Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção
Pormenor da Vila de N. Sra. da Assunção (1730). No canto superior direito, o primitivo forte, em faxina e terra.
Brazilian States.PNG
Construção Príncipe-regente D. João (1812)
Estilo Abaluartado
Conservação Bom
Aberto ao público Sim

A Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção localiza-se à margem esquerda da foz do riacho Pajeú, sobre o monte Marajaitiba, na cidade de Fortaleza, no litoral do estado brasileiro do Ceará. Atualmente abriga a sede da 10ª Região Militar do Exército Brasileiro.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A primitiva estrutura no local da atual fortaleza remonta à época da segunda das Invasões holandesas do Brasil, erguida em 1649 por neerlandeses: o Forte Schoonenborch. Com a expulsão dos invasores, a Coroa Portuguesa tomou posse da fortificação, rebatizando-a como Forte de Nossa Senhora da Assunção.

A Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção[editar | editar código-fonte]

Desmoronado o Forte de Nossa Senhora da Assunção (1812), o governador da então Província do Ceará, Manuel Inácio de Sampaio e Pina Freire, deu início, no local, a uma nova estrutura para a defesa daquela Capital. A pedra fundamental foi lançada a 12 de outubro de 1812, em homenagem ao aniversário do "sereníssimo Senhor Príncipe da Beira, o senhor D. Pedro de Alcântara".[1]

A planta, de autoria do Tenente-coronel Engenheiro António José da Silva Paulet, que dirigiu a sua construção, apresenta a forma de um quadrado com 90 metros de lado, com baluartes nos vértices, sob a invocação, respectivamente, de Nossa Senhora da Assunção (nordeste), São José (sudeste), Dom João (noroeste) e Príncipe da Beira (sudoeste). Artilhada inicialmente com cinco peças, foi custeada com fundos públicos (20:362$390 réis) e doações particulares (16:113$267 réis), afora doações de materiais e serviços, de voluntários e de escravos.[2] GARRIDO reporta que, em 1816, a fortaleza encontrava-se artilhada com vinte e sete peças.[3]

Uma lápide comemorativa, colocada na muralha externa Norte quando da inauguração da fortaleza, reza, em latim:

"Informem montem me derisere carinae, Nunc arcem magnum respectu pavescunt:
Hic me Sampaius, sexto regnante Joanne,
Fundavit pulchram; Pauleti refulget.
Armis me fortem civilia dona
Muris me fortem reddunt stipendia Regis."
"Ano de 1817. As naus escarneciam de mim quando eu era um monte informe: agora que sou uma grande fortaleza, de longe tomam-se de respeito. Aqui, reinando D. João VI, Sampaio me fundou bela, o engenho de Paulet resplandece. Os donativos dos cidadãos me tornaram forte pelas muralhas, e dos dispêndios reais me fazem forte pelas armas."[4]

O mesmo autor indica que, à época (1958), essa lápide se encontrava no Museu do Estado do Ceará.[5]

No contexto da Revolução Pernambucana de 1817, numa das celas desta fortificação esteve detida Bárbara de Alencar, líder revolucionária em Crato, no Ceará, considerada localmente como a primeira prisioneira política da História do Brasil.[6]

Em 1821, o Governador Francisco Alberto Rubim solicitou 200$000 réis para a conclusão de suas obras, o que ocorreu no ano seguinte (17 de agosto de 1822).[7] BARRETTO (1958) informa que a sua artilharia foi aumentada para trinta e uma peças de diferentes calibres a partir de 1829.[8]

O Mapa anexo ao Relatório do Ministério da Guerra de 1847 aponta-lhe a ruína, dando-a como artilhada com vinte peças.[9] GARRIDO (1940) informa que recebeu reparos em 1856. No ano seguinte, classificada como fortificação de 2ª Classe (11 de fevereiro de 1857), encontrava-se artilhada com trinta e duas peças: vinte e seis de alma lisa (quatro de calibre 25 libras, duas de 18, nove de 12, cinco de 6, e seis de 3), e 6 de bronze La Hitte, raiadas, calibre 12. Foi avaliada em 125:000$000 réis (3 de março de 1858). Sofreu reparos no contexto da Questão Christie (1862-1865), em 1875, em 1883 (5:000$000 réis), e em 1886, quando foi novamente considerada como de 2ª classe.

Entre 1846 e 1857 foram-lhe erguidos novos prédios, os quais sediaram diversas unidades militares como o 11º e o 15º batalhões de Infantaria, a Escola Militar do Ceará, o 22º e o 23º batalhões de Caçadores, entre outras.

Do século XX aos nossos dias[editar | editar código-fonte]

No início da República Velha, em 1895 apresentava duas baterias dispostas em andares e uma bateria a cavaleiro.[10]

Também conhecida como Forte da Tartaruga, encontrava-se bem conservada (1906), e desarmada (1910). À época da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi guarnecida, entre 1917 e 1918, pela 1ª Bateria Independente do 3º Distrito de Artilharia de Costa, sob o comando do Capitão Bernardino Chaves.[11] BARRETTO (1958) complementa que o quartel contíguo à fortaleza, que abrigava a guarnição, foi ocupado pela 46ª Bateria Independente, mais tarde 46ª Bateria de Costa. À época (1958), sediava o Quartel-general da 10ª Região Militar,[12] função que conserva desde então.

O forte pode ser visitado mediante agendamento prévio junto à Comunicação Social da Região Militar. A visita é feita na companhia de um militar que aborda tópicos de interesse sobre o monumento, nomeadamente a praça de armas, a cela onde esteve detida Bárbara de Alencar e a capela do forte.

Referências

  1. GARRIDO, 1940:44; BARRETTO, 1958:98.
  2. GARRIDO, 1940:44; BARRETTO; 1958:98-99.
  3. Op. cit., p. 44.
  4. BARRETTO, 1958:99.
  5. Op. cit., p. 99.
  6. "Passeio pela História do Ceará". Rio de Janeiro: O Globo, 30 de agosto de 2001. p. 20.
  7. GARRIDO, 1940:44.
  8. Op. cit., p. 100.
  9. SOUZA, 1885:73.
  10. Op. cit., p. 44-45; BARRETTO, 1958:100.
  11. GARRIDO, 1940:45.
  12. Op. cit., p. 100-101.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARRETO, Aníbal (Cel.). Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958. 368 p.
  • GARRIDO, Carlos Miguez. "Fortificações do Brasil". Separata do Vol. III dos Subsídios para a História Marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1940.
  • PEIXOTO, Eduardo Marques. "A Fortaleza de N. S. d'Assumpção". Revista Trimensal do Instituto do Ceará. p. 297-311.
  • SOUSA, Augusto Fausto de. "Fortificações no Brazil". RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XLVIII, Parte II, 1885. p. 5-140.
  • TEIXEIRA, Paulo Roberto Rodrigues. "Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção". in Revista DaCultura, ano IV, nº 7, dezembro de 2004, p. 53-64.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Brazil.Brasilia.01.jpg A Wikipédia possui o(s) portal(is):
Portal Arquitetura e Urbanismo