François Quesnay

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François Quesnay
Nascimento 4 de Junho de 1694
Méré
Morte 16 de Dezembro de 1774 (80 anos)
Paris
Nacionalidade França Francês
Ocupação Economista

François Quesnay (pronúncia francesa [fʀɑ̃ˈswa kɛˈnɛ] português [frɐ̃'swa ke'ne]; Méré, 4 de Junho de 1694Paris, 16 de Dezembro de 1774) foi um economista francês que se destacou como principal figura da escola dos fisiocratas.[1]

Quesnay viveu em 1758, em uma França que havia muito tempo passava pela Reforma de Colbert, evento que marcou a unificação das cinco regiões que então passaram a formar o Estado francês; nesta época, aquele país já estava há duzentos anos de luta contra a rival Inglaterra, país esse que estava em pleno processo de Revolução Industrial.

Quesnay era filho de agricultores e, devido à situação em que viveu, sendo fruto de sua época, era adepto da Fisiocracia, ou seja, destaca a agricultura como sendo a fonte de riquezas da nação, conceito contrário ao Mercantilismo inglês que primava pelo desenvolvimento da indústria e do comércio exterior. Como a França estava atrasada em relação à Inglaterra, sem possuir forte indústria, comércio exterior desenvolvido e uma frota marítima competitiva, o jeito era estruturar o Estado francês na agricultura. Surge então um modelo de fluxos que aponta a realidade através de um sistema que detinha as classes: produtiva, proprietária e estéril. Ressaltamos que esse sistema era apenas um modelo, uma simplificação da realidade; o próprio Quesnay afirmava que, alterando-se as quantidades, e os preços deixando de ser constantes, quebrava-se o fluxo circular (o que ocorre atualmente com as ofertas e demandas, por exemplo). Como toda riqueza provém da terra, a segurança sobre a propriedade é fundamental, podendo-se dizer que a segurança sustenta o sistema. Deve haver segurança jurídica para os proprietários, para que não mudem radicalmente o sistema de cuja riqueza os camponeses são os geradores.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Visualização original do Tableau Économique de Quesnay, 1759.

François Quesnay nasceu em Méré, localidade próxima de Paris, hoje integrada no departamento de Yvelines. Pertencia a uma família de pequenos proprietários. Estudou medicina e cirurgia, tendo iniciado a sua prática no ano de 1718 em Mantes-la-Ville.

Rapidamente adquiriu uma excelente reputação, que lhe permite fixar residência em Paris em 1727. Em 1737 torna-se secretário honorário da Academia de Cirurgia e cirurgião da corte, tendo alcançado o grau de doutor em medicina em 1744. Em 1752 torna-se médico de Luís XV, que o nobilitou, passando a viver no Palácio de Versalhes.

Protegido pela Madame de Pompadour, de quem também foi médico, Quesnay começa a interessar-se pelas questões de economia, tendo contribuído com os artigos Rendeiros (1756) e Cereais (1757) na Encyclopédie de D´Alembert e Diderot. O seu círculo de amigos e discípulos incluía Gournay, o marquês de Mirabeau e Dupont de Nemours. Em 1758 publicou a sua principal obra, Tableau Économique (Quadro Económico), a que se seguiu, em 1760, Maximes générales du gouvernement économique d´un royaume agricole.

Pensamento econômico[editar | editar código-fonte]

Quesnay acreditava que somente a agricultura era criadora de riqueza, já que a indústria limitava-se a transformar a matéria. Assim, os indivíduos mais úteis à sociedade eram os grandes proprietários e os fazendeiros. Opunha-se às teorias mercantilistas, defendendo que os entraves à produção, circulação e consumo de géneros deveriam ser suprimidos. Trata-se pois de uma visão defensora da liberdade económica, expressa na máxima laissez-faire, laissez passer (deixem fazer, deixem passar, este era o símbolo do liberalismo). O melhor Estado era aquele que menos governava e este só se deveria interessar com a manutenção da ordem, da propriedade e da liberdade individual. As suas teorias seriam desenvolvidas pelos seus discípulos (Turgot, Gournay) e viriam a influenciar o pensamento de Adam Smith.

Quesnay acha que tem de haver liberdade económica como diz na célebre frase: “Laissez-faire, laissez-passer, le monde va de lui-même” ou seja, deixar fazer, deixar passar, que o mundo vai por si mesmo. Cria a ideia de “oferta-procura”, isto é, quanto maior a procura do produto, menor é o seu preço. Contrariamente, quanto menor a procura, maior o preço. Se existir liberdade produz-se e consome-se o necessário, logo, há estabilidade do preço e equilíbrio.

Referências

  1. Cutler J. Cleveland. Biophysical economics (em inglês) Encyclopedia of Earth. Página visitada em 16 de dezembro de 2012.

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • Hobson, John M.. The Eastern Origins of Western Civilization (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press, 2004. ISBN 0-521-54724-5