Flash Gordon

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Flash Gordon
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Dados da publicação
Publicado por King Features Syndicate
Primeira aparição 7 de Janeiro de 1934
Criado por Alex Raymond
Características do personagem
Alter ego Steven Gordon
Afiliações Dale Arden (interesse amoroso),
Dr. Hans Zarkov (cientista)
Defensores da Terra
Inimigos Ming, o impiedoso
Projecto Banda desenhada  · Portal da Banda desenhada

Flash Gordon, criado por Alex Raymond, é o segundo herói espacial das histórias em quadrinhos (o primeiro foi Buck Rogers), e foi publicado pela primeira vez em uma prancha dominical de 7 de Janeiro de 1934[1] .

Origens[editar | editar código-fonte]

Em 1933, a King Features Syndicate abriu um concurso para descobrir personagens de quadrinhos que rivalizassem com Buck Rogers e Tarzan de sua concorrente, a Pulitzer Syndicate. Alex Raymond se inscreveu e ganhou, passando a desenhar Flash Gordon e Jim das Selvas (que completava a página) para o New York American Journal, a partir de um domingo, 7 de Janeiro de 1934. Poucas semanas depois, Raymond passaria também a desenhar o Agente Secreto X-9, outra encomenda da King Features para contrabalançar o sucesso de Dick Tracy, da Pulitzer.

No Brasil, o primeiro capítulo (ou "prancha dominical") de Flash Gordon no Planeta Mongo foi publicado no nº 3 do Suplemento Infantil do jornal A Nação, do Rio de Janeiro, em 28 de Março de 1934 (a partir do nº 15, o Suplemento passou a circular de forma independente com o título de Suplemento Juvenil). Depois de mais de 80 capítulos publicados em página dupla no Suplemento, em 1937 decidiu-se pela publicação de um álbum de luxo, contendo as primeiras 60 pranchas[2] , do qual foram impressas três tiragens de 5000 exemplares, vendidos com absoluto êxito. A Ebal de Adolfo Aizen (fundador do Suplemento Juvenil) publicou uma edição comemorativa dos 40 anos do lançamento do personagem, em 1973, republicando o álbum de 1937 mas com uma nova capa feita pelo mesmo artista, A.Monteiro Filho. Essa nova capa teve um fundo azul,enquanto a original era vermelha [3] . Em 1987, a Ebal republicou novamente a edição de 1937, em comemoração aos 50 anos da histórica edição.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

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A história girava em torno das aventuras de Flash Gordon, cujo nome batizava a série, e seus acompanhantes, Dr. Hans Zarkov e Dale Arden. A história começa com o Dr. Zarkov inventando um foguete, no qual os três fazem uma viagem ao planeta Mongo, onde naufragam. Mongo é habitado por várias culturas diferentes, algumas tecnologicamente avançadas, que têm caído uma a uma sob o domínio do cruel tirano Ming, o Impiedoso.

Logo após sua chegada, os três terrestres fazem amizade com o príncipe Barin, herdeiro legítimo do trono usurpado por Ming. Ming baniu o príncipe e seus seguidores — incluindo a própria filha, Aura, noiva de Barin — para o reino florestal de Arboria. Flash, Dale e Zarkov juntam-se então à luta de Barin para recuperar o trono.

Cronologia original de publicação das tiras[editar | editar código-fonte]

Periodicidade Artista Duração
Dominical Alex Raymond 1934 - 1943
Diária Austin Briggs 1940 - 1944
Dominical Austin Briggs 1944 - 1948
Dominical Mac Raboy 1948 - 1967
Diária Dan Barry 1951 - 1990
Diária Harry Harrison (roteirista) 1958 - 1964
Dominical Dan Barry 1967 - 1990
Dominical e diária Ralph Reese, Bruce Jones e Gray Morrow 1990 - 1991
Dominical e diária Thomas Warkentin 1991 - 1992
Dominical Richard Bruning, Kevin VanHook e Thomas Warkentin 1992 - 1996
Dominical Jim Keefe 01/1996 - 03/2003

Cinema[editar | editar código-fonte]

Seriados[editar | editar código-fonte]

Foto promocional de Flash Gordon Conquers the Universe de 1940

Filme (1980)[editar | editar código-fonte]

Em 1980, o produtor Dino De Laurentiis lançou o longa-metragem "Flash Gordon", estrelado por Sam J. Jones no papel principal, Melody Anderson como Dale Arden, Chaim Topol como Dr. Zarkov, Max von Sydow como Ming, Timothy Dalton como príncipe Barin e Ornella Muti como Aura. Embora não tenha sido um sucesso de crítica, o filme ganhou certo destaque por sua trilha sonora, composta e interpretada pela banda Queen.

Ao longo dos anos, por seu estilo afetado, o filme ganhou o status de "cult" entre os fãs de ficção científica. Muitas de suas falas são cheias de duplos sentidos, e este senso de humor que o permeia contribuiu fortemente para a afeição coletiva que a lembrança do filme desperta. Um bom exemplo disto é o actor Brian Blessed, que até hoje ainda é lembrado pelo público britânico por seu papel de príncipe Vultan no filme, embora desde então ele tenha feito inúmeros outros trabalhos sérios em cinema, teatro e televisão.

Flesh Gordon (paródia)[editar | editar código-fonte]

Uma paródia semi-pornográfica intitulada Flesh Gordon foi lançada em 1972. Ela também transformou-se num "cult" e acabou gerando uma seqüência em 1989, Flesh Gordon Meets the Cosmic Cheerleaders.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Em 2004, Stephen Sommers, diretor de Van Helsing e The Mummy, comprou os direitos de filmagem de Flash Gordon. Embora se houvesse falado num provável lançamento para o verão de 2007, até meados de 2006 nenhum nome havia ainda sido indicado para compor o elenco da produção. No Filme Ted, de 2012, a personagem Mark Wahlberg (John Bennett) e seu ursinho animado (que tem a voz do ator Seth MacFarlane) são fãs declarados do filme Flash Gordon, dos anos 1980. O longa conta a participação de Sam J. Jones, ator que interpretou o herói no filme original.

Televisão[editar | editar código-fonte]

Séries[editar | editar código-fonte]

Steve Holland estrelou entre 1954-1955 a série de TV Flash Gordon, que durou 39 episódios. A série ostentava o diferencial de ter sido filmada em Berlim Ocidental, menos de uma década depois do fim da II Guerra Mundial. Foi remontado como filme em 1957.

Em 2007, o canal americano Sci-Fi Channel exibiu a série "Flash Gordon", estrelada pelo ator Eric Johnson. A primeira temporada foi ao ar em 10 de agosto e teve ao todo 22 episódios, sendo cancelada em seguida. Na trama, Steven Gordon é um jovem marcado por uma tragédia familiar: a morte de seu pai num estranho incêndio em um laboratório, que ocorrera quando o herói tinha apenas 13 anos. Passados alguns anos, Steven descobre que o incêndio tem relação com um objeto vindo do espaço. Com a ajuda de seus amigos Dale Arden (Gina Holden) e o cientista Hans Zarlov (Jody Racicot), Flash descobre que o acidente está ligado ao ditador intergaláctico Ming (John Ralston), que deseja destruir toda a humanidade.

Desenhos Animados[editar | editar código-fonte]

Em 1979, a Filmation produziu uma série em desenho animado baseada nas histórias em quadrinhos ("The New Adventures of Flash Gordon"), e sua primeira temporada é lembrada como um dos melhores trabalhos do estúdio. Embora esta série tenha sido lançada primeiro, o filme para TV Flash Gordon, the Greatest Adventure of Them All, foi produzido antes.

Em 1986, o desenho animado Defensores da Terra mostrou Flash em ação com seus colegas do King Features Syndicate, Fantasma e Mandrake. Em 1996, a Hearst Entertainment apresentou uma nova série de Flash Gordon em desenho animado, onde vários conceitos básicos do personagem e seu universo foram revistos (por exemplo, Flash e Dale são dois adolescentes, Barin possui uma aparência hispânica, e Ming e Aura pertencem agora a uma raça de reptilóides).

Rádio[editar | editar código-fonte]

Em 1935, as tiras de quadrinhos foram adaptadas para a série radiofônica The Amazing Interplanetary Adventures of Flash Gordon, que durou 26 episódios e seguiu com bastante fidelidade a versão impressa, exceto pelos dois últimos episódios, onde Flash e seus amigos encontram Jim das Selvas, outro personagem de Alex Raymond.

Aparentemente, uma segunda série intitulada The Further Interplanetary Adventures of Flash Gordan foi ao ar em 1936.

Histórias em quadrinhos[editar | editar código-fonte]

Através dos anos, vários editores lançaram HQs de Flash Gordon baseadas nas tiras clássicas.

  • David McKay Publications, King Comics: #60-120, 132, 148 (1941-48)
  • Dell Comics, Four Color Comics: #10, 84, 173, 190, 204, 247, 424, 512; Flash Gordon #2 (1945-53)
  • Harvey Comics #1-5 (1950)
  • Gold Key Comics #1 (1965)
  • King Comics #1-11 (1966-67)
  • Charlton Comics #12-18 (1969-70)
  • Gold Key Comics #19-37 (1978-79)

Além dos títulos próprios, estas companhias podem ter publicado tiras de Flash Gordon em outros títulos de sua propriedade.

Em 1988, a DC Comics produziu uma versão modernizada dos quadrinhos. Ela apresentava Flash como um jogador de basquete que encontra um novo propósito de vida em Mongo, o qual não representa uma ameaça para a Terra. Dale é uma repórter aventureira, tão capaz quanto Flash, e Ming tem pele cinzenta e não é mais um estereótipo asiático. A série durou os nove números planejados e foi deixada com um final em aberto, provavelmente na esperança de que se tornasse popular o suficiente para justificar sua publicação regular.

Em 1995, a Marvel Comics lançou uma série em duas edições com arte de Al Williamson, no estilo das HQs de Flash que ele havia feito para a King e outros.

Flash Gordon Strange Adventure Magazine[editar | editar código-fonte]

Em 1936, foi publicado o primeiro e único número de uma pretendida série de "pulps" intitulado Flash Gordon Strange Adventure Magazine. O romance ali publicado, intitulado The Masters of Mars, foi escrito pelo desconhecido James Edison Northford e se baseava mais ou menos nas tiras em quadrinhos, aproveitando ilustrações remanescentes de Alex Raymond. Na quarta capa, prometia-se um segundo episódio intitulado The Sun Men of Saturn, o qual, realmente, nunca foi impresso.[5]

Visto que a série não decolou, o único número de Flash Gordon Strange Adventure Magazine tornou-se objeto de cobiça para colecionadores de revistas "pulp".

Romances[editar | editar código-fonte]

O primeiro romance baseado nas tiras, Flash Gordon in the Caverns of Mongo, foi publicado em 1936 por Grosset & Dunlap. O autor creditado foi Alex Raymond. Como a revista "pulp" lançada no mesmo ano, ele não obteve sucesso em iniciar uma série.

Em 1973, a Avon Books lançou uma série em seis volumes de romances de Flash Gordon para adultos: The Lion Men of Mongo, The Plague of Sound, The Space Circus, The Time Trap of Ming XIII, The Witch Queen of Mongo e The War of the Cybernauts.

Em 1980, a editora Temp também lançou uma série em seis volumes: Massacre in the 22nd Century, War of the Citadels, Crisis on Citadel II, Forces from the Federation, Citadels under Attack e Citadels on Earth.

Fonte de inspiração[editar | editar código-fonte]

Em sua juventude, George Lucas foi fã dos seriados de Flash Gordon e tencionava adaptá-los para a tela como uma espécie de mito modernizado. Todavia, Dino De Laurentiis que detinha os direitos de filmagem, não se interessou pela interpretação de Lucas e então este resolveu escrever Star Wars, a qual se baseou livremente nos seriados. A seqüência de abertura com um texto explicativo que se enrola, vista nos episódios de Flash Gordon Conquers the Universe, tornou-se a agora famosa abertura do texto que rola rumo ao infinito, no início de cada episódio de "Star Wars". Flash Gordon e Dale Arden não inspiraram somente Luke Skywalker e a Princesa Leia, mas também seus pais, Anakin Skywalker e Padmé Amidala.[6] [7]

A besta de montaria conhecida como Tauntaun e que aparece no episódio V ("O Império Contra-Ataca"), foi diretamente inspirada numa criatura similar do mundo de gelo da princesa Aura.

Reimpressões (Estados Unidos)[editar | editar código-fonte]

As tiras dominicais de Alex Raymond têm sido reimpressas por várias editoras, particularmente Nostalgia Press, Kitchen Sink Press e Checker Book Publishing Group. As versões da Kitchen Sink e Checker são em cores, enquanto as da Nostalgia são em preto e branco. As tiras dominicais de Mac Raboy têm sido reimpressas pela Dark Horse Comics. As tiras diárias de Dan Barry nunca foram inteiramente reimpressas, mas os primeiros anos foram publicados pela Kitchen Sink e as histórias escritas por Harry Harrison foram reimpressas pela Comics Revue da Manuscript Press. A Tempo Books publicou seis brochuras contendo tiras dos anos 1970 e 1980. Algumas das tiras diárias de Austin Briggs foram reimpressas pela Kitchen Sink.

Cronologia de Flash Gordon no Brasil[editar | editar código-fonte]

  • Em 1973, a EBAL de Adolfo Aizen (criador do Suplement Juvenil) publica uma edição especial de Flash Gordon no Planeta Mongo.[2]
  • Em 1974, a Ebal lança outro volume especial com o título "Flash Gordon no Reino das Cavernas", com a republicação das tiras dominicais anteriormente lançadas no Suplemento Juvenil (do número 77 de 4/6/35 até o número 232, de 9/6/36, e que sairam às terças-feiras).
  • Em 2003, foi anunciada pela seria a editora Opera Graphica um álbum nos moldes dos produzidos pela EBAL[9] , entretanto acabou não se realizando, em 2010 o álbum foi publicado pela Editorial Kalaco (pertencente ao jornalista Franco de Rosa, ex-proprietário da Opera Graphica)[10] [11]

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
  1. Marko Ajdaric, (12/01/2005). 65 anos de Flash Gordon Universo HQ.
  2. a b c d e f Flash Gordon no Planeta Mongo Universo HQ. Visitado em 19/05/2010.
  3. Universohq Acessado em 15-12-12
  4. a b Mattos, A. C. Gomes de. Cinemin 6. [S.l.]: Rio de Janeiro: EBAL. 26-27 pp.
  5. Everett Franklin Bleiler, Richard Bleiler. In: Kent State University Press. Science-fiction: the Gernsback years : a complete coverage of the genre magazines ... from 1926 through 1936. [S.l.: s.n.]. 576 pp. ISBN 0873386043, 9780873386043.
  6. http://www.moongadget.com/origins/flash.html
  7. http://www.straightdope.com/columns/read/1578/was-star-wars-based-on-flash-gordon
  8. Athos Eichler Cardoso. A Idade de Ouro dos Quadrinhos no Brasil1 Universidade de Brasília/Intercom.
  9. Marcelo Naranjo (30/04/2003). Flash Gordon, de Alex Raymond, voltará as livrarias Universo HQ.
  10. Carlos Costa sobre release (17/08/2010). Flash Gordon chega ao Brasil por nova editora HQManiacs.
  11. Marcelo Naranjo (09/08/2010). Álbum de Flash Gordon será lançado na Bienal do Livro Universo HQ.
Bibliografia
  • MATTOS, A. C. Gomes de. Os Grandes Seriados do Cinema: O Rei dos Seriados. [S.l.: s.n.], 1983. ISBN Cinemin 6.
  • SILVA, Diamantino da. Quadrinhos dourados: a história dos suplementos no Brasil. São Paulo, SP:Opera Graphica, 2003. ISBN 8589961109

Ligações externas[editar | editar código-fonte]