Francisco Tenório Júnior

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Francisco Tenório Júnior
Informação geral
Também conhecido(a) como Tenório Jr. ou Tenórinho
País Brasil

Francisco Tenório Cerqueira Júnior foi um pianista brasileiro que desapareceu misteriosamente em Buenos Aires, na Argentina, no dia 27 de março de 1976, enquanto acompanhava os artistas Toquinho e Vinícius de Moraes em show naquele país. Na ocasião deixou no hotel um bilhete no qual estava escrito: Vou sair pra comprar cigarro e um remédio. Volto Logo. Nunca mais voltou.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido e crescido no bairro das Laranjeiras no Rio de Janeiro foi considerado uma dos músicos mais importantes da bossa nova. Costumava apresentar-se no Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro. Seu piano pode ser ouvido em álbuns antológicos da música brasileira como "É Samba Novo", de Edson Machado e "Vagamente", de Wanda Sá

Ele tinha 21 anos quando gravou seu primeiro e único disco Embalo, em 1964.

Cursou a Faculdade Nacional de Medicina enquanto se dedicava paralelamente ao piano, tornando-se nos anos 70 um dos profissionais brasileiros mais requisitados pelos artistas.

Em 1976 após um show em Buenos Aires onde acompanhava ao piano Vinicius de Moraes e Toquinho, Tenório Jr. ou Tenórinho, como era conhecido, desapareceu sem deixar rastros.

A princípio, após o desaparecimento, não se sabia se ele estava em alguma prisão Argentina ou morto.

Na época várias versões corriam, como a citada pela cantora Elis Regina em entrevista dada a Folha de São Paulo em 3 de junho de 1979.[1] , dizendo que ele havia sido visto no ano de 1977 em uma prisão em La Plata.

Somente dez anos após o seu desaparecimento, Cláudio Vallejos, torturador e ex-integrante do serviço secreto da Marinha Argentina revelou à Revista Senhor, no Rio de Janeiro, que Tenório Jr. tinha sido abordado na rua, por uma patrulha militar e preso. Fora finalmente revelado que ele fora sequestrado, torturado e morto com um tiro na cabeça, Francisco Tenório tinha 33 anos e deixou, na ocasião, quatro filhos e a esposa grávida de oito meses.

O grupo Tortura Nunca Mais confirmou (a versão mais confiável) que a morte de Tenório ocorreu em Março de 1976 em Buenos Aires. [2]

Logo após o desaparecimento de Tenório Jr. o cineasta Rogério Lima produziu um curta metragem chamado "Balada para Tenório" onde narrava o desaparecimento e entrevistava familiares e companheiros de Tenório Jr. Em 1986 quando Cláudio Vallejos veio ao Brasil e deu a reveladora entrevista para a Revista Senhor, a produtora Videcom de São Paulo, juntamente com Rogério Lima conseguiram gravar seu depoimento que foi usado como base para o documentário em vídeo "TENÓRIO Jr.?" que conta a tragédia ocorrida com este músico. Vallejos, denunciado por grupos de defesa de direitos humanos foi preso logo após a entrevista. O documentário teve sua estréia no Festival de Cinema e Vídeo do Rio de Janeiro na mesma semana em que Cláudio Vallejos era expulso do Brasil após 3 meses de prisão, sem contudo ter sido submetido a um processo.

Em 1996 o documentário "TENÓRIO Jr.?" foi atualizado com imagens de arquivo inéditas, reeditado e apresentado pela TV Cultura de São Paulo. Atualmente existe um projeto do cineasta Espanhol Fernando Trueba, de produzir um documentário de longa metragem sobre o desaparecimento de Tenório Jr.

Cláudio Vallejos voltou ao Brasil (supõe-se que por volta de 2002) e se instalou na região de Chapecó em Santa Catarina, foi preso em 2010 por estelionato e falsificação. Liberado tempos depois foi novamente preso por estelionato em Janeiro de 2012.

Claudio Vallejos vai ser transferido para a Polícia Federal Clic RBS.</ref>. A sua prisão havia sido pedida à Interpol pelo procurador federal argentino que cuida da ação penal ligada a Operação Condor (aliança político-militar entre as ditaduras da Argentina, Brasil, Chile e Uruguai nas décadas de 1970 e 1980) quando sua identidade foi confirmada ele pediu ao governo brasileiro a extradição de Vallejos.

Em 27 de Março de 2013 Vallejos foi entregue pela polícia Federal à polícia da Argentina no aeroporto de Florianópolis[3] para finalmente responder pelos seus crimes na Argentina.

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • Embalo (1964)

Artistas relacionados[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]