Francisco de Holanda

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A Ceia do Senhor, miniatura. Museu Nacional de Belas Artes
Exemplo da traça de Francisco de Holanda em Da fábrica que falece a cidade de Lisboa: «Lembrança pera redificar a ponte de Sacauem».

Francisco de Holanda, mais correctamente Francisco d'Olanda, (Lisboa, c. 1517 - Lisboa, 1585), humanista e pintor português.

Considerado um dos mais importantes vultos do renascimento em Portugal, também foi ensaísta, arquitecto e historiador.

Francisco de Holanda começou a sua carreira como iluminurista, na sequência daquela que era já a carreira de seu pai, António d'Holanda, iluminador régio.

Estudou na Itália entre 1538 e 1547, época em que frequentou o grupo de Vitória Colonna, personagem notável do renascimento italiano, o que lhe proporcionou o convívio com grandes artistas do seu tempo, como Parmigianino, Giambologna e, principalmente Miguel Ângelo, que nele despertou o fervor pelo classicismo.

Regressando a Portugal, obteve vários auxílios da parte do cardeal-arcebispo de Évora e dos reis D. João III (1521-1557) e de D. Sebastião (1568-1578).

O ideal estéctico renascentista exprimiu-se acentuadamente neste artista, que afirmava que o objectivo primordial era o de incentivar a sua íntima originalidade, e depois seguir a lição da natureza (puro espelho do criador) e a lição dos antigos, mestres imortais da grandeza, simetria, perfeição e decoro.

Dotado de uma grande versatilidade intelectual, Francisco de Holanda distinguiu-se pelos seus desenhos da série "Antiguidades de Itália" (1540-1547), pelo seu contributo como instrumento de estudo na reconstituição do património arqueológico dos Romanos e da arte italiana na primeira metade do século XVI. Foi também autor do projecto da fachada da Igreja da Nossa Senhora da Graça, em Évora.

A paixão pelo classicismo reflectiu-se no seu tratado "Da Pintura Antiga", que divulga o essencial da obra de Miguel Ângelo e do movimento artístico em Roma na segunda metade do século XVI.

Escreveu também o primeiro ensaio sobre urbanismo na península Ibérica, com o título "Da fabrica que falece a cidade de Lisboa", e alguns livros de desenhos como "De Aetatibus Mundi Imagines" e "Antigualhas".

É autor, entre outros, das seguintes obras:

  • Da Pintura Antiga (Lisboa, 1548)
  • Da fábrica que falece a cidade de Lisboa (Lisboa, 1571)
  • Lembrança Ao muyto Serenissimo e Christianissimo Rey Dom Sebastiam: De quãto Serve A Sciencia do Desegno e Etendimento da Arte da Pintura, na República Christam Asi na Paz Como na Guerra (Lisboa, 1571).

Notas

  • HOLANDA, Francisco de. Da Ciência do Desenho [1571]. [Lisboa]: Livros Horizonte, 1985.

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