Filha de Jairo
O evento conhecido como Filha de Jairo é um dos milagres de Jesus e está relatado nos três evangelhos sinóticos (Mateus 9:18-26, Lucas 8:40-56 e Marcos 5:21-43). No relato em Marcos, a frase em aramaico Talitha qoum (transliterada para o grego como "ταλιθα κουμ" e que pode ser traduzida como "Garotinha, eu te ordeno: Levanta!"), é atribuída à Jesus.
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Milagre [editar]
A história começa imediatamente após o exorcismo em Gérasa. Jairo, um frequentador da sinagoga, pede a Jesus que cure sua filha moribunda. Porém, de acordo com Mateus, ela já estaria morta e não "morrendo". Conforme eles seguem para a casa de Jairo, uma mulher doente na multidão toca no manto de Jesus e é curada de sua enfermidade, no episódio que ficou conhecido como "Curando a mulher com sangramento".
Enquanto isso, a filha morreu, mas Jesus não se deteve e continuou até a casa e lá a trouxe de volta à vida. Ou, nas suas palavras, a "acordou".
Interpretação [editar]
Donahue e Harrington afirmam que este episódio mostra que "fé, especialmente a demonstrada pela mulher com o sangramento, pode existir mesmo em situações aparentemente sem esperanças"1 .
As histórias combinadas foram utilizadas como um exemplo de intercalação, com um incidente inserido na narrativa de outro, e de contraste, ao comparar a mulher mais velha com uma enfermidade havia 12 anos com uma garota de doze anos de idade2 . Michael Keene afirma que há uma ligação entre Jairo e a mulher: "A ligação entre eles é a fé, uma vez que tanto ele quanto a mulher sangrando a demonstram em abundância com relação a Jesus"3 .
Walvoord e Zuck afirmam que: "O que parece ser uma interrupção desastrosa por conta da cura da mulher - enquanto a filha morria - na verdade assegurou a salvação da filha de Jairo. Ela teria sido ordenada pela providência e reforçou a fé de Jairo."4 . Lang também afirma que: "Esta interrupção iria servir tanto para testar quanto para reforçar a fé de Jairo"5 .
Interpretação Simbólica [editar]
Em uma obra totalmente dedicada à narrativa evangélica da ressurreição da filha de Jairo, o psicanalista Antonio Farjani vê nesse episódio um mito com características agrárias, lunares e solares, associando-o a antigos rituais de Mistérios praticados por culturas pré-cristãs. Do ponto de vista astronômico, Farjani interpreta a ressurreição da menina como um símbolo do surgimento da primeira lua cheia após o solstício de verão no Egito, associado ao início da inundação do rio Nilo. Sob esta perspectiva, Jesus representaria o Sol que, ao se pôr no horizonte, fica em oposição à lua cheia que então surge no leste, compondo o que os egípcios denominavam o Olho de Hórus. Assim, este episódio representaria em última análise o Hieros gamos ou Matrimônio Sagrado, a união entre o deus e a deusa que fertilizava toda a natureza 6 .
Ver também [editar]
Referências
- ↑ John R. Donahue, Daniel J. Harrington 2005 The Gospel of Mark ISBN 0814659659 page 182
- ↑ Intercalations in the synoptic tradition
- ↑ Michael Keene, 2002 St Mark's Gospel and the Christian faith ISBN 0748767754 page 72
- ↑ John F. Walvoord, Roy B. Zuck, 1983 The Bible Knowledge Commentary ISBN 0882078127 page 124
- ↑ Johann Peter Lange, 1960 A commentary on the Holy Scriptures Zondervan Press ASIN: B00133NOEM page 174
- ↑ Antonio Farjani, 2012 Mistérios da Lua, Editora Hemus, ISBN 978-85-289-0626-4