Festa do Divino Espírito Santo

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Festas tradicionais que ocorrem em todas as 9 ilhas dos Açores. Festa do Espírito Santo. Coroa da Freguesia da Vila Nova, ilha Terceira, Açores.
Festas tradicionais que ocorrem em todas as 9 ilhas dos Açores. Festa do Espírito Santo. Pomba do Divino da Freguesia da Vila Nova, ilha Terceira, Açores.
Altar em honra do Divino Espírito Santo com Coroa, ilha de São Jorge.

Festa do Divino Espírito Santo é um culto ao Espírito Santo, em suas diversas manifestações, é uma das mais antigas e difundidas práticas do catolicismo popular.

Índice

[editar] Origem portuguesa

A origem remonta às celebrações religiosas realizadas em Portugal a partir do século XIV, nas quais a terceira pessoa da Santíssima Trindade era festejada com banquetes coletivos designados de Bodo aos Pobres com distribuição de comida e esmolas.

Assunto muito abordado pelo professor Agostinho da Silva. Há referências históricas que indicam que foi inicialmente instituída, em 1321, pelo convento franciscano de Alenquer sob proteção da Rainha Santa Isabel de Portugal e Aragão.

Essas celebrações aconteciam cinquenta dias após a Páscoa, comemorando o dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu do céu sobre os apóstolos de Cristo sob a forma de línguas como de fogo, segundo conta o Novo Testamento. Desde seus primórdios, os festejos do Divino, realizados na época das primeiras colheitas no calendário agrícola do hemisfério norte, são marcados pela esperança na chegada de uma nova era para o mundo dos homens, com igualdade, prosperidade e abundância para todos.

A devoção ao Divino encontrou um solo fértil para florescer nos territórios portuguesas, especialmente no arquipélago dos Açores. De lá, espalhou-se para outras áreas colonizadas por açorianos, como a Nova Inglaterra, nos Estados Unidos da América, e diversas partes do Brasil.

[editar] Brasil

É provável que o costume de festejar o Espírito Santo tenha chegado ao Brasil já nas primeiras décadas de colonização. Hoje, a festa do Divino pode ser encontrada em praticamente todas as regiões do país, do Rio Grande do Sul ao Amapá, apresentando características distintas em cada local, mas mantendo em comum elementos como a pomba branca e a santa coroa, a coroação de imperadores e a distribuição de esmolas.

[editar] Bahia

[editar] Palmas de Monte Alto

A festa do Divino Espírito Santo é também realizada na cidade de Palmas de Monte Alto no interior da Bahia, esta tradição tem mais de 200 anos na cidade. Todos os anos a Bandeira do Divino vai para casa do festeiro no ano seguinte. A festa é acompanhada com o cortejo do imperador, carros alegóricos feitos pelas mãos de pessoas da comunidade. Um dia antes da missa do Divino as pessoas costumam enfeitar as casas para receber a bandeira em suas moradias, a bandeira é levada até as casas para pedir esmola, várias pessoas a acompanham. Na madrugada do dia do divino a cidade é acordada por uma grande alvorada. A festa chegou Brasil no século XVI popularizando-se como uma manifestação SAGRADO-PROFANA. A indícios de que, no Maranhão, ela tenha chegado com imigrantes açorianos entre 1612 e 1625.

[editar] Goiás

Foi introduzida nas cidades históricas de Corumbá de Goiás, Jaraguá, Formosa e Pirenópolis.

[editar] Pirenópolis

Mascarados de Pirenopolis, GO.
Levantamento do Mastro, em Pirenópolis, na 190º Festa do Divino em 2008.

A Festa do Divino de Pirenópolis foi introduzida em 1819, e Festejada até hoje. Foi registrada como patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo IPHAN em 15 de abril de 2010. É palco das famosas Cavalhadas de Pirenópolis a mais bela e expressiva do Brasil, e da Festa do Divino, festejo religioso que dura cerca de 20 dias. Acontecem durante as festividades de Pentecostes, 50 dias após a Páscoa, e em Pirenópolis reúne diversas manifestações, como congadas, reinados, juizados, folias, queima de fogos, pastorinhas, missas, novena do divino (entoadas em latim pela Orquestra e Coral Nossa Senhora do Rosário), Levantamento do Mastro de 30 metros de altura, Mascarados e as tradicionais Cavalhadas de Pirenópolis.

Os Mascarados são um dos personagens da Festa do Divino Espírito Santo, que montados a cavalo, fazem algazarra pela cidade. Ver Festa do Divino de Pirenópolis.

[editar] Maranhão

[editar] Alcântara

No Maranhão, o culto ao Divino Espírito Santo teve início com os colonos açorianos, portugueses e seus descendentes, que desde o início do século XVII chegaram para povoar a região. A partir de meados do século XIX, a tradição da festa do Divino começou a estar firmemente enraizada entre a população da cidade de Alcântara, de onde se espalhou para o resto do Maranhão, tornando-se muito popular entre as diversas camadas da sociedade, especialmente as mais pobres.

Hoje, a devoção ao Divino é uma das mais importantes práticas religiosas do Maranhão, a festa, igualmente a que ocorre em Paraty (Rio de Janeiro) seja talvez uma das mais tradicionais de todo o território brasileiro, conservando ainda à risca aspectos do período colonial, mobilizando a cada ano centenas de pessoas em todo o Estado. Embora possa envolver gente de todos os extratos sociais, quase todos os participantes são pessoas humildes, de baixo poder aquisitivo, que se esforçam para produzir uma festa rica e luxuosa, onde não podem faltar as refeições fartas, a decoração requintada e caras vestimentas para as crianças do império (ver abaixo). Por se tratar de uma festa longa, custosa e cheia de detalhes, sua preparação e realização levam vários meses e envolvem muita gente, construindo assim uma grande rede de relações entre todos os participantes.

Em São Luís e em diversas outras cidades maranhenses, a festa do Divino é estreitamente identificada com as mulheres, e em especial com as mulheres negras ligadas às religiões afro-brasileiras. Esse fato distingue a festa no Maranhão das festas do Divino realizadas em outras regiões do país e lhe dá uma feição bem particular. Com exceção de algumas festas como a de Alcântara, organizada com o apoio de autoridades locais e sem vínculos com terreiros, a grande maioria das festas do Divino no Maranhão é realizada em casas de culto, onde a presença feminina é dominante.

Toda a festa do Divino gira em torno de um grupo de crianças, chamado império ou reinado. Essas crianças são vestidas com trajes de nobres e tratadas como tais durante os dias da festa, com todas as regalias. O império se estrutura de acordo com uma hierarquia no topo da qual estão o imperador e a imperatriz (ou rei e rainha), abaixo do qual ficam o mordomo-régio e a mordoma-régia, que por sua vez estão acima do mordomo-mor e da mordoma-mor. A cada ano, ao final da festa, imperador e imperatriz repassam seus cargos aos mordomos que os ocuparão no ano seguinte, recomeçando o ciclo.

A festa se desenrola em um salão chamado tribuna, que representa um palácio real e é especialmente decorado para este fim. A abertura e o fechamento desse espaço marcam o começo e o fim do ciclo da festa, durante o qual se desenrolam as diversas etapas que, em conjunto, constituem um ritual extremamente complexo, que pode durar até quinze dias: abertura da tribuna, busca e levantamento do mastro, visita dos impérios, missa e cerimônia dos impérios, derrubamento do mastro, repasse das posses reais, fechamento da tribuna e carimbó de caixeiras.

Entre os elementos mais importantes da festa do Divino estão as caixeiras, senhoras devotas que cantam e tocam caixa acompanhando todas as etapas da cerimônia. As caixeiras são em geral mulheres negras, com mais de cinqüenta anos, que moram em bairros periféricos da cidade. É sua responsabilidade não só conhecer perfeitamente todos os detalhes do ritual e do repertório musical da festa, que é vasto e variado, mas também possuir o dom do improviso para poder responder a qualquer situação imprevista.

[editar] Minas Gerais

[editar] São João del-Rei

No bairro de Matosinhos, celebra-se o Jubileu do Divino Espírito Santo. Este jubileu foi autorizado em 1783 pelo Papa Pio VI por meio de um breve pontifício. No ano de 1924 os festejos profanos foram paralisados. Em 1998 um grupo de folcloristas retoma a parte profana da festa e à reincorpora. O Jubileu do Divino Espírito Santo acontece todos os anos no Santuário de Senhor Bom Jesus de Matosinhos.

[editar] São Paulo

[editar] Tietê

A festa tem sua origem baseada na triste história da epidemia de maleita que matou muitas pessoas, por volta do ano de 1830. O povo então fez a promessa ao Divino Espírito Santo para que acabasse com a doença e em sua homenagem seria feita uma festa anual.

Nessa festa repete-se o ritual dos Irmãos do Divino que no passado iam com batelões até os sítios mais distantes prestar socorro às famílias que sofriam com a epidemia.

Hoje seguindo a tradição, os Irmãos viajam por quarenta dias, rio acima e rio abaixo, levando a imagem do Divino e arrecadando donativos pela zona rural em benefício da festa. Passam a noite em residências onde já são aguardados, sendo recebidos com jantares, cantorias e muita gente. Este é o chamado "Pouso do Divino".

No último sábado do ano, o dia da Festa, acontece o tradicional Encontro das Canoas, e o povo desce as margens do rio para também prestar sua homenagem ao Divino Espírito Santo.

[editar] Conchas

Existe uma Irmandade do Divino na Capela de São João município de Conchas. Eles viajam pela região utilizando ônibus e caminhão. Também são recebidos em sítios e algumas casa da cidade, inclusive na cidade vizinha que chama-se Pereiras.

[editar] São Luís do Paraitinga Excursão 6B RDP

Uma das festas religiosas mais populares do estado de São Paulo acontece no município de São Luís do Paraitinga, no interior paulista, é a Festa do Divino, que começa todo ano na sexta-feira de pentecostes. A festa dura, ao todo, 10 dias, nos quais são realizadas cerca de 20 procissões. O dia principal da festa é conhecido como Grande Dia. A cidade é despertada por volta das 6 horas com o toque da alvorada, realizado pela banda de música e pelo batuque da congada. As missas e apresentações folclóricas se revezam. Congadas, moçambiques, pau-de-cebo, o casal de bonecões João Paulino e Maria Angu, cavalhadas, distribuição de doces para o povo, brincadeiras para as crianças, como as corridas de ovo e corrida de saco. Há também a distribuição gratuita aos visitantes da festa de um prato caipira típico, o afogado. Para prepará-lo são abatidas de 15 a 20 vacas.[1]

[editar] Santa Catarina

[editar] Divina Festa - A Festa da Família (Florianópolis)

A tradição da festa do Divino, iniciada no século XVIII, e desde então realizada pela Irmandade do Divino Espírito Santo, foi retomada anualmente a partir de 1994, na Praça Getúlio Vargas, local em que sempre foi feita. Inicialmente, o interesse da IDES era o de reintroduzi-la, com suas barraquinhas e folguedos, nos costumes da comunidade central de Florianópolis, e a propagação do culto ao Divino Espírito Santo.

Dada a sua evolução e repercussão, atualmente, a IDES/PROMENOR tem na Divina Festa do Divino, um pilar de sustentação financeira, para a manutenção dos programas de atendimento oferecido à 1100 crianças e adolescentes da Grande Florianópolis.

Outro objetivo da IDES/PROMENOR é divulgar e propagar a devoção ao Espírito Santo, mantendo viva essa tradição através da promoção de ações solidárias e de vivência religiosa.

A festa passa constantemente por notáveis transformações, passando por critérios de alta qualidade, beleza, cuidados com os detalhes para que o resultado seja cada vez melhor.

Assim, o evento em sua nova versão, obtém receptividade absoluta da comunidade florianopolitana, cujas famílias, relembrando os velhos tempos, reúnem-se na praça para vivenciar em meio aos amigos, e resgatar a expressão cultural açoriana reverenciada na festa.

[editar] Santo Antônio de Lisboa (Florianópolis)

O aspecto folclórico que mais se reveste de popularidade em Santa Catarina é realmente a Folia do Divino, cuja tradição vem sendo conservada até a época atual. Algumas festas são pomposas, outras mais modestas, mas todas procuram manter o máximo de autenticidade, primando pelo rigor do ato litúrgico.

A festa é realizada, a mais de 250 anos, na comunidade de Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis. A comunidade é uma das mais antigas da ilha, um dos berços da colonização açoriana na cidade e a Festa do Divino Espírito Santo tem um pouco disso, promover o encontro entre a religiosidade oriunda do Açores e as demais manifestações culturais que fazem parte da ilha de Santa Catarina.

Na ilha de Santa Catarina, a festa é precedida da “romaria” da bandeira do Divino, cuja finalidade era, e ainda é, o recolhimento de “esmolas, óbolos e espórtulas”, destinados a auxiliar as despesas com a festa. Antigamente este coleta se revestia de cerimônia. Os “irmãos” das confrarias, portavam suas “opas” vermelhas, acompanhavam o grupo que conduzia a bandeira e a coroa. A coleta aos poucos foi simplificando-se e hoje são poucos os distritos de Florianópolis, ou mesmo de outros municípios, que a praticam.

[editar] Santo Amaro da Imperatriz

A Festa do Divino Espírito Santo de Santo Amaro da Imperatriz é uma das maiores e mais tradicionais Festas do Divino do Brasil.[carece de fontes?] Teve início no dia 29 de maio de 1854, após consulta ao Pe. Macário César de Alexandria e Sousa, Pároco de São José, o qual atendia o Arraial de Santo Amaro, que consentiu com a instituição da Festa do Divino Espírito Santo, com a realização da respectiva novena, e com a presença dos mordomos, do festeiro e da população em geral, na qual, segundo ele, poder-se-ia “cantar em ação de graças” ao Divino Espírito Santo.

Em 2009 a festa do Divino inicia-se no dia 29 de maio, tendo seu encerramento em 1 de junho. Os preparativos, tanto espirituais quanto materiais, se iniciam muito antes. Um exemplo disto é a Novena do Divino, que desde a Páscoa vem acontecendo, e a visitação da Bandeira, que vai de casa em casa levando um pouco de esperança e fé, e arrecadando donativos para a Festa.

A festa ocorre nos pavilhões da Igreja Matriz de Santo Amaro, sendo totalmente de caráter voluntário. Sua realização se dá pela colaboração da comunidade em geral. A organização fica por conta do CPC – Conselho de Pastoral da Comunidade.

Um levantamento aponta que em média 60.000 pessoas passam pelos pavilhões da Festa durante os quatro dias. Um dos grandes atrativos da Festa é a Corte Imperial, formada pela família do festeiro. A família usa trajes baseados em modelos usados pela corte, e apresenta ao povo toda a pompa que havia na corte Imperial. Outros atrativos ficam por conta da gastronomia, da Banda de Música de Santo Amaro, e de muitas outras bandas e atrações.

A festa ocorre nos pavilhões da Igreja Matriz de Santo Amaro, sendo totalmente de caráter voluntário. Sua realização se dá pela colaboração da comunidade em geral. A organização fica por conta da CPC – Conselho de Pastoral da Comunidade, que cuidadosamente cuida de todos os preparativos, para transcorrer tudo como planejado.

Um levantamento aponta que em média 60.000 (sessenta mil) pessoas passam, pelos pavilhões da Festa durante os quatro dias, vindo pessoas de toda região, e inclusive de fora de nosso Estado. Um dos grandes atrativos da Festa é a Corte Imperial, que formada pela família do festeiro, a família usa trajes, baseados em modelos usados pela corte, apresenta ao povo toda a pompa que havia na corte Imperial. Outros atrativos ficam por conta da gastronomia, de nossa Banda de Música de Santo Amaro, que é um show a parte, e de muitas outras bandas e atrações. A festa se tornou um ponto de reencontro de velhos amigos, descontração e alegria.

Em todas as Celebrações Litúrgicas O Imperador é coroado, e em seguida oferta sua coroa ao Divino Espírito Santo. A Celebração segue em ritmo festivo animada pelas mais tradicionais equipes de Liturgia da Paróquia. O Imperador sempre está com sua Espada e a Imperatriz com o cetro. Na missa do domingo as 19:00 horas é anunciado o festeiro do próximo ano que assume o compromisso junto com o novo casal Imperial na missa das 10:00 horas de Segunda-feira. Enquanto as festividades continuam com os shows, em cerimônia particular, os festeiros entregam ao pároco na capela interna da casa paroquial o cetro, a coroa e a espada, que agora serão usadas somente no próximo ano.

Visite o site da festa: www.festadodivinosantoamaro.com.br

[editar] Bibliografia

  • Gustavo Pacheco, Cláudia Gouveia e Maria Clara Abreu. Caixeiras do Espírito Santo de São Luís do Maranhão. Rio de Janeiro: Associação Cultural Caburé, 2005.

Referências

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