Fortaleza de São Sebastião de Baçaim

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Baçaim ("Livro das Plantas da Fortalezas", 1635).
Mapa de Baçaim. A legenda reza: "Baçaim. esta na terra firme, do Guzarate / em, Altura de 19. e 1/2. do Norte. a fortaleza / foy fundada por. od. gor. Nuno da Cunha. 1539".
Fortaleza de Baçaim, Índia.
Fortaleza de Baçaim: Portão de Armas.
Fortaleza de Bassaim: vista interna.
Fortaleza de Baçaim: vista interna.

A Fortaleza de São Sebastião de Baçaím (também conhecida como Praça-forte de Baçaim) foi uma fortificação que integrou o Estado Português da Índia entre 1535 e 1739. Localiza-se na antiga cidade de Baçaim (hoje Vasai-Virar), no estado de Maharashtra, na Índia, a cerca de 50 quilómetros ao norte de Bombaim.[1] [2]

Constitui-se numa das mais importantes praças-fortes portuguesas no antigo Indostão.

História[editar | editar código-fonte]

A cidade, integrante dos domínios do reino de Cambaia, devia a sua riqueza à pesca, ao comércio de cavalos, de sal, madeiras, pedras para construção (basalto, granito) e à construção naval. Adicionalmente, a região era próspera em termos agrícolas, produzindo arroz, algodão e cana-de-açúcar.

Em 1528, o capitão Heitor da Silveira, conquistou e incendiou a cidade. Após isto, o governante de Thana submeteu-se voluntáriamente como tributário a Portugal. Em 1532 teve lugar um novo assalto português a Baçaim e, após uma forte resistência, conseguiram penetrar na sua fortificação, arrasando-a. Em consequência, foi imposto tributo às cidades de Thana, Bandra, Mahim e Bombaim.

Em 23 de dezembro de 1534 o Sultão de Guzerate cedeu, através de um tratado, Baçaim e suas dependentes (Salcete, Bombaim, Parel, Vadala, Sião, Vorli, Mazagão, Thana, Bandra, Mahim, Caranja e outras) a Portugal.

No ano seguinte (1535) uma feitoria portuguesa foi instalada em Baçaim, dando-se início à construção da Igreja de Nossa Senhora da Vida. Ainda nesse ano de 1535, as forças do Sultão de Guzerate assaltaram a cidade. Por essa razão, em maio de 1536, por determinação de D. Nuno da Cunha, uma fortificação foi iniciada, em torno da qual a cidade portuguesa floresceu. Com planta atribuída ao milanês Giovanni Battista Cairati, arquiteto-mor de Portugal no Oriente sob o reinado de Filipe I de Portugal (1580-1598), foi consagrada a São Sebastião, apresentando influências do Renascimento europeu.

Os muros da cidade foram erguidos entre 1552 e 1582, pois nesta última data já se encontrava envolvida por imponente muralha de pedra e cal, reforçada por dez modernos baluartes em forma de orelhão, conforme representado em carta de Pedro Barreto de Resende (1635).

Capital da Província do Norte na Índia portuguesa, resistiu aos assaltos de forças locais e estrangeiras até ser ocupada pelas forças do Império Maratha, que também conquistaram todos os territórios dela dependentes (1739). Da Fortaleza de São Sebastião dependiam as tranqueiras de Saibana, Varenepor, e Conrangem, além do Forte de Mamura, do Forte de Caranjá e os Baluartes de Tana.

Atualmente, as ruínas da cidade e a própria fortaleza, encontram-se ameaçadas pela exploração das jazidas de gás ao longo da costa, e pela proximidade da metrópole de Bombaim, hoje com uma população de mais de onze milhões de habitantes.

Características[editar | editar código-fonte]

Após o portão de armas abre-se um pequeno pátio de onde as ruinas do antigo forte podem ser contempladas.

No seu interior destacam-se três capelas, onde se reconhece a arquitetura portuguesa do século XVII. A capela mais ao sul encontra-se mais bem conservada, ainda com o seu teto abobadado.

Decorado com pedras esculpidas, alguns dos seus arcos ainda revelam a sua antiga riqueza.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • COUTO, Dejanirah. A fortaleza de Baçaim. In: Oceanos. Fortalezas da Expansão Portuguesa. nº 28, Lisboa, out./nov. 1996, pp. 105–118.
  • FERNANDES, Brás A.. Armas e Inscrições do Forte de Baçaim. Lisboa: Academia Portuguesa de História, 1998. ISBN 972-624-115-4

Referências

  1. Boletim da Sociedade de geographia de Lisboa, Volumes 77-78, pág. 347. Sociedade de Geografia de Lisboa (1959)
  2. Grande enciclopédia portuguesa e brasileira: ilustrada com cêrca de 15.000 gravuras e 400 estampas a côres, Volume 37, pág. 26. Editorial Enciclopédia (195?)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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