Franz Overbeck

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Franz Overbeck e sua mulher Ida, c. 1875.

Franz Camille Overbeck (São Petersburgo, 16 de novembro de 1837 - Basileia, 26 de junho de 1905) foi um teólogo protestante alemão.

Fora da Alemanha ficou mais conhecido por sua amizade e lealdade a Friedrich Nietzsche. Mas atualmente é também considerado como um dos primeiros artífices da crítica da teologia liberal. Neste aspecto, exerceu influência sobre teólogos da crise como Karl Barth[1] e Friedrich Gogarten,[2] e sobre pensadores do século XX como Martin Heidegger [3] [4] e Karl Löwith.[5] Sua obra mais importante e influente é Über die Christlichkeit unserer heutigen Theologie[6] ("Sobre o caráter cristão da nossa teologia atual").

Overbeck era filho de um comerciante anglo-germânico, Franz Heinrich Herrmann Overbeck, e de sua mulher, Jeanne Cerclet Camille, francesa nascida em São Petersburgo. Recebeu educação humanista de padrão europeu, inicialmente em São Petersburgo; posteriormente, em Paris, de 1846 até a Revolução de Fevereiro de 1848, retornando a São Petersburgo, e, a partir de 1850, em Dresden. Sua origem multinacional permitiu-lhe dominar a maioria das línguas europeias, fluentemente.

Em 1870, Overbeck tornou-se professor de Exegese do Novo Testamento e História da Igreja na Universidade de Basileia. Desde então, até 1875, ele e seu colega Nietzsche, que ensinava Filologia na mesma universidade, moraram no mesmo prédio, desenvolvendo uma duradoura amizade, que seria crucial para ambos. Depois que Nietzsche deixou a Basileia, em 1879, ele e Overbeck se corresponderam regularmente.[7]

Franz Overbeck foi a primeira pessoa a socorrer Nietzsche quando, no início de janeiro de 1889, este começou a manifestar sintomas de colapso psíquico. Ao receber uma carta do amigo e perceber o que se passava, Overbeck seguiu para Turim no mesmo dia, para resgatá-lo e salvar seus manuscritos.

Overbeck manteve uma distância crítica em relação ao conteúdo dos escritos de Nietzsche, mas denunciou o início de "revisionismo", promovido pela irmã do filósofo, Elisabeth Förster-Nietzsche, nacionalista, anti-semita e simpatizante do Partido Nacional Socialista Alemão.

Overbeck recusou-se a cooperar com Elisabeth e o seu Nietzsche-Archiv, como também recusou-se a ceder-lhe a sua correspondência com o filósofo. Em notas privadas e cartas, Overbeck acusou-a de desvirtuar a obra de Nietzsche - acusação que poteriormente se revelou procedente, sobretudo quando da edição dos fragmentos póstumos, publicados sob o título de Vontade de poder.[8]

"Com mãos de “empresária moderna”, a "irmã de Zaratustra", título que ela mesma se atribuiu, Elisabeth Förster-Nietzsche transformou o nome e a obra do irmão num empreendimento acima de tudo lucrativo e contribuiu, de maneira decisiva, para sua apropriação pelo nazismo."[9]

Overbeck continuou a visitar Nietzsche até a morte do filósofo, em 1900.

Referências

  1. McCormack, Bruce (1997). Karl Barth's Critically Realistic Dialectical Theology: Its Genesis and Development 1909-1936. New York: Oxford University Press, p. 227. ISBN 0198269560.
  2. Runyon, Theodore (1965).Friedrich Gogarten. A Handbook of Christian Theologians. Cleveland and New York: The World Publishing Company, pp. 427-444.
  3. Heidegger, Martin . Fenomenologia e Teologia, 1927.
  4. CROWE, Benjamin D. Google livros. Heidegger's religious origins: destruction and authenticity. Indiana University Press, 2006; p.130s.
  5. LÖWITH, Karl. «El análisis histórico do cristianismo originario y del cristianismo decadente cumplido por Overbeck». In De Hegel a Nietzsche. La quiebra revolucionaria del pensamiento en el siglo XIX. Katz editores, 2008; p. 480s. ISBN3787313591.
  6. Overbeck, Franz (1963). Über die Christlichkeit unserer heutigen Theologie. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft.
  7. Colli, Giorgio &, Montinari, Mazzimo (1975). Friedrich Nietzsche, Briefwechsel. Kritische Gesamtausgabe, 22 vol. Berlin/New York: Walther de Gruyter. ISBN 3110122774.
  8. A edição de Elisabeth Förster-Nietzsche foi parcial, incompleta e ordenada arbitrariamente, conforme observou Heidegger em seus cursos Nietzsche I (1936-1939), ed. B. Schillbach, 1996, XIV, 596p. and Nietzsche II (1939-1946), ed. B. Schillbach, 1997, VIII, 454p. .
  9. "Ler Nietzsche com Mazzino Montinari", por Ernani Chaves. Cadernos Nietzsche 3, p. 65-76, 1997.

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