Francesco Matarazzo

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Francesco Matarazzo
Nome completo Francesco Antonio Maria Matarazzo
Nascimento 9 de março de 1854
Castellabate, Reino das Duas Sicílias Flag of the Kingdom of the Two Sicilies 1816.gif
Morte 10 de dezembro de 1937 (83 anos)
São Paulo, Brasil Flag of Brazil.svg
Nacionalidade Italiana e brasileira
Fortuna Aumento US$ 10 bilhões
Progenitores Mãe: Mariangela Jovane
Pai: Leo de Costabile Matarazzo
Cônjuge Filomena Sansivieri
Filho(s) Giuseppe
Andrea
Ermelino
Teresa
Mariangela
Attilio
Carmela
Lydia
Olga
Ida
Claudia
Francisco
Luís
Ocupação industrial
(fundador das IRFM)
Título Conde , recebido em 25 de junho de 1917
Religião Católico Apostólico Romano
Causa da morte uremia

Francesco Antonio Maria Matarazzo (Castellabate, 9 de março de 1854São Paulo, 10 de dezembro de 1937) foi um agricultor italiano que, em 1881, emigrou para o Império do Brasil (1822-1889), tornando-se, neste país, mascate e, posteriormente, empresário. Matarazzo morreu na condição de homem mais rico do país, com uma fortuna de 10 bilhões de dólares estadunidenses, sendo o criador do maior complexo industrial da América Latina do início do século XX. A riqueza produzida por suas indústrias ultrapassava o PIB de qualquer estado brasileiro, exceto São Paulo.[1] Sendo um dos três patriarcas do ramo ítalo-brasileiro da família Matarazzo.

Tornou-se conhecido no Brasil como Francisco Matarazzo, conde Francisco Matarazzo, conde Matarazzo ou ainda conde Francesco. Em italiano, sua titulação completa era Don Francesco Antonio Maria, Il Molto Onorevole Conte Matarazzo.

A importância de Francesco Matarazzo para o cenário econômico do Brasil só é comparável à que teve o visconde de Mauá no Segundo Reinado do Império brasileiro (1822-1889), tendo sido um dos marcos da modernização do país.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Castellabate, uma pequena vila do sul da Itália, filho de Costabile Matarazzo e Mariangela Jovane, agricultores na região da Campânia. Francesco aos 27 anos emigra para o Império do Brasil (1822-1889), em 1881, em busca de melhores condições de vida. No desembarque, na Baía de Guanabara, perde a carga de banha de porco que trazia. Com o pouco dinheiro que lhe sobra se estabelece na cidade de Sorocaba, província de São Paulo, no comércio de secos e molhados. Alguns anos depois estabelece uma empresa de produção e comércio de banha de porco.

Em 1890, muda-se para São Paulo e funda, com os irmãos Giuseppe e Luigi, a empresa Matarazzo & Irmãos. Diversifica seus negócios e começa a importar farinha de trigo dos Estados Unidos. Giuseppe participava da empresa com uma fábrica de banha estabelecida em Porto Alegre e Luigi com um depósito-armazém estabelecido na cidade de São Paulo.

No ano seguinte, a empresa foi dissolvida e constituiu-se em seu lugar a Companhia Matarazzo S.A. que já conta com 43 acionistas minoritários. Essa sociedade anônima passa a controlar também as fábricas de Sorocaba e Porto Alegre.

Em 1900, a guerra entre a Espanha e os países centro-americanos dificulta a compra do produto e ele consegue crédito do London and Brazilian Bank para construir um moinho na cidade de São Paulo. A partir daí, seu império empresarial se expande rapidamente, chegando a reunir 365 fábricas [carece de fontes?] por todo o Brasil. A renda bruta do conglomerado chegou a ser a quarta maior do país, e 6% da população paulistana depende de suas fábricas, que, em 1911, passam a se chamar Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (IRFM), uma sociedade anônima.

Sua estratégia de crescimento segue o lema "uma coisa puxa a outra". Para embalar o trigo, monta uma tecelagem. Para aproveitar o algodão usado na produção do tecido, instala uma refinaria de óleo, e assim por diante.

Em 1928, participa da fundação do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP).

Matarazzo morre em 1937, após uma crise de uremia, na condição de homem mais rico do país, com uma fortuna de 10 bilhões de dólares estadunidenses, sendo proprietário de 365 fábricas[carece de fontes?].

Descendência[editar | editar código-fonte]

Francesco Matarazzo e Filomena Sansivieri (1850-1940) tiveram 13 filhos:

  • Giuseppe Matarazzo (1877-1972), casado com Dona Anna de Notaristefani dei Duchi di Vastogirardi (1888-1959).
  • Andrea Matarazzo (1881-1958), casado com Dona Amália Cintra Ferreira (1885-1958)
  • Ermelino Matarazzo (1883-1920)
  • Teresa Matarazzo (1885-1960), casada com Gaetano Comenale.
  • Mariangela Matarazzo (1887-1958), casada com Mario Comide.
  • Attilio Matarazzo (Sorocaba, 1889-1985), casado com Dona Adele dall'Aste Brandolini.
  • Carmela Matarazzo (1891-?), casada com Antonio Campostano.
  • Lydia Matarazzo (1892-1946), casada com Giulio Pignatari (?-1937).
  • Olga Matarazzo (1894-1994), casada com o príncipe Dom Giovanni Alliata Di Montereale (1877-1938).
  • Ida Matarazzo (1895-?)
  • Claudia Matarazzo (1899-1935), casada com Dom Francesco Ruspoli, 8º principe di Cerveteri (1899-1989).
  • Francesco Matarazzo (1900-1977), casado com Mariangela Matarazzo (1905-1996).
  • (Luigi) Luís Eduardo Matarazzo (1902-1958), casado com Bianca Troise.

Títulos nobiliárquicos[editar | editar código-fonte]

Francesco Matarazzo não pertencia à nobreza italiana nem à nobreza de outros países da Europa, no entanto, no Brasil, já bilionário, alguns de seus filhos vieram a se casar com membros da alta nobreza italiana. Entre os quais, suas filhas Claudia e Olga Matarazzo, que casaram-se com Dom Francesco Ruspoli, 8º príncipe de Cerveteri, e o príncipe Dom Giovanni Alliata Di Montereale, respectivamente; e seus filhos Giuseppe e Attilio Matarazzo, casados com Dona Anna de Notaristefani dei Duchi di Vastogirardi e Dona Adele dall'Aste Brandolini, respectivamente. Para que não ficasse mal perante a nobreza, em função de entes da alta nobreza italiana estarem casados com plebeus, as referidas famílias nobres com que os filhos de Francesco Matarazzo estavam casados fizeram um lobby em torno do rei Vítor Emanuel III da Itália. Da mesma forma, Francesco Matarazzo fazia várias homenagens aos reis da Itália, como um hospital construído na cidade de São Paulo, o Hospital Umberto I, fundado em 1904 e nomeado em homenagem ao rei Humberto I de Itália. Os referidos membros da alta nobreza italiana recebem, então, várias respostas negativas por parte do então rei italiano em relação ao conferimento de um título nobiliárquico a Francesco Matarazzo. Essas famílias da alta nobreza italiana buscavam, com o conferimento de um título nobiliárquico ao pai dos consortes de seus filhos, amainar o preconceito da nobreza europeia em relação aos consortes desses nobres. No entanto, alguns anos depois a Itália entra na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Nesse cenário, o monarca italiano disse que, por se tratar do pai de consortes de membros da alta nobreza italiana, se Francesco Matarazzo doasse milhões de dólares estadunidenses ao Reino da Itália, o monarca italiano conferiria um título nobiliárquico ao mesmo. Após o envio de milhões de dólares estadunidenses e demais mercadorias, Matarazzo recebe do rei Vítor Emanuel III o título nobiliárquico de O Muito Honorável Conde Matarazzo, em 1917. No entanto, o agora conde Matarazzo jamais seria considerado como membro da nobreza por toda a nobreza europeia, somente os descendentes dos casamentos de seus filhos e filhas com os referidos membros da alta nobreza italiana que, é claro, são considerados membros. Por outro lado, com o título de nobreza, Matarazzo viria a ser aceito pelos quatrocentões. Para além disso, suas filhas, Olga e Claudia Matarazzo, casadas com os referidos membros da alta nobreza italiana, passaram a ser tituladas, em italiano, como Donna Claudia dei Conti Matarazzo e Donna Olga dei Conti Matarazzo, sendo-lhes adicionado o Donna e o dei Conti Matarazzo, que, literalmente, em português, significa "dos Condes Matarazzo", como dita a tradição nobiliárquica italiana. Havendo a possibilidade das últimas alternarem para a titulação de Contessina Donna Olga Matarazzo e Contessina Donna Claudia Matarazzo, como também dita a tradição nobiliárquica italiana em relação as filhas de um conde, que podem usar o título de contessina (literalmente, em português: condessinha), bem como, há, também, a possibilidade de que, quando uma contessina esteja mais crescida, venha a utilizar o título de condessa. Também, seus filhos Giuseppe e Attilio Matarazzo, casados com as referidas nobres da alta aristocracia italiana, passaram a ser titulados, em italiano, como Don Giuseppe, Conte Matarazzo (Dom Giuseppe, conde Matarazzo) e Don Attilio, Conte Matarazzo (Dom Attilio, conde Matarazzo), como dita a tradição nobiliárquica italiana. O mesmo procedimento aconteceria com todos os filhos do agora conde Matarazzo.

Títulos e comendas

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. MORAIS, Fernando. Chatô, o rei do Brasil, p. 347
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