Flávio Tavares

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Flávio Tavares
Nome completo Flávio Aristides Freitas Hailliot Tavares
Nascimento 1934 (80 anos)
Lajeado, RS
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação jornalista, escritor, cronista

Flávio Aristides Freitas Hailliot Tavares (Lajeado, 1934) é um jornalista brasileiro.

Ex-militante da esquerda partidária da luta armada,[1] foi um dos presos políticos trocados pelo embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, à época da ditadura militar brasileira.

Na juventude, foi aluno de colégio marista e ligado à Ação Católica. Aos 20 anos, Flávio foi eleito presidente da União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Sul. Formou-se em Direito, mas nunca atuou como advogado, trabalhando desde cedo na área de jornalismo. Foi comentarista político do jornal Última Hora, de Samuel Wainer, quando cobriu eventos importantes pelo jornal, como a Conferência da Organização dos Estados Americanos, em Punta del Leste, Uruguai, em 1961. Lá, conheceu Ernesto Che Guevara, que era o delegado de Cuba.[2]

Foi também um dos fundadores da Universidade de Brasília. Ligado ao então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, Tavares foi preso pela primeira vez logo após o golpe militar de 1964. Foi solto logo depois.[3] "No início, a ditadura aqui foi muito branda. Nos vigiava, mas garantia a liberdade de imprensa", recorda. Mas não demorou para que Flávio passasse a conspirar contra a ditadura, na luta armada. [2]

Entre 1967 e 1969, foi novamente preso, acusado de participar de uma ação armada para libertar presos políticos na Penitenciária Lemos de Brito, no Rio de Janeiro. "Aí, eu fui conhecer a tortura, que eu duvidava que acontecesse daquela forma. Desconfiava que era propaganda da esquerda para desmoralizar os militares", confessa.[2]

Em setembro de 1969 foi enviado para o exílio, no México, no grupo de prisioneiros trocados pelo embaixador Elbrick, sequestrado por integrantes das organizações clandestinas Dissidência Comunista da Guanabara e da Ação Libertadora Nacional.[3]

Nos anos 1970, durante o exílio, trabalhou no jornal mexicano Excelsior, pertencente a uma cooperativa de trabalhadores.[2] Como correspondente do Excelsior, a partir de 1974 foi viver em Buenos Aires, onde também escrevia para o jornal O Estado de S. Paulo, assinando sob o pseudônimo de "Júlio Delgado". Sua permanência na Argentina terminou em 1977, quando foi ao Uruguai para contratar um advogado para outro jornalista do Excelsior que fora preso lá.[2] Em julho daquele ano, Flávio foi sequestrado por militares dos órgãos de repressão do uruguaios, passando 195 dias preso. Foi libertado graças à solidariedade do Excelsior e do Estadão. O jornal brasileiro mobilizou toda a imprensa para denunciar a prisão ilegal de Flávio. Sob pressão de uma campanha internacional, o governo do Brasil pediu sua libertação às autoridades uruguaias. O problema era que o jornalista não podia voltar ao Brasil e nem possuía passaporte, posto que fora banido do país em 1969. O impasse foi resolvido em janeiro de 1978, com a sua expulsão do Uruguai e a oferta de asilo feita pelo governo de Portugal, que havia passado recentemente pela Revolução dos Cravos. Assim, Flávio Tavares foi morar em Lisboa e só voltou ao Brasil com a anistia de 1979.[3]

Atualmente, o jornalista vive e trabalha em Búzios. É professor aposentado da UnB e articulista dominical do jornal Zero Hora. É pai da fotojornalista Isabela e do cineasta Camilo, autor do filme O dia que durou 21 anos (2013).[4] [5] [6]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Memórias do Esquecimento. Globo, 1999. Prêmio Jabuti 2000, na categoria Reportagem.
  • O Dia em que Getúlio Matou Allende. Record, 2004. Prêmio da APCA 2004, na categoria Não Ficção e Prêmio Jabuti 2005, na categoria Reportagem e Biografia
  • O Che Guevara que Conheci e Retratei (RBS, 2007)
  • 1961: O Golpe Derrotado (L&PM, 2012).

Escreveu também o roteiro do documentário O Dia que Durou 21 Anos (2012), dirigido por seu filho, Camilo Tavares.

Referências

  1. Vídeo: Jornalista Flávio Tavares relembra histórias de Che Guevara. Entrevista concedida a Geneton Morais Neto. Dossiê Globo News, 26 de março de 2011.
  2. a b c d e Socialista libertário - Flávio Tavares
  3. a b c Historianet:Contexto Político
  4. Autópsia de uma conspiração. Em O Dia que Durou 21 Anos, o cineasta Camilo Tavares, nascido em 1971, reúne imagens e documentos que comprovam o apoio do governo norte-americano ao regime militar no Brasil. Por Mário Magalhães. Bravo!, ed. n° 188, abril de 2013.
  5. Documentário mostra participação americana no golpe militar de 1964. O dia que durou 21 anos traz gravações da Casa Branca que revelam preocupação do então presidente americano em relação a João Goulart. Globo News, 12 de abril de 2013.
  6. Vídeo: Os jornalistas Flávio e Camilo Tavares falam sobre o filme O dia que durou 21 anos. Programa do Jô. TV Globo.