Freguesia do Ó (bairro de São Paulo)

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Freguesia do Ó
Freg06.jpg
Bairro de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Dia Oficial: 29 de agosto
Fundação: 1580
Distrito: Freguesia do Ó
Subprefeitura: Freguesia do Ó
Região Administrativa: Noroeste

Freguesia do Ó é um bairro tradicional da cidade de São Paulo, de classe média e classe média baixa pertencente ao distrito de Freguesia do Ó. A história do bairro e do distrito de mesmo nome confundem-se. Entre os bairros setentrionais de além-Tietê, Freguesia do Ó destaca-se por ser um dos mais antigos. Suas origens remontam diversas propriedades rurais paulistanas. É conhecido por abrigar a sede da escola de samba Rosas de Ouro.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Freguesia vem do latim Filii Eclesiae, e significa "filhos da igreja". Esta honraria foi a única que se manteve no nome oficial dentre os bairros paulistanos, e que foi concedida como uma forma de divisão do Episcopado, facilitando assim a vida dos fiéis moradores de bairos longínquos, que não mais precisariam se deslocar por horas para receberem amparo religioso. Os demais bairros, como o Brás, Penha e Santo Amaro, aos poucos deixaram de usá-lo nos nomes, e a Freguesia de Nossa Senhora do Ó passou a ser chamada simplesmente de "Freguesia do Ó".

Nossa Senhora do Ó era a Santa de devoção do Bandeirante Manuel Preto, porém o nome correto é Nossa Senhora da Expectação (ou Esperança). O invocativo Ó, faz parte de sete antífonas cantadas durante a novena, que é realizada todos os anos como preparação para o Natal. O mesmo invocativo tornou-se inspiração para a canção "Punk da Periferia", de Gilberto Gil.

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro registro de ocupação das terras do bairro remonta ao bandeirante Manuel Preto na década de 1580, que teria tomado posse do lugar com sua família e índios escravos. Seu primeiro nome Citeo do Jaragoá e suas terras incluíam o Pico do Jaraguá (onde se acreditava haver ouro), além das terras correspondentes aos atuais bairros de Pirituba, Limão, Casa Verde e Santana.

Em 1610, Manuel Preto solicitou à sede da paróquia autorização para erguer uma capela em honra de Nossa Senhora do Ó, que deu nome ao lugar. A obra foi finalizada em 1615. Um século e meio depois, em 26 de março de 1796, a região foi elevada a Paróquia de Nossa Senhora do Ó[1] .

A cultura da cana-de-açucar foi muito praticada na região, principalmente para a produção de aguardente. Outras culturas de subsistência foram também praticadas, como café, mandioca, algodão, milho e legumes. Durante muitos anos o bairro foi considerado como pertencente ao chamado "Cinturão Verde" da Capital Paulista.

Um dos casarões do Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó. A fachada é tombado pelo Patrimônio Histórico e abriga um famoso bar da cidade de São Paulo.

O bairro manteve preservadas muitas de suas construções tradicionais [carece de fontes?]. Fatores que contribuíaram para isso foram: o relativo afastamento do centro, a topografia íngreme, ruas estreitas e sinuosas e a barreira natural do Rio Tietê. Um exemplo da antiga dificuldade de locomoção envolvendo o bairro é o dos voluntários da pátria que, marchando em direção ao Paraguai, deixaram o centro da cidade em torno das sete horas da manhã e atingiram o Largo da Matriz apenas no final da tarde, por volta das 18 horas.[carece de fontes?]

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Atualmente o bairro sofre um aumento do ataque especulativo de empresas construtoras. Um dos motivos se deve justamente a presença terrenos descampados e casas velhas simples, de baixo valor comercial, em comparação a outros bairros. Isto se deve em grande parte a retificação pela qual o Rio Tietê passou, durante a administração do prefeito Prestes Maia, além das obras que abriram as avenidas Inajar de Sousa e General Edgard Facó nos anos 80, e nelas, a canalização dos rios Cabuçu e Verde (respectivamente). É considerado um dos bairros com melhor qualidade no fornecimento de água dentro da cidade de São Paulo.

A Freguesia, contudo, ainda carece de áreas de lazer. Ela conta com alguns clubes de malha (CDM), onde jovens praticam esportes, como o futebol, e aposentados jogam malha e bocha, como o CDM Cruzeiro, que fica próximo a avenida Miguel Conejo e com um Grupo Escoteiro.

O altar e o Padre Dalton Caram durante a Festa do Divino Espírito Santo, enfeitado com veludo vermelho, por ser a cor que representa o Espírito Santo.

Cultura geral[editar | editar código-fonte]

Na década de 1960 a população do bairro passava horas agradáveis no Cine Clipper, o único cinema da região que deu origem ao nome do largo mais conhecido da região comercial da Freguesia, o Largo do Clipper, a praça onde a maioria dos moradores conhecem. O apelido da praça sobrevive até hoje embora o Cinema não exista mais, e muitos nem ao menos saibam o verdadeiro nome do Largo (Oliveira Viana), ou sabiam também da existência deste cinema (especialmente os mais jovens), onde hoje está instalado um Banco.

Ocorre anualmente a Festa do Divino Espírito Santo, uma das mais tradicionais do calendário da Igreja Católica, faz da Freguesia do Ó uma das poucas localidades no Brasil onde ainda é celebrada. Os moradores antigos do bairro tinham muitas relações com [[Pirapora do Bom Jesus]], sendo tradicional a romaria anual a essa vila.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Marcildo, Maria Luiza. A Cidade de São Paulo: povoamento e população, 1750-1850. São Paulo: Pioneira, 1973.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALVIM, Murilo Lopes. Ó, a Freguesia. São Paulo: Trabalho de Conclusão de Curso de Bacharelado em Fotografia(SENAC), 2003.
  • BARRO, Máximo. Nossa Senhora do Ó. São Paulo: Prefeitura do Município de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura, 1977.
  • BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.
  • BOSI, Ecléa. Memória e sociedade, lembranças de velhos. São Paulo: T.A. Queiroz Editor. 1979.
  • GOFF, Jacques Le. Memória – História. Lisboa: Imprensa Nacional, 1984.
  • KOSSOY, Boris. Fotografia e história. São Paulo: Ática, 1989.
  • LUISI, Emídio. Ue' Paesà: 120 anos da imigração italiana no Brasil. São Paulo: Caixa Econômica Federal, 1997.
  • MACEDO, Carmem Cinira. Tempo de gênesis: o povo das comunidades eclesiais de base. São Paulo: Brasiliense, 1986.
  • MAGNANI, José G. e TORRES, Lílian Lucca de. Na metrópole. São Paulo: Edusp Fapesp, 1996.
  • MARTINELLI, Pedro. Casas Paulistanas: pequenos tesouros da Mooca na transformação de São Paulo. São Paulo: 1° edição. 1998.
  • MARTINS, José de Souza. Subúrbio: vida cotidiana e história no subúrbio da cidade de São Paulo: São Caetano, do fim do Império ao fim da República Velha. São Caetano do Sul: Hucitec, 1992.
  • MASCARO, Cristiano. São Paulo. São Paulo: Editora Senac, 2000.
  • MEDINA, Cremilda de Araújo (org). Ó freguesia, quantas histórias. São Paulo: ECA/USP, 2000.
  • RIBEIRO, Suzana Barretto. Italianos do Brás, imagens e memória. São Paulo: Brasiliense, 1994.
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