Foro de São Paulo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
O ex-presidente Lula e o ministro Luiz Dulci durante celebração dos quinze anos do Foro de São Paulo.

Foro de São Paulo (FSP) é uma organização criada em 1990 a partir de um seminário internacional promovido pelo Partido dos Trabalhadores do Brasil,[1] juntamente com o cubano Fidel Castro,[2] [3] [4] [5] [6] que convidaram outros partidos e organizações de esquerda da América Latina e do Caribe para discutir alternativas às políticas neoliberais dominantes na América Latina durante a década de 1990[7] [8] e promover a integração econômica, política e cultural da região.

Segundo a organização, atualmente mais de 100 partidos e organizações políticas participam dos encontros. As posições políticas variam dentro de um largo espectro, que inclui partidos social-democratas, organizações comunitárias, sindicais e sociais ligados à esquerda católica, grupos étnicos e ambientalistas, organizações nacionalistas, partidos comunistas e até mesmo grupos guerrilheiros, como as FARC. Estas, entretanto,[9] acabaram por ser impedidas de participar abertamente a partir de 2005.[10]

A primeira reunião foi realizada em São Paulo. Desde então, o Foro tem acontecido a cada um ou dois anos, em diferentes cidades: Manágua (1992), Havana (1993), Montevidéu (1995), San Salvador (1996), Porto Alegre (1997), Cidade do México (1998), Manágua (2000), Havana (2001), Antígua (2002), Quito (2003), São Paulo (2005), San Salvador (2007), Montevidéu (2008), Cidade do México (2009), Buenos Aires (2010), Manágua (2011), Caracas (2012) e São Paulo (2013).

História[editar | editar código-fonte]

A ideia do Foro de São Paulo surgiu em julho de 1990, durante uma visita feita por Fidel Castro a Lula em São Bernardo do Campo e foi formalizada quando 48 organizações, partidos e frentes de esquerda da América Latina e do Caribe, atendendo a convite do Partido dos Trabalhadores, reuniram-se na cidade de São Paulo visando debater a nova conjuntura internacional pós-queda do Muro de Berlim (1989), elaborar estratégias para fazer face ao embargo dos Estados Unidos a Cuba.

No encontro seguinte, realizado na Cidade do México, em 1991, com a participação de 68 organizações e partidos políticos de 22 países, examinou-se a situação e a perspectiva da América Latina e do Caribe frente à reestruturação hegemônica internacional. Na ocasião, consagrou-se o nome "Foro de São Paulo".[11]

Participantes[editar | editar código-fonte]

Lista de participantes:[12]

Países Organizações associadas
 Argentina
 Bolívia
 Brasil
 Chile
 Colômbia
 Cuba
Equador
El Salvador
 Guatemala
Martinica
 México
Nicarágua
 Panamá
  • Partido del Pueblo de Panamá
Paraguai
 Peru
 Porto Rico
República Dominicana
Uruguai
 Venezuela

Estrutura executiva[editar | editar código-fonte]

Lula conversa com Fidel Castro, no Palácio da Revolução, em Havana (2003)..

O Foro funcionou sem um grupo executivo apenas na sua primeira edição. No segundo encontro, realizado na cidade do México, em 1991, foi criado um grupo de trabalho encarregado de "consultar e promover estudos e ações unitárias em torno dos acordos do Foro". Já na reunião realizada em Montevidéu (1995), foi criado o Secretariado Permanente do FSP. Essas instâncias têm sua composição decidida a cada encontro e já foram integradas por organizações como: Partido dos Trabalhadores; FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia–Ejército del Pueblo) de esquerda; Izquierda Unida (Peru); Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional de esquerda (El Salvador); Frente Sandinista de Libertação Nacional de esquerda (Nicarágua); Partido Comunista de Cuba; Frente Ampla do Uruguai de esquerda; Partido da Revolução Democrática de esquerda (México); Movimiento Lavalás de esquerda (Haiti) e Movimiento Bolivia Libre de esquerda.

Declarações[editar | editar código-fonte]

Emblem-scales.svg
A neutralidade desse artigo (ou seção) foi questionada, conforme razões apontadas na página de discussão.
Justifique o uso dessa marca na página de discussão e tente torná-lo mais imparcial.

Os objetivos iniciais do FSP estão expressos na "Declaração de São Paulo",[13] documento final que foi aprovado no primeiro encontro, na cidade de São Paulo, em 1990. A declaração afirmou, a solidariedade à Revolução Cubana de esquerda e à Revolução Sandinista de esquerda e apoiou as tentativas de desmilitarização e de solução política da guerra civil de El Salvador, além de se solidarizar com os povos andinos. É em função dessas declarações que o FSP é criticado pelas mais diversas correntes intelectuais do mundo que acreditam tratar-se uma organização que apoia ditaduras e sistemas políticos "ditatoriais e assassinos".

O texto definiu, adicionalmente, as bases de um "novo conceito de unidade e integração continental", que supõe: "defender o patrimônio latino-americano, pôr fim à fuga e exportação de capitais do sub-continente, encarar conjunta e unitariamente o flagelo da impagável dívida externa e a adoção de políticas econômicas em benefício dos governos de esquerda."

No II Encontro (no México, em 1991), surgiu a ideia de o FSP trabalhar também por maior integração continental, por meio do intercâmbio de experiências, da discussão das diferenças e da busca de consenso para ação entre as esquerdas. Os encontros seguintes reafirmam esta disposição para o diálogo entre as esquerdas, ao mesmo tempo em que — no cenário continental — cresceu a influência dos partidos participantes do Foro de São Paulo na política latino-americana, uma vez que houve a eleição de presidentes afinados com suas visões em vários países.

Atualmente, Lula e Hugo Chavez são os principais lideres do movimento.

Países da América Latina atualmente governados por membros do Foro de São Paulo[editar | editar código-fonte]

Países da América Latina atualmente governados por membros do Foro de São Paulo (em vermelho).

Em 15 de março de 2009, a Frente Farabundo Marti de Liberación Nacional (FMLN) venceu as eleições presidenciais em El Salvador, tornando-se o mais novo país a ser governado por um integrante do Foro de São Paulo, com a posse de Mauricio Funes de esquerda em 2 de junho de 2009.

Em 28 de junho de 2009, o presidente de Honduras Manuel Zelaya Rosales de esquerda, membro do Foro de São Paulo, foi deposto e substituído por Roberto Micheletti. Em 27 de janeiro de 2010, tomou posse, como presidente de Honduras, o candidato eleito, Porfírio Lobo, de direita.

Em 1º de julho de 2009, Martín Torrijos de esquerda, membro do Foro de São Paulo, deixou o cargo de presidente do Panamá, sendo sucedido pelo empresário supermercadista Ricardo Martinelli, do partido Mudança Democrática, populista de direita.

Em 17 de janeiro de 2010, Sebastián Piñera foi eleito presidente do Chile, sucedendo a Michelle Bachelet de esquerda, que era membro do Foro de São Paulo. Piñera tomou posse como presidente do Chile em 11 de março de 2010. Porém, em 15 de Dezembo de 2013, Michelle Bachelet foi novamente eleita para o cargo, tornando-se o primeiro presidente a ser reeleito na história do Chile.[14]

Em 5 de junho de 2011, Ollanta Humala, do Foro de São Paulo, foi eleito presidente do Peru.

A reunião anual em Montevidéu 2008[editar | editar código-fonte]

Um dos temas centrais previstos para o encontro do Foro de São Paulo em Montevidéu (dias 22 a 25 de maio de 2008) foi a reivindicação de renegociação do tratado de criação da Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional. O presidente do Paraguai, Fernando Lugo de esquerda, é membro do FSP e deseja aumentar a receita paraguaia proveniente da Usina de Itaipu, fixada no tratado de constituição da hidroeléctrica, de 1973.

Foro de São Paulo em 2010[editar | editar código-fonte]

A reunião do Foro de São Paulo, que ocorreu em 2010 na capital argentina, faz críticas ao neoliberalismo e os Estados Unidos. O Foro recomendou que os países latino-americanos levem à ONU o debate sobre a autodeterminação e a independência da população de Porto Rico.[15]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Diversos grupos organizadores e setores da sociedade civil se opõem ao Foro de São Paulo. Em editorial de 13 de agosto de 2013, o jornal O Estado de S. Paulo, descrevendo a reunião como um foro anacrônico, aponta o fato de que os países que participam do foro exibem o pior desempenho econômico do continente - em contraste com o dos integrantes da Aliança do Pacífico - México, Colômbia, Peru, Chile e, mais recentemente, Costa Rica - que colhem os resultados positivos de suas bem-sucedidas políticas de integração na economia global.[16] O editorial aponta ainda o fato de que todos os países que participam do Foro "padecem de um burocratismo do aparelho estatal semelhante ao que levou à falência a União Soviética e seus satélites", e que todos, apesar dos princípios pelos quais alegaram lutar, jamais lograram conquistar uma verdadeira democracia social e de massas.[16]

Entre estes grupos que se opõem ao Foro estão associações de intelectuais liberais como o UnoAmerica,[17] [18] organização liderada pelo venezuelano Alejandro Peña Esclusa. Supostamente vinculado à TFP (Tradição, Família e Propriedade), organização católica ultraconservadora, e o movimento LaRouche, ligado à direita norte-americana, Peña Esclusa foi preso pelo governo de Hugo Chávez sob a acusação de terrorismo, em 13 de julho de 2010.[19] [20] Em 1998, Peña Esclusa havia sido candidato à presidência da Venezuela, obtendo 0,04% dos votos, isto é, 2.424 votos sobre mais de 16 milhões[21] [22] .

No Brasil, por mais de uma década o filósofo e jornalista Olavo de Carvalho tem acusado o Foro de São Paulo de ser o principal responsável pela ascensão da esquerda na América Latina.[23]

Além disso, os opositores do Foro de São Paulo criticaram principalmente a participação das FARC nas reuniões. [24] [9] [10] [25] [26] [27] [28]

Referências

  1. Valter Pomar (13/5/2013). Declaração Final dos Encontros do Foro de São Paulo (1990-2012) (pdf) 5 pp. Website do Foro de São Paulo. Página visitada em 02/08/2013.
  2. Henneman, Gustavo. Foro de São Paulo celebra iniciativas que aumentam controle da imprensa, Folha de S. Paulo, 20 de agosto de 2010.
  3. Pontes, Ipojuca. Fidel Castro, Lula e a “Faixa de Gaza”. ucho.info, 16 de agosto de 2010.
  4. Fabiano, Ruy. Conflito sem mediadores. Blog do Noblat, O Globo, 31 de julho de 2010.
  5. Montaner, Carlos Alberto. A decepção internacional com Lula. O Estado de São Paulo, 12 de março de 2010.
  6. Rabello, João Bosco. PT e Farc, uma antiga relação ideológica que encontrou abrigo no governo brasileiro. O Estado de São Paulo, 21 de julho de 2010.
  7. Neoliberalismo na América Latina e a nova fase da dependência
  8. Globalização, Neoliberalismo e abertura econômica na América Latina nos anos 90
  9. a b Partidos Miembros
  10. a b Folha de S. Paulo (31 de maio de 2008). PT barrou as Farc em foro da esquerda em São Paulo.
  11. Declaración de México (PDF).
  12. Miembros del Foro de São Paulo ordenados por países (em es) 5 pp. Website do Foro de São Paulo. Página visitada em 02/08/2013.
  13. Declaración de São Paulo (PDF).
  14. Michelle Bachelet se convierte en la nueva Presidenta electa de Chile entre 2014 y 2017 (em espanhol) La Tercera (15 de dezembro de 2013). Página visitada em 16 de dezembro de 2013.
  15. Foro de São Paulo termina com criticas aos EUA e ao neoliberalismo econômico Correio Braziliense (21 de agosto de 2010). Página visitada em 10 de março de 2011.
  16. a b Um foro anacrônico O Estado de S. Paulo. (13 de agosto de 2013). Página visitada em 18-3-2014.
  17. Declaración de UnoAmérica, 15 de dezembro de 2008
  18. Criticismo do forum pela Unión de Organizaciones Democráticas de América
  19. Venezuela prende político acusado de aliança com terroristas. Opera Mundi, 13 de julho de 2010
  20. Caracas prende e acusa outro opositor O Estado de S. Paulo..
  21. Unoamerica site de oposição ao Foro de São Paulo, mantido por Alejandro Peña Esclusa.
  22. Pichones del Plan Cóndor por Esteban Collazo. Revista Zoom (29 de outubro de 2009).
  23. Carvalho, Olavo de. Digitais do Foro de São Paulo 28 de Janeiro de 2008.
  24. O Foro de São Paulo não é uma fantasia, por Reinaldo Azevedo. Revista Veja, 30 de janeiro de 2008.
  25. Henneman, Gustavo (20 de agosto de 2010). Foro de São Paulo celebra iniciativas que aumentam controle da imprensa Folha de S. Paulo.
  26. Fabiano, Ruy (31 de julho de 2010). Conflito sem mediadores Blogue do Noblat, O Globo.
  27. Montaner, Carlos Alberto (12 de março de 2010). A decepção internacional com Lula O Estado de São Paulo.
  28. Rabello, João Bosco (21 de julho de 2010). PT e Farc, uma antiga relação ideológica que encontrou abrigo no governo brasileiro O Estado de São Paulo.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Documentos oficiais
Documentação complementar