Friedrich Spee

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Friedrich Spee
Cautio Criminalis em edição de 1631

Friedrich Spee[1] (Kaiserswerth, Düsseldorf, 25 de fevereiro de 1591Trier, 7 de agosto de 1635) foi um jesuíta e poeta alemão conhecido pela crítica ao processo inquisitório adotado nos julgamentos de bruxaria. À sua época Spee foi a primeira pessoa a levantar voz e argumentar contra a tortura. Pode-se considerá-lo o primeiro a demonstrar por bons argumentos que a tortura não é um meio de obter a "verdade" de alguém submetido a um interrogatório penoso.

Spee nasceu em Kaiserswerth, na cidade de Düsseldorf. Completou sua educação básica em Colônia, ingressou na Companhia de Jesus em 1610 e deu sequência aos seus estudos e à docência nas cidades de Trier, Fulda, Würzburg, Speyer, Worms e Mogúncia. Foi ordenado padre em 1622 e tornou-se professor da Universidade de Paderborn em 1624; desde 1626 lecionou em Speyer, Wesel, Trier e Colônia e foi pregador em Paderborn, Colônia e Hildesheim.

Spee ouviu as confissões das pessoas acusadas de bruxaria na cidade alemã de Wurtzburgo e em 1631 publicou o livro Cautio criminalis, em que desconstrói os procedimentos de julgamento. Morreu vítima de uma infecção contraída num hospital.

Argumentos[editar | editar código-fonte]

Cautio Criminalis traz 52 questões que Spee tenta responder. Eis alguns trechos de seu livro[2] :

  • 1 - Inacreditavelmente, entre nós, alemães, e especialmente (tenho vergonha de dizer) entre os católicos, existem superstições populares, inveja, calúnias, difamações, insinuações e coisas do gênero, que, sem ser punidas nem refutadas, provocam suspeitas de bruxaria. Já não é Deus, nem a natureza, mas são as bruxas as responsáveis por tudo.
  • 2 - Por isso, ergue-se um clamor da população para que os magistrados investiguem as bruxas - a quem só os mexericos populares tornaram tão numerosas.
  • 10 - No entanto, para evitar a impressão de que ela é indiciada unicamente com base em rumores, sem outras provas, obtém-se certa presunção de culpa propondo-se o seguinte dilema: ou ela levou uma vida imprópria e má, ou ela levou uma vida apropriada e boa. Se foi uma vida má, deve ser culpada. Por outro lado, se levou uma vida boa, isso é igualmente condenador; pois bruxas disfarçam e tentam parecer especialmente virtuosas.
  • 11 - Assim, a velha é encarcerada na prisão. Encontra-se uma nova prova por meio de um segundo dilema: ela tem medo ou não. Se está com medo (ouvindo falar das torturas horríveis empregadas contras as bruxas), isso é uma prova segura, pois a sua consciência a acusa. Se não demonstra medo (confiando na sua inocência), isso também é uma prova, pois as bruxas caracteristicamente fingem inocência e são descaradas.
  • 15 - Nesses julgamentos, ninguém tem permissão para ter advogado ou outro meio de defesa justa (...)
  • 26 - Se, durante a tortura, a velha contorce as feições de dor, dizem que ela está rindo; se desmaia, é que está dormindo ou enfeitiçou a si própria, tornando-se taciturna (...)
  • 28 - Entretanto, se ela morre de tanta tortura, eles dizem que o diabo quebrou seu pescoço.

Notas e referências

  1. Embora seja comum, é incorreta a grafia "von Spee".
  2. SPEE, Friedrich. Cautio criminalis. In: SAGAN, Carl. O Mundo Assombrado pelos Demônios. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. pp. 456-461

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • DURRANT, Jonathan B. Witchcraft, gender, and society in early modern Germany. BRILL, 2007. ISBN 9004160930
  • BARRY, Jonathan; HESTER, Marianne; ROBERTS, Gareth. Witchcraft in early modern Europe: studies in culture and belief. Cambridge University Press, 1998. ISBN 0521638755
  • WHITE, Andrew Dickson. History of the Warfare of Science with Theology in Christendom. BiblioBazaar, LLC, 2007. Volume 2. ISBN 1426497903

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Friedrich Spee
Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.