Força Expedicionária Brasileira

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Força Expedicionária Brasileira
Distintivo da FEB.PNG
País  Brasil
Corporação Exército do Brasil
Força Aérea Brasileira
Subordinação Forças Armadas do Brasil
Sigla FEB
Criação 1943
Extinção 1945
História
Guerras/batalhas Segunda Guerra Mundial
Logística
Efetivo 27,500
Comando
Comandantes
notáveis
Mascarenhas de Moraes

A Força Expedicionária Brasileira, conhecida pela sigla FEB, foi a força militar brasileira de 25.334 homens que foi responsável pela participação brasileira ao lado dos Aliados na Campanha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Constituída principalmente por uma divisão de infantaria, historicamente é considerada o conjunto de todas as forças militares brasileiras que participaram daquela campanha. Adotou como lema "A cobra está fumando", em alusão ao que se dizia à época que seria "Mais fácil uma cobra fumar cachimbo do que o Brasil participar da guerra na Europa".[1]

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

Em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, o Brasil manteve-se neutro, numa continuação da política do presidente Getúlio Vargas de não se definir por nenhuma das grandes potências, somente tentando se aproveitar das vantagens oferecidas por elas. Tal "pragmatismo" foi interrompido no início de 1942, quando os Estados Unidos convenceram o governo brasileiro a ceder a ilha de Fernando de Noronha e a costa nordestina brasileira para o recebimento de suas bases militares. Os EUA tinham planos para invadir o nordeste, caso o governo Vargas insistisse em manter o Brasil neutro.[2] [3]

A partir de janeiro do mesmo ano começa uma série de torpedeamentos de navios mercantes brasileiros por submarinos ítalo-alemães na costa litorânea brasileira, numa ofensiva idealizada pelo próprio Adolf Hitler, que visava isolar o Reino Unido, impedindo-o de receber os suprimentos (equipamentos, armas e matéria-prima) exportados do continente americano (como consta nos diários de Goebbels e nas memórias do almirante Donitz).[4] [5] [6] Considerados vitais para o esforço de guerra dos Aliados, estes suprimentos a partir de 1942 via Atlântico norte, se destinavam também à então União Soviética.[7]

Tinha também por objetivo a ofensiva submarina do eixo em águas brasileiras intimidar o governo do Brasil a se manter na neutralidade,[8] ao mesmo tempo que seus agentes no país e simpatizantes fascistas brasileiros, pejorativamente denominados pela população pela alcunha de Quinta coluna, espalhavam boatos que os afundamentos de navios mercantes seriam obra dos anglo-americanos interessados em que o país entrasse no conflito do lado aliado.[9] [10]

Filme de propaganda americano Brazil at War, apontando a similaridade entre os dois países em 1943 (em inglês).

No entanto, a opinião pública não se deixou confundir. Comovida pelas mortes de civis e instigada também pelos pronunciamentos provocativos e arrogantes, emitidos pela Rádio de Berlim, passou a exigir que o Brasil reconhecesse o estado de beligerância com os países do eixo. O que só foi oficializado no final de agosto do mesmo ano, quando foi declarada guerra à Alemanha nazista e à Itália fascista.[11] Após a declaração de guerra, diante da contínua passividade do então governo, a mesma opinião pública passa a se mobilizar para o envio à Europa de uma força expedicionária como contribuição à derrota do fascismo.[12] [13]

Porém só quase dois anos depois, em 2 de julho de 1944, teve início o transporte do primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira, sob o comando do general João Batista Mascarenhas de Morais, com destino a Nápoles. As primeiras semanas foram ocupadas se aclimatando ao local, assim como recebendo o mínimo equipamento e treinamento necessário, sob a supervisão do comando americano, ao qual a FEB estava subordinada, já que a preparação no Brasil demonstrou ser deficiente,[14] apesar dos quase 2 anos de intervalo entre a declaração de guerra e o envio das primeiras tropas a frente. Muito embora entre os expedicionários combatentes se formasse um consenso no decorrer e após o conflito de que somente o combate é adequadamente capaz de preparar um soldado, independente da qualidade do treinamento recebido anteriormente[15] [16] .

Embora o Brasil já tivesse declarado guerra, estava despreparado para a natureza fluida daquele conflito. A Aeronáutica estava apenas começando a se modernizar, com a aquisição de aviões de fabricação americana. A Marinha tinha uma série de embarcações obsoletas, pouco aptas à guerra submarina de então (modalidade de combate ao qual mesmo as modernas marinhas britânica, americana e soviética só se adequariam a partir do final de 1942, início de 1943). Além de igualmente mal-equipado, o Exército carregava ainda uma filosofia elitista arcaica e focada em reprimir movimentos políticos internos que pouco havia mudado desde o século XIX e que levara ao fracasso a tentativa de modernizar seus métodos de treinamento para o combate externo e filosofia de ação, entre o final da década de 1910 e o início da década de 1920, tentativa esta trazida por uma missão contatada ao exército francês[17] .

Os brasileiros constituíam uma das vinte divisões aliadas presentes na frente italiana naquele momento, uma verdadeira torre de Babel, constituída por: norte-americanos (incluindo as tropas segregadas da 92ª divisão e do 442º regimento, ambas unidades de infantaria formadas respectivamente por afro-descendentes e nipo-descendentes, comandadas por oficiais brancos), italianos antifascistas, exilados europeus (poloneses, tchecos e gregos), tropas coloniais britânicas (canadenses, neozelandeses, australianos, sul-africanos, indianos, quenianos, judeus e árabes) e francesas (marroquinos, argelinos e senegaleses), em uma diversidade étnica que muito se assemelhava à da frente ocidental em 1918.[18] [19]

A FEB foi integrada ao IV corpo do exército americano, sob o comando do general Willis D. Crittenberger, este por sua vez adscrito ao V exército dos Estados Unidos, comandado pelo general Mark W. Clark.[20]

Campanha[editar | editar código-fonte]

Soldados da FEB sendo saudados por moradores de Massarosa. Final de setembro, 1944.

A composição da FEB se dava em Três Regimentos de Infantaria, Nove Companhias de fuzileiros, Um Regimento de Artilharia transportada por caminhões, Um Batalhão de Engenharia militar e outro de Saúde, mais unidades de apoio, de Cavalaria, das quais se destacou o Esquadrão de Reconhecimento.[21] [22]

A FEB entrou em combate em meados de setembro de 1944 no vale do rio Serchio, ao norte da cidade de Lucca. As primeiras vitórias da FEB ocorreram já em setembro, com as tomadas de Massarosa, Camaiore e Monte Prano. Só no final de outubro, na região de Barga, a FEB sofreu seus primeiros reveses. Devido ao sucesso da campanha em setembro e início de outubro, no final de novembro a FEB foi incumbida, apoiada por algumas unidades da Força Tarefa 45 do V Exército americano, de tomar o complexo formado pelos montes Castello, Belvedere e seus arredores, no espaço de alguns dias. Após algumas tentativas fracassadas nos meses de novembro e dezembro, ficou claro que para a obtenção do sucesso em tal empreitada seria necessário um ataque conjunto pelo efetivo de duas divisões simultaneamente à Belvedere, Della Torraccia, Monte Castello e à Castelnuovo di Vergato, o que mesmo assim, alertava o comando brasileiro, não poderia ser levado a cabo em menos de uma semana.[23] [24]

Durante o rigoroso inverno entre 1944 e 1945, nos Apeninos a FEB enfrentou temperaturas de até vinte graus negativos, não contando a sensação térmica. Muita neve, umidade e contínuos ataques de caráter exploratório por parte do inimigo, que através de pequenas escaramuças procurava tanto minar a resistência física, quanto a psicológica das tropas brasileiras, não acostumadas às baixas temperaturas. Condições climáticas e reações físicas se somavam aos mais de três meses de campanha ininterrupta, sem pausa para recuperação.[25] Testou-se ainda possíveis pontos fracos no setor ocupado pelos brasileiros para uma contra-ofensiva no inverno.

Entretanto, neste aspecto, a atitude involuntariamente agressiva das duas tentativas de tomar Monte Castello no final de 1944, somada à atitude voluntária de responder às incursões exploratórias do inimigo no território ocupado pela FEB, com incursões exploratórias da FEB realizadas em território inimigo, fez com que os alemães e seus aliados escolhessem outro setor da frente italiana, ocupada pela 92ª divisão estadunidense, para sua contra-ofensiva.[26]

Entre o fim de fevereiro e meados de março de 1945, como havia sugerido o comandante da FEB, se deu a Operação Encore, um avanço em conjunto com a recém-chegada 10ª divisão de montanha estadunidense. Assim, foram finalmente tomados, entre outras posições, por parte dos brasileiros, Monte Castello e Castelnuovo, enquanto os americanos tomavam Belvedere e Della Torraccia. Com estas posições no poder dos Aliados, pode-se iniciar a ofensiva final de primavera, na qual em abril a FEB tomou Montese e Collecchio. A conquista destas posições pela divisão brasileira e a divisão de montanha estadunidense neste setor secundário, mas vital, possibilitou que as forças sob o comando do VIII exército britânico, mais à leste no setor principal da frente italiana, após meses de combate, se vissem finalmente livres do pesado e constante fogo de artilharia inimiga que partia daqueles pontos, podendo assim avançar sobre Bolonha ultrapassando as últimas posições da série de linhas de defesa montada pelos nazi-fascistas no norte da Itália, conhecida como Linha Gótica.[27] [28] [29]

Na 1ª semana de abril iniciou-se a fase final da ofensiva de primavera com o intuito de romper definitivamente esta linha de defesas, que recuara mas impedia o avanço das tropas aliadas na Itália rumo à Europa Central desde o "outono boreal" do ano anterior. No 1º dia da ofensiva no setor do IV corpo do V exército americano, ao qual a FEB estava incorporada (iniciada uma semana após o início da ofensiva no setor do VIII exército britânico, que seguia sem progressos); após sem grandes dificuldades ter sustado o ataque aliado principal naquele setor, efetuado pela 10ª Divisão de Montanha americana, causando expressivas baixas naquela unidade estadunidense; os alemães cometeram um erro ao considerar o ataque da divisão brasileira à Montese (que no mesmo ataque, além do apoio de blindados americanos, também utilizou seus próprios carros de combate M8 e tanques M4, e M10); como sendo o principal alvo aliado naquele setor; tendo por conta disso disparado somente contra a FEB cerca de 1800 tiros de artilharia ( 64% ) do total dos 2800 tiros empregados contra todas as 4 divisões aliadas naquele setor da frente italiana,[30] nos dias de luta que se seguiram pela posse daquela localidade ( no que foi o combate mais sangrento travado pela FEB ). Com a fracassada tentativa alemã de retomar Montese e o consequente avanço das tropas das 10ª divisão de montanha e 1ªdivisão blindada estadunidenses, efetivou-se o desmoronamento das defesas germânicas naquele setor central, do ponto de vista geográfico, embora secundário estrategicamente, ficando claro a impossibilidade por parte das tropas alemãs de manterem a partir daquele momento a linha gótica, tanto no setor terciário à oeste, próximo ao Mar da Ligúria, quanto no setor principal à leste, próximo ao Mar Adriático.[31] [32]

Ao final daquele mês, em Fornovo di Taro, numa manobra perfeita em uma jogada ousada de seu comandante, os efetivos da FEB que se encontravam naquela região em inferioridade numérica cercaram e, após combates oriundos da infrutífera tentativa de rompimento do cerco por parte do inimigo seguidos de rápida negociação, obtiveram a rendição de duas divisões; a 148ª divisão de infantaria alemã (com muitos soldados experientes em combate vindos do front russo), comandada pelo general Otto Fretter-Pico e os efetivos remanescentes da divisão bersaglieri italiana, comandada pelo general Mario Carloni. Isso impediu que essas unidades, que se retiravam da região de La Spezia e Gênova, região esta que havia sido liberada pela 92ª divisão estadunidense, se unissem às forças ítalo-alemãs da Ligúria, que as esperavam para desfechar um contra-ataque contra as forças do V exército americano, que avançavam, como é inevitável nestas situações, de forma rápida, porém difusa e descoordenada, inclusive do apoio aéreo, tendo deixado vários clarões em sua ala esquerda e na retaguarda. Muitas pontes ao longo do rio Pó foram deixadas intactas pelas forças nazi-fascistas com esse intento. O comando dos exércitos C alemão, que já se encontrava em negociações de paz em Caserta há alguns dias com o comando Aliado na Itália, esperava com isso obter um triunfo a fim de conseguir melhores condições para rendição. Os acontecimentos em Fornovo di Taro involuntariamente impediram a execução de tal plano tanto pelo desfalque de tropas, como pelo atraso causado, o que aliado às notícias da morte de Hitler e tomada final de Berlim pelas forças do Exército Vermelho, não deixou ao comando alemão outra opção senão aceitar a rápida rendição de suas tropas na Itália.[33] Em sua arrancada final, a FEB ainda chegou a cidade de Turim, e em 2 de maio de 1945, na cidade de Susa, onde fez junção com as tropas francesas na fronteira franco-italiana.[34]

Saldo de Campanha[editar | editar código-fonte]

O Brasil perdeu nesta campanha, mortos em ação, quatrocentos e cinquenta e quatro homens do exército,[35] e cinco pilotos da força aérea.[36] A divisão brasileira ainda teve cerca de duas mil mortes decorrentes dos ferimentos de combate, e mais de doze mil baixas em campanha por mutilação ou outras diversas causas incapacitantes para a continuidade no campo de batalha.[37] Tendo assim, somadas as substituições, turnos e rodízios, dos cerca de vinte e cinco mil homens enviados, mais de vinte e dois mil participado das ações. O que, incluso mortos e incapacitados, deu uma média de 1,7 homens usados para cada posto de combate, um grau de aproveitamento apreciável se comparado à outras divisões que estiveram o mesmo tempo em campanha em condições semelhantes.

Ao final da campanha, a FEB havia aprisionado mais de vinte mil soldados inimigos, quatorze mil, setecentos e setenta e nove só em Fornovo di Taro, oitenta canhões, mil e quinhentas viaturas e quatro mil cavalos. Segundo o historiador norte-americano Frank McCann,[38] o Brasil foi convidado a integrar a força de ocupação da Áustria.[39] [40]

Em 6 de junho de 1945, o Ministério da Guerra do Brasil ordenou que as unidades da FEB ainda na Itália se subordinassem ao comandante da primeira região militar (1ª RM), sediada na cidade do Rio de Janeiro, o que, em última análise, significava a dissolução do contingente.[41] Mesmo com sua desmobilização relâmpago, o regresso da FEB após o final da guerra contra o fascismo precipitou a queda de Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo no Brasil.[42]

Em 1960, as cinzas dos brasileiros mortos na campanha da Itália foram transladadas do cemitério de Pistoia para o Brasil, e hoje jazem no monumento aos mortos que foi erguido no Aterro do Flamengo, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, em homenagem e lembrança aos sacrifícios dos mesmos.

Participação da Força Aérea Brasileira na Campanha da Itália[editar | editar código-fonte]

O caça-bombardeiro P-47 foi um avião de fabricação americana, usado por várias Forças Aéreas aliadas durante a II Guerra Mundial. Na foto, o modelo D utilizado pelo 1º Grupo de Caça da FAB na Itália.

Na campanha da Itália, a FAB atuou com dois esquadrões aéreos, a 1ª E.L.O., e o 1º grupo de caça.[43] O Grupo de caça teve abatidos dezesseis aviões, com morte em ação de cinco de seus aviadores, além da morte de mais três por acidentes. Apesar de, entre novembro de 1944 e abril de 1945, ter voado apenas 5% do total das missões efetuadas por todos os esquadrões sob o XXII comando aéreo tático aliado, neste período foi responsável (entre outras tarefas) pela destruição de 85% dos depósitos de munição, 36% dos depósitos de combustível, e 15% dos veículos motorizados (caminhões, tanques e locomotivas) inimigos destruídos por este comando aéreo aliado.[44] Assim, por seu desempenho teve honrosa citação do congresso dos Estados Unidos.

Sumário estatístico[editar | editar código-fonte]

Total das Operações [45]
Total de missões executadas 445
Total de saídas ofensivas 2.546
Total de saídas defensivas 4
Total de horas de voo em operações de guerra 5.465
Total de horas de voo realizadas 6.144
Total de bombas lançadas 4.442
Bombas incendiárias (FTI) 166
Bombas de fragmentação (260 lb) 16
Bombas de fragmentação (90 lb) 72
Bombas de demolição (1000 lb) 8
Bombas de demolição (500 lb) 4.180
Total aproximado de tonelagem de bombas 1.010
Total de munição calibre 50 1.180.200
Total de foguetes lançados 850
Total de litros de gasolina consumida 4.058.651
Total das Operações [45]
Destruídos Danificados
Aviões 2 9
Locomotivas 13 92
Transportes motorizados 1.304 686
Vagões e carros tanques 250 835
Carros blindados 8 13
Viaturas de tração animal 79 19
Pontes de estradas de ferro e de rodagem 25 51
Pontes em estradas de ferro e de rodagem 412
Plataformas de triagem 3
Edifícios ocupados pelo inimigo 144 94
Acampamentos 1 4
Postos de comando 2 2
Posições de artilharia 85 15
Alojamentos 3 8
Fábricas 6 5
Instalações diversas 125 54
Usinas elétricas 5 4
Depósitos de combustível e munição 31 15
Depósitos de material 11 1
Refinarias 3 2
Estações de radar 2
Embarcações 19 52
Navios 1

Detalhes históricos[editar | editar código-fonte]

Monumento à FEB, em Araxá.
  • 21 submarinos alemães e dois italianos foram responsáveis pelo afundamento de trinta e seis navios mercantes brasileiros, causando mil, seiscentos e noventa e um (1691) náufragos e mil e setenta e quatro mortes (1074). Este foi o principal motivo que conduziu à declaração de guerra do Brasil à Alemanha e Itália.[46]
  • A FEB permaneceu ininterruptamente duzentos e trinta e nove dias em combate. Como exemplo de comparação, das quarenta e quatro divisões americanas que combateram nos teatros de operações do norte da África e Europa (frentes italiana e ocidental) entre novembro de 1942 e maio de 1945, apenas doze estiveram ininterruptamente mais dias em combate que a divisão brasileira.[37]
  • Apesar do latente racismo de parte do alto oficialato da FEB[14] [25] e da própria doutrina de então do exército brasileiro referente à formação de oficiais[47] , a mesma era ao final de 1944 a única força miscigenada não oficialmente segregacionista entre as tropas aliadas combatentes na Europa.
  • Pelo apoio brasileiro às tropas aliadas, o município de Barreiros foi renomeado para Bayeux em 2 de junho de 1944, em homenagem à primeira cidade francesa (de mesmo nome) a ser libertada do poder nazista pelos aliados.[48]
  • A Divisão brasileira lutou contra nove divisões alemãs e três italianas, tendo perdido em ação, além de quatrocentos e cinquenta e quatro mortos, dois mil e sessenta e quatro feridos, e trinta e cinco homens aprisionados.
  • As principais vitórias da FEB tiveram lugar em Massarosa, Camaiore, Monte Prano, Monte Acuto, San Quirico d'Orcia, Gallicano, Barga, Monte Castello, La Serra, Castelnuovo, Soprassasso, Montese, Paravento, Zocca, Marano sul Panaro, Collecchio e Fornovo di Taro. Ao longo de toda sua campanha aprisionou 2 generais, 493 oficiais e 19.679 soldados inimigos, tendo sido a maior parte dos prisioneiros ( 14.779 ) capturada em Fornovo.
  • Devido ao forte sexismo presente na sociedade brasileira da época, a participação de mulheres na FEB não era vista com bons olhos pelas autoridades, sendo desencorajada oficial e extra-oficialmente até mesmo na retarguarda em setores essenciais como enfermaria, sendo que nesta houve tentativa de boicote não apenas masculino, por parte de médicos militares brasileiros, mas inclusive de mulheres que se encontravam em posição de influência na política nacional[49] .
  • Antes da rendição das forças alemãs ser oficializada a 2 de maio de 1945, a 148ª divisão foi a única divisão alemã capturada integralmente, incluindo seu comando, por uma força aliada ( no caso, a 1ª Divisão Brasileira ) durante toda a campanha da Itália. Pois desde a invasão da Sicília em julho de 1943 até a ofensiva na primavera de 1945, todas as demais divisões alemãs, independente das perdas sofridas, conseguiram se retirar ao norte sem se renderem[50] .
  • Durante a tomada de Montese houve uma homenagem singular prestada a três soldados brasileiros que, em missão de patrulha, ao se depararem com toda uma companhia do exército alemão, tendo recebido ordem para se renderem, se recusaram e morreram lutando. Como reconhecimento à bravura e à coragem daqueles soldados, pela forma como combateram, os alemães os teriam enterrado em covas rasas e, junto às sepulturas colocado uma cruz com a inscrição "drei brasilianischen helden" (três heróis brasileiros). Eram eles - Arlindo Lúcio da Silva, Geraldo Baeta da Cruz e Geraldo Rodrigues de Souza [51] [52] -, existe hoje no pátio de formatura do batalhão a qual pertenciam um monumento que os reverência.

Associação dos Veteranos da FEB[editar | editar código-fonte]

À partir de Outubro de 1945, se formaram as primeiras Associações de Ex-Combatentes. O não planejamento por parte das autoridades militares brasileiras da época, em relação à uma política de assistência e reintegração social de seus veteranos, em especial a grande maioria de civis sem alta qualificação profissional, colaborou para o crescimento de tais associações que, à partir da desvinculação deste objetivo do órgão público que havia sido criado para tal (a LBA), passaram a funcionar como único ponto de apoio social para os veteranos.[53] [54]

Entre 1946 e 1950, a disputa política entre grupos de veteranos comunistas e conservadores pela liderança nas Associações, que girou entre - se as Associações deveriam buscar uma maior participação na política nacional ou se ater às reivindicações imediatas dos veteranos; e que foi vencida pelos conservadores, com o apoio das lideranças militares da época, antecipou certas práticas que se tornariam padrão nas discussões de questões internas do Exército e demais Forças Armadas, nas décadas de 1950-1960.[55]

Uma pensão aos veteranos que suprisse a sobrevivência veio apenas em 1988, com a Constituinte de 1988, quando todos os veteranos brasileiros da II Guerra sobreviventes, passaram a ter direito legal à uma compensação especial, equivalente à pensão deixada por um 2º tenente do exército.[56] Tal benefício não apenas se estendia também aos veteranos que não haviam estado nas campanhas da Itália ou do Atlântico, como não os diferenciava entre si ou daqueles que haviam servido no território continental brasileiro durante a guerra. O debate que o antecedeu, somado a ressentimentos acumulados em 4 décadas, também serviu para aumentar a rixa já existente entre veteranos que tiveram participação ativa nas campanhas citadas e aqueles que serviram na retarguarda.[57]

No tempo decorrido entre o término da guerra e a concessão desta pensão, os veteranos conseguiram algumas pequenas vitórias, como o acesso ao funcionalismo público para os não analfabetos (o que excluía um numero apreciável de veteranos), e a construção de um Conjunto Habitacional para Ex-combatentes (no Bairro de Benfica), no Rio, inaugurado no início da década de 1960.[58] Àqueles que não conseguiram se readaptar à vida civil, não tiveram outra alternativa que não a de "se virar", depender da caridade alheia, muitas vezes ficando na dependência das próprias associações, ou definhar.[59] [60]

Participantes Ilustres da FEB[editar | editar código-fonte]

Serviram na Força Expedicionária Brasileira pessoas dos mais variados estratos sociais. Alguns, nos anos seguintes desempenhariam diretamente papéis de destaque na vida política, social e cultural brasileira. Outros, indiretamente como pais, educadores ou profissionais, que em suas respectivas áreas influenciaram por aceitação ou oposição personalidades das gerações posteriores. Citamos por ordem alfabética alguns dos seguintes nomes:

Homenagem aos praças brasileiros na Segunda Guerra, em Belo Horizonte.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ferraz, 2005. Págs 50-51.
  2. ISTOÉ - EUA planejavam tomar o País caso Getúlio não entrasse na guerra contra os nazistas
  3. DW-World - O Pentágono quis invadir o Brasil. Entrevista de Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira para a DW-World.
  4. Goebbels/Lochner, 1948. Citações referentes ao Brasil, entre março e agosto de 1942.
  5. Donitz, 1997. págs 239-40 & 252-53.
  6. Alves, 2002. Do último parágrafo da pág.163 (em especial a partir do 2º parágrafo da pág. 170) à pág. 184.
  7. Morison, 1947. Capítulos: X, seçao 4 ("The Anti-Submarine Fleet"); XIV, seção 5 ("North Russia Convoys"); XV ("Deus é Brasileiro, September 1941-April 1943"), e XVII.
  8. Seitenfus, 2000. Págs 308 a 313.
  9. Ibidem, Alves 2002 - Do último parágrafo pág.180 à pág.182
  10. Congresso Nacional Brasileiro. "Anais da Assembléia Constituinte (1946)" Imprensa Nacional, 1950 - Volume I, pág. 203 & Vol. XXII, pág. 184
  11. Ibidem, Alves 2002 - Págs.174 à 176.
  12. Ferraz, 2005. Capítulo "A cobra vai fumar?".
  13. Morais (Fernando), 1994. Páginas 431 a 434
  14. a b Vários autores; "Depoimento de Oficiais da Reserva sobre a F.E.B."; Editora Cobraci; 1949
  15. Maximiano, 2010. Capítulo 5, da página 222 ao 1º paragrafo da pág.223
  16. Sobre o tema Combate; Treinamento Para; e Desintoxicação do; v.tb Grossman, Dave: "Matar! Um Estudo Sobre O Ato De Matar" Biblioteca do Exército, 2007. ISBN 8570113994;
    Assim como: Beah, Ishmael Muito Longe De Casa; Memórias de um Menino Soldado. Ediouro/RJ, 2007 - Final da pág. 102 ao começo da pág. 167 - ISBN 8500021217
  17. Maximiano, 2010. Capítulo 6
  18. Corrigan, 2011. Pág. 523
  19. O'Reilly, 2001. Pág. 118, 3º §
  20. Crittenberger, 1951
  21. Maximiniano, 2010. Página 40.
  22. Referente à Cavalaria, é importante ressaltar que esta Arma (fosse na forma de unidades maiores, como Divisões de Exército ou menores - como no caso da FEB, pequenas unidades de apoio integradas às Divisões de Infantaria); em todos os exércitos durante aquele conflito, não se restringiu à sua utilização mecanizada com carros de combate. Não apenas, mas especialmente em terreno montanhoso, como era a Frente Italiana, a utilização de animais como a mula (entre outros) e veículos menores como bicicletas, e/ou motocicletas militares eram fundamentais para a mobilidade das tropas. Mais sobre este tema pode ser visto, entre outros, em: Nafziger 2000, e Worley 2006 (Pág.85).
  23. Morais, 1947. "Título" (Capítulo) IV, seção "Os Ataques da Task Force 45 a Monte Castello"
  24. Brayner, 1968. Págs 237 a 240.
  25. a b Udihara, 2002.
  26. Morais, 1947. "Título" (Capítulo) IV, seção "A defensiva no Vale do Reno"
  27. Clark, 1950. (Visualização da) Pág.608, da reedição de 2007 (em inglês).
  28. Morais, 1947. "Título" (Capítulo) V, seções "Monte Castello" & "Castelnuovo"
  29. Brayner, 1968. Capítulo XII "Operações contra Monte Castelo"
  30. Dennison de Oliveira, "Os soldados alemães de Vargas" ISBN 8536220767 Ed.Jurua 2008; pag.117 1ºparágr.
  31. Crittenberger, 1951.
  32. Brayner, 1968. Capítulo XIV
  33. Bohmler; 1966. Final do Capítulo IX
  34. Ibidem. Brayner, 1968.
  35. Donato, 1987. Pág. 168
  36. Ibidem Donato, 1985 - pág. 214
  37. a b Castro, Izecksohn & Kraay, 2004. Capítulos 13 e 14
  38. (em inglês) UNH - Página acessada em 12 de Novembro de 2010.
  39. (em português) Estadão - País foi chamado a ocupar a Áustria. Página acessada em 2 de Janeiro de 2011.
  40. (em português) Mondopost - Brasil foi chamado a ocupar a Áustria. Página acessada em 12 de Novembro de 2010.
  41. Brayner, 1968. Pág. 524
  42. Ribeiro, 2010. Pág. 4, Penúltimo parágrafo.
  43. Lima, 1989.
  44. Tenente-brigadeiro Nelson Freire Lavanére-Wanderley; "A Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra Mundial"
  45. a b Tenente-brigadeiro Nelson Freire Lavanére-Wanderley. A Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra Mundial. 2ª ed. Brasília: CECOMSAER, 2002. 35 pp. ISBN 85-89018-01-6
  46. Ibidem. Seitenfus, 2000. Págs 314 a 317.
  47. Dennison de Oliveira, "Os soldados alemães de Vargas" ISBN 8536220767 Ed.Jurua 2008; pags. 55 & 56
  48. Bayeux - Informações turísticas
  49. Moser, Benjamin. "Clarice," ISBN 9788575038444 Ed.Cosac Naify 2009; último parágrafo, pág. 212.
  50. Fernandes, 2009. Pág.273
  51. Santaluzianet Notícias : II Guerra Mundial: Três heróis brasileiros
  52. Papo de PM HERÓIS MINEIROS
  53. Castro, Izecksohn & Kraay, 2004 - "Os veteranos da FEB e a sociedade brasileira".
  54. Ribeiro, 2010. Págs. 4 (final) e 5.
  55. Ibidem. Castro, Izecksohn & Kraay, 2004.
  56. Motta, 2001. Pág. 296
  57. Soares, 1985. A partir da pág.339.
  58. Castro, Erik de. "A Cobra Fumou" Documentário Brasileiro de 2002. Produção: BSB Cinema, Limite Produções e Raccord Produções. Diretor: Vinícius Reis. Duração: 92 min.
  59. Ibidem. Castro, Izecksohn & Kraay, 2004.
  60. Ibidem. Soares, 1985.
  61. Benjamin Moser, "Clarice," ISBN 9788575038444 Ed.Cosac Naify 2009; parágrafos I e II, pág. 220

Ligações da FEB com Unidades Militares atuais[editar | editar código-fonte]

Uma Cia do III Batalhão do 11º Regimento de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira na II Guerra Mundial.
  • 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária
Atualmente é a 1ª Divisão de Exército - Vila Militar de Deodoro - Rio de Janeiro - RJ
  • Companhia do Quartel General
Banda de Música Divisionária - Formada por militares da várias Unidades e de "Tropa Especial", organizado à base da mobilização de policiais da Guarda Civil de São Paulo - Atualmente a Companhia de Comando da 1ª Divisão de Exército - Vila Militar de Deodoro - Rio de Janeiro;
A Guarda Civil, ou Força Pública desmembrou-se em Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Científica do Estado de São Paulo;
Corpo Musical da Polícia Militar do Estado de São Paulo - Bairro da Luz São Paulo;
Banda de Música da 1ª Divisão de Exército.
  • 9º Batalhão de Engenharia
Formado pelo 9º Batalhão de Engenharia de Combate Batalhão Carlos Camisão, Aquidauana-MS, e pelos Sargentos da Companhia Escola de Engenharia - Rio de Janeiro - Atualmente o 9º Batalhão de Engenharia de Combate permanece na cidade de Aquidauana;
Posteriormente a Companhia Escola de Engenharia passou à denominação de 9ª Companhia de Engenharia de Combate (Escola) e na década de 1990 transformou-se na 1ª Companhia de Engenharia do 1º Batalhão de Engenharia de Combate - Batalhão Vilagran Cabrita, o qual passou a se chamar Batalhão Escola de Engenharia.
  • 1º Regimento de Infantaria
Atualmente o 1º Regimento de Infantaria tornou-se o 1º Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola) – Regimento Sampaio, pertencente ao Grupamento de Unidades-Escola/9ª Brigada de Infantaria Motorizada situado na Vila Militar de Deodoro, no Rio de Janeiro - RJ;
  • 6º Regimento de Infantaria
Atualmente o 6º Regimento de Infantaria tornou-se o 6º Batalhão de Infantaria Leve Regimento Ipiranga, pertencente à 12ª Brigada de Infantaria Leve (Aeromóvel), situado na Cidade de Caçapava - SP.
  • 11º Regimento de Infantaria
Atualmente o 11º Regimento de Infantaria tornou-se o 11º Batalhão de Infantaria de Montanha Regimento Tiradentes, pertencente à 4ª Brigada de Infantaria Motorizada e está situado na Cidade de São João del-Rei - MG.
  • 1º Esquadrão de Reconhecimento
Formado pelo 3º Esquadrão de Reconhecimento e Descoberta do 2º Regimento Moto-Mecanizado e por militares do Esquadrão Escola de Cavalaria - Atualmente o 1º Esquadrão de Cavalaria Leve Esquadrão Ten Amaro, Valença-RJ. Na guerra do Esquadrão foi comandado pelo então Tenente Plínio Pitaluga. No retorno da Guerra o Capitão Pitaluga é nomeado comandante do 9º Esquadrão de Cavalaria Mecanizada (Escola) e na década de 1990 transformou-se no 1º Esquadrão do 2º Regimento de Cavalaria de Guardas Regimento Andrade Neves, o qual passou a se chamar Regimento Escola de Cavalaria - Rio de Janeiro - RJ. Regimento Pitaluga
  • Pelotão de Polícia
Formada por militares da várias Unidades e de "Tropa Especial", organizado à base da mobilização de policiais da Guarda Civil de São Paulo - Atualmente o 1º Batalhão de Polícia do Exército - Rio de Janeiro - RJ.
  • 1º Batalhão de Saúde
Atualmente o 21º Batalhão Logístico – Batalhão Oswaldo Cruz - Rio de Janeiro - RJ.
  • 1ª Companhia de Transmissões
Formada por militares da várias Unidades e de "Tropa Especial", organizado à base da mobilização de policiais da Guarda Civil de São Paulo - Atualmente o 1º Batalhão de Comunicações de Exército Batalhão Barão de Capanema, denomina-se Batalhão Escola de Comunicações.
  • 1ª Companhia Leve de Manutenção e 1ª Companhia de Intendência
Formadas por militares da várias Unidades e da "Tropa Especial", organizado à base da mobilização de policiais da Guarda Civil de São Paulo - Atualmente o 19º Batalhão Logístico Batalhão Marechal Bittencourt, é o herdeiro das tradições das 1ª Companhia Leve de manutenção e 1ª Companhia de Intendência; - Rio de Janeiro-RJ.
  • Artilharia Divisionária Expedicionária
Atualmente a Artilharia Divisionária (1ª Divisão de Exército) - AD Cordeiro de Farias, Rio de Janeiro-RJ.
Bateria de Comando da Artilharia Divisionária Expedicionária
Atualmente a Bateria de Comando da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército, Rio de Janeiro-RJ.
I Grupo Obuses 105
Atualmente o 1º Grupo de Artilharia de Campanha de Selva – Regimento Floriano, Marabá-PA.
II Grupo de Obuses 105
Atualmente o 21º Grupo de Artilharia de Campanha - Grupo Monte Bastione, Rio de Janeiro-RJ.
III Grupo Obuses 105
Atualmente o 20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve - Grupo Bandeirante, Barueri-SP.
IV Grupo de Obuses 155
Atualmente o 11º Grupo de Artilharia de Campanha - Grupo Montese, Vila Militar de Deodoro - Rio de Janeiro-RJ.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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Ver também[editar | editar código-fonte]