Frente Nacional (França)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Frente Nacional
Front National
Logo Front National.svg
Presidente Marine Le Pen
Fundação 5 de outubro de 1972
Dissolução 76 rue des Suisses, Nanterre
Sede  França
Rue des Suisses, 76-78
92000 Nanterre
Ideologia Nacionalismo francês
Conservadorismo
Protecionismo
Euroceticismo
Antiglobalização
Espectro político Extrema-direita[1]
Alas Front National de la Jeunesse
Membros  (2012) 50.000[2]
Afiliação europeia Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus
Grupo no Parlamento Europeu Não inscritos
Assembleia Nacional
2 / 577
Senado da França
2 / 348
Parlamento Europeu
23 / 74
Conselhos regionais
118 / 1 880
Cores       Azul

      Branco

      Vermelho
Site www.frontnational.com
Política da França
Partidos políticos
Eleições

A Frente Nacional (em francês: Front National; Pronúncia francesa: [fʁɔ.na.sjɔ'nal]) é um partido político francês de extrema-direita[3] e de caráter protecionista, conservador e nacionalista. Foi fundado em 1972 com o intuito de unificar as várias correntes nacionalistas da época. Jean-Marie Le Pen foi o primeiro líder do partido e sua figura central até sua renúncia em 2011. A atual líder da FN é Marine Le Pen, sua filha. Apesar de ter passado por momentos difíceis enquanto força marginal da política francesa em seus dez primeiros anos, em 1984 a FN se consolidou como a principal força do nacionalismo de direita na França.[4] A FN se estabeleceu como o terceiro maior partido do país, atrás apenas da União por um Movimento Popular (UMP) e do Partido Socialista (PS).[5] [6] A eleição presidencial francesa de 2002 foi a primeira da história a incluir um candidato de extrema-direita no segundo turno, uma vez que Le Pen obteve mais votos que o candidato socialista no primeiro turno. No entanto, Le Pen terminou a disputa a uma distância considerável de Jacques Chirac no segundo turno. Devido ao sistema eleitoral francês, a representação do partido em cargos públicos tem sido limitada, apesar deste obter parcela significativa dos votos.[7]

Suas principais políticas incluem o protecionismo econômico e a tolerância zero à criminalidade e à imigração. Desde a década de 1990, sua posição em relação à União Europeia se tornou fortemente cética. A oposição do partido à imigração se foca nos imigrantes não-europeus, e inclui o apoio à deportação de imigrantes ilegais, criminosos e desempregados; sua política, no entanto, se encontra mais moderada hoje em dia do que no seu auge radical dos anos 1990. Alguns oficiais do partido têm sido alvo de controvérsia por ocasionalmente promoverem o revisionismo histórico, em especial no que diz respeito à Segunda Guerra Mundial.

Origens[editar | editar código-fonte]

A FN nasceu de uma tradição de extrema-direita na França que remonta à Revolução Francesa de 1789,[8] sendo que o partido nega tanto a revolução quanto o legado desta.[9] [10] Um dos grupos progenitores do partido foi a Action Française, fundada no final do século XIX como herdeira do Restauration Nationale,[11] grupo monarquista que apoiava a reivindicação do conde de Paris ao trono francês.[12] O partido tem suas origens também no pujadismo da década de 1950, que começou como um movimento anti-impostos sem relação alguma com a extrema-direita; ele incluía entre seus membros, no entanto, parlamentares "proto-nacionalistas" como Jean-Marie Le Pen.[13]

Outro acontecimento que faz parte do contexto histórico que possibilitou o surgimento do partido é a Guerra da Argélia; muitos frontistes, incluindo o próprio Le Pen, estiveram diretamente envolvidos na Guerra e a extrema-direita mostrou-se decepcionada com o então presidente Charles de Gaulle após este ter decidido abandonar sua promessa de manter o então departamento da Argélia sob o domínio francês.[14] Na eleição presidencial de 1965, Le Pen tentou, sem sucesso, consolidar o voto da extrema-direita no candidato independente Jean-Louis Tixier-Vignancour.[15] Durante o final dos anos 1960 e início dos 1970, a extrema-direita francesa encontrava-se dividida em diversos grupos extremistas pequenos, tais como o Occident, o Groupe Union Défense (GUD) e a Ordre Nouveau (ON).[16]

História[editar | editar código-fonte]

Anos iniciais (1972-1981)[editar | editar código-fonte]

A ON havia competido em algumas eleições locais a partir de 1970. No seu segundo congresso, em junho de 1972, o grupo decidiu estabelecer um novo partido político para concorrer nas eleições legislativas de 1973.[17] [18] O partido foi oficialmente lançado em 5 de outubro de 1972 com o nome de Frente Nacional pela União Francesa (Front National pour l'unité française).[19] Para criar um movimento amplo, a ON baseou o novo partido (assim como já havia tentado se basear) no modelo organizacional do Movimento Social Italiano (MSI) que, à época, parecia estabelecer uma ampla coligação para a direita italiana. A FN adotou uma versão da chama tricolor do MSI como seu logotipo oficial.[20] [21] [22] O partido queria unir as várias correntes da extrema-direita francesa e inicialmente juntou o grupo nacionalista de Le Pen, o Partido da União Francesa de Roger Holeindre, o movimento Justiça e Liberdade de Georges Bidault, ex-pujadistas, veteranos da Guerra da Argélia, monarquistas, entre outros.[19] [23] Le Pen foi escolhido como primeiro presidente do partido, uma vez que ele não possuía a imagem pública militante da ON e era uma figura relativamente moderada dentro do movimento de extrema-direita.[24] [25]

Formado especificamente para disputar as eleições de 1973, o partido obteve um resultado desastroso naquele pleito, conseguindo apenas 0,5% dos votos na França, sendo que Le Pen obteve meros 5% em seu distrito eleitoral em Paris.[26] A retórica utilizada durante a campanha evocava velhos temas da extrema-direita, sendo pouco atraente para o eleitorado da época.[27] Além disso, o programa oficial da FN era relativamente moderado, diferenciando-se pouco da direita gaullista consolidada no poder.[28] Le Pen buscou a "fusão total" das correntes do partido, alertando os militantes contra o ativismo bruto.[29] Os elementos mais radicais da ON não se deixaram persuadir, voltando ao ativismo duro que lhes traria o banimento mais tarde naquele mesmo ano.[30] [31] Le Pen logo se tornou o líder indiscutível do partido,[32] embora isso tenha levado à saída de muitos membros proeminentes e grande parte de sua militância.[30]

Na eleição presidencial de 1974, Le Pen não logrou êxito em achar um tema mobilizador para sua campanha.[33] Muitas de suas bandeiras, como o anticomunismo, já eram defendidas pela direita consolidada no poder.[34] Outras bandeiras da FN incluíam o aumento da taxa de natalidade, a redução da imigração (embora não de maneira tão enfática quanto nos anos seguintes), a criação de um exército profissional, a revogação dos Acordos de Évian (que garantiram a independência da Argélia e o fim da Guerra) e a criação de uma "renascença francesa e europeia".[35] Apesar de ser o único candidato nacionalista, ele não conseguiu ganhar o apoio de uma extrema-direita unida, já que os diversos grupos do segmento ou apoiaram outros candidatos ou defenderam o abstencionismo.[36] A campanha perdeu mais apoio quando a Liga Comunista Revolucionária publicou uma denúncia sobre o suposto envolvimento de Le Pen na tortura de prisioneiros políticos na Argélia.[36] Em sua primeira eleição presidencial, Le Pen obteve apenas 0,8% dos votos.[36]

Rivalidade com o PFN[editar | editar código-fonte]

Após as eleições de 1974, a FN viu o surgimento do Partido das Forças Novas (Parti des forces nouvelles - PFN), fundado por dissidentes da FN (em sua maioria da ON).[37] [38] A competição enfraqueceu ambos os partidos durante o final da década de 1970.[37] Durante a mesma época, a FN ganhou diversos grupos de novos apoiadores, incluindo François Duprat e seus "revolucionários nacionalistas", Jean-Pierre Stirbois e seus "solidaristas", a Nouvelle Droite e Bernard Anthony.[39] Após a morte de Duprat num ataque a bomba, os revolucionários nacionalistas deixaram o partido; Stirbois virou vice de Le Pen e seu grupo tirou os neofascistas da liderança do partido.[40] A extrema-direita como um todo foi marginalizada nas eleições legislativas de 1978, apesar de o PFN ter se saído melhor que a FN.[41] [42] Durante as primeiras eleições para o Parlamento Europeu, em 1979, o PFN integrou um grupo que tentou construir uma aliança continental de partidos de extrema-direita e, por fim, foi o único dos dois partidos a disputar as eleições.[43] O PFN lançou Jean-Louis Tixier-Vignancour como seu candidato principal, enquanto Le Pen pediu aos eleitores que se abstivessem.[44]

Durante a eleição presidencial de 1981, tanto Le Pen quanto Pascal Gauchon do PFN declararam que se candidatariam.[44] No entanto, uma mudança nas exigências de apoio por funcionários públicos eleitos foi adotada, o que deixou Le Pen e Gauchon incapazes de obter o apoio necessário para que pudessem concorrer.[nota 1] A eleição foi vencida por François Mitterrand do Partido Socialista (PS), levando a esquerda ao poder pela primeira vez na história da Quinta República; ele dissolveu a Assembleia Nacional e convocou novas eleições legislativas.[45] O PS atingiu seu melhor resultado nesse pleito, conquistando a maioria absoluta dos assentos.[46] Essa "tomada do poder pelos socialistas" levou a uma radicalização dos eleitores de centro-direita, anticomunistas e antissocialistas.[47] Com apenas três semanas para preparar sua campanha, a FN lançou um número limitado de candidatos e obteve apenas 0,2% dos votos.[34] O PFN se saiu ainda pior, sendo que essa eleição marcou o fim efetivo do partido enquanto força competitiva no cenário político francês.[34]

Avanço eleitoral (1982–1988)[editar | editar código-fonte]

Jean-Marie Le Pen (2001), líder da FN por quase quarenta anos.

Apesar do sistema partidário francês ter sido dominado pela polarização e competição entre duas alternativas ideologicamente claras na década de 1970, os dois grupos caminharam para o centro durante a primeira metade da década de 1980. Isso levou muitos eleitores a perceber os grupos como mais ou menos iguais, o que os levou a buscarem novas alternativas políticas.[48] Em outubro de 1982, Le Pen apoiava a possibilidade de acordos com a direita tradicional, uma vez que a FN não precisaria abrandar suas posições em temas-chave.[49] Nas eleições municipais de 1983, o direitista Reagrupamento para a República (RPR) e a centrista União pela Democracia Francesa (UDF) forjaram alianças com a FN em algumas cidades.[49] O resultado mais notável ocorreu no 20º arrondissement de Paris, onde Le Pen foi eleito para o conselho local com 11% dos votos.[49] [50] Eleições suplementares mantiveram a atenção da mídia no partido, que foi pela primeira vez considerado um elemento viável da direita.[51] [52] Na eleição suplementar de Dreux, em outubro de 1983, a FN obteve 17% dos votos.[49] Com a possibilidade de derrotar a esquerda, o RPR e a UDF locais concordaram em formar uma aliança com a FN no segundo turno, do qual saíram vitoriosos com 55% dos votos.[49] [53] Os eventos em Dreux foram um fator monumental para o crescimento da FN.[54]

Le Pen protestou contra o boicote da mídia a seu partido em cartas enviadas ao presidente Mitterrand em 1982.[51] Após algumas trocas de cartas, o presidente instruiu os diretores das principais emissoras de televisão a dar cobertura equitativa à FN.[51] Em janeiro de 1984, o partido fez sua primeira aparição numa pesquisa mensal de popularidade política, na qual 9% dos entrevistados disseram ter uma "opinião positiva" da FN.[51] No mês seguinte, Le Pen foi convidado pela primeira vez para participar de um programa de entrevistas do horário nobre; mais tarde, ele se referiu ao programa como "a hora que mudou tudo".[51] [55] A eleição europeia de junho de 1984 veio como uma surpresa para o partido, uma vez que a FN obteve 11% dos votos e dez assentos.[56] A eleição usou o sistema de representação proporcional e teve pouco destaque na mídia, fatores que agiram em favor da FN.[57] A FN fez incursões em círculos eleitorais tanto da direita quanto da esquerda e terminou em segundo lugar em uma série de cidades.[58] Enquanto vários socialistas inflaram o partido com o intuito de dividir a direita,[59] Mitterrand mais tarde admitiu ter subestimado Le Pen.[51] Em julho, 17% dos entrevistados diziam ter uma opinião favorável à FN.[60]

No início da década de 1980, a FN trazia um mosaico de tendências ideológicas, tendo atraído figuras antes resistentes ao partido.[60] O partido conseguiu apoiadores da direita estabelecida, incluindo dirigentes de primeiro escalão do RPR, da UDF e do Centro Nacional dos Independentes e Camponeses (Centre National des Indépendants et Paysans - CNI).[60] Nas eleições europeias de 1984, onze dos 81 candidatos da FN eram saídos desses partidos e sua lista também incluía um árabe e um judeu (nas últimas posições).[60] Ex-colaboradores do regime nazista também foram aceitos, já que Le Pen defendeu a necessidade de buscar a "reconciliação", argumentando que quarenta anos após a guerra a única questão importante era se "eles desejam servir a seu país".[60] A FN obteve 8,7% dos votos nas eleições cantonais de 1985 – e mais de 30% em algumas áreas.[61]

Nas eleições legislativas de 1986, a FN se beneficiou de um novo sistema de representação proporcional imposto por Mitterrand com o intuito de amenizar a previsível derrota do PS.[61] [62] No pleito, a FN obteve 9,8% dos votos e 35 assentos na Assembleia Nacional.[61] Muitos de seus assentos seriam ocupados por uma geração de operadores políticos respeitáveis, os notables, que entraram no partido após seu sucesso em 1984.[63] [64] No entanto, o RPR obteve a maioria dos assentos em coalizão com partidos menores de centro-direita, conseguindo evitar uma aliança com a FN.[61] Apesar de sua incapacidade de exercer qualquer influência política real, o partido conseguiu projetar uma imagem de legitimidade política.[64] [65] O tempo do partido na Assembleia Nacional chegou ao fim quando o primeiro-ministro eleito em 1986, Jacques Chirac, reinstaurou o sistema majoritário em dois turnos para a eleição seguinte.[66] Na eleição regional do mesmo 16 de março de 1986, a FN obteve 137 assentos, com representantes em 21 dos 22 conselhos regionais da França.[61] O RPR dependeu do apoio da FN para ganhar a presidência de alguns conselhos regionais, sendo que membros da FN obtiveram a vice-presidência em quatro regiões.[61]

Consolidação (1988-1995)[editar | editar código-fonte]

A campanha de Le Pen à presidência começou de maneira não-oficial nos meses seguintes à eleição de 1986.[67] Com o intuito de provar suas credenciais de estadista, ele realizou viagens pelo sudeste asiático, pelos Estados Unidos e pela África.[67] A coordenação da campanha, oficialmente lançada em abril de 1987, foi confiada a Bruno Mégret, um dos notables.[67] Junto com sua comitiva, Le Pen atravessou a França no período e, ajudado por Mégret, embarcou numa campanha aos moldes estadunidenses.[68] A campanha presidencial de Le Pen foi um sucesso; nenhum candidato conseguiu rivalizar com sua habilidade de animar a plateia em comícios e de aumentar a audiência das emissoras ao aparecer na televisão.[67] Utilizando um tom populista, Le Pen se apresentou aos eleitores como um representante do povo contra "a gangue dos quatro" (RPR, UDF, PS e PCF), enquanto o tema central de sua campanha era a "preferência nacional".[67] Le Pen obteve impressionantes 14,4% dos votos na eleição presidencial de 1988,[69] o dobro dos votos populares que a FN obteve nas eleições europeias de 1984.[70]

Enquanto as eleições legislativas de 1988 marcaram a volta do sistema majoritário em dois turnos, a FN também se viu prejudicada pelo tempo limitado para fazer campanha e pela saída de vários notables do partido.[65] [71] No pleito, o partido manteve os 9,8% dos votos que obteve na eleição legislativa anterior, mas viu sua representação na Assembleia Nacional ser reduzida para apenas um único assento.[71] Após algumas declarações antissemitas feitas por Le Pen e pelo jornal da FN, o National Hebdo no final da década de 1980, alguns políticos influentes deixaram o partido.[72] [73] Outras divergências acabaram por deixar o partido sem seu único deputado.[74] Em novembro de 1988, o secretário-geral da FN, Jean-Pierre Stirbois que, junto com sua esposa Marie-France, havia sido fundamental para os primeiros sucessos eleitorais do partido, morreu num acidente de carro, deixando a Bruno Mégret o posto de líder de facto da agremiação.[67] [74] A FN obteve apenas 5% dos votos nas eleições cantonais de 1988, enquanto o RPR anunciou que rejeitaria qualquer aliança com o partido, inclusive a nível local.[75] Nas eleições europeias de 1989, a FN manteve seus dez assentos, conquistando 11,7% dos votos.[76]

Frente ao sucesso eleitoral da FN, o debate sobre a imigração com preocupações crescentes sobre o fundamentalismo islâmico se intensificou, principalmente após a fatwa lançada contra o escritor Salman Rushdie pelo Aiatolá Khomeini e pelo affaire du foulard (escândalo causado pela suspensão de três alunas que se recusaram a remover seus véus na sala de aula), o primeiro grande teste na relação entre os valores da República francesa e o islã.[77] Após o incidente, as pesquisas indicavam que a opinião pública francesa era amplamente contrária ao islã.[78] Numa eleição suplementar realizada em Dreux em 1989, a candidata da FN à Assembleia Nacional, Marie-France Stirbois – fazendo campanha com uma plataforma anti-islâmica – levou o partido de volta à instituição máxima do poder legislativo francês.[79] No início da década de 1990, alguns políticos tradicionais começaram a empregar uma retórica anti-imigração.[80] No primeiro turno das eleições legislativas de 1993, a FN subiu para 12,7% dos votos, mas não conquistou um único assento na Assembleia Nacional devido à natureza do sistema eleitoral (se a eleição tivesse sido disputada através do sistema de representação proporcional, o partido teria conquistado 64 assentos).[81] [82] Na eleição presidencial de 1995, Le Pen subiu para 15% dos votos.[83]

Eleições municipais de 1995[editar | editar código-fonte]

A FN conquistou a maioria absoluta dos votos – e, portanto, a prefeitura – em três cidades nas eleições municipais de 1995: Toulon, Marignane e Orange.[84] O partido havia conquistado apenas uma prefeitura antes disso, na pequena cidade de Saint-Gilles-du-Gard em 1989.[85] Le Pen declarou, à ocasião, que se partido implementaria sua política de "preferência nacional", mesmo com o risco de provocar o governo central e as leis da República.[85] A FN colocou em prática políticas intervencionistas em relação ao complexo cultural das cidades, influenciando em eventos artísticos, na programação de cinemas e no acervo de bibliotecas, assim como cortou ou segurou o repasse de verbas para associações multiculturais.[86] O partido venceu uma eleição suplementar em Vitrolles em 1997, adquirindo o controle de uma quarta cidade, onde políticas similares foram implementadas.[87] A nova prefeita de Vitrolles, Catherine Mégret (que concorreu no lugar de seu esposo Bruno),[88] introduziu uma pensão de 5.000 francos para bebês que tivessem ao menos um pai de nacionalidade francesa (ou de algum dos países-membros da UE).[87] A medida foi considerada inconstitucional por um tribunal, que condenou a prefeita a uma sentença de prisão suspensa, ao pagamento de uma multa e a um banimento de dois anos de cargos públicos.[87]

Confusão e cisão do MNR (1997-2002)[editar | editar código-fonte]

Bruno Mégret e seu grupo deixaram a FN em 1999 para formar o MNR.

Nas eleições legislativas de 1997, a FN obteve seu melhor resultado da história, com 15,3% dos votos na França Metropolitana, confirmando sua posição como terceira força política mais importante da França.[89] [90] Também demonstrou que o partido havia se estabelecido o suficiente ao ponto de competir sem seu líder, uma vez que Le Pen decidiu não concorrer para se focar na eleição presidencial de 2002.[91] Apesar de ter ganho apenas um assento na Assembleia Nacional, a FN avançou para o segundo turno em 132 distritos eleitorais.[92] No entanto, a FN estava indiscutivelmente mais influente do que em 1986, quando conquistou 35 assentos.[93] Enquanto Bruno Mégret e Bruno Gollnisch defenderam, numa exibição incomum de dissidência, a cooperação tática com a centro-direita enfraquecida pela vitória da esquerda, Le Pen rejeitou qualquer compromisso do tipo.[94] No décimo congresso nacional da FN, em 1997, Mégret intensificou sua posição no partido de estrela em ascensão e líder em potencial.[95] Le Pen, no entanto, se recusou a indicar Mégret como seu sucessor, colocando sua esposa Jany como líder da lista da FN para as próximas eleições europeias.[96]

Mégret e seu grupo deixaram a FN em janeiro de 1999 e fundaram o Movimento Nacional Republicano (Mouvement National Républicain - MNR), efetivamente dividindo a FN pela metade na maioria dos níveis.[97] [98] Muitos dos políticos que entraram para o MNR haviam entrado na FN na metade da década de 1980, como parte do movimento conhecido como Nouvelle Droite, que tinha a visão de construir pontes para a direita parlamentar.[97] Muitos deles foram influentes em intelectualizar as políticas da FN em temas como imigração, identidade nacional e "preferência nacional" e, após a cisão, Le Pen os denunciou como "extremistas" e "racistas".[97] O apoio a ambos os partidos foi quase igual nas eleições europeias de 1999; a FN obteve sua porcentagem mais baixa desde 1984 (5,7% dos votos) e o MNR obteve 3,3%.[99] Os efeitos da cisão e a concorrência de nacionalistas mais moderados fizeram com que a votação combinada dos dois partidos fosse inferior ao resultado da FN em 1984.[100]

Eleições presidenciais de 2002[editar | editar código-fonte]

Logotipo da campanha presidencial de Le Pen em 2002.

Durante a campanha para a eleição presidencial de 2002, as pesquisas de opinião previram um segundo turno entre o presidente Chirac e o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin.[101] [102] Assim sendo, o choque foi grande quando Le Pen inesperadamente superou Jospin (por uma margem de 0,7%) no primeiro turno.[102] Isto resultou na primeira disputa presidencial desde 1969 sem um candidato de esquerda e a primeira com um candidato de extrema-direita.[103] Para a vantagem de Le Pen, a campanha eleitoral se focou cada vez mais em questões de segurança pública, já que foi grande a atenção dada pela mídia a uma série de incidentes violentos.[104] Jospin também foi enfraquecido pela concorrência que enfrentava de um número excepcional de candidatos de esquerda.[105] Chirac, porém, não precisou nem fazer campanha no segundo turno, uma vez que grandes protestos anti-Le Pen da mídia e do público culminaram com uma grande manifestação no Dia do Trabalhador, quando cerca de 1,5 milhões de franceses saíram às ruas contra o candidato da FN.[106] Chirac também se recusou a discutir suas propostas com Le Pen e o tradicional debate televisionado foi cancelado.[107] No final, Chirac venceu a disputa presidencial no segundo turno com um recorde de 82,2% dos votos – 71% dos quais, segundo os institutos de pesquisa, para "impedir Le Pen".[107] Após a performance de Le Pen na eleição de 2002, os principais partidos de centro-direita se fundiram para formar a abrangente União por um Movimento Popular (UMP).[108] Cerca de um mês depois, nas eleições legislativas de 2002, a FN não conseguiu manter o apoio obtido por Le Pen em sua campanha presidencial; o partido obteve apenas 11,3% dos votos.[109] No entanto, a FN obteve mais votos que o MNR de Mégret, que conquistou apenas 1,1% dos votos, apesar de ter inscrito o mesmo número de candidatos.[110]

Declínio (2002-2011)[editar | editar código-fonte]

Um novo sistema eleitoral, de votação em dois turnos, foi introduzido nas eleições regionais de 2004, em parte como tentativa de conter a influência da FN nos conselhos regionais.[111] A FN obteve 15,1% dos votos na França Metropolitana, quase a mesma quantidade que em 1998, mas seu número de conselheiros foi reduzido quase pela metade devido ao novo sistema eleitoral.[112] Um novo sistema, também mais desfavorável à FN, também foi introduzido nas eleições europeias de 2004.[113] Mesmo assim, o partido reconquistou parte da força que havia perdido em 1999 devido à concorrência do MNR, ganhando 9,8% dos votos e sete assentos no Parlamento Europeu.[113]

Para a eleição presidencial de 2007, Le Pen e Mégret concordaram em unir forças. Le Pen terminou a disputa em quarto lugar, com 10,4% dos votos e a FN não conquistou nenhum assento na eleição legislativa do mesmo ano. Os 4,3% de votos recebidos pelo partido representaram sua pior performance desde a eleição de 1981, sendo que apenas uma de todos seus candidatos, Marine Le Pen, conseguiu avançar para o segundo turno (em Pas-de-Calais, onde foi derrotada pelo deputado socialista). Essas derrotas eleitorais foram, em parte, devido aos problemas financeiros do partido. Le Pen anunciou a venda da sede do partido em Saint-Cloud, assim como de seu próprio carro blindado.[114] Vinte empregados permanentes da FN também foram demitidos em 2008.[115] Nas eleições regionais de 2010, a FN parece ter ressurgido no cenário político após conquistar inesperadamente quase 12% de todos os votos e 118 assentos.[116]

Marine Le Pen (2011-presente)[editar | editar código-fonte]

Jean-Marie Le Pen cercado pelos dois candidatos a sua sucessão; sua filha Marine (à esquerda) e Bruno Gollnisch (à direita).

Jean-Marie Le Pen anunciou, em setembro de 2008, que iria se aposentar do cargo de presidente da FN até 2010.[101] Sua filha, Marine Le Pen, e o vice-presidente executivo da FN, Bruno Gollnisch, fizeram campanha à presidência do partido,[101] sendo que a candidatura de Marine foi apoiada pelo pai dela.[101] Em 15 de janeiro de 2011 foi anunciado que Marine havia recebido os dois terços de votos necessários para suceder a seu pai no cargo de líder da FN.[117] [118] Ela buscou transformar a FN num partido grande através da amenização de sua imagem xenófoba.[101] [117] [118] Pesquisas de opinião mostraram que a popularidade do partido aumentou sob a liderança de Marine e, nas eleições cantonais de 2011, a FN obteve 15% dos votos, sendo que no pleito anterior havia conquistado apenas 4,5%. No entanto, devido ao sistema eleitoral francês, o partido conquistou apenas dois dos 2.026 assentos em disputa.[119]

Antes da eleição presidencial de 2012, as pesquisas de opinião mostraram Marine Le Pen como uma candidata forte, com alguns institutos até sugerindo que ela poderia ganhar o primeiro turno do pleito.[120] [121] No entanto, Marine terminou a disputa em terceiro lugar, não avançando ao segundo turno, mas conquistando 17,9% dos votos – melhor resultado da história da FN. Na eleição legislativa realizada no mês seguinte, a FN conquistou dois assentos; Gilbert Collard pelo 2° distrito eleitoral de Gard e Marion Maréchal-Le Pen pelo 3° distrito de Vaucluse.[122] [123] [124]

Em duas pesquisas recentes para a próxima eleição presidencial francesa, realizadas em abril e maio de 2013, Marine Le Pen aparecia a frente do atual presidente da República, François Hollande e atrás do ex-presidente Nicolas Sarkozy,[125] indicando que, assim como ocorreu em 2002, a esquerda pode ficar novamente de fora do segundo turno de uma eleição presidencial francesa. Em 13 de novembro de 2013, a convite de Geert Wilders, Marine Le Pen anunciou uma aliança de seu partido com o Partido para a Liberdade para as eleições parlamentares europeias de 2014.[126]

Nas eleições municipais de 2014, realizadas em 23 e 30 de março, listas apoiadas pela Frente Nacional conquistaram 7% dos votos nacionais (em 2008 havia sido apenas 0,93%) e doze prefeituras: Beaucaire, Cogolin, Fréjus, Hayange, Hénin-Beaumont, Le Luc, Le Pontet, Mantes-la-Ville, o 7° distrito de Marselha, Villers-Cotterêts, Béziers e Camaret-sur-Aigues.[127] Com a popularidade em alta, o partido conquistou quase 5 milhões de votos nas eleições para o Parlamento Europeu realizadas em 24 e 25 de maio de 2014. Na eleição anterior, em 2009, o partido havia sido o sexto mais votado, obtendo pouco mais de um milhão de votos e três dos 74 assentos aos quais a França tem direito no Parlamento Europeu. Com os resultados recentes, a Frente Nacional se tornou o partido mais votado numa eleição francesa pela primeira vez, conquistando 24 dos 74 assentos em disputa. O resultado do pleito provocou pequenas manifestações estudantis contra a FN em várias cidades da França.[128] [129]

Perfil político[editar | editar código-fonte]

A ideologia defendida pelo partido tem sido descrita por acadêmicos como autoritária, nacionalista e populista.[130] A FN mudou consideravelmente desde sua fundação, uma vez que passou a buscar os princípios da modernização e do pragmatismo, adaptando-se a um clima político em mudança constante.[131] [132] Na mesma época, sua mensagem passou a influenciar cada vez mais os partidos políticos tradicionais,[132] [133] apesar de que a FN, ela própria, moveu-se para um pouco mais perto da centro-direita.[134] Embora alguns tenham denunciado suas propostas como "fascistas", as características principais do fascismo histórico (e genérico) encontram-se ausentes do partido.[130]

Segurança pública[editar | editar código-fonte]

Em 2002, Jean-Marie Le Pen baseou sua campanha no princípio de "tolerância zero" à criminalidade, defendendo penas mais duras, aumento do número de prisões, assim como um referendo sobre a reintrodução da pena de morte.[103] Em seu programa de 2001, o partido ligou o aumento da criminalidade à imigração, definindo a imigração como uma "ameaça mortal para a paz civil na França".[105]

Imigração[editar | editar código-fonte]

Nos primeiros anos da FN, sua política de imigração era uma questão menor, embora o partido tenha feito apelos pela redução da imigração.[35] A defesa da exclusão de imigrantes não-europeus da sociedade francesa foi trazida para o partido em 1978, com a chegada de Jean-Pierre Stirbois e seu grupo "solidarista". O tema tornou-se importante de modo crescente para o partido a partir da década de 1980.[135] Em artigos recentes da imprensa popular e até acadêmica, o programa do partido tem sido geralmente reduzido à questão única da imigração.[132] O partido opõe-se à imigração, em particular de muçulmanos do Norte da África, da África Ocidental e do Oriente Médio. Em panfleto padronizado enviado para todos os eleitores franceses durante a eleição presidencial de 1995, Le Pen propunha enviar "três milhões de não-europeus" para fora da França através de "meios humanos e dignos".[136] Ao longo dos anos, em especial depois da cisão de 1999, a FN tem cultivado uma imagem mais moderada em assuntos como imigração e islã – pelo menos quando comparada às propostas do MNR de Mégret ou ao Movimento pela França de Philippe de Villiers.[137] O partido não apoia mais a repatriação sistemática de imigrantes legais, apesar de defender a deportação de imigrantes ilegais, criminosos e desempregados.[137]

Desde que assumiu a liderança do partido, em 2011, Marine Le Pen tem se focado principalmente na suposta ameaça contra o sistema de valores seculares da República francesa. Ela tem criticado os muçulmanos pela suposta intenção deles de impor seus próprios valores à França.[138] Após as revoltas nos países árabes iniciadas em 2010, Marine tem feito campanha contra a migração de tunesinos e líbios rumo à Europa.[139]

Economia[editar | editar código-fonte]

No final da década de 1970, Le Pen renovou o apelo de seu partido ao romper com a herança anticapitalista do pujadismo. Ao invés disso, ele fez um compromisso inequívoco com o capitalismo populista, defendendo um programa extremamente liberal e antiestatista pró-mercado. Propostas defendidas pelo partido incluíam impostos mais baixos, a redução da intervenção do Estado na economia e o dissolvimento da burocracia. Alguns acadêmicos defendem que o programa de 1978 da FN pode ser considerado como "Reaganita antes de Reagan".[135]

Dos anos 1980 aos 1990, a política econômica do partido deslocou-se do neoliberalismo ao protecionismo.[140] Isto deve ser analisado dentro do contexto de um ambiente internacional em plena mudança, que passava da Guerra Fria à globalização desenfreada.[93] Durante os anos 1980, Le Pen reclamava sobre o alto número de "parasitas sociais", fazendo campanha pela desregulação da economia, pelo corte de impostos e pelo fim do Estado de bem-estar social.[140] Conforme o partido conquistava o apoio dos eleitores mais pobres, passou a defender cada vez mais os programas sociais e o protecionismo econômico.[140] Isto fez parte de sua mudança de seu ex-slogan ("direita social, popular e nacional") para o novo ("nem direita nem esquerda - francês!").[141] Cada vez mais, o programa econômico do partido tornou-se uma amálgama estranho entre defesa do livre mercado e de políticas assistenciais.[93]

Sob a liderança de Marine Le Pen, a FN tem assumido um viés protecionista mais evidente, enquanto ela tem criticado a globalização e o capitalismo conforme defendido e praticado por certas indústrias. Ela tem sido caracterizada como uma defensora da atuação estatal nos campos da saúde, da educação, dos transportes, do sistema bancário e da energia elétrica.[138]

Política externa[editar | editar código-fonte]

Dos anos 1980 aos 1990, a política externa do partido mudou de pró-União Europeia para anti-UE.[140] Na campanha de 2002, Le Pen defendeu a saída da França da UE e a reintrodução do franco como moeda nacional.[103] No início dos anos 2000, o partido denunciou os acordos de Schengen, Maastricht e Amsterdã como fundações de "uma entidade supranacional selando o fim da França".[142] Em 2004, o partido criticou a UE como "o último estágio para um governo mundial", vinculando a entidade à teoria conspiratória sobre a Nova Ordem Mundial.[143] A FN também propôs a quebra de todos os acordos anteriores, desde o Tratado de Roma, apesar de ter voltado a apoiar o euro como forma de se opôr ao dólar estadunidense.[143] Além disso, o partido se opôs à adesão da Turquia à União Europeia.[143] A FN também foi um dos partidos que encabeçaram a rejeição francesa à Constituição Europeia.[nota 2] Em outras questões, Le Pen foi contra ambas as invasões do Iraque lideradas pelos Estados Unidos.[137] Le Pen visitou Saddam Hussein em Bagdá em 1990, e o considerava um amigo pessoal.[144]

Sob a liderança de Marine Le Pen, a FN continuou defendendo a saída da França da zona do euro (assim como a saída de outros países cuja economia encontra-se em retração, como a Espanha, a Grécia e Portugal).[145] Ela também defende a reintrodução de uma fronteira alfandegária e fez campanha contra a concessão de cidadania múltipla.[146] Durante a crise na Costa do Marfim de 2010–2011 e a guerra civil na Líbia em 2011 ela se opôs ao envolvimento militar da França.[138] Ela tentou melhorar a imagem do partido com relação a Israel, ao afirmar que Israel tem o direito de se defender do terrorismo e criticar o Irã.[147]

Holocausto[editar | editar código-fonte]

Em 2005, Jean-Marie Le Pen declarou à revista semanal de extrema-direita Rivarol que a ocupação alemã da França "não foi particularmente desumana, mesmo que houvessem alguns erros inevitáveis ​​em um país de 544 mil metros quadrados"; em 1987, Le-Pen se referiu às câmaras de gás nazistas como "um pequeno detalhe da história da Segunda Guerra Mundial". Ele tem repetido essa frase várias vezes desde então.[148] Em 2004, Bruno Gollnisch disse: "eu não questiono a existência de campos de concentração, mas os historiadores poderiam discutir o número de mortos. Quanto à existência de câmaras de gás, cabe aos historiadores determinarem".[149] Le Pen recebeu algumas multas por suas declarações, enquanto Gollnisch foi declarado inocente pelo tribunal de cassação.[150] [151] [152] A atual líder da FN, Marine Le Pen, se distanciou por um tempo do partido como uma forma de protesto às declarações de seu pai.[153] Ela buscou, durante a eleição presidencial de 2012, se aliar à comunidade judaica da França – a terceira maior do mundo –, numa tentativa clara de obter o voto dos judeus, assim como seu pai havia feito em 1988, quando foi visitar o Congresso Judaico Mundial.[154]

Relações internacionais[editar | editar código-fonte]

Desde 1984, a FN fez parte de diversos grupos no Parlamento Europeu. O primeiro deles foi o Grupo das Direitas Europeias, que ajudou a fundar, junto com o Movimento Social Italiano (MSI) e a União Política Nacional (EPEN) grega, e do qual era o maior partido.[155] Após a eleição de 1989, a FN se juntou aos Republicanos (REP) alemães e ao Bloco Flamengo (VB) da Bélgica no Grupo Técnico das Direitas Europeias; o MSI, partido que serviu como fonte de inspiração para a criação da FN, se recusou a forjar uma aliança com os alemães.[156] Conforme evoluía para formar a Aliança Nacional, o MSI optou por distanciar-se da FN.[157] De 1999 a 2001, a FN fez parte, ao lado do BV e de pequenos partidos italianos, do heterogêneo Grupo Técnico dos Independentes. Em 2007, fez parte do Grupo Identidade, Tradição, Soberania, de curta existência. Atualmente, a FN faz parte do grupo não afiliado dos não-inscritos.

O partido também tem sido ativo na criação de confederações extra-parlamentares. Em 1997, durante o congresso nacional da FN, o partido criou o grupo Euronat, uma rede formada por vários partidos europeus de direita. Após a FN falhar nas suas tentativas de formar um grupo sólido no Parlamente Europeu, Le Pen buscou, na metade da década de 1990, iniciar contatos com outros partidos de extrema-direita, principalmente em países não pertencentes à UE. A FN obteve o apoio de vários partidos da Europa central e oriental, e Le Pen chegou até mesmo a visitar a sede do Partido do Bem-Estar (Refah Partisi) turco. O Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) se recusou a criar laços com a FN, uma vez que Jörg Haider procurava se distanciar de Le Pen, mais tarde tentando construir um outro grupo de partidos de extrema-direita.[144] [158] Desde 2009, membros da FN fazem parte da Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus (AMNE). Em 2010, membros da FN, junto com membros de outros partidos europeus de direita, visitaram o movimento Issuikai e o Santuário Yasukuni no Japão.[159]

Numa conferência em 2011, os dois novos líderes da FN e do FPÖ anunciaram laços de cooperação entre os dois partidos.[160] Em oposição a alguns membros da AMNE, Marine Le Pen ingressou na Aliança Europeia para a Liberdade (AEL), uma plataforma soberanista pan-europeia fundada no final de 2010 e reconhecido pelo Parlamento Europeu, em outubro de 2011.[161] A AEL possui membros como Heinz-Christian Strache do FPÖ, Nigel Farage do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), além de membros dos Democratas Suecos e do Vlaams Belang, dentre outros partidos nacionalistas de direita.

A FN tem contato com alguns membros do Partido Republicano dos Estados Unidos. Durante sua visita aos EUA, em 2011, Marine Le Pen se encontrou com dois deputados estadunidenses: Joe Walsh, representante do estado de Illinois conhecido por sua forte retórica anti-islâmica, e o então pré-candidato a presidência Ron Paul, a quem Le Pen elogiou por defender o padrão-ouro.[162]

Liderança[editar | editar código-fonte]

Líderes do partido[editar | editar código-fonte]

Secretários-gerais[editar | editar código-fonte]

Resultados eleitorais[editar | editar código-fonte]

A Frente Nacional foi uma força marginal de 1973, a primeira eleição que disputou, até a eleição para o parlamento europeu de 1894, quando obteve 11% dos votos e dez assentos. A partir desta eleição, o apoio ao partido variou entre 10% e 15% do eleitorado francês, apesar de ter presenciado uma queda nesse apoio em algumas eleições no final da década de 2000. No pleito de 2002, o partido atingiu seu ápice eleitoral quando Jean-Marie Le Pen conseguiu disputar o segundo turno contra Jacques Chirac, que foi eleito presidente com um recorde de 82% dos votos (64% a mais que Le Pen). Após um período de estagnação, a FN parece estar experimentando um novo crescimento em sua popularidade sob a liderança de Marine Le Pen. Em 2010, o partido obteve 18% dos votos na eleição presidencial, um novo ápice para a FN em disputas presidenciais. Na eleição para o parlamento europeu de 2014, o partido conseguiu se tornar o mais votado da França pela primeira vez na história, obtendo 4,7 milhões de votos (25% do total) e 24 assentos no Parlamento Europeu.

Assembleia Nacional[editar | editar código-fonte]

Assembleia Nacional Francesa
Ano N° de votos no 1° turno  % de votos no 1° turno N° de votos no 2° turno  % de votos no 2° turno N° de assentos
1973[163] 108.616 0,5% 0
1978[163] 82.743 0,3% 0
1981[163] 44.414 0,2% 0
1986[163] 2.699.307 9,8% 35
1988[163] 2.353.466 9,8% 1
1993[164] 3.155.702 12,7% 1.168.143 5,8% 0
1997[164] 3.791.063 14,9% 1.435.186 5,7% 1
2002[164] 2.873.390 11,1% 393.205 1,9% 0
2007[164] 1.116.136 4,3% 17.107 0,1% 0
2012[164] 3.528.373 13,6% 842.684 3,66% 2

Presidência da República[editar | editar código-fonte]

Presidente da França
Ano Candidato N° de votos no 1° turno  % de votos no 1° turno N° de votos no 2° turno  % de votos no 2° turno
1974[163] Jean-Marie Le Pen 190.921 0,8%
1981
1988[163] Jean-Marie Le Pen 4.376.742 14,4%
1995[163] Jean-Marie Le Pen 4.570.838 15,0%
2002[163] Jean-Marie Le Pen 4.804.713 16,9% 5.525.032 17,8%
2007[164] Jean-Marie Le Pen 3.834.530 10,4%
2012 Marine Le Pen 6.421.426 17,9%

Conselhos regionais[editar | editar código-fonte]

Conselhos regionais da França
Ano N° de votos no 1° turno  % de votos no 1° turno N° de votos no 2° turno  % de votos no 2° turno N° de assentos
1986[163] 2.654.390 9,7% 137
1992[163] 3.396.141 13,9% 239
1998[163] 3.270.118 15,3% 275
2004[165] 3.564.064 14,7% 3.200.194 12,4% 156
2010[166] 2.223.800 11,4% 1.943.307 9,2% 118

Parlamento Europeu[editar | editar código-fonte]

Parlamento Europeu
Ano N° de votos  % de votos N° de assentos
1984[163] 2.210.334 11,0% 10
1989[163] 2.129.668 11,7% 10
1994[163] 2.050.086 10,5% 11
1999[163] 1.005.113 5,7% 5
2004[163] 1.684.792 9,8% 7
2009[164] 1.091.691 6,3% 3
2014 4.711.339 24,85% 24

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Na França, os partidos são obrigados a assegurar o apoio de um número específico de funcionários públicos eleitos de um número específico de departamentos para que possam concorrer nas eleições. Em 1976, o número de funcionários aumentou cinco vezes e, o de departamentos, dez vezes.[44]
  2. Em 2005, a proposta foi submetida a referendo e perdeu por uma margem de 9,34% dos votos.

Referências

  1. "Record Washhington Post", 24 May 2014. (em English)
  2. Record Le Point (20 de janeiro de 2012).
  3. RFI: Em Bruxelas, líderes europeus analisam onda populista (27 de maio de 2014). Visitado em 31 de maio de 2014.
  4. Shields, 2007, p. 229.
  5. Shields, 2007, pp. 247, 264, 297 e 301.
  6. DeClair, 1999, pp. 6 e 104.
  7. DeClair, 1999, pp. 46, 56 e 71.
  8. Hauss, Charles. Comparative Politics: Domestic Responses to Global Challenges. [S.l.]: Cengage Learning, 2010. p. 116. ISBN 978-0-495-83321-5.
  9. Davies, Peter. The National Front in France: Ideology, Discourse and Power. [S.l.]: Routledge, 2002. p. 34–35. ISBN 978-0-203-00682-5.
  10. Zúquete, José Pedro. Missionary politics in contemporary Europe. [S.l.]: Syracuse University Press, 2007. p. 35. ISBN 978-0-8156-3149-1.
  11. DeClair, 1999, pp. 13–17.
  12. Day, Alan John. Political parties of the world. [S.l.]: University of Michigan, 2002. p. 193. ISBN 978-0-9536278-7-5.
  13. DeClair, 1999, pp. 20–21, 31.
  14. DeClair, 1999, pp. 21–24.
  15. DeClair, 1999, pp. 25–27.
  16. DeClair, 1999, pp. 27–31.
  17. Shields, 2007, pp. 163–164.
  18. DeClair, 1999, pp. 36–37.
  19. a b Shields, 2007, p. 169.
  20. Shields, 2007, pp. 159, 169.
  21. DeClair, 1999, pp. 31, 36–37.
  22. Kitschelt; McGann, 1997, p. 94.
  23. DeClair, 1999, p. 13.
  24. DeClair, 1999, pp. 38–39.
  25. Shields, 2007, p. 170.
  26. Shields, 2007, p. 171.
  27. DeClair, 1999, p. 39.
  28. Shields, 2007, pp. 173–174.
  29. Shields, 2007, pp. 174–175.
  30. a b Shields, 2007, p. 175.
  31. DeClair, 1999, pp. 39–40.
  32. DeClair, 1999, p. 40.
  33. Shields, 2007, pp. 176–177.
  34. a b c Shields, 2007, p. 183.
  35. a b Shields, 2007, pp. 177, 185.
  36. a b c Shields, 2007, p. 177.
  37. a b DeClair, 1999, p. 41.
  38. Shields, 2007, pp. 178–179.
  39. Shields, 2007, pp. 180–184.
  40. Shields, 2007, pp. 181, 184.
  41. Shields, 2007, pp. 179–180, 185–187.
  42. DeClair, 1999, p. 43.
  43. Shields, 2007, pp. 181–182.
  44. a b c Shields, 2007, p. 182.
  45. Shields, 2007, pp. 182, 198.
  46. Shields, 2007, pp. 182–183.
  47. White, John Kenneth. Political parties and the collapse of the old orders. [S.l.]: SUNY, 1998. p. 38. ISBN 978-0-7914-4067-4.
  48. Kitschelt; McGann, 1997, pp. 95–98.
  49. a b c d e Shields, 2007, p. 195.
  50. DeClair, 1999, p. 60.
  51. a b c d e f Shields, 2007, p. 196.
  52. DeClair, 1999, p. 61.
  53. DeClair, 1999, pp. 60–61.
  54. Kitschelt; McGann, 1997, p. 100.
  55. DeClair, 1999, p. 76.
  56. DeClair, 1999, p. 62.
  57. DeClair, 1999, p. 63.
  58. Shields, 2007, p. 194.
  59. Shields, 2007, p. 230.
  60. a b c d e Shields, 2007, p. 197.
  61. a b c d e f Shields, 2007, p. 209.
  62. DeClair, 1999, pp. 66–67.
  63. DeClair, 1999, pp. 64–66.
  64. a b Shields, 2007, p. 216.
  65. a b DeClair, 1999, p. 80.
  66. Shields, 2007, p. 217.
  67. a b c d e f Shields, 2007, p. 219.
  68. DeClair, 1999, p. 68.
  69. Shields, 2007, p. 224.
  70. DeClair, 1999, p. 70.
  71. a b Shields, 2007, p. 227.
  72. Shields, 2007, pp. 223–224, 233.
  73. DeClair, 1999, pp. 89–90.
  74. a b DeClair, 1999, p. 90.
  75. Shields, 2007, p. 233.
  76. Shields, 2007, p. 234.
  77. Shields, 2007, pp. 235–237.
  78. Shields, 2007, p. 237.
  79. Shields, 2007, pp. 236–237.
  80. DeClair, 1999, p. 93.
  81. Shields, 2007, pp. 247–249.
  82. DeClair, 1999, pp. 94–95.
  83. Shields, 2007, p. 252.
  84. Shields, 2007, pp. 260–261.
  85. a b Shields, 2007, p. 261.
  86. Shields, 2007, pp. 262–263.
  87. a b c Shields, 2007, p. 263.
  88. DeClair, 1999, p. 101.
  89. Shields, 2007, p. 264.
  90. DeClair, 1999, p. 104.
  91. DeClair, 1999, p. 103.
  92. Shields, 2007, pp. 264–265.
  93. a b c Shields, 2007, p. 275.
  94. Shields, 2007, p. 276.
  95. Shields, 2007, pp. 271–272.
  96. Shields, 2007, pp. 277–279.
  97. a b c Shields, 2007, p. 279.
  98. Iain, McLean; Alistair, McMillan. The concise Oxford dictionary of politics - National Front (France). [S.l.]: Oxford University, 2009. ISBN 978-0-19-920516-5.
  99. Shields, 2007, p. 280.
  100. Shields, 2007, pp. 280–281.
  101. a b c d e French far-right leader Jean-Marie Le Pen sets retirement date The Telegraph (11 de setembro de 2008). Visitado em 2 de junho de 2013.
  102. a b Shields, 2007, p. 281.
  103. a b c Shields, 2007, p. 282.
  104. Shields, 2007, p. 283.
  105. a b Shields, 2007, p. 284.
  106. Shields, 2007, pp. 288–289.
  107. a b Shields, 2007, p. 289.
  108. Shields, 2007, p. 291.
  109. Shields, 2007, pp. 291–293.
  110. Shields, 2007, pp. 292–293.
  111. Shields, 2007, p. 297.
  112. Shields, 2007, p. 298.
  113. a b Shields, 2007, p. 300.
  114. Après le "Paquebot", Le Pen vend sa 605 blindée sur eBay Rue 89 (29 de abril de 2008). Visitado em 2 de junho de 2013.
  115. La Peugeot de Le Pen à nouveau mise en vente sur ebay 20 minutes (30 de abril de 2008). Visitado em 2 de junho de 2013.
  116. Far-Right National Front performs well in French regional elections The Telegraph (15 de março de 2010). Visitado em 2 de junho de 2013.
  117. a b Marine Le Pen 'chosen to lead Frances National Front' BBC News (15 de janeiro de 2011). Visitado em 2 de junho de 2013.
  118. a b France's National Front picks Marine Le Pen as new head BBC News (16 de janeiro de 2011). Visitado em 2 de junho de 2013.
  119. Résultats des élections Cantonales 2011 Ministério do Interior (26 de maio de 2011). Visitado em 2 de junho de 2013.
  120. Far-right's Marine Le Pen leads in shock new poll France 24 (7 de março de 2011). Visitado em 2 de junho de 2013.
  121. New poll shows far right could squeeze out Sarkozy France 24 (23 de abril de 2011). Visitado em 2 de junho de 2013.
  122. Marion Le Pen becomes youngest French MP in modern history The Daily Telegraph (17 de junho de 2012). Visitado em 2 de junho de 2013.
  123. Eleições legislativas na França em 2012: 2° distrito de Gard Ministério do Interior. Visitado em 2 de junho de 2013.
  124. Anti-Euro Le Pen Party Wins First Parliament Seats in 15 Years Bloomberg Businessweek (17 de junho de 2012). Visitado em 2 de junho de 2013.
  125. "Un an après la présidentielle, Marine Le Pen devancerait François Hollande". Le Nouvel Observateur (3 de maio de 2013). Página visitada em 2 de junho de 2013.
  126. http://expresso.sapo.pt/extrema-direita-francesa-e-holandesa-anunciam-alianca-historica=f840975
  127. Bay, Nicolas. "Élections municipales 2014 : le Front National gagne 12 villes, fait élire 1546 conseillers municipaux et 459 élus dans les intercommunalités !". Front national. 31 de março de 2014. Página acessada em 3 de junho de 2014.
  128. "French students in anti-National Front rallies". BBC. 29 de maio de 2014. Página acessada em 3 de junho de 2014.
  129. Kissane, Karen. "French media in hot seat over 'helping' far right to victory". France 24. 31 de maio de 20140. Página acessada em 3 de junho de 2014.
  130. a b Shields, 2007, p. 310.
  131. Shields, 2007, p. 309.
  132. a b c DeClair, 1999, p. 115.
  133. Shields, 2007, p. 312.
  134. Shields, 2007, p. 313.
  135. a b Kitschelt; McGann, 1997, p. 95.
  136. Issues in the French presidential elections Independent Race and Refugee News Network (1 de junho de 1995). Visitado em 4 de junho de 2013. Cópia arquivada em 8 de fevereiro de 2012.
  137. a b c Shields, 2007, p. 315.
  138. a b c Marine Le Pen, France’s (Kinder, Gentler) Extremist The New York Times (29 de abril de 2011). Visitado em 3 de junho de 2013.
  139. Marine Le Pen planning Italy trip to condemn North African refugees The Telegraph (8 de março de 2011). Visitado em 3 de junho de 2013.
  140. a b c d Shields, 2007, p. 272.
  141. Shields, 2007, p. 274.
  142. Shields, 2007, pp. 282–283.
  143. a b c Shields, 2007, p. 299.
  144. a b A consistent opponent of immigration: Le Pen based appeal on fears about crime The New York Times (23 de abril de 2002). Visitado em 4 de junho de 2013.
  145. France's Le Pen wants France, Greece, Spain to ditch euro Reuters (20 de março de 2011). Visitado em 3 de junho de 2013.
  146. Madame Rage Der Spiegel (7 de julho de 2011). Visitado em 3 de junho de 2013.
  147. French far-right leader Marine Le Pen affirms support of Israel Haaretz (31 de março de 2011). Visitado em 3 de junho de 2013.
  148. Le Pen repeats slur that Nazi gas chambers were a 'detail' France 24 (27 de março de 2009). Visitado em 3 de junho de 2013.
  149. Shields, 2007, p. 308.
  150. Jean-Marie Le Pen renvoyé devant la justice pour ses propos sur l'Occupation Le Monde (13 de julho de 2006). Visitado em 3 de junho de 2013.
  151. Bruno Gollnisch condamné pour ses propos sur l'Holocauste L'Express (18 de janeiro de 2007). Visitado em 4 de junho de 2013. Cópia arquivada em 3 de fevereiro de 2008.
  152. Bruno Gollnisch blanchi par la Cour de cassation Le Nouvel Observateur (24 de junho de 2009). Visitado em 3 de junho de 2013.
  153. Shields, 2007, p. 317.
  154. The National Front and the quest for the Jewish vote France 24 (14 de dezembro de 2011). Visitado em 3 de junho de 2013.
  155. Shields, 2007, p. 198.
  156. DeClair, 1999, p. 193.
  157. DeClair, 1999, p. 194.
  158. Mareš, Miroslav. Transnational Networks of Extreme Right Parties in East Central Europe: Stimuli and Limits of Cross-Border Cooperation. Brno: Masaryk University, 006. 11–13, 24 pp.
  159. Japanese and European far right gathers in Tokyo France 24 (14 de agosto de 2010). Visitado em 4 de junho de 2013.
  160. Austrian far-right in fresh push for EU respectability EUobserver (9 de junho de 2011). Visitado em 4 de junho de 2013.
  161. Marine Le Pen en Autriche Front National. Visitado em 4 de junho de 2013.
  162. Marine Le Pen's awkward day on Capitol Hill Foreign Policy (3 de novembro de 2011). Visitado em 4 de junho de 2013.
  163. a b c d e f g h i j k l m n o p q Shields, 2007, p. 319.
  164. a b c d e f g France: Elections 1990−2010 European Election Database. Visitado em 31 de maio de 2013.
  165. Résultat des élections Régionales 2004 Ministério do Interior. Visitado em 6 de setembro de 2011.
  166. Résultat des élections Régionales 2010 Ministério do Interior. Visitado em 6 de setembro de 2011.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]