Forte do Espírito Santo

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Planta do Forte do Espírito Santo (Damião Pego, Agosto de 1881).
Planta do Forte do Espírito Santo (Damião Pego, Agosto de 1881).

O Forte do Espírito Santo localiza-se na cidade e Concelho de Praia da Vitória, na Ilha Terceira (Açores), em Portugal.

Erguido na extrema esquerda da baía da Praia da Vitória, cruzava fogos com o Forte de Nossa Senhora da Conceição e o Forte do Porto, que lhe ficavam à direita. Actualmente ali se inicia o molhe de protecção e acostagem dos navios de reabastecimento da Base Aérea das Lajes.

Índice

[editar] História

Foi edificado no contexto da crise de sucessão de 1580, entre 1579 e 1583, por determinação do corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, conforme o plano de defesa da ilha elaborado por Tommaso Benedetto[1].

Séculos mais tarde, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), foi alvo do fogo de artilharia da esquadra absolutista na batalha de 11 de agosto de 1829. Na ocasião encontrava-se guarnecido por oito artilheiros e quatro infantes, sob o comando do alferes Manoel Franco, e artilhado por apenas duas peças. Submetido a intenso fogo da artilharia inimiga, foi o único forte da baía silenciado na ocasião, em decorrência dos severos danos causados em seu interior pelos estilhaços da rocha quase aprumada que lhe ficava sobranceira, e à qual estava imediatamente encostado. Quando o desembarque das tropas de Miguel I de Portugal (1828-1834), dirigido para o areal entre o Forte do Porto e o Forte do Espírito Santo, foi obstado por um pequeno destacamento liberal aí postado, foi para o ponto à esquerda do forte que convergiu iniciando-se a invasão. Ocupada a plataforma do forte por cerca de quatrocentos combatentes, logo estes procuram escalar a abrupta escarpa para tomar posição mais conveniente no alto da serra de São Tiago e ocupar o posto semafórico lá instalado. Do cimo da rocha, entretanto, foram vivamente repelidos pelos liberais, sendo massacrados.

Após este acontecimento, tendo sido atestada a sua ineficácia militar devido à sua má posição estratégica, veio a ser abandonado. Quando do tombo de 1881 encontrava-se abandonado e em ruínas. As cantarias de suas muralhas foram vendidas por volta de 1882.

No século XX, na passagem da década de 1950 para a de 1960, a construção do molhe de protecção e acostagem na baía da Praia pelas forças militares estadunidenses na base aérea das Lajes, chamou a atenção para a necessidade de preservação das ruínas do antigo forte. Foi então celebrado um compromisso de reconstrução que permitiu o seu desmantelamento para os trabalhos da construção do molhe. Sem que o compromisso houvesse sido cumprido, o que restou de sua pedra foi utilizado para a proteção das arribas do fundo da baía, entre as Chagas e a ribeira de Beljardim, ao final da década de 1960[2].

Em nossos dias apenas restam vestígios de um de seus muros. Essas ruínas não se encontram classificadas ou protegidas pelo poder público português e nem constam do roteiro turístico da cidade. Uma tradição local afirma que a pedra de armas com o brasão real, na fachada do edifício da Câmara Municipal da Praia, é oriunda do Portão de Armas do Forte do Espírito Santo.

[editar] Características

Apresenta planta poligonal orgânica, adaptada à rocha sobre a qual se ergue. Em aparelho de cantaria de pedra argamassada, a sua área construída era de 500 metros quadrados.

Com capacidade para cinco peças de artilharia em canhoneiras, no terrapleno posuía casa de guarnição (com dois compartimentos) e pelo exterior, adossado à muralha Oeste, um paiol.

Era acedido pelo areal da praia.

Notas

[editar] Bibliografia

  • ANDRADE, J. E.. Topographia ou Descripção phisica, politica, civil, ecclesiastica, e historica da Ilha Terceira dos Açores. Angra do Heroísmo (Açores): Livraria Religiosa, 1891.
  • Anónimo. Colecção de todos os fortes da jurisdição da Villa da Praia e da jurisdição da cidade na Ilha Terceira, com a indicação da importância da despesa das obras necessárias em cada um deles (Arquivo Histórico Ultramarino). Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. LI-LII, 1993-1994.
  • Anónimo. Revista aos Fortes que Defendem a Costa da Ilha Terceira – 1776 (Arquivo Histórico Ultramarino). Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. LVI, 1998. p. 351-363.
  • BASTOS, Barão de. Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que devem ser conservados para defeza permanente (Arquivo Histórico Militar). Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. LV, 1997.
  • CORDEIRO, António (Pe.). História Insulana das Ilhas a Portugal Sujeytas no Oceano Occidental (reimpr da ed. de 1717). Terceira (Açores): Secretaria Regional de Educação e Cultura, 1981.
  • DRUMMOND, Francisco Ferreira. Anais da Ilha Terceira (fac-simil. da ed. de 1859). Angra do Heroísmo (Açores): Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1981.
  • FARIA, Manuel Augusto. Ilha Terceira – Fortaleza do Atlântico: Forte do Espírito Santo. Diário Insular. s/d.
  • FARIA, Manuel Augusto. Ilha Terceira – A Fortaleza do Atlântico. Angra do Heroísmo: Gabinete da Zona Classificada de Angra do Heroísmo, 1997.
  • MALDONADO, Manuel Luís. Fenix Angrence (3 v.). Angra do Heroísmo (Açores): Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1989-1997.
  • MOTA, Valdemar. Fortificação da Ilha Terceira. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. LI-LII, 1993-1994. p. 129-327.
  • NEVES, Carlos; CARVALHO, Filipe; MATOS, Arthur Teodoro de (coord.). Documentação sobre as Fortificações dos Açores existentes nos Arquivos de Lisboa – Catálogo. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. L, 1992.
  • PEGO, Damião; ALMEIDA JR., António de. Tombos dos Fortes da Ilha Terceira (Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército). Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. LIV, 1996. p. 9-144.
  • SAMPAIO, A. S.. Memória sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo (Açores): Imprensa Municipal, 1904.
  • VIEIRA, Alberto. Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. XLV, Tomo II, 1987.

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas


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