Fritz Müller

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Fritz Müller no Brasil

Bianca (Erfurt, 31 de março de 1822Blumenau, 21 de maio de 1897), foi um naturalista, botânico e professor de matemática e ciências naturais. Foi pioneiro no apoio factual à teoria da evolução apresentada por Charles Darwin.

Seu pai foi o pastor protestante Johannes Friedrich Müller, e seu avô materno o químico J. Bartholomaeus Trommsdorff.

Fritz Müller foi aprendiz de boticário de seus treze anos até o fim do colegial. Em 1840 vai para Naumburg trabalhar numa botica. Em 1841 estuda matemática e história natural na Universidade de Berlin, formando-se no final de 1844 em filosofia. Em 1845 volta a Erfurt como professor ginasial, ensinando álgebra e história natural. Em 1845, Fritz Müller inicia o estudo de medicina em Greifswald, não se formando devido ao seu ateísmo, que o levou a não querer jurar a Deus, pedindo para fazer o juramento judaico, que lhe foi negado.

Ele foi filiado por carta a “Comunidade Livre” formada e comandada por Gustav Adolf Wislicenus (1803-1875) em Halle. Grupo que era contra a tutela espiritual feita pela Igreja Protestante, e a sua vinculação ao Estado Absolutista. Neste grupo houve a filiação dos chamados iluministas luteranos, católicos e descontentes com o Estado Absolutista. Era também membro de um clube democrático, que sofreu perseguições governamentais, assim como as “comunidades livres”.

Provavelmente, para fugir das perseguições governamentais devido a frustrada Revolução de 1848, Fritz Müller se muda para Pomerânia Ocidental, para trabalhar de 1849 a 1852 como professor particular. Em 1852, imigra para o Brasil, juntamente com uma leva de descontentes com a Revolução de 1848.

Em 1852, Fritz Müller e sua família se estabelecem na Colônia Blumenau. Em 1855, Hermann Blumenau entra em contato com o Presidente da Província João José Coutinho, para recomendar Fritz Müller e o seu irmão Herman Müller para assumirem como professores do novo colégio que o Presidente de Província desejava fundar. O motivo da recomendação era o temor que Hermann Blumenau tinha da influência nos colonos da irreligiosidade dos irmãos.

Em 2005 o escritor Dennis Radünz organizou os poemas escritos por Fritz Muller no volume intitulado "História natural dos sonhos".

Fritz Müller professor[editar | editar código-fonte]

Entre 1849-1864, Fritz Müller assumiu a cadeira de matemática no Colégio Liceo (1857-1864), ministrando, também, aulas de ciências naturais (Zoologia, Botânica e Química) por um curto período de tempo. Em 1859, o Presidente da Província João José Coutinho destinou a quantia de 500$000 réis para o professor Fritz Müller adquirir na Europa utensílios e equipamentos para instalar um pequeno laboratório de Física e Química, para que as Ciências Naturais fossem ensinadas de forma prática e moderna. Além desse laboratório, o Liceu também passou a ter um jardim botânico, administrado pelo naturalista Fritz Müller. Em 1860, ocorre a mudança de João José Coutinho, por Araújo Brusque. Este fecha o laboratório e vende os instrumentos.O fechamento do laboratório foi parte do combate ao Colégio Liceo realizada em sua maioria por comerciantes e políticos locais, que temiam o fato de haver luteranos((Ricardo Becker, Carlos Parucher, Bukart e Fritz Müller)) ministrando aulas, em um colégio laico subsidiado pelo governo da Província de Santa Catarina.

O colégio foi oficialmente fechado em 1864, entretanto Fritz Müller, Amphiloquio Nunes e João José das Rosas Ribeiro de Almeida continuaram ministrando aulas em uma sala alugada pelo governo da província até o ano de 1867. Neste ano,os professores foram despedidos oficialmente, entrementes tentaram reaver seus cargos, buscando reverter judicialmente a decisão de substituição do Colégio Lyceo pelo Colégio Santíssimo Salvador(1865-1869), mantido por jesuítas italianos. E, reivindicando o cargo de professor vitalício que tinham direito por terem realizado concurso público e estarem há mais de quatro anos ministrando aulas. No processo fica decidido que o professor Fritz Müller seria alocado no cargo de Naturalista da Província, em detrimento do cargo de professor vitalício.

O reconhecimento[editar | editar código-fonte]

Fritz Müller trocou cartas com diversos cientistas de todo o mundo. Foi reconhecido mundialmente pela publicação “Für Darwin” (Para Darwin - ano 1864), cinco anos após Charles Darwin publicar “A origem das espécies”. No livro, Fritz Müller apresenta argumentos que corroboram a teoria evolucionista, através de um estudo empírico sobre crustáceos na Ilha de Santa Catarina. Foi o primeiro cientista a apresentar modelos matemáticos para elucidar a seleção natural e fornecer provas contundentes da mesma. Foi chamado por Darwin de “o príncipe dos observadores”, sendo citado mais de dezessete vezes nas edições posteriores do “origin”. Darwin enviou aproximadamente trinta e nove cartas a Fritz Müller. Fritz Müller possivelmente trinta e quatro. Fritz Müller publicou na Europa mais de duzentos e quarenta e oito artigos científicos, levando a flora e fauna catarinense ao conhecimento dos europeus.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CASTRO, Moacir Werneck de. O sábio e a floresta: a extraordinária aventura do alemão Fritz Müller no tropico brasileiro. 1a Ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1992, 139 pp. 2a Ed. Campina Grande: EDUEP, 2007, 151 pp.
  • DIAS, Thiago Cancelier. Questão Religiosa Catarinense: as disputas pelo direito de instruir (1843-1864). (Dissertação de mestrado)Florianópolis: UFSC, 2008.
  • DIAS, Thiago Cancelier, DALLABRIDA, Norberto. O Liceu da Província de Santa Catarina no Jogo do Poder (1857-1864). Revista Atos de Pesquisa em Educação (FURB),Vol. 4, No 1 (2009).(http://proxy.furb.br/ojs/index.php/atosdepesquisa/article/view/1445/1001)
  • MÜLLER, Fritz. História natural dos sonhos. Blumenau: Nauemblu, 2005.
  • WEST, David A. Fritz Müller: A naturalist in Brazil. Blacksburg: Pocahontas Press, 2003, 376 pp.
  • Dr. Fritz Müller-Desterro: dois necrológios. Blumenau: METIS, 1979.
  • PAULI, Evaldo. Sentido catarinense e brasileiro de Fritz Müller. Blumenau: Fundação “Casa Dr. Blumenau” publ. Nº 2, 1973.
  • ROQUETE-PINTO, Edgard & allii. Fritz Müller: reflexões biográficas. Blumenau: Cultura em Movimento, 2000, 167 pp.
  • SCHMIDT-LOSKE, Katharina et al.(ed.): Fritz und Hermann Müller: Naturforschung Für Darwin, Pesquisando a Natureza Para Darwin; Natural Science For Darwin. Basilisken-Presse, Rangsdorf 2013, 384 p., ISBN 978-3-941365-35-3
  • SILVA, José Ferreira da. Entre a enxada e o microscópio: o colono Fritz Müller. Blumenau: [s.n.], 1971.
  • SILVA, José Ferreira da. Fritz Müller; bio-bibliographia de um grande scientista. Rio de Janeiro: Alba, 1931.
  • ZILLIG, Cezar. Dear Mr. Darwin: a intimidade da correspondência entre Fritz Müller e Charles Darwin. Blumenau: 43 Grafica e Editora, 1997, 241 pp.
  • ZILLIG, Cezar. Fritz Müller, meu irmão. Blumenau: Editora Cultura em Movimento, 2004. 247 pp.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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