Fogo Morto

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Fogo Morto é uma obra de José Lins do Rego, publicada em 1943, considerado pela crítica como a sua obra-prima. Livro que mostra com linguagem forte e poética a decadência dos engenhos de cana-de-açúcar, Fogo Morto faz parte da 2ª fase do modernismo brasileiro.

Fogo Morto é a última obra do mais expressivo dos ciclos de José Lins do Rego: o da cana-de-açúcar. Apesar de marcar o término da série, como um romance impregnado de tristeza com a decadência dos senhores de engenho, o romance também assinala o auge do autor, o seu momento de superação, constituindo uma obra-prima da literatura regionalista, de caráter neo-realista.

O reconhecimento da obra deu-se com inúmeros nomes da literatura brasileira atestando sua qualidade, como Mário de Andrade, que frisou: "E que obra-prima Fogo Morto, puxa." e Antônio Carlos Villaça que escreveu: "Com Fogo Morto estamos diante de um dos ápices do romance brasileiro de todos os tempos".


Enredo[editar | editar código-fonte]

O romance, narrado em terceira pessoa onisciente, é dividido em três partes. Cada uma conta com seu próprio protagonista, como se fossem três histórias distintas e sucessivas. Os três protagonistas, conforme atesta Bosi, "são expressões maduras dos conflitos humanos de um Nordeste decadente".

Os personagens principais das três partes do romance relacionam-se durante toda a narrativa. Estes são:

  • Mestre José Amaro
  • Coronel Lula de Holanda
  • Capitão Vitorino Carneiro da Cunha

Cada uma das personagens principais representa, na verdade, uma classe social da população nordestina. As três personagens centrais estão envolvidas no cenário de miséria, doenças, e por uma politicagem e prepotência policial que defendem as minorias fortes e, por consequência, oprimem a maioria fraca. A presença do cangaceiro Antônio Silvino se apresenta como um contra-ponto de todo o domínio dos senhores de engenho e das forças policiais, esta última acostumada aos excessos de sua autoridade, obtendo, por fim, estima com os menos afortunados e respeito com os abastados.

A narrativa ocorre no município de Pilar, no estado da Paraíba, desenvolvendo-se em localidades diversas, como os engenhos do Santa Fé e do Santa Rosa e o pequeno sítio do Mestre José Amaro.

Primeira parte[editar | editar código-fonte]

Na primeira parte, o mestre José Amaro, seleiro orgulhoso e conservador, espalha rancor à sua volta. Temido pelo povo da várzea por sua aparência horrível, que acarreta em falatório sobre ele ser um "Lobisomem", e pela raiva acumulada, José Amaro vive uma existência mórbida, lidando com seu ofício e os transeuntes na porta de sua casa e, dentro dela, com uma mulher distante e uma filha com problemas mentais. Mas um fio de esperança renova-o momentaneamente: a possibilidade de auxiliar o Capitão Antônio Silvino, cangaceiro que, em sua opinião, poderia trazer justiça para aquele lugar dominado pelos senhores de engenho. Torna-se um "espia" para o Capitão, servindo-o com informações e suprimentos via terceiros. Morando em um pequeno lote pertencente ao Coronel Lula de Holanda, se sente destruído quando este lhe pede para que saia de sua casa. O seleiro culpa o Negro Floripes por influenciar sua expulsão. Por fim, ainda lida com o fato de sua única filha ser enviada ao sanatório.

Segunda parte[editar | editar código-fonte]

Na segunda parte do romance, é contado a epopeia do engenho do Santa Fé e deu seu senhor, o Coronel Lula de Holanda. Criado pelo Capitão Tomás Cabaral de Melo em 1850, o engenho tem sua história contada desde seu início, passando pelo seu êxito, até o seu fim. O coronel Lula de Holanda, genro de Tomás Cabral de Melo, após a morte de seu sogro, não consegue fazer prosperar o engenho que recebera de herança. Autoritário, não permite que nenhum homem se aproxime da filha, que permanece melancólica e solteira. Sem tino para o trabalho no campo, vive de produções pequenas e heranças deixadas pelo pai de sua mulher. Sendo vítima da Epilepsia, o Coronel isola seus familiares e sua casa de tudo e torna-se um devoto, apegado ao negro Floripes, seu afilhado. Por fim, a situação econômica se torna insustentável e finda-se o Santa Fé.

Terceira parte[editar | editar código-fonte]

Na terceira parte, é apresentado o Capitão Vitorino Carneiro da Cunha, homem de poucas posses, mas de opinião firme e que tem por objetivo ingressar na política, trazendo ordem ao município de Pilar. Durante todo o livro, sua pessoa sofre com o deboche e a falta de respeito de pessoas à sua volta, mas a sua atitude perante aos senhores de engenho e a polícia em defesa dos menores e contra o bando de Antônio Silvino ao saquear o Santa Fé, é reconhecida por todos como um sinal de bravura. Como um herói, ajuda as pessoas necessitadas, incluindo seu compadre José Amaro em questões com a força policial e acaba por ganhar ainda mais prestígio dentro da cidade. Projeta ajudar o Pilar sem depender de senhor de engenho, sargento ou cangaceiro, trazendo justiça para aquela terra. No fim, é confrontado com a notícia do suicídio de seu compadre Amaro.

No fim, caminhando com o negro José Passarinho para fazer o enterro de José Amaro, vê o Santa Fé sem fumaça no bueiro e questiona Passarinho sobre o fato. Recebe a resposta: "Capitão, não bota mais, está de fogo morto".

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