Franz Conrad von Hötzendorf

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Franz Conrad von Hötzendorf
Franz Conrad von Hötzendorf (à direita)
Nascimento 11 de novembro de 1852 Viena, Áustria
Morte 25 de agosto de 1925 (72 anos)
País Áustria-Hungria Império Austro-Húngaro
Força Áustria-Hungria Exército Austro-Húngaro
Hierarquia General
Batalhas Primeira Guerra Mundial

O Conde Franz Conrad von Hötzendorf (11 de Novembro de 1852  — 25 de Agosto de 1925) foi um militar e chefe do Estado-maior da Áustria-Hungria durante o início da Primeira Guerra Mundial.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Conrad von Hötzendorf nasceu em Penzing, um subúrbio de Viena. Seu pai era um coronel aposentado, originário do sul da Morávia. Seu avô havia ascendido à nobreza em 1816 quando adicionou ao seu nome "von Hötzendorf", o sobrenome da sua esposa. Sua mãe era a filha do famoso artista vienense Kübler. Ele tornou-se cadete quando ainda era muito jovem, e permaneceu nas forças armadas até o final da Primeira Guerra Mundial. Ele subiu na hierarquia militar muito rapidamente.

Conrad casou-se com Wilhelmine le Beau em 1886, com a qual teve quatro filhos. Posteriormente, ele viria se casar com Virginia von Reininghaus em 1915, contra a vontade de seus filhos.

Em novembro de 1906, Conrad tornou-se comandante das Forças Armadas da Áustria-Hungria, e lutava pela modernização do exército e da marinha. Ele era algo como um darwinista social, e acreditava que uma batalha entre os alemães e a civilização eslava era inevitável. O poder da elite magiar na Áustria-Hungria também o desiludia, uma vez que ele acreditava que a Áustria deveria constituir um império essencialmente germânico. Ele também se preocupava com as ambições italianas na península balcânica, e uma de suas maiores ambições era uma guerra preventiva contra a Sérvia, como forma de neutralizá-la e também mudar o balanço de poderes da Áustria-Hungria contra os magiares, ao incorporar mais eslavos à população do império.

De acordo com Hew Strachan, "Hötzendorf propôs uma guerra preventiva contra a Sérvia pela primeira vez em 1906, e o fez o mesmo em 1908/09, em 1912/13, em outubro de 1913 e em maio de 1914: entre 1 de Janeiro de 1913 e 1 de Janeiro de 1914, ele propôs uma guerra contra a Sérvia por vinte e cinco vezes".

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Conrad von Hötzendorf foi um dos principais proponentes de uma guerra com a Sérvia como resposta ao assassinato do arquiduque Francisco Fernando. Entretanto, apesar de seu desejo por guerra, o exército austro-húngaro não conseguia se destacar em batalhas.

Conrad muitas vezes propôs grandiosos planos fora da realidade, desconsiderando as realidades do terreno e do clima. Os planos feitos freqüentemente subestimavam o poder dos inimigos. Por exemplo, o exército sérvio provou-se muito mais eficaz em batalha do que se esperava. Além disso, suas primeiras ofensivas contra a Itália eram conhecidas por sua falta de eficácia combinada com uma maciça perda de homens. Seus erros levaram ao desastroso primeiro ano em batalha da Áustria-Hungria, que acabou por minar todas as suas capacidades militares. A derrota mais desastrosa veio em 1916, com a Ofensiva Brusilov na Rússia. As forças austro-húngaras sob o comando de Conrad perderam aproximadamente 1,5 milhão de homens, e o exército nunca voltou a se tornar capaz de montar uma ofensiva sem ajuda alemã. A maior parte das últimas vitórias austríacas foram possíveis apenas com a ajuda de exércitos alemães, que acabaram por tornar o exército austro-húngaro extremamente dependente.

Por outro lado, o historiador britânico Cyril Falls contra-argumenta afirmando que Conrad era provavelmente o melhor estrategista da guerra e que seus planos eram brilhantes na teoria. Os generais alemães do leste basearam muitas de sua operações nos planos de Conrad.[2]

Conrad von Hötzendorf foi demitido do seu posto no exército pelo novo imperador, Carlos I da Áustria, e foi nomeado o comandante do grupo que batalhava no front italiano. Depois da Batalha de Piave ele foi demitido definitivamente das Forças Armadas. Muitos historiadores acreditam que a razão da derrota austríaca no conflito deve-se à divisão das forças de ataque em duas: o grupo Conrad que lutou próximo ao Platô Asiago e o grupo Boroevic, que lutou nas planícies. No final de sua carreira, Conrad também se opôs ao imperador, que tentava chegar a um acordo de paz com a Tríplice Entente.

Em 1918, ele tornou-se Graf (conde), depois de ter sido um barão.

Referências

  1. FROMKIN, 2005, p. 249.
  2. FALLS, 1959, p. 36.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FROMKIN, David. O Último Verão Europeu: Quem Começou a Grande Guerra de 1914? (em português). 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005. ISBN 85-7302-654-5.
  • FALLS, Cyril. The Great War (1914-1918) (em inglês). 2. ed. Nova Iorque: Capricorn Books, 1961.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]