Fotógrafo lambe-lambe

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Ficheiro:Ultimo Lambe-lambe.jpg
Fotógrafo Lambe-lambe em Porto Alegre.
Um fotógrafo à la minute em Matosinhos (2010).
Um minutero (em espanhol) em Santiago do Chile.

O fotógrafo Lambe-lambe (português brasileiro) ou fotógrafo à la minuta (português europeu) é um fotógrafo ambulante que exerce a sua atividade nos espaços públicos como jardins, praças, feiras.

Presente a partir do século XIX nos espaços públicos, teve um papel importante na popularização da fotografia.

A origem do termo no Brasil[editar | editar código-fonte]

Existem diferentes explicações para a origem do termo. A mais comum é a de que se lambia a placa de vidro para saber qual era o lado da emulsão ou se lambia a chapa para fixá-la.

História[editar | editar código-fonte]

Os fotógrafos ambulantes surgiram nas primeiras décadas do século XX, trabalhando em praças e parques. Eram quase sempre procurados para registrarem momentos especiais, familiares ou para tirar retratos para documentos do tipo 3x4.[1]

Equipamento[editar | editar código-fonte]

O equipamento fotográfico, conhecido como máquina-caixote, é revestido com couro cru, madeira ou metal e coberto na parte posterior com uma espécie de saco negro, com três aberturas: dois orifícios para os braços e um para enfiar a cabeça na hora de bater e revelar as fotografias[1] .

Além de ser utilizada para o registro fotográfico, também servia para mostruário, com as laterais cobertas de fotos[1] .

Processo[editar | editar código-fonte]

Para se obter uma fotografia convencional são essenciais o processo de revelação, fixação e lavagem.

A revelação ocorre quando a película é submetida à solução alcalina capaz de transformar os sais de prata sensibilizados pela luz em prata metálica.

A fixação ocorre quando a película revelada é submetida a uma solução ácida de tiossulfato de sódio, agente que em contato com um sal de prata tende a formar um tiossulfato de prata, decompondo-se rapidamente em sulfeto de prata e ácido sulfúrico. Sem a fixação a vida útil de uma fotografia fica reduzida a poucos minutos.

Os tiossulfatos complexos de prata têm sabor doce; o tiossulfato de sódio é amargo; o tiossulfato de prata tem sabor metálico desagradável.

A fixação consiste na formação de complexos de tiossulfato solúveis, que serão eliminados durante a lavagem da fotografia. Se a fixação tiver sido completa, os sais doces solúveis serão eliminados facilmente na lavagem. Esse processo tornará o tempo de vida útil da fotografia indeterminado. Caso contrário, os sais amargos insolúveis bem como os de sabor metálico não poderão ser eliminados. Neste caso, a vida da fotografia estará seriamente comprometida.

Etimologia (Brasil)[editar | editar código-fonte]

As circunstâncias exigiam tempo mínimo de lavagem e mínima quantidade de água. Portanto, para garantir a qualidade do trabalho, eles tocavam a língua nas fotos durante a lavagem para avaliar a qualidade da fixação e da própria lavagem. Os clientes e passantes que viam aquela cena não podiam entender por que aquele homem a cada instante "lambia" as fotografias.

Patrimônio imaterial (Brasil)[editar | editar código-fonte]

Em 2012, a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte concluiu, junto ao IEPHA, o processo de registro do ofício do fotógrafo lambe-lambe como bem cultural imaterial. O documento foi elaborado entre 2008 e 2011, em três etapas: levantamento preliminar, identificação e documentação.[2] O registro foi acompanhado da exposição fotográfica "Fotógrafo lambe-lambe: retratos do ofício em Belo Horizonte", realizada na Casa do Baile.[3]

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

No livro "Bem do Teu Tamanho" escrito por Ana Maria Machado e publicado em 1974, a personagem principal, Helena, mantém diálogo com um fotógrafo Lambe-lambe.[4] [5]

Referências

  1. a b c Os Lambe-lambe Portal EduKbr.
  2. Iepha/MG informa: Lambe-lambes agora são patrimônio imaterial de BH IEPHA/MG (15 de março de 2012).
  3. Fotógrafo lambe-lambe: retratos do ofício em Belo Horizonte Agenda BH.
  4. Ana Maria Machado Portal EduKbr.
  5. Ana Maria Machado. Bem do Teu Tamanho. [S.l.]: Brasil-América, 1974.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Borges, José. Fotógrafos «à la minuta». Lisboa: Livros Horizonte, 2004. ISBN 972-24-1321-X.
  • FRÓES, Leonardo. Os Lambe-lambe. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1978. 15 p. il. (Coisas Nossas).
  • KOSSOY, Boris. O Fotógrafo Ambulante - a história da fotografia nas praças de São Paulo.
  • Xavier, Cássia. Recuperando a Fotografia Lambe-lambe: São Paulo, 2008. (Atual pesquisadora)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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