Filisteus

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Estados Filisteus ca. 830 a.C.
Pentápolis filisteia (em vermelho)

Os filisteus (do hebraico פְּלְשְׁתִּים plishtim) foram um povo que ocupou a costa sudoeste de Canaã, com seu território nomeado como Filístia em contextos posteriores. Teoriza-se que eles se originaram entre os "povos do mar". A arqueologia moderna também sugeriu os primeiros laços culturais com o mundo micênico na Grécia. Apesar de eles terem adotado a língua e a cultura local cananeia antes de deixar quaisquer textos escritos (e posteriormente adotarem a língua Aramaica), uma origem indo-européia tem sido sugerida para um grande número de palavras filisteias conhecidas que sobreviveram como estrangeirismos em hebraico.

Origem[editar | editar código-fonte]

Sua origem ainda hoje é motivo de controvérsias. Há polêmica até mesmo sobre o fato de quee se tratava de um único povo ou de uma confederação de povos que migraram do Mar Egeu para o leste do Mar Mediterrâneo no Séc. XIII a.C.[1]

Segundo a mitologia judaica, os filisteus teriam se originado de Casluim, o qual teria sido um dos filhos de Mizraim, patriarca dos egípcios, e neto de Cam. No entanto, a teoria mais aceita cientificamente baseia-se na hipótese de que se tratava de um grupo indo-europeu que conviveu durante séculos com os povos semitas da região conhecida como Palestina.

A primeira notícia que se tem sobre os filisteus surge de relatos Egípcios sobre os "Povos do Mar", isto é, levas de migrantes que vieram por mar para o atual Egito. As crônicas egípcias registram que, entre estes povos, encontravam-se os filisteus (peleset), mas havia ainda outros.

Esses "povos do mar", após várias batalhas marítimas, foram derrotados pelos egípcios sob o comando de Ramsés III. Por fim, foram obrigados a buscar terras mais a leste na região costeira onde era a Palestina para se fixarem. Lá, fundaram cinco cidades: Asdode, Ascalão, Ecrom, Gaza e, a maior delas, Gate.

Durante o período em que viveram nesta região, conhecida como a Pentápolis Filisteia, quase sempre estiveram em guerra com seus inimigos hebreus; dos quais, aliás, são oriundas a maioria das informações sobre aquele povo.

Pesquisas atuais revelam o elevado grau de sofisticação na produção de artefatos de metal e de outros materiais deste povo. Graças a seu avançado estágio de trabalho em metalurgia, quase sempre quando os Filisteus iam a guerra contra os Hebreus, seus exércitos eram vitoriosos.

Esse povo sendo de origem indo-europeia, possuía uma cultura e costumes bem diversos dos demais povos da região. Os hebreus, em particular, os achavam "bárbaros incivilizados". O costume filisteu de comer porcos e de não realizar a circuncisão, por exemplo, em muito deve ter contribuído para as opiniões negativas. Ambos os povos foram eclipsados em período posterior pelo expansionismo guerreiro do Império Neobabilônico.

Muito conhecida é a destruição de Jerusalém pelos exércitos do Rei Caldeu Nabucodonosor em 587a.C. Menos conhecido, contudo, foi o destino compartilhado das cidades filisteias de Asdode, Ascalão e Ecrom (Gate já havia sido destruída 200 anos antes em guerras contra os Arameus). Elas foram arrasadas e queimadas pelas tropas deste mesmo rei em campanha anterior àquela que arrasou Jerusalém. Somente por meio de escavações recentes, a dramaticidade deste evento está sendo trazida à tona. Os sobreviventes de todas elas também foram levados para o cativeiro da Babilônia, a milhares de quilômetros de distância de suas cidades destruídas.

Ao contrário de seus inimigos hebreus, quando da queda do Império Babilônico pelos exércitos de Ciro, o Grande da Pérsia, os filisteus não retornaram às suas cidades. Elas ficaram abandonadas por muitos anos até serem novamente ocupadas por outros povos sob domínio do Império Aquemênida (sobretudo Fenícios). Os filisteus desapareceram da história. Um povo inteiro deixou de existir. Ainda se debate como e por que isto aconteceu. Alguns acreditam que eles foram culturalmente assimilados durante a sua estadia na Babilônia. Como isto pode ocorrer em tão pouco tempo levanta discussões interessantes entre historiadores e antropólogos.

Referências

  1. Filisteus (em inglês).
  • H. R. Hall, The Ancient History of the Near East, London, Methurn & Co. Ltd, 1936

Ver também[editar | editar código-fonte]