Fiódor Apraksin

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Fiódor Matveevich Apraksin
Фёдор Матвеевич Апраксин
Retrato de Apraksin, ca. 1710-28, por Johann Gottfried Tannauer.
Flag of Russia.svg Presidente do Conselho do Almirantado do Império Russo
Período de governo 1718 — 1728
Antecessor(a) Criação
Sucessor(a) Pedro Sievers
Vida
Nascimento 27 de novembro de 1661
Morte 10 de novembro de 1728 (66 anos)
Moscou
Serviço militar
Serviço/ramo Naval Ensign of Russia.svg Marinha Imperial Russa
Anos de serviço 1692—1728
Graduação Almirante-general
Condecorações Ordem de Santo André

Conde Fiódor Matveevich Apraksin (também Apraxin, em russo: Фёдор Матвеевич Апраксин) (27 de novembro de 1661 – Moscou, 10 de novembro de 1728[1] ) foi um dos primeiros almirantes russos que governou a Estônia e a Carélia de 1712 até 1723, almirante-general (1708), primeiro Presidente do Conselho do Almirantado do Império Russo a partir de 1718 e comandante da Frota do Báltico a partir de 1723.

Atividade na construção naval[editar | editar código-fonte]

Os irmãos Apraksin foram lançados à fama após o casamento de sua irmã Marfa com o tsar Teodoro III da Rússia em 1681. Fiódor começou a servir seu cunhado, com a idade de dez anos, como um stolnik (responsável por servir à mesa real). Após a morte de Teodoro, serviu ainda por algum tempo o tsar Pedro na mesma função. Participou das diversões militares do jovem tsar e ajudou a construir uma flotilha de brinquedo para ele. As brincadeiras juvenis dos dois rapazes resultaram em uma longa amizade.

Em 1692 Apraksin foi nomeado governador de Arcangel, o porto comercial mais importante da Rússia na época, e construiu navios capazes de enfrentar tempestades, para grande deleite do tsar. Enquanto viveu ali, Apraksin encomendou uma das primeiras embarcações comerciais russas a ser construída e navegar para o exterior. Em 1697 foi encarregado das principais atividades de construção naval em Voronej, onde supervisionou a construção da primeira frota russa. Adquiriu seu posto de coronel no cerco de Azov (1696). Foi nomeado o primeiro governador russo de Azov em 1700. Enquanto Pedro combatia Carlos XII da Suécia, Apraksin construía frotas de navios, fortalezas e portos no sul da Rússia, nomeadamente Tavrov e Taganrog. Em 1700 foi nomeado também chefe do almirantado, em cujo posto (de 1700 a 1706) sua habilidade técnica incomum foi de grande utilidade.

Grande Guerra do Norte[editar | editar código-fonte]

Tendo pacificado os rebeldes de Astracã, Apraksin foi chamado de volta a Moscou, onde ficou encarregado de cuidar da Casa da Moeda e do arsenal militar. Em 1707, foi nomeado presidente do Conselho do Almirantado do Império Russo. No ano seguinte, foi nomeado comandante-em-chefe na Íngria, para defender a nova capital São Petersburgo contra os suecos, a quem derrotou, além de capturar Vyborg na Carélia. Em 25 de fevereiro de 1710, aos 48 anos de idade, se tornou o terceiro russo a receber o título de Conde.

Apraksin comandou as operações no mar Negro durante a Campanha do rio Pruth (1711). Em março de 1710 estava no comando no Cerco de Vyborg. Ao tomar esta fortaleza sueca em junho, foi homenageado com a Ordem de Santo André e nomeado governador das províncias conquistadas (Estônia, Íngria, e Carélia). Comandou a Marinha Imperial Russa na tomada de Helsinque (1713) - materialmente contribuiu com a conquista da Finlândia, em razão de suas operações no lado marítimo - e o grande Batalha de Gangut (1714). Naquele mesmo ano, ajudou o tsar na construção de um novo porto em Tallinn. Anteriormente, em 1712, manteve negociações com a Turquia, culminando com a destruição de Taganrog e a rendição de Azov para os otomanos.

De 1710 a 1720, conduziu pessoalmente os ataques contra a Suécia, devastando aquele país sem piedade, e impondo a paz de Nystad, em que ela cedia a melhor parte de suas províncias bálticas para a Rússia. Por esses grandes serviços prestados Apraksin foi nomeado senador e almirante-general do Império.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Monumento a Fiódor Apraksin em Vyborg.

Em 1715, Apraksin teve sua relação com o tsar abalada, pois o mesmo havia sido informado sobre desordens e corrupção no Almirantado. Após breve investigação, Apraksin foi multado e enviado para governar a Estônia. Em 1719, liderou a expedição naval russa no Golfo de Bótnia. Durante a Guerra russo-persa de 1722 Apraksin escapou por pouco de uma tentativa de assassinato por um checheno.

Considerando que seu irmão mais velho Pedro Apraksin (governador de Astracã) foi acusado de simpatizar com Alexei Petrovich, Fiódor estava ansioso para demonstrar seu zelo em perseguir o tsarevich, como fez o conde Pyotr Andreyevich Tolstoy, (1645-1729).

Após a morte de Pedro I, em 1725, sua esposa Catarina concedeu ao angustiado almirante a Ordem de Alexander Nevsky e nomeou-o para o Conselho Privado Supremo, uma exigência dos grandes boiardos da Rússia liderados pelo influente e vindo de uma família poderosa, o príncipe Dmitry Galitzine, (1665-1737), embaixador na Turquia e Polônia, embora necessariamente para governar em uma estrutura menos autocrática do Império.

Estes "seis dignitários supremos" que constituíam o inicial Conselho Privado Supremo, ou seja, Alexandre Danilovitch Menchikov, Fiódor Apraksin, Gavriil Golovkin, Andrey Osterman, Pyotr Andreyevich Tolstoy, e Dmitry Galitzine conseguiram o reconhecimento da imperatriz russa Ana Ivanovna como sucessora do infeliz jovem tsar Pedro II falecido em 1730 aos 15 anos de idade e apenas três anos como tsar, aparentemente morto de varíola.

Depois que a imperatriz Ana Ivanovna foi coroada, ela começou a governar de forma absoluta, e condenou Dmitry Galitzine à morte, mas sua sentença depois foi comutada para exílio.

A última expedição de Apraksin foi a Tallinn em 1726, para proteger a cidade de um provável ataque do governo inglês, uma vez que as relações com a Rússia no início do reinado de Catarina I eram tensas.

Embora frequentemente ameaçado com terríveis penalidades por Pedro, o Grande, em razão de seu vício incurável de peculato, Apraksin, entretanto, conseguiu salvar sua cabeça, mas não seu bolso, principalmente através da mediação da bem-humorada imperatriz, considerada esposa inicialmente apenas pela lei sueca, e mais tarde esposa formal de Pedro I, Catarina I, governou apenas como Imperatriz da Rússia de 1725 a 1727.

Ela permaneceu amiga de Apraksin até o fim, provavelmente em agradecimento por ele ter se empenhado em colocá-la no trono após a morte de Pedro.

Legado[editar | editar código-fonte]

De acordo com Robert Nisbet Bain, Apraksin foi o mais genial e bondoso de todos os tutelados de Pedro. Diz-se que nunca fez um inimigo. Morreu em 10 de novembro de 1728, aos 67 anos de idade, e foi enterrado na sepultura da família no Mosteiro Crisóstomo de Moscou, onde o seu túmulo foi destruído pelos comunistas na década de 1930.

Notas

  1. "Em 10 de novembro de 1728 morreu o servo de Deus… conde Fiódor Matveevich Apraksin. Nasceu em 27 de novembro de 1661, e viveu 67 anos". (Gregório Arquimandrita. Mosteiro Zlatoust de Moscou. (Inscrições em túmulos de pedra e monumentos). // Monumentos russos. volume 3. — М.: editora Т. Рис, 1880. — С. 45. [pág 4.])

Referências

Wikisource  "Apraksin, Thedor Matvyeevich". Encyclopædia Britannica (11th). (1911). Ed. Chisholm, Hugh. Cambridge University Press. 

  • Robert Nisbet Bain, The Pupils of Peter the Great (Londres, 1897).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]