Festos

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Mapa da Creta minoica.

Festos (em grego: Φαιστός) é uma cidade antiga da ilha de Creta. Festos foi localizada na porção centro-sul da ilha, aproximadamente 5,6 km do mar mediterrâneo. Foi habitada desde cerca de 4 000 a.C.[1][2] Um palácio, datado da Idade do Bronze Médio, foi destruído por um terremoto durante a Idade do Bronze Superior. Cnossos, juntamente com outros sítios minoicos foi destruído na mesma época. O palácio acabou por ser reconstruído mais tarde.

Índice

[editar] Referências mitológicas

A referência a Festo na literatura da Grécia antiga é bastante frequente. Festos é referenciada por Homero como "bem povoada"[3][4], e os épicos homéricos indicam sua participação na Guerra de Tróia.[5] O historiador Diodoro Sículo indica que Festos, junto com Cnossos e Cidônia, são as três cidades que foram fundadas pelo rei Minos em Creta. Em vez disso, Pausânias e Estevão de Bizâncio suportam em seus textos que o fundador da cidade foi Festo, filho de Hércules ou Ropalo,[6] que governava Sicião (então sucessor de Ianisco[7]) e que em obediência a um oráculo migrou para Creta, deixando o reino para Zeuxipo, filho de Apolo.[8] A cidade está especialmente associada ao mítico rei de Creta Radamanto.[9]

[editar] História

Festos - visão geral

O primeiro palácio foi construído por volta de 1 900 a.C., durante o período protopalaciano[10] e, assim como outros palácios (Cnossos, Malia), está localizado nas planícies mais férteis da ilha, permitindo que seus proprietários acumulassem riquezas, especialmente agrícolas, como evidenciados pelos grandes armazéns para produtos agrícolas encontrados nos palácios.[11] Foi posteriormente reconstruído duas vezes devido a extensivos danos por causas naturais (primeiro em torno de 1 700 a.C.; depois em 1 400 a.C.[9]).[12] Quando o palácio era destruído, os reconstrutores construíram o novo palácio sobre o antigo. Alabastro assim como outros materiais foram utilizados para a construção dos palácios. Em torno de 1 400 a.C. (1 420 a.C.[13] ou 1 375 a.C.[14]) os aqueus invadiram a ilha, no entanto, não foram encontrados substratos micênicos em Festos o que pode indicar que o sítio foi completamente abandonado.

O local foi reabitado durante o período geométrico, sendo que a partir do milênio I a.C. a cidade perdeu gradativamente sua influência na ilha devido a proeminente expansão da cidade vizinha de Gortina.[15] Festos possuía sua própria moeda, que tinha entre suas representações Europa sentada em um touro, Talos com asas, Hércules sem barba sendo coroado e Zeus na forma de um jovem nu sentado em uma árvore. As deusas Afrodite e Leto eram cultuadas. Segundo Estrabão, Epimênides era nativo da cidade.[16]

Durante o período helenístico Festos criou uma aliança com outras cidades autônomas de Creta, e com o rei de Pérgamo Eumenes II. Em 200 a.C.[9] Festos foi destruída por Gortina e desde então deixou de existir na história da ilha de Creta.[16]

[editar] Arqueologia

Ruínas de Festos.

A detecção e identificação de Festos tiveram como principal base os textos de Estrabão,[17] que determinou a posição de Festos entre a cidade vizinha de Gortina, Matala (porto de Festos) e do mar. Em 1884, o arqueólogo italiano Alberto visitou a área tendo acidentalmente encontrado oferendas funerárias protopalacianas perto da igreja de Santo Onofre, no norte da área, e a caverna de Kamares (de onde provêm o nome de um estilo artístico minoico[18]) na encosta da montanha Psiloritis (Monte Ida). De 1900 em diante, as escavações foram feitas pela Escola Italiana de Arqueologia de Atenas, que trouxe à luz as famosas ruínas de Festos. Festos foi escavada pela primeira vez pelos arqueólogos italianos Federico Halbherr e Luigi Pernier. Em 1908 Pernier encontrou nas ruínas de Festos o famoso Disco de Festos[19] (um disco de barro datado entre 1900 e 1 450 a.C.). Novas escavações em 1950-1971 foram conduzidas por Doro Levi que descobriu uma grande fração do palácio. Próximo as ruínas palacianas foram encontradas as criptas dos governantes locais.

O nome do sítio também apareceu em textos em Linear A parcialmente decifrados, e é provavelmente semelhante à micênica "P-A-I-T-O" como escrito em Linear B. Vários kouloura (silos subterrâneos) foram encontrados em Festos.[20] Cerâmica dos períodos minoano médio e recente foi recuperada, estando inclusos itens policromados e imitações de trabalho em metal.[15] Os itens encontrados em Festos incluem tigelas, copos, jarras altas e pithoi imensos com padrões geométricos e zoomórficos, assim como joias.[15]

Em Festos é bem visível os restos da ala ocidental do palácio do período protopalaciano, uma ala rodeada por uma série de grandes pátios pavimentados em três níveis diferentes que foram adentrados por meio de duas entradas principais, bem como através de pelo menos cinco entradas menores.[20] Este palácio foi semelhante ao de Cnossos, embora este fosse menor. Sobre suas ruínas um palácio foi construído,[21], no entanto, era menor que o anterior.[22] Festo possuía um teatro, assim como o sítio de Cnossos e, possivelmente, Malia.[20] Fontes subterrâneas ao palácio, assim como o pequeno rio Ieropotamos foram utilizados para abastecimento do palácio que ostentava um complexo sistema de saneamento de água, uma característica arquitetônica minoica.[9]

O palácio dispõe de um pátio central de 55 metros por 25 metros alinhado a dois pórticos com colunas alternadas e pilares e provido de grande número de corredores.[2] Possuía alas residenciais, cultuais, ateliês e armazéns; estatuetas, vasos cultuais, criptas pilares, bacias lustrais, um forno e machados duplos talhados na pedra foram descobertos,[2] assim como vários artefatos com inscrições em Linear A.[23] Os aposentos reais localizam-se na parte norte do palácio e receberam os respectivos nomes de "Mégaron do Rei" e "Mégaron da Rainha".[2]

Referências

  1. Phaistos Palace Photos and Information (em inglês). www.matala-holidays.gr. Página visitada em 11-12-2011.
  2. a b c d Festos (em inglês). www.uk.digiserve.com/. Página visitada em 13-12-2011.
  3. Homero 2011a, p. v. 648
  4. Homero 2011b, p. v. 269
  5. Homero 2011a, p. 80; II. v. 569
  6. Pausânias 160-176, p. IV. 7
  7. Pausânias 160-176, p. 2.6.6
  8. Pausânias 160-176, p. 2.6.7
  9. a b c d Phaistos archaeological site (em inglês). www.ancient-greece.org/. Página visitada em 11-12-2011.
  10. Phaistos profile (em inglês). www.uk.digiserve.com/. Página visitada em 11-12-2011.
  11. Alexiou 1960, p. 23
  12. Salles 2008, p. 11
  13. Roebuck 1966, p. 77
  14. Welwei 2002, pp. 12-18
  15. a b c C. Michael Hogan. Phaistos Fieldnotes, The Modern Antiquarian (2007) (em inglês). themodernantiquarian.com/. Página visitada em 11-12-2011.
  16. a b Estrabão século I, p. 10.4.14
  17. Estrabão século I, p. Χ 479, 14
  18. Alexiou 1960, p. 25
  19. Haughton 2007, p. 115
  20. a b c Middle Minoan Crete: ARCHITECTURE (em inglês). projectsx.dartmouth.edu/. Página visitada em 11-12-2011.
  21. Faure 2009, pp. 222-223
  22. Alexiou 1960, p. 34
  23. Alexiou 1960, p. 120

[editar] Bibliografia

  • Homero. Ilíada (em português). São Paulo: Martin Claret, 2011a. ISBN 85-7232-551-4
  • Homero. Odisseia (em português). São Paulo: Martin Claret, 2011b. ISBN 85-7232-549-2
  • Pausânias. Descrição da Grécia (em grego). [S.l.: s.n.], 160-176.
  • Alexiou, Sotiris. La Crète minoenne (em francês). [S.l.: s.n.], 1960.
  • Salles, Catherine. Larousse das Civilização Antigas: Vol. I Dos faraós à fundação de Roma (em português). São Paulo: Larousse do Brasil, 2008. ISBN 978-85-7635-443-7
  • Roebuck, Carl. The World of Ancient Times (em inglês). Nova Iorque: [s.n.], 1966.
  • Welwei, Karl-Wilhelm. Die Griechische Frühzeit (em alemão). [S.l.: s.n.], 2002. ISBN 3406479855
  • Estrabão. Geographia (em grego). [S.l.: s.n.], século I.
  • Haughton, Brian. Hidden History: Lost Civilizations, Secret Knowledge, and Ancient Mysteries (em inglês). [S.l.: s.n.]. ISBN 1564148971
  • Faure, Janine. Grandes Enigmas da Humanidade Volume II – Fantasmas, Vidas Passadas, Premonições, Poderes Extraordinários, Monstros Humanos e dos Oceanos, Crianças Selvagens, Civilizações Desaparecidas, Pirâmides (em francês). [S.l.: s.n.], 2009. ISBN 978-85-7635-612-7
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