Francisca Praguer Fróes

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Drª Francisca Praguer Fróes

Francisca Praguer Fróes (Cachoeira, 21 de outubro de 1872Rio de Janeiro, 1931), foi uma médica e feminista brasileira, uma pioneira em todas as áreas onde atuou: foi das primeiras mulheres formadas em Medicina e também a defender direitos femininos.

Índice

[editar] Biografia

Seu nome de solteira era Francisca Barreto Praguer. Era filha de Henrique Praguer, imigrante croata de origem judia e de D. Francisca Rosa Barreto Praguer (1836 - 1906), também ela uma precursora do feminismo na Bahia do século XIX, expresso em artigos de periódicos, e em cartas e poesias que sobreviveram à sua morte.

A cidade de Cachoeira, localizada na Mesorregião Metropolitana de Salvador, possui importante papel na História do estado, desde a guerra pela Independência, quando ali se instalou o "Governo Provisório". Ao final do século XIX possuía uma ativa imprensa e vida cultural.

Deste meio emergiu Francisca Praguer Fróes, matriculando-se aos dezesseis anos (1888) na Faculdade de Medicina da Bahia, tendo se formado em 1893[1] - uma das primeiras mulheres no estado a fazê-lo [2].

Praguer Fróes participou intensamente dos debates médicos e políticos sobre a mulher e seu papel na sociedade.

Casou-se, em 1899, com João Américo Garcez Fróes, seu ex-colega de Faculdade e de tradicional família baiana, com quem teve dois filhos. Faleceu quando se encontrava no Rio de Janeiro, então a capital do país, participando do II Congresso Internacional Feminista.

[editar] Medicina e ativismo

Iniciou a publicação de artigos científicos em 1895, na Gazeta Médica da Bahia - órgão conceituado e até então sem haver antes publicado qualquer produção feminina. Relatava um caso clínico de gravidez extra-uterina.

Foi presidente da União Universitária Feminina, entidade vinculada à "Federação Baiana pelo Progresso Feminino" que, por sua vez, era afiliada à entidade criada pela bióloga Bertha Lutz.

Foi defensora do divórcio - talvez uma das primeiras a fazê-lo abertamente, em artigo datado de 1917 - e preocupou-se com as questões de saúde tipicamente femininas.

Em 1931, foi eleita presidente da União Universitária Feminina, (Livro de Atas, 1931) ligada à "Federação Baiana pelo Progresso Feminino", uma filial da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, fundada no Rio de Janeiro em 1922 por Bertha Lutz, bióloga brasileira.

[editar] Homenagens

Drª Praguer Fróes é nome de rua na capital baiana (bairro da Barra).

[editar] Poesia de Euclides da Cunha

Dedicou-lhe Euclides da Cunha, célebre autor de Os Sertões, em 14 de outubro de 1897, o seguinte soneto (domínio público), escrito no álbum que mantinha a médica baiana:

Página vazia
Quem volta da região assustadora
De onde eu venho, revendo inda na mente
Muitas cenas do drama comovente
Da Guerra despiedada e aterradora,
Certo não pode ter uma sonora
Estrofe, ou canto ou ditirambo ardente,
Que possa figurar dignamente
Em vosso Álbum gentil, minha Senhora.
E quando, com fidalga gentileza,
Cedestes-me esta página, a nobreza
Da vossa alma iludiu-vos, não previstes
Que quem mais tarde nesta folha lesse
Perguntaria: "Que autor é esse
De uns versos tão mal feitos e tão tristes"?!!

[editar] Para saber mais

  • RAGO, Elisabeth Juliska. “Medicina e Feminismo no início do século XX: Francisca Praguer Fróes (Bahia: 1872-1931)”. In: Revista do IHGB, Rio de Janeiro, a.163, n. 415, abr./jun. 2002.

Notas e referências

  1. "As portas das universidades brasileiras foram abertas às mulheres em 1879, e, nove anos depois, em 1888, coincidindo com a Abolição da escravidão africana, Francisca, com dezesseis anos de idade, corajosamente, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia, sendo a quinta médica diplomada em Salvador e a única mulher entre os formandos de 1893 " - Elisabeth Juliska Rago, ensaio
  2. "Rita Lobato Velho Lopes formou-se em 1887; Amélia Pedroso Benebien, em 1889; Ephigenia Veiga, em 1890; Glafira Corina de Araújo, em 1892 e, em quinto lugar, Francisca Praguer Fróes, em 1893" (id., ib.)

[editar] Ligações externas

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