Frente Nacional (França)
| Frente Nacional Front national |
|
|---|---|
| Presidente | Marine Le Pen |
| Fundação | 5 de outubro de 1972 |
| Sede | Rue des Suisses, 76-78 92000 Nanterre |
| Ideologia | Nacionalismo Conservadorismo Protecionismo Euroceticismo Antiglobalização |
| Dissolução | 76 rue des Suisses, Nanterre |
| Alas | Front National de la Jeunesse |
| Membros (2012) | 50.0001 |
| Afiliação europeia | Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus |
| Grupo no Parlamento Europeu | Não inscritos |
| Assembleia Nacional |
2 / 577
|
| Senado da França |
0 / 348
|
| Parlamento Europeu |
3 / 74
|
| Conselhos regionais |
118 / 1 880
|
| Cores | Azul, branco e vermelho |
| Site | www.frontnational.com |
A Frente Nacional (em francês: Front National; Pronúncia francesa: [fʁɔ̃.na.sjɔ'nal]) é um partido político francês de caráter protecionista, conservador e nacionalista. Foi fundado em 1972 com o intuito de unificar as várias correntes nacionalistas da época. Jean-Marie Le Pen foi o primeiro líder do partido e sua figura central até sua renúncia em 2011. A atual líder da FN é Marine Le Pen, sua filha. Apesar de ter passado por momentos difíceis enquanto força marginal da política francesa em seus dez primeiros anos, em 1984 a FN se consolidou como a principal força do nacionalismo de extrema-direita na França.2 A FN se estabeleceu como o terceiro maior partido do país, atrás apenas da União por um Movimento Popular (UMP) e do Partido Socialista (PS).3 4 A eleição presidencial francesa de 2002 foi a primeira da história a incluir um candidato de extrema-direita no segundo turno, uma vez que Le Pen obteve mais votos que o candidato socialista no primeiro turno. No entanto, Le Pen terminou a disputa a uma distância considerável de Jacques Chirac no segundo turno. Devido ao sistema eleitoral francês, a representação do partido em cargos públicos tem sido limitada, apesar deste obter parcela significativa dos votos.5
Suas principais políticas incluem o protecionismo econômico e a tolerância zero à criminalidade e à imigração. Desde a década de 1990, sua posição em relação à União Europeia se tornou fortemente cética. A oposição do partido à imigração se foca nos imigrantes não-europeus, e inclui o apoio à deportação de imigrantes ilegais, criminosos e desempregados; sua política, no entanto, se encontra mais moderada hoje em dia do que no seu auge radical dos anos 1990. Alguns oficiais do partido têm sido alvo de controvérsia por ocasionalmente promoverem o revisionismo histórico, em especial no que diz respeito à Segunda Guerra Mundial.
Índice |
Origens [editar]
A FN nasceu de uma tradição de extrema-direita na França que remonta à Revolução Francesa de 1789,6 sendo que o partido nega tanto a revolução quanto o legado desta.7 8 Um dos grupos progenitores do partido foi a Action Française, fundada no final do século XIX como herdeira do Restauration Nationale,9 grupo monarquista que apoiava a reivindicação do conde de Paris ao trono francês.10 O partido tem suas origens também no pujadismo da década de 1950, que começou como um movimento anti-impostos sem relação alguma com a extrema-direita; ele incluía entre seus membros, no entanto, parlamentares "proto-nacionalistas" como Jean-Marie Le Pen.11
Outro acontecimento que faz parte do contexto histórico que possibilitou o surgimento do partido é a Guerra da Argélia; muitos frontistes, incluindo o próprio Le Pen, estiveram diretamente envolvidos na Guerra e a extrema-direita mostrou-se decepcionada com o então presidente Charles de Gaulle após este ter decidido abandonar sua promessa de manter o então departamento da Argélia sob o domínio francês.12 Na eleição presidencial de 1965, Le Pen tentou, sem sucesso, consolidar o voto da extrema-direita no candidato independente Jean-Louis Tixier-Vignancour.13 Durante o final dos anos 1960 e início dos 1970, a extrema-direita francesa encontrava-se dividida em diversos grupos extremistas pequenos, tais como o Occident, o Groupe Union Défense (GUD) e a Ordre Nouveau (ON).14
História [editar]
Anos iniciais (1972-1981) [editar]
A ON havia competido em algumas eleições locais a partir de 1970. No seu segundo congresso, em junho de 1972, o grupo decidiu estabelecer um novo partido político para concorrer nas eleições legislativas de 1973.15 16 O partido foi oficialmente lançado em 5 de outubro de 1972 com o nome de Frente Nacional pela União Francesa (Front National pour l'unité française).17 Para criar um movimento amplo, a ON baseou o novo partido (assim como já havia tentado se basear) no modelo organizacional do Movimento Social Italiano (MSI) que, à época, parecia estabelecer uma ampla coligação para a direita italiana. A FN adotou uma versão da chama tricolor do MSI como seu logotipo oficial.18 19 20 O partido queria unir as várias correntes da extrema-direita francesa e inicialmente juntou o grupo nacionalista de Le Pen, o Partido da União Francesa de Roger Holeindre, o movimento Justiça e Liberdade de Georges Bidault, ex-pujadistas, veteranos da Guerra da Argélia, monarquistas, entre outros.17 21 Le Pen foi escolhido como primeiro presidente do partido, uma vez que ele não possuía a imagem pública militante da ON e era uma figura relativamente moderada dentro do movimento de extrema-direita.22 23
Formado especificamente para disputar as eleições de 1973, o partido obteve um resultado desastroso naquele pleito, conseguindo apenas 0,5% dos votos na França, sendo que Le Pen obteve meros 5% em seu distrito eleitoral em Paris.24 A retórica utilizada durante a campanha evocava velhos temas da extrema-direita, sendo pouco atraente para o eleitorado da época.25 Além disso, o programa oficial da FN era relativamente moderado, diferenciando-se pouco da direita gaullista consolidada no poder.26 Le Pen buscou a "fusão total" das correntes do partido, alertando os militantes contra o ativismo bruto.27 Os elementos mais radicais da ON não se deixaram persuadir, voltando ao ativismo duro que lhes traria o banimento mais tarde naquele mesmo ano.28 29 Le Pen logo se tornou o líder indiscutível do partido,30 embora isso tenha levado à saída de muitos membros proeminentes e grande parte de sua militância.28
Na eleição presidencial de 1974, Le Pen não logrou êxito em achar um tema mobilizador para sua campanha.31 Muitas de suas bandeiras, como o anticomunismo, já eram defendidas pela direita consolidada no poder.32 Outras bandeiras da FN incluíam o aumento da taxa de natalidade, a redução da imigração (embora não de maneira tão enfática quanto nos anos seguintes), a criação de um exército profissional, a revogação dos Acordos de Évian (que garantiram a independência da Argélia e o fim da Guerra) e a criação de uma "renascença francesa e europeia".33 Apesar de ser o único candidato nacionalista, ele não conseguiu ganhar o apoio de uma extrema-direita unida, já que os diversos grupos do segmento ou apoiaram outros candidatos ou defenderam o abstencionismo.34 A campanha perdeu mais apoio quando a Liga Comunista Revolucionária publicou uma denúncia sobre o suposto envolvimento de Le Pen na tortura de prisioneiros políticos na Argélia.34 Em sua primeira eleição presidencial, Le Pen obteve apenas 0,8% dos votos.34
Rivalidade com o PFN [editar]
Após as eleições de 1974, a FN viu o surgimento do Partido das Forças Novas (Parti des forces nouvelles - PFN), fundado por dissidentes da FN (em sua maioria da ON).35 36 A competição enfraqueceu ambos os partidos durante o final da década de 1970.35 Durante a mesma época, a FN ganhou diversos grupos de novos apoiadores, incluindo François Duprat e seus "revolucionários nacionalistas", Jean-Pierre Stirbois e seus "solidaristas", a Nouvelle Droite e Bernard Anthony.37 Após a morte de Duprat num ataque a bomba, os revolucionários nacionalistas deixaram o partido; Stirbois virou vice de Le Pen e seu grupo tirou os neofascistas da liderança do partido.38 A extrema-direita como um todo foi marginalizada nas eleições legislativas de 1978, apesar de o PFN ter se saído melhor que a FN.39 40 Durante as primeiras eleições para o Parlamento Europeu, em 1979, o PFN integrou um grupo que tentou construir uma aliança continental de partidos de extrema-direita e, por fim, foi o único dos dois partidos a disputar as eleições.41 O PFN lançou Jean-Louis Tixier-Vignancour como seu candidato principal, enquanto Le Pen pediu aos eleitores que se abstivessem.42
Durante a eleição presidencial de 1981, tanto Le Pen quanto Pascal Gauchon do PFN declararam que se candidatariam.42 No entanto, uma mudança nas exigências de apoio por funcionários públicos eleitos foi adotada, o que deixou Le Pen e Gauchon incapazes de obter o apoio necessário para que pudessem concorrer.nota 1 A eleição foi vencida por François Mitterrand do Partido Socialista (PS), levando a esquerda ao poder pela primeira vez na história da Quinta República; ele dissolveu a Assembleia Nacional e convocou novas eleições legislativas.43 O PS atingiu seu melhor resultado nesse pleito, conquistando a maioria absoluta dos assentos.44 Essa "tomada do poder pelos socialistas" levou a uma radicalização dos eleitores de centro-direita, anticomunistas antissocialistas.45 Com apenas três semanas para preparar sua campanha, a FN lançou um número limitado de candidatos e obteve apenas 0,2% dos votos.32 O PFN se saiu ainda pior, sendo que essa eleição marcou o fim efetivo do partido enquanto força competitiva no cenário político francês.32
Avanço eleitoral (1982–1988) [editar]
Apesar do sistema partidário francês ter sido dominado pela polarização e competição entre duas alternativas ideologicamente claras na década de 1970, os dois grupos caminharam para o centro durante a primeira metade da década de 1980. Isso levou muitos eleitores a perceber os grupos como mais ou menos iguais, o que os levou a buscarem novas alternativas políticas.46 Em outubro de 1982, Le Pen apoiava a possibilidade de acordos com a direita tradicional, uma vez que a FN não precisaria abrandar suas posições em temas-chave.47 Nas eleições municipais de 1983, o direitista Reagrupamento para a República (RPR) e a centrista União pela Democracia Francesa (UDF) forjaram alianças com a FN em algumas cidades.47 O resultado mais notável ocorreu no 20º arrondissement de Paris, onde Le Pen foi eleito para o conselho local com 11% dos votos.47 48 Eleições suplementares mantiveram a atenção da mídia no partido, que foi pela primeira vez considerado um elemento viável da direita.49 50 Na eleição suplementar de Dreux, em outubro de 1983, a FN obteve 17% dos votos.47 Com a possibilidade de derrotar a esquerda, o RPR e a UDF locais concordaram em formar uma aliança com a FN no segundo turno, do qual saíram vitoriosos com 55% dos votos.47 51 Os eventos em Dreux foram um fator monumental para o crescimento da FN.52
Le Pen protestou contra o boicote da mídia a seu partido em cartas enviadas ao presidente Mitterrand em 1982.49 Após algumas trocas de cartas, o presidente instruiu os diretores das principais emissoras de televisão a dar cobertura equitativa à FN.49 Em janeiro de 1984, o partido fez sua primeira aparição numa pesquisa mensal de popularidade política, na qual 9% dos entrevistados disseram ter uma "opinião positiva" da FN.49 No mês seguinte, Le Pen foi convidado pela primeira vez para participar de um programa de entrevistas do horário nobre; mais tarde, ele se referiu ao programa como "a hora que mudou tudo".49 53 A eleição europeia de junho de 1984 veio como uma surpresa para o partido, uma vez que a FN obteve 11% dos votos e dez assentos.54 A eleição usou o sistema de representação proporcional e teve pouco destaque na mídia, fatores que agiram em favor da FN.55 A FN fez incursões em círculos eleitorais tanto da direita quanto da esquerda e terminou em segundo lugar em uma série de cidades.56 Enquanto vários socialistas inflaram o partido com o intuito de dividir a direita,57 Mitterrand mais tarde admitiu ter subestimado Le Pen.49 Em julho, 17% dos entrevistados diziam ter uma opinião favorável à FN.58
Notas
Liderança [editar]
Líderes do partido [editar]
- Jean-Marie Le Pen (1972–2011)
- Marine Le Pen (2011–atualidade)
Secretários-gerais [editar]
- Jean-Pierre Stirbois (1981–1988)
- Carl Lang (1988–1995)
- Bruno Gollnisch (1995–2005)
- Louis Aliot (2005–2010)
- Jean-François Jalkh (2010–atualidade)
Resultados eleitorais [editar]
A Frente Nacional foi uma força marginal de 1973, sua primeira eleição, até a eleição para o parlamento europeu de 1894, quando obteve 11% dos votos e dez assentos. A partir desta eleição, o apoio do partido variou entre 10% e 15%, apesar de ter visto uma queda em algumas eleições no final da década de 2000. A partir de 2010, o partido parece ter conseguido um aumento em seu nível de votação - obtendo, com Marine Le Pen, um novo recorde em eleições presidenciais. No pleito de 2002, o pai dela conseguiu ir para o segundo turno, mas falhou em atrair o apoio necessário para vencer, sendo que Jacques Chirac foi eleito presidente com um recorde de 82% dos votos (64% a mais que Le Pen).
Ver também [editar]
- Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus
- British National Front
- Partido Nacional Britânico
- Partido Nacional Democrata Alemão
- Partido Nacional Renovador
- Neonazismo
- Frente Nacional
Referências
- ↑ Record. Le Point (20 de janeiro de 2012).
- ↑ Shields, 2007, p. 229.
- ↑ Shields, 2007, pp. 247, 264, 297 e 301.
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- ↑ Shields, 2007, p. 194.
- ↑ Shields, 2007, p. 230.
- ↑ Shields, 2007, p. 197.
Ligações externas [editar]
- Página oficial (em francês)
- Diário de Notícias 30/01/2012 "Candidata francesa é acusada de ir à baile de extrema-direita"
- União de Resistentes Antifascistas Portugueses 19-Out-2008 "Mobilização popular impede com sucesso encontro europeu de neo-nazis na Alemanha"
- Paulo Fagundes Vízentini "O ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e internacional"