Filipe I, Duque de Orleães

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Filipe de Orleães
Duque d'Orleães
Cônjuge Henriqueta Ana Stuart
Isabel Carlota do Palatinado
Descendência
Maria Luísa
Filipe Carlos
Ana Maria
Alexandre Luís
Filipe
Isabel-Carlota
Casa Bourbon
Pai Luís XIII de França
Mãe Ana de Áustria
Nascimento 21 de Setembro de 1640
Saint-Germain-en-Laye, França
Morte 9 de Junho de 1701 (60 anos)
Saint-Cloud, França
Enterro Basílica de Saint-Denis, Paris, França

Filipe de França , Duque d'Orleães (Saint-Germain-en-Laye; 21 de setembro de 1640, - Saint-Cloud; 19 de junho de 1701) foi o segundo filho do Rei Luís XIII com sua esposa Ana da Áustria, Infanta de Espanha. Era ainda chamado Filipe d'Orleães.

Irmão menor de Luís XIV. Desde 1643 teve direito a ser chamado Monsieur; feito Duque de Anjou desde o nascimento em 1640 até 1660; Duque de Orléans, de Duque de Valois, de Duque de Chartres de 1660 a 1671 e Duque de Nemours em 1672; Duque de Montpensier em 1693. Era ainda Príncipe de Joinville, Duque de Beaupréau, Duque de Châtellerault, Principe des Dombes, Delfim de Auvérnia, Marquês de Mézières, Conde d'Eu, Conde de Saint-Fargeau, Barão de Beaujolais. Foi Delfim de França desde o ano de 1643, e enquanto Luis XIV não teve descendência, até que nasceu seu sobrinho, Luís, o grande delfim de França, em 1661. Por ser filho do rei, era Fils de France (Filho de França).

Na corte era chmado de "Monsieur" ,"Sua Alteza" ou "Sua Graça"; Nas questões oficiais era chamado de "Monsieur, frère unique du roi" (Monsiquer, irmão unico do Rei)

Depois da morte de seu tio Gastão de Orleans, irmão de Luís XIII, Filipe herdou o patrimonio deste, no qual se encontrava o Ducado que lhe representaria pelo resto da vida, o Ducado de Orléans. Por isso ficou conhecido como Filipe, Duque de Orleáns ou Filipe I de Orleans.

Foi Monsieur que deu início como Tronco à Casa de Bourbon-Orleães.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Desde sua infância (quase toda transcorrida durante a Fronda), Filipe demonstrou sua "originalidade", seu jogo preferido era colocar cintas e maquiar-se. Suas tendências homossexuais e sua superficialidade foram estimuladas porque um Príncipe extravagante teria menos oportunidade de fazer sombra a seu irmão que, desta forma, não corria perigo de Filipe disputar com ele o poder, não repetindo assim o caso de Gastão de França (irmão de Luís XIII).

Por isso, Filipe foi reconhecido por sua libertinagem e sua homossexualidade, assim como por seus costumes extravagantes. Seu primeiro favorito foi Julio Mancini Mazzarino, sobrinho do Cardeal Mazarino e logo Duque de Nevers, o primeiro a "corromper-lhe" segundo as memórias do Duque de Saint-Simon. Mais tarde Armand de Gramont, Conde de Guiche, filho do Marechal de Gramont, Príncipe de Vidache. Guiche levou Monsieur a uma tirania escandalosa que produziu mais de uma crise na Família Real. Paralelamente, Guiche, acabaria enganando Monsieur, tentanto cortejar Henriqueta Ana de Inglaterra, esposa de Monsieur. Luís XIV acabou exilando Guiche da corte (tanto pela vontade de seu irmão, como pelos escândalos que provocavam os avanços de Guiche ante Henriqueta Ana.).

Depois de Guiche, Monsieur teve outros favoritos, como o Marquês de Effiat (sobrinho do Marquês de Cinq-Mars). Mas o mais famoso dos seus favoritos foi o Cavaleiro da Lorena, Filipe de Lorena. O Cavaleiro de Lorena era um dos filhos do Conde de Harcourt, pertencente à estirpe principesco-ducal de Lorena. O Cavaleiro de Lorena governou quase tiranicamente a Casa de Monsieur, estando sempre em conflito com as Duquesas de Orléans. A primeira Henriqueta Ana Stuart conseguiu exilá-lo em Roma durante algum tempo. Mas depois da morte desta (Que alguns atribuíam ao próprio Cavaleiro), Luís XIV o permitiu voltar a corte. O Rei Luís XIV consentiu com a influencia de Lorena sobre seu irmão, a fim de ter controlada a Casa de Orléans. O Cavaleiro de Lorena gozava de apartamentos contíguos a dos de Monsieur em todas as suas residências e mais tarde se converteu no Governante do Duque de Chartres, o futuro Regente, Filipe II de Orleães.

O Duque de Orléans e suas residencias[editar | editar código-fonte]

Depois da morte de seu tio, Gastão em 1660, Filipe se tornou o Duque de Orléans. Este ducado o converteu em um dos personagens mais ricos do Rei, o que o permitiu viver com um conforto equivalente ao da Corte e ser um grande mecenas. Foi o responsável pela construção do Canal de Orléans, que financiou a ampliação e o embelezamento do Château de Saint-Cloud e do Palais Royal.

Teve duas principais residências:

  • Palais Royal: Recebeu-o como patrimonio, decorou-o com Grandes Frescos e era onde Monsieur oferecia Grandes festas.
  • Château de Saint-Cloud: Presente de Luís XIV em 1658, no qual Filipe realizou numerosas reformas, em particular a construção de grandes jardins a francesa.

Vida militar e social[editar | editar código-fonte]

Monsieur em Armadura

Diante da sua inegável coragem em combate, o Rei Luís XIV não lhe deu margem de manobra e não lhe concedeu poder algum. Mesmo que Filipe tenha conseguido vitórias na Guerra Franco-Holandesa (Batalha de Cassel, 1677) contra o Príncipe de Orange, seu irmão, lhe privou de toda a direção militar. O Rei-Sol o manteve afastado do poder toda a sua vida. O papel de Monsieur era cerimonial e etiqueta. O Duque de Saint-Simon afirma em suas memórias que Monsieur era "doutor em etiqueta". Luis XIV lhe consultava sobre questões protocolarias e lhe confiou os cuidados do esplendor e refinamento do cerimonial francês e da etiqueta. Por outro lado, Monsieur, ao contrario de seu irmão, gostava de viver em Paris. Sempre ia ao teatro e a Opera, oferecia grandiosas recepções no Palais-Royal e ia a mercados e feiras. Se tornou assim um personagem tremendamente popular na capital e ao mesmo tempo em um representante do Rei-Sol na velha capital, ao menos socialmente. Por último, Monsieur foi um grande mecenas, não só por sua generosidade mas também por seu gosto refinado. Assim é certo que Luís XIV manteve Monsieur prudentemente afastado de decisões políticas, mas depositou nele um papel de preeminência social muito importante. As relações entre Luís XIV e seu irmão foram as vezes tumultuosas, mas ambos manifestaram sempre um terno afeto, caso praticamente único na Monarquia Francesa.

Casamentos[editar | editar código-fonte]

Casou-se por contrato em Paris em 30 de março de 1661 e cerimônia religiosa na Capela do Palais Royal (ou Palais-Cardinal) em 31 de março de 1661 com a Princesa inglesa Henriqueta Ana Stuart, filha do Rei Carlos I de Inglaterra e da Princesa francesa Henriqueta Maria da França. Tiveram quatro filhos, dois quais apenas dois sobreviveram.

Casou-se Filipe por segunda vez por contrato de 6 de novembro de 1671, por procuração em Metz em 16 de novembro e em cerimônia religiosa em Châlons-sur-Marne em 21 de novembro com Isabel Carlota do Palatinado, Pincesa da Baviera, Condessa Palatina de Simmern, sendo por isso chamada na França a Princesa Palatina ou la Princesse Palatine, ou ainda Madame Palatine. Era filha de Carlos I da Baviera, Eleitor do Palatinato e de Carlota de Hesse-Cassel. Tiveram três filhos.

Todos os descendentes de Filipe I d'Orleães foram excluídos do Trono Inglês pelo ato de sucessão de 1702.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Morte[editar | editar código-fonte]

Filipe morreu em 19 de junho de 1701, de apoplexia, após uma discussão com seu irmão sobre quem deveria ser a noiva de seu filho, o Duque de Chartres

Precedido por
Gastão
Duque de Orleães
Coat of arms of the Philippe d'Orléans, Duke of Orléans (nephew and son in law of Louis XIV).png

16601701
Sucedido por
Filipe II