Frente Iugoslava

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Frente Iugoslava
Parte da(o) Segunda Guerra Mundial
National Liberation War collage.jpg
Data 1941 – 1945
Local Iugoslavia
Desfecho Vitória decisiva dos Partisan
Combatentes
Aliados

Iugoslávia/Partisans
 Soviet Union
(envolvimento limitado, 1944-45)
Bulgaria Bulgaria
(envolvimento limitado, 1944-45)

Potências do Eixo

 Alemanha
Flag of Italy (1861-1946).svg Itália (1941-43)
Albania Protetorado da Albânia (1941-44)
Flag of Hungary (1920–1946).svg Reino da Hungria (1941-44)
 Reino da Bulgária(1941-44)
 Estado Independente da Croáciaa
regime de Nedića (1941-44)
Reino de Montenegroa (1941-44)


Chetniksb
(nominalmente Aliado entre 1941-43)

Principais líderes
Iugoslávia Josip Broz Tito
Jugoslávia Milovan Đilas
Jugoslávia Ante Pavelić
Milan Nedić
Kosta Pećanac
Sekule Drljević
Leon Rupnik

Draža Mihailović
Ilija Trifunović-Birčanin
Dobroslav Jevđević

A Frente Iugoslava, também conhecida como a Guerra de Libertação Popular Iugoslava (servo-croata: Narodnooslobodilački rat, Народноослободилачки рат; Macedonian: Народноослободителна борба, Narodnoosloboditelna borba; esloveno: Narodnoosvobodilni boj ou Narodnoosvobodilna borba), foi a disputa na Iugoslávia ocupada durante a Segunda Guerra Mundial (1941-1945) entre as forças da resistência iugoslavas, principalmente os Partisans Iugoslavos, e as potências do Eixo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia manteve sua neutralidade até 1941. Nesse ano, com o desejo de ajudar o exército italiano que estava em apuros na Grécia (ver: Guerra Greco-Italiana), a Alemanha procura os direitos de trânsito para as suas tropas. Após a aceitação, por parte do governante da Iugoslávia para assinar uma aliança com a Alemanha, o rei, sob a influência de alguns oficiais, termina a regência. Esta decisão resultou na invasão do país pelo Terceiro Reich alemão.

Assim, em abril de 1941, o Reino da Iugoslávia foi rapidamente invadido pelas forças do Eixo e dividido entre a Alemanha nazista, a Itália fascista, o Reino da Hungria, o Reino da Bulgária e regimes clientes da Croácia e da Sérvia. Logo depois, dois exércitos de guerrilha de resistência surgiram: o comunista e republicano Partisans Iugoslavos, apoiado pela União Soviética, e o movimento monarquista Chetniks, conhecido oficialmente como o Exército da Pátria Iugoslava, inicialmente favorecida pelos Aliados ocidentais, a guerra civil entre os dois logo se seguiu .[1] . Os Partisans Comunistas finalmente, ajudados pela União Soviética, conseguindo derrotar os nazistas e as forças separatistas croatas.[1]

O Eixo montou uma série de ofensivas que visavam destruir o Partisans, aproximando-se em fazê-lo no inverno e na primavera de 1943. Apesar dos contratempos, os Partisans permaneceram como uma força credível de combate, ganhando o reconhecimento dos aliados ocidentais e estabelecendo as bases para Estado iugoslavo do pós-guerra. Com o apoio da logística, equipamentos, treinamento e força aérea dos aliados ocidentais, e das tropas terrestres soviéticas na Ofensiva de Belgrado, os Partisans acabaram ganhando o controle de todo o país e nas regiões fronteiriças da Itália e da Áustria.

O custo humano da guerra foi enorme. O número de vítimas da guerra ainda está em disputa, mas é geralmente aceito, pelo menos, em um milhão.[2] Entre as vítimas a maioria da população judaica do país, muitos dos quais pereceram em campos de concentração (por exemplo, o campo de concentração de Jasenovac, o campo de concentração de Banjica, etc), gerido pelos regimes clientes. O regime croata dos Ustaše cometeu genocídio[3] contra os sérvios locais, judeus e ciganos, enquanto os Chetniks exerciam a sua própria limpeza étnica contra a população de bósnios e croatas. Os alemães levaram a cabo execuções em massa de civis em retaliação à atividade da resistência (por exemplo, o massacre de Kragujevac).

Invasão e partição da Iugoslávia[editar | editar código-fonte]

A partição da Iugoslávia entre as potências do Eixo.

A Iugoslávia é invadida por todas as suas fronteiras, exceto a compartilhada com a Grécia. O exército real iugoslavo resiste por apenas onze dias. Em 17 de abril de 1941, assinam a capitulação. O Rei Pedro II e o seu governo se exilam em Londres, enquanto o seu país é imediatamente desmantelado:

Na Croácia, os alemães primeiramente oferecem poder a Macek, o líder do majoritário Partido dos Camponeses. Este último, um membro do Governo no exílio, recusou a proposta, embora tenha retornado para a Croácia e reconhecesse o novo "estado independente" que permanece nas mãos de Ante Pavelic, líder do partido da extrema-direita o Ustasha. A hierarquia católica, com o arcebispo de Zagreb, o monsenhor Aloysius Stepinac, apresenta a mesma atitude. Estas manifestações são explicadas pelo fato de que a Iugoslávia representava para a maioria dos croatas um estado opressor e que a independência da Croácia respondia aos seus desejos[4] .

Ao contrário da Croácia, na Sérvia, o desmantelamento do país e a ocupação alemã (precedido pelo bombardeio de Belgrado) foi sentido como uma derrota pesada, mas os alemães conseguem encontrar os parceiros necessários para formar um governo, em primeiro lugar com políticos obscuros, mas em agosto de 1941, o general Milan Nedić forma um governo que inclui ainda outros dois generais do Exército Real Iugoslavo.[5]

A Sérvia do general Milan Nedić[editar | editar código-fonte]

Mapa da Sérvia de Nedić. Ao norte a região autônoma de Banat.

Nedić não é particularmente próximo das ideias fascistas. Mas, certamente queria proteger seu povo da aniquilação física, adotando a mesma postura que o marechal Philippe Pétain da França.[4] No entanto, ele se dirige para os seus compatriotas por rádio para defender "a ordem, trabalho, paz e fraternidade. A primeira tarefa do governo é lidar com as centenas de milhares de refugiados sérvios da Croácia e outras regiões que não se sentem seguros. Nedić deve também tomar uma posição contra o movimento de resistência dos Chetniks (Četnici) de orientação monarquista e nacionalista sérvia, que acontece desde o início da invasão e resistência contra os partisans de inspiração comunista, que se desenvolve após a entrada na guerra da Alemanha contra a União Soviética, a Operação Barbarossa, em 22 de junho de 1941. Para evitar que os alemães enveam seus aliados Ustashas e a Bulgária para reprimir a resistência sérvia, Nedić aceita a criação de uma polícia e uma "Guarda Nacional Sérvia", que lançou uma repressão contra os partisans. Em relação com os Chetniks, as relações são muito mais ambíguas: houve vários contatos entre a comitiva de Nedić e a supervisão militar anti-comunista dos Chetniks. De acordo com Paul Garde,[4] este conluio, ao invés de atrair as forças do governo no sentido de algum tipo de resistência ao ocupante, serviu pelo contrário para atrair Draža Mihailović, o líder dos Chetniks, para o colaboracionismo.

Antes da guerra, desde o assassinato do Rei Alexandre I existia um movimento ultra-nacionalista, de orientação anti-semita e fascista, liderado por Dimitrije Ljotic e bastante comparável aos Ustasha na Croácia. Ljotic se recusa a entrar no Governo de Nedić, mas coloca a disposição dos alemães uma milícia, o Corpo de Voluntários Sérvios, rival da Guarda Nacional Sérvia de Nedić, embora ambos serão utilizados diretamente pelos alemães como auxiliares na luta contra os partisans.

A Croácia dos Ustasha[editar | editar código-fonte]

Estado Independente da Croácia

O novo estado é dividido em áreas de ocupação alemãs e italianas. O regime ditatorial de Ante Pavelic começou a abolir o Parlamento croata e proibindo qualquer oposição às suas políticas. Desde a tomada de poder pelos Ustashas, algumas unidades especiais que estão acima da lei, espalham o terror nas cidades e vilas de maioria sérvia massacrando sua população. A doutrina dos Ustashas é que os autênticos croatas são unicamente os católicos e muçulmanos. A religião ortodoxa sérvia, não se enquadra nessa categoria. Além disso, a exemplo da Alemanha nazista, o novo estado da Croácia promulgou leis raciais contra os judeus e ciganos.

Após primeiramente massacrar sérvios, os Chetniks envolvem-se como defensores dos sérvios, mas por sua vez respondem massacrando croatas e muçulmanos[4] .

Um movimento de resistência de obediência comunista, os partisans anti-fascistas, emergem no início de 1941, liderado pelo croata Josip Broz, conhecido como Tito. Em 1943, um total de 26 divisões partisass, 11 estão localizados na Croácia, e os partisans se abrem para os sérvios perseguidos pelos Ustashas, porém, como os Ustasha e os alemães estão a tornar-se mais impopulares pelos croatas e muçulmanos, muitos deles também juntam-se aos partisans, que são capazes de libertar grandes áreas do território[4] .

Reino de Montenegro[editar | editar código-fonte]

Selando a vontade do Rei Victor Emmanuel III, o novo reino foi proclamado como um protetorado semi-independente do Reino de Itália. O contendor Mihailo Petrović-Njegoš ainda recusou o trono, resultando em um governo liderado principalmente pelas forças de ocupação e seus colaboradores locais, cujas fronteiras, flutuantes, na verdade só existem no papel e sofrem grandes ataques da resistência. Em 1943, os italianos deixam o controle a Alemanha nazista.

A Resistência na Iugoslávia[editar | editar código-fonte]

Bandeira dos Chetniks

Chetniks[editar | editar código-fonte]

A unidade paramilitar sérvia liderada por Mihajlovic, os Chetniks, consistiram principalmente de soldados sérvios e montenegrinos, de tendência monarquista e nacionalista sérvia. Foram os primeiros a resistir contra os alemães e seus aliados. Primeiramente combatem juntos com partisans de Tito, mas logo se tornam inimigos, porque um desentendimento entre eles sobre o futuro da Iugoslávia: os primeiros querem uma monarquia centralizada e dominada pela família real Karadjordjevic (que fundou a Iugoslávia e que governou até a guerra), os últimos defendem uma federação de repúblicas comunistas com igualdade de direitos. Alguns Chetniks então passam a trabalhar com as forças de ocupação em ofensivas contra a resistência dos partisans.

Bandeira dos Partisans

Partisans[editar | editar código-fonte]

Em junho de 1941, Josip Broz Tito, um comunista croata, cria o movimento partisan que dá, de acordo com a política de Moscou, o caráter de uma ampla coalizão anti-fascista melhor do que uma orientação abertamente comunista. Os combatentes partisans acolhem qualquer nacionalidade, sérvios, croatas ou bósnios. Os ingleses, que inicialmente deram apoio aos Chetniks, finalmente os abandonam no início de 1944, em favor dos partisans de Tito, que na época possuíam 300.000 homens presentes em todo o território da Iugoslávia, que criaram vastas e numerosas zonas libertadas.[4] .Em agosto de 1944, Pedro II lança um apelo para a união com os partisans de Tito.

Libertação[editar | editar código-fonte]

Enquanto o Exército Vermelho avança na Hungria depois de ocupar Sófia em 9 de setembro de 1944, os partisans de Tito libertam Belgrado em 20 de outubro,[5] embora os alemães resistam em algumas partes da Bósnia, Croácia e Eslovênia até maio de 1945.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ri.html
  2. ChurchInHistory.org Barton, Dennis; "Croatia 1941 - 1946"; Churchin History Information Centre
  3. Jasenovac-info.com
  4. a b c d e f Paul Garde: Vie et mort de la Yougoslavie
  5. a b Batowski, Henryk: "Diplomatic Events in East-Central Europe in 1944" , East European Quarterly, 5:3 (1971)
Bibliografia
  • Ambrose, S. The Victors - The Men of World War II, London, 1998. ISBN 978 0 6848 5629 2
  • Bailey, R. H. (original edition from 1978). Partisans and Guerrillas (World War II; v. 12). Chicago, Illinois, USA: Time-Life Books. 1980.
  • Ciglic, B. and Savic, D. 'Dornier Do 17 The Yugoslav story, Operational Record 1937-1947. Jeroplan, Belgrade, 2007. ISBN 978-86-909727-0-8
  • Martin, D. Ally Betrayed: The Uncensored Story of Tito and Mihailovich, Prentice Hall, New York, 1946.
  • Savic, D. and Ciglic, B. 'Croatian Aces of World War II, Osprey Aircraft of the Aces - 49, Oxford, 2002. ISBN 1 84176 435 3
  • Shaw, L. Trial by Slander: A background to the Independent State of Croatia, Harp Books, Canberra, 1973. ISBN 0-909432-00-7
  • Thomas, N., Mikulan, K. and Pavelic, D. 'Axis Forces in Yugoslavia 1941-45 Osprey, London, 1995. ISBN 1 85532 473 3
  • Thomas, N., Abbot, P. and Chappell, M. 'Partisan Warfare 1941-45 Osprey, London, 2000. ISBN 0 85045 513 8
  • Tomasevich, Jozo; Vucinich, Wayne S.. In: Jozo. Contemporary Yugoslavia: Twenty Years of Socialist Experiment. [S.l.]: University of California Press, 1969.
  • Tomasevich, Jozo. War and Revolution in Yugoslavia, 1941-1945: Occupation and Collaboration. [S.l.]: Stanford University Press, 2001. ISBN 0804708576.