Ressurreição da filha de Jairo

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Jesus ressuscitando a filha de Jairo
Afresco na Igreja de Chora, em Istambul.

A Ressurreição da filha de Jairo é um dos milagres de Jesus e está relatado nos três evangelhos sinóticos (Mateus 9:18-26, Lucas 8:40-56 e Marcos 5:21-43). No relato em Marcos, a frase em aramaico Talitha qoum (transliterada para o grego como "ταλιθα κουμ" e que pode ser traduzida como "Garotinha, eu te ordeno: Levanta!"), é atribuída à Jesus.

Este evento é uma das três vezes nos evangelhos canônicos que Jesus traz alguém de volta à vida (as outras foram a ressurreição do filho da viúva de Naim e a ressurreição de Lázaro)[1] [2] .

Milagre[editar | editar código-fonte]

A história começa imediatamente após o exorcismo em Gérasa. Jairo, um frequentador da sinagoga, pede a Jesus que cure sua filha moribunda. Porém, de acordo com Mateus, ela já estaria morta e não "morrendo". Conforme eles seguem para a casa de Jairo, uma mulher doente na multidão toca no manto de Jesus e é curada de sua enfermidade, no episódio que ficou conhecido como "Curando a mulher com sangramento".

Enquanto isso, a filha morreu, mas Jesus não se deteve e continuou até a casa e lá a trouxe de volta à vida. Ou, nas suas palavras, a "acordou".

Interpretação[editar | editar código-fonte]

Donahue e Harrington afirmam que este episódio mostra que ", especialmente a demonstrada pela mulher com o sangramento, pode existir mesmo em situações aparentemente sem esperanças"[3] .

As histórias combinadas foram utilizadas como um exemplo de intercalação, com um incidente inserido na narrativa de outro, e de contraste, ao comparar a mulher mais velha com uma enfermidade havia 12 anos com uma garota de doze anos de idade[4] . Michael Keene afirma que há uma ligação entre Jairo e a mulher: "A ligação entre eles é a fé, uma vez que tanto ele quanto a mulher sangrando a demonstram em abundância com relação a Jesus"[5] .

Walvoord e Zuck afirmam que: "O que parece ser uma interrupção desastrosa por conta da cura da mulher - enquanto a filha morria - na verdade assegurou a salvação da filha de Jairo. Ela teria sido ordenada pela providência e reforçou a fé de Jairo."[6] . Lang também afirma que: "Esta interrupção iria servir tanto para testar quanto para reforçar a fé de Jairo"[7] .

Interpretação Simbólica[editar | editar código-fonte]

Em uma obra totalmente dedicada à narrativa evangélica da ressurreição da filha de Jairo, o psicanalista Antonio Farjani vê nesse episódio um mito com características agrárias, lunares e solares, associando-o a antigos rituais de Mistérios praticados por culturas pré-cristãs. Do ponto de vista astronômico, Farjani interpreta a ressurreição da menina como um símbolo do surgimento da primeira lua cheia após o solstício de verão no Egito, associado ao início da inundação do rio Nilo. Sob esta perspectiva, Jesus representaria o Sol que, ao se pôr no horizonte, fica em oposição à lua cheia que então surge no leste, compondo o que os egípcios denominavam o Olho de Hórus. Assim, este episódio representaria em última análise o Hieros gamos ou Matrimônio Sagrado, a união entre o deus e a deusa que fertilizava toda a natureza [8] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Nain at the Bible Homelands website
  2. The Raising of the Widow's Son at the Boston Christian Bible Study website
  3. John R. Donahue, Daniel J. Harrington 2005 The Gospel of Mark ISBN 0814659659 page 182
  4. Intercalations in the synoptic tradition
  5. Michael Keene, 2002 St Mark's Gospel and the Christian faith ISBN 0748767754 page 72
  6. John F. Walvoord, Roy B. Zuck, 1983 The Bible Knowledge Commentary ISBN 0882078127 page 124
  7. Johann Peter Lange, 1960 A commentary on the Holy Scriptures Zondervan Press ASIN: B00133NOEM page 174
  8. Antonio Farjani, 2012 Mistérios da Lua, Editora Hemus, ISBN 978-85-289-0626-4
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