugurada ferrovia como uma rota atrativa para transportar suprimentos a partir do Golfo Pérsico para a região soviética. A Grã-Bretanha e a URSS pressionaram o Irão para permitir o uso de seu território para fins militares e logísticos.[3] O aumento das tensões com a Grã-Bretanha, levou a manifestações pró-alemães em Teerã. Em agosto de 1941, devido o xá Reza Pahlavi recusar a expulsar todos os cidadãos alemães e apoiar claramente os aliados, a Grã-Bretanha e a União Soviética invadiram o Irã, prenderam o monarca e o enviaram para o exílio na África do Sul , tomando o controle do Irã e da ferrovia.

EUA e a ajuda a União Soviética (1942-1945)[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 1942 o Corpo de Transportes do Exército Americano (USATC) substituiu a força britânica para operar a parte sul da ferrovia.[4] Nas 165 milhas (266 km) da linha existiam 144 túneis, em que vapores de fumaça e óleo criavam duras condições de trabalho para as locomotivas a vapor. Uma fonte de água limitada durante todo o percurso e ao clima quente das planícies do sul criava mais dificuldades para a operação destas locomotivas.[5]

O USATC, considerou portanto usar locomotivas diesel-elétricas mais adequadas e requisitou inicialmenter 13 ALCO RS-1.[4] Um adicional 44 RSD-1s foram construídos para uso no Irã. Estas totalizavam apenas 57 locomotivas por isso, foram usadas para operar apenas a parte sul da linha entre Bandar Shahpur e Andimeshk.[6]

Para o tráfego entre Andimeshk e Teerã a USATC trouxe 91 locomotivas a vapor Classe S200. O USATC também introduziu outros tres mil vagões de carga.[7] Em abril de 1943[4] outras 18 ALCO RSD-1 entraram em serviço,[8] permitindo estender ao norte o uso destas, atingindo Qom em setembro de 1943 e regularmente servindo Teerã em maio de 1944.[9]

O USATC aumentou ainda mais o tráfego de mercadorias, de modo que em 1944 a média foi 6 489 toneladas por dia.[10]

A ajuda à Rússia parou em maio de 1945 e em junho o USATC retirou-se[11] retornando o controle para as autoridades britânicas. Pouco depois, os britânicos entregaram todo o controle da linha ao Caminhos de Ferro do Estado iraniano.[12]


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Wright, p. 367
  2. Abrahamian, p. 133
  3. Abrahamian, 1997
  4. a b c Tourret, 1976, p. 5
  5. Tourret, 1977, p. 87
  6. Tourret, 1977, p. 87
  7. Tourret, 1977, p. 87
  8. Hughes, p. 107
  9. Tourret, R.. "United States Army Transportation Corps Locomotives". [S.l.]: Tourret Publishing, 197. ISBN 0-905878-01-9
  10. Hughes, p. 105
  11. Tourret, 1977, p. 87
  12. Tourret, R.. "War Department Locomotives". [S.l.]: Tourret Publishing, 1976. p. 31. ISBN 0-905878-00-0