Fortaleza de Humaitá

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Posição da Fortaleza de Humaitá.
Passagem de Humaitá (1868): aquarela do almirante Trajano Augusto de Carvalho.
"Marcha de Flanco" de Caxias isola a Fortaleza de Humaitá.
Igreja de Humaitá, Paraguai.
Igreja de Humaitá, Paraguai: detalhe das ruínas.
Selo postal mostrando as ruínas da igreja.

A Fortaleza de Humaitá localizava-se à margem esquerda do rio Paraguai, a cerca de 430 quilómetros o sul da capital Assunção, no Paraguai. No lugar onde existiu, ergue-se atualmente a cidade de Humaitá, no Departamento de Ñeembucú.

No contexto da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), esta fortificação controlava o acesso por via fluvial à capital, Assunção, constituindo-se no mais poderoso e temido complexo defensivo paraguaio.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A primitiva fortificação no local remonta a um forte erguido em Fevereiro de 1778 pelo então Governador do Paraguai, Pedro de Melo.

A Guerra da Tríplice Aliança[editar | editar código-fonte]

O sistema defensivo de Humaitá foi iniciado por Carlos Antonio López (1790-1862) que, entre outras inovações, implantou o serviço militar obrigatório no país.

Marco do poderio militar de seu filho e sucessor, Francisco Solano López (1827-1870), o Tratado Secreto da Tríplice Aliança, entre a Argentina, o Brasil e o Uruguai (1 de Maio de 1865), entre outros dispositivos, previa a destruição definitiva da Fortaleza de Humaitá, proibindo-se a construção de qualquer outra fortificação semelhante no curso do rio Paraguai:

1.º Que em cumprimento do Tratado de Aliança desta data, as fortificações de Humaitá serão demolidas, e não será permitido erigir outras de igual natureza, que possam impedir a fiel execução do dito Tratado.

Quartel-general e centro do poder militar de Solano López, erguia-se dominando estrategicamente uma apertada curva do curso do rio. Este poderoso complexo defensivo constituia-se em uma série de defesas, tanto pelo lado de terra como pelo lado do rio. Além dos muros e casamatas pesadamente artilhadas - 110 peças dispostas em 12 baterias -, contava com quartéis de tropa e de oficiais, depósitos de munições - de boca e de guerra -, oficinas, igreja, cemitérios e pastagens na área circundante, protegida por um perímetro de 8 quilômetros de entrincheiramentos, artilhado com mais 40 peças. No leito do rio, minas e três grossas correntes de ferro impediam a navegação naquele trecho dominado pela fortaleza. Cruzava fogos com o Reduto Cierva, no lado oposto do rio.

Após ter detido o progresso das forças aliadas por quase dois anos entre 1866 e 1868, vitimadas pela insalubridade da região, pelos ataques paraguaios à vanguarda das forças e pela inação, a partir de 1867 sob a orientação do Marquês de Caxias (1803-1880), a posição foi flanqueada e isolada, o que foi conseguido pelas tropas aliadas com a conquista de Tahí (2 de Novembro de 1867), rompendo as comunicações fluviais e por terra de Humaitá com a capital.

Após a passagem de Humaitá pela Marinha Imperial (19 de fevereiro de 1868), foi finalmente atacada pelas forças do 3º Corpo do Exército brasileiro sob o comando do Marechal-de-Campo Manuel Luís Osório (1808-1879), rechaçadas nos ataques de 21 de março e de 16 de julho de 1868. Nesta última noite, o marechal Osório atacou o Reduto de San Solano, ao norte de Humaitá, onde estavam dispostos 46 canhões manobrados por uma pequena guarnição sob o comando do coronel Pedro Hermosa. As tropas brasileiras envolvidas no assalto ascendiam a 12.000 homens (duas divisões de Infantaria, um corpo de Cavalaria, uma brigada de Artilharia e um batalhão de Engenharia) tendo sofrido cerca de 3.000 baixas.[1]

Abandonado pelas forças paraguaias, foi ocupado pelas brasileiras em 25 de Julho de 1868 e utilizada como base de operações de campanha.

Atualmente conservam-se as ruínas da Igreja de San Carlos Borromeo, inaugurada por Carlos Antonio López em 1 de janeiro de 1861, e destruída em 1868 pela artilharia aliada.[2]

No Museu Histórico da cidade, instalado no edifício que foi utilizado como quartel por Solano Lopez, encontram-se diversas peças relativas ao conflito. As antigas linhas de trincheiras e fossos ainda são perceptíveis nos terrenos circundantes.

Recentemente "La Asociacion Cultural Manduara" apresentou um trabalho no qual pode ser visualisada uma reconstrução em 3D da Igreja de San Carlos Borromeo de Humaitá. A reconstrução pode ser efetuada com o apoio do arquiteto Mateo Nakayama e seu irmão, o Dr. Eduardo Nakayama, que proporcionaram os dados históricos.

Notas

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]