Fracasso escolar

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O fracasso escolar pode ser compreendido como a consequência para um aluno da não-apropriação do aprendizado. Os conceitos, habilidades, valores, conhecimento e a questão da cidadania não foi internalizada no aluno, culminando muitas vezes, em baixas notas, reprovação e, por fim, no abandono da escola pelo mesmo.

Ao falar de fracasso escolar, é importante observar quando as dificuldades de aprendizagem vêm encobrir a fragilidade da escola, centrando no aluno todo insucesso de sua não aprendizagem. A falta de conhecimento didático do corpo docente está na raiz do fracasso escolar.

As principais causas do fracasso escolar são oriundas, em sua maior parte, dos sistemas de ensino que não conseguem atender às diversidades de necessidades presentes nas escolas, deixando de identificar onde se localizam as inadaptações à aprendizagem, e levar o aluno a descobrir sua própria modalidade de aprendizagem, considerando como ponto crucial seu modo particular de se relacionar com o conhecimento, ou seja, a aprendizagem escolar.

O fracasso escolar também pode ocorrer dependendo do contexto familiar, cultural, social e político que o indivíduo possa estar inserido.

Aspectos Psicossociais[editar | editar código-fonte]

A questão do fracasso escolar é um dos problemas que mais atingem a educação. Tal problema, apesar dos esforços de profissionais empenhados nas mudanças educacionais, persiste através dos tempos. A partir dessa temática, iniciou-se uma busca das razões que justificassem essa problemática escolar. Desta forma, a importância desse estudo vem de encontro com uma reflexão sobre os “discursos” do fracasso escolar e as questões implícitas em tais discursos.

Tendência Medicalizante[editar | editar código-fonte]

Apesar de não suficientemente aprofundadas, as explicações sobre as raízes do fracasso escolar são reflexos de acontecimentos históricos anteriores.

No entanto, a partir de trinta, constituiu-se um movimento de intelectuais que almejavam reformas educacionais mais concretas. Estes intelectuais receberam espaço político diante das transformações que ocorriam nessa época. “ No âmbito do surto liberal e da movimentação política reformista que ocorria no pais, os pressupostos desta nova pedagogia encontraram terrenos propício a sua divulgação”. (PATTO,1990)

As causas do fracasso escolar até então centradas em características bio-psico-sociais do aluno vão direcionando-se para um novo enfoque, o da carência cultural escolar.

Teoria da Carência Cultural[editar | editar código-fonte]

A teoria da carência cultural surgiu e desenvolveu-se nos Estados Unidos, durante a década de sessenta. Em seguida, expandiu-se para os países da Europa e da America Latina, sendo assim, o Brasil.

Quanto ao fracasso escolar, “constatou-se” que estava diretamente ligado a privação cultural do qual sofria o educando.

No Brasil, a teoria da carência cultural se propagou na década de setenta.

Os estudos e pesquisas voltam-se, então, para a explicação de que os fatores sócio-culturais seriam fortes influencias nas características físicas, perceptivo-motoras, cognitivas e emocionais de cada individuo, segundo Patto 1990.

Essa teoria também procura encontrar soluções para remediar os “males educacionais” . O enfoque de tais programas era centrado na recuperação do ambiente não favorecido á criança na primeira infância. Daí o ensino infantil ser o alvo principal da educação compensatória. No entanto, as taxas de repetência e evasão continuavam efetivas dentro do quadro do ensino brasileiro, chegando a 56% na passagem da 1ª para a 2ª serie em 1977, segundo os dados do MEC.

A partir dessa realidade, nota-se que os programas de educação compensatória não estavam por dar conta do fracasso escolar, mas agravavam mais a situação do escolar.

Portanto, a teoria da Carência Cultural, apesar de ter enfatizado as causas do fracasso escolar provindas do educando, acabou por negar-se a si mesma. Uma vez que suas experiências depararam-se com resultados insuficientes.

Teorias Crítico-Reprodutivistas[editar | editar código-fonte]

As teorias crítico reprodutivistas inseriram-se no meio educacional brasileiro através das idéias de vários autores, tais como Althusser (1974), Bernstein (1977), Bourdieu e Passeron (1975) e outros.

As ideias propaladas por esses autores possuem como preocupação central a problemática das escolas serem, nada mais, do que o meio onde se reproduzem as relações de poder vigentes na sociedade. Assim a escola apresenta-se comum reflexo da sociedade capitalista. Um espaço cultural, onde os alunos são selecionados e treinados para um desempenho adequado no trabalho. Desta forma, as causas do fracasso escolar, que antes eram procuradas fora do sistema escolar, agora se voltam para um enfoque onde os fatores intra-escolares prevalecem como causadores desse mesmo insucesso.

Para além das teorias da reprodução[editar | editar código-fonte]

No entanto, apesar de sua importância, a teoria crítico reprodutivista, não contemplava, em sua totalidade, alguns aspectos fundamentais.

Desta forma, o discurso de que dificilmente as crianças pobres poderiam apropriar-se dos conhecimentos, ainda permanecia implícito nas pesquisas. A abordagem de Patto (1990) visa demonstrar que o ser humano não está totalmente a mercê de um “destino” pré determinado, como colocaram as teorias reprodutivistas.

A autora demonstra sua tendência a crença de que, no espaço escolar, ainda é possível acontecer revoluções dizendo : “ Mas onde quer que existam relações de poder, existe a possibilidade de questioná-las e trabalhá-las”.

Portanto, o que se encontra nas pesquisas mais recentes sobre o fracasso escolar visto pela “óptica” da psicologia, é o encontro necessário desse campo de pesquisa com a sociologia. Assim sendo, a esperança de que existam instrumentos dentro do âmbito escolar que possibilitarão a superação do fracasso, torna viável uma nova teoria, que certamente, trilhará caminhos ainda desconhecidos.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • PATTO, M.H.S. A produção do fracasso escolar : historias de submissão e rebeldia. São Paulo: T.A Queiroz,1990.