Francesco Furini

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Francesco Furini, Estudo de uma Mulher Segurando um Objeto, giz vermelho sobre papel branco, c. 1640, coleção particular
Artemísia II de Cária Se Prepara para Beber as Cinzas de Seu Marido, Mausolo (ca. 1630), atribuído a Furini
«Lot e suas filhas» (Museo del Prado)
«A Fé» (Galería Palatina, Palazzo Pitti, Florença).

Francesco Furini (Florença, entre 1600 e 1603) – Florença, 19 de agosto, de 1646) foi um pintor florentino da época do Barroco. Foi um artista peculiar, pois produziu quadros de um atrevido erotismo mesmo após ter sido ordenado sacerdote.

Biografia[editar | editar código-fonte]

De família pobre e numerosa, era filho de um pintor de retratos, Filippo Furini, conhecido como Pippo Sciamerone. Francesco aprendeu com ele os rudimentos da arte, para depois completar a sua formação com Matteo Rosselli e Domenico Passignano, embora também tenha tido influência de Giovanni Biliverti.

Grande admirador da escultura clássica, que tinha podido estudar nas coleções dos Medici de Florença, visitou Roma em 1619, e aí conheceu o tenebrismo de Caravaggio e seus seguidores. Entre eles parece que teve uma especial relação com Bartolomeo Manfredi e com Giovanni da San Giovanni.

Em 1623 colaborou na finalização dos frescos do Palazzo Bentivoglio (hoje Pallavicini-Rospigliosi), encarregados pelo cardeal Guido Bentivoglio, e talvez também tenha participado nas pinturas murais inferiores da abside da igreja de SS Quattro Coronati, em Roma (1623-1624).

A sua primera obra assinada é uma Crucifixão de São Bartolomeu (1623, Todi, igreja de San Bartolomeo). Com quarenta anos, tornou-se pároco de Sant’Ansano em Mugello.

Uma das suas obras-primas é o conjunto mural em frescos do Palácio Pitti de Florença (1639-42), onde pintou, por encomenta de Fernando II de Médici, dois grandes lunetos com A Academia Platónica de Careggi e Alegoria da Muerte de Lourenço, o Magnífico. Ambos os murais parecem um desafio de Furini face a Pietro da Cortona, que trabalhava no mesmo edifício nessa altura[1] , e na realidade saem do estilo habitual de Furini.

Valoração crítica[editar | editar código-fonte]

A obra deste pintor reflete a tensão entre o maneirismo de Florença, já um tanto conservador, e as novidades do barroco. Abordou temas bíblicos e mitológicos com um sfumato de grande efeito. Apresenta certos paralelismos com Guido Reni.

O crítico Sydney Freedberg descreveu o estilo de Furini como «cheio de uma sensualidade mórbida». As suas figuras femeninas frequentemente nuas contrastam com o seu sentimentalismo religioso. Críticos da época, como Filippo Baldinucci, repreenderam-no, e Baldinucci chegou a afirmar que Furini mandou destruir os seus qcuadros de nus após a sua morte; no entanto, o único facto provado é que continuou a pintar após ordenar-se sacerdote.

Exemplos disso são Lot e as suas filhas (Museo del Prado) e duas pinturas pertencentes à Casa de Alba: Alegoria da Verdade (Palacio de Liria, Madrid) e A criação de Eva (Palacio de Dueñas, Sevilha).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Wittkower, Rudolf: Arte y Arquitectura en Italia: 1600-1750 Ediciones Cátedra, Madrid (2007) ISBN 978-84-376-2409-9
  • Sydney Joseph Freedberg (1978). Pintura en Italia, 1500-1600. Editorial Cátedra, Madrid. ISBN 84-376-0153-3
  • The Grove Dictionary of Art, MacMillan Publishers (2000)

Referências

  1. G. Cantelli, Disegni di Francesco Furini e del suo ambiente. Florença: Olschki, 1972
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