Francisco Freire Alemão
Francisco Freire Alemão e Cisneiro1 (24 de junho de 1797 — 11 de novembro de 1874) foi um médico e botânico brasileiro.
Francisco Freire Alemão nasceu na "Fazenda do Mendanha", em 24 de junho de 1797. Formou-se médico pela Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro e doutorou-se em Medicina pela Universidade de Paris, defendendo a tese sobre o uso do iodo contra a "papeira". Voltando ao Brasil, foi professor de botânica médica e zoologia em instituições de ensino superior como a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e a Escola Central Militar. Presidente duas vezes da Academia Imperial de Medicina, fundou em 1850 a breve Sociedade Velosiana de Ciências Naturais para estudos da botânica.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico e autor de dezenas de publicações e desenhos sobre plantas brasileiras, descrevendo muitas plantas novas. Contribuiu para a notável obra de raridade de Von Martius – Minervas Brasiliensis, escrevendo em latim. Integrou a comissão científica que fez a exploração do Ceará (Comissão das Borboletas).
A Comissão Científica de Exploração, como foi chamada, foi um dos marcos para a afirmação de uma ciência nacional, compreendida como ciência feita por brasileiros, a fim de conhecer os temas brasileiros. Idealizada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro para explorar as riquezas naturais do Ceará e logo chamada por seus críticos de Comissão das Borboletas, compunha-se de Freire Alemão, Guilherme Capanema, Manuel Ferreira Lagos, Giacomo Raja Gabaglia, o poeta Antônio Gonçalves Dias e o pintor José dos Reis Carvalho.
Como botânico, priorizou os estudos das madeiras nobres que poderiam ser usadas na construção naval, classificando espécies e criando gêneros novos de espécimes botânicos da flora brasileira. Buscou reconhecimento junto aos estudiosos da história natural no Brasil e aos botânicos europeus como Carl Friedrich von Martius, Michele Tenore, Achilles Richard, Friedrich Ernst Ludwig von Fischer, entre outros. Para reconstruir sua atuação no cenário científico brasileiro, tomamos como fontes os documentos da Coleção Freire Alemão, as biografias e as anotações autobiográficas do botânico, juntamente com obras de história das ciências e especialmente, da botânica.
Recebeu condecorações de "Oficial da Ordem das Rosas" e "Cavalheiro de Cristo". Foi comissionado para ir à Itália buscar Teresa Cristina Maria de Bourbon, noiva do Imperador D. Pedro II. E depois de percorrer quase todo o Brasil em missões científicas, depois de desempenhar as mais elevadas funções públicas, voltou ao seu velho sítio do Mendanha, herança de seus pais: João Freira Alemão e dona Feliciana Angélica do Espírito Santo. Lá passou seus últimos anos de vida, falecendo deste modo no mesmo local de seu nascimento em 11 de novembro de 1874.
Referências
- ↑ Pela grafia original, Francisco Freyre Allemão e Cysneiro.
- CYSNEIROS, FRANCISCO FREIRE ALLEMÃO DE. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1930). Página visitada em 6 de janeiro de 2008.
- Francisco Freire Alemão (1797-1874). Rede da Memória Virtual brasileira.
- Rita de Cássia de Jesus Morais. "Nos verdes campos da Ciência: A Trajetória do médico e botânico brasileiro Francisco Freire-Allemão (1797-1874)" (pdf). Acessado em 6 de janeiro de 2008.
- Brasiliana da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, 2001.
- "Biografia e apreciação do botânico brasileiro Francisco Freire Alemão", Revista do IHGB, r. XXXVIII, 2ª parte, 1875, pg 51-126.