Francisco Joaquim Bingre

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Francisco Joaquim Bingre, poeta arcádico e pré-romântico português (1763-1856). Famoso em vida na sociedade literária do seu tempo, veio a ser quase olvidado nos séculos seguintes.

Assento de Baptismo[editar | editar código-fonte]

"Aos dezesete dias do mêz de Julho de mil setecentos e sessenta e três, baptizei a Francisco Joaquim, filho legítimo de Manuel Fernandes e de Ana Maria Hibingre, na Pedregosa, desta frequezia de S. Thomé de Canellas, bispado de Coimbra; neto paterno de Manuel Fernandes, e de sua mulher, Joanna Dias, d'esta freguezia de Canellas, e materno do capitão de hussardos, Gaspar Hibingre e de Maria Catharina Hibingre, da cidade de Viena d'Austria. Nasceu aos nove do dito mêz e anno. (...)"

Biografia[editar | editar código-fonte]

Embora nascido em Canelas, cedo rumou com seus pais a Lisboa, onde o ramo germânico da família exercia os seus negócios. Na capital realizou os seus estudos, durante os quais ficou patente a sua preferência por temas literários e o seu pouco apreço por temas técnicos e económicos. Dedicou a melhor parte das suas energias de juventude às tertúlias com a sociedade literata do seu tempo, em prejuízo da gestão do património familiar. Dotado de uma capacidade de improvisão notável, facilmente prodigalizava a sua arte — não havendo naquele tempo outeiro, serenata ou função para que não fosse convidado na companhia de Manuel Maria Barbosa du Bocage e outros poetas da Nova Arcádia. Desventuras várias, entre as quais alguma perseguição política, o obrigaram a despender a segunda metade da sua longa vida na vila de Mira, no distrito de Coimbra, a partir de 1801. Aí exerceu as funções de escrivão do Juízo, da câmara, e de tabelião. Quando morreu aos 93 anos de idade, no dia 26 de Março de 1856, era célebre entre os seus contemporâneos letrados, mas tal fama não lhe garantiu nem a prosperidade, nem a publicação ainda em vida da maior parte da sua obra . Encontra-se sepultado no jazigo mirense dos Bingre do Amaral, seus descendentes directos.

Obra[editar | editar código-fonte]

Foi sócio da famosa Academia de Belas Letras, também conhecida como a Nova Arcádia de Lisboa, onde assinou sob o pseudónimo arcádico de Francélio Vouguense. A par do espírito do seu tempo, foi sob a influência do pré-romantismo que Bingre compôs uma vasta obra, distribuída por sonetos, odes, sátiras, madrigais, farsas, elegias, fábulas cançonetas, epístolas, hinos, etc. Dos colegas literários recebeu o cognome de "Cisne do Vouga". O poeta seu coetâneo José Agostinho de Macedo dele dizia ser "... Bom Poeta e Judicioso Homem, a qual capacidade natural supre naturalmente todos os estudos..."

A sua obra foi pela primeira vez coligida numa edição crítica da professora Vanda Anastácio, sendo impressa em seis volumes (2000-2005) pela Editora Lello & Irmão.

Relevância da Obra[editar | editar código-fonte]

A obra de Francisco Joaquim Bingre constitui hoje um motivo de orgulho de Canelas, que entendeu homenagear o poeta dando o seu nome à banda filarmónica da vila. Pesem embora a sua fama entre os círculos literários oitocentista, a abundância de versos que legou, e a recente publicação de centenas de manuscritos inéditos, a sua obra é ainda desconhecida para muitos portugueses e a leitura das suas composições poéticas ainda não faz parte dos programas de História de Literatura Portuguesa.