Fritz Walter

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Fritz Walter
Fritz Walter
Fritz Walter em 1956
Informações pessoais
Nome completo Ottmar Walter
Data de nasc. 31 de outubro de 1920
Local de nasc. Kaiserslautern, Alemanha
Falecido em 17 de junho de 2002 (81 anos)
Local da morte Enkenbach-Alsenborn, Alemanha
Informações profissionais
Posição Atacante
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos/gols)
1937–1959 Kaiserslautern 0364 0(357)
Seleção nacional
1940–1943
1951–1958
Alemanha
Alemanha Ocidental
024 000(7)
037 000(14)

Friedrich "Fritz" Walter (Kaiserslautern, 31 de utubro de 1920 — Enkenbach-Alsenborn, 17 de junho de 2002) foi um futebolista alemão.

Esguio e com 1,73 m de altura,[1] foi o maior jogador alemão da primeira metade do século XX e cérebro[1] da Seleção Alemã-Ocidental que conquistou a Copa do Mundo de 1954, o primeiro título dos germânicos no futebol.

Kaiserslautern[editar | editar código-fonte]

Fritz começou a carreira em 1937, no time de sua cidade natal, o Kaiserslautern, o único clube que defenderia na vida. O desempenho e a liderança o levaram à Seleção Alemã em 1940, com apenas vinte anos.[1] A Segunda Guerra Mundial, todavia, interrompeu a sua carreira. Walter teve de alistar-se na brigada dos para-quedistas do Reich, realizando missões por toda a Europa.[1]

Ao fim do conflito, declarando que jamais voltaria a entrar num avião,[1] retomou a carreira em seu dividido país. As conquistas viriam quando Fritz já tinha mais de trinta anos: em 1951, o Kaiserslautern conseguiu ganhar pela primeira vez o campeonato alemão-ocidental, e novo título veio em 1953.

Walter aposentou-se em 1959. Os dois troféus da década de 50 seriam os únicos do time no campeonato alemão em noventa anos de história. Posteriormente, o time batizou seu estádio de Fritz Walter Stadion, em justa homenagem ao seu mais notável jogador.

Seleção[editar | editar código-fonte]

Pela Alemanha, fez sua estreia em 1940, participando de alguns jogos em plena Segunda Guerra Mundial. Com o fim do conflito, o futebol foi apenas um entre os vários "setores" a serem reconstruídos na Alemanha dividida. Com isso, a Copa do Mundo de 1950 realizou-se sem que nenhum dos países oriundos (Alemanha Ocidental, Alemanha Oriental, Áustria e Sarre) participasse, nem sequer havendo a participação deles nas Eliminatórias - a filiação da Alemanha Ocidental à FIFA veio ainda em 1950, já após a Copa.[1]

Atuando agora pela seleção da Alemanha Ocidental, Walter conseguiu disputar a Copa do Mundo de 1954, após o país passar nas Eliminatórias por Noruega e Sarre. Mesmo aos 34 anos, seria o grande líder da Mannschaft. Na primeira fase, marcou um gol no play-off contra a Turquia, um massacre de 7 x 2. Nas semifinais, contra a Áustria, o meia Fritz, jogou em posição mais avançada, seguindo orientação do técnico Sepp Herberger. A alteração, que visava pressionar a boa defesa adversária,[2] surtiu efeito: no duelo germânico, os alemães impuseram um sonoro 6 x 1, com alegria em família: no jogo, Fritz marcou duas vezes, assim como seu irmão mais novo, Ottmar Walter. Ambos já haviam marcado juntos no play-off contra os turcos.

A final seria contra a amplamente favorita Hungria, contra quem os alemães já haviam jogado na primeira fase - e perdido por 8 x 3. Naquela ocasião, Fritz foi um dos poucos titulares usados por Herberger, que preferira usar reservas em uma partida que sabia que provavelmente perderia, a fim de que os titulares estivessem aptos para o play-off contra a Seleção Turca.[3] Walter, na final, jogou mais recuado do que o normal, para reforçar a defesa germânica.[4]

Na decisão, a Alemanha Ocidental utilizou contra os magiares os titulares, cinco deles pertencentes ao Kaiserslautern: Fritz, o irmão Ottmar e os defensores Werner Kohlmeyer, Horst Eckel e Werner Liebrich. Com atuação soberba, os alemães conseguiram uma vitória histórica de virada, por 3 x 2. O elenco foi favorecido também pelas circustâncias do clima: choveu muito no dia do jogo, tornando o campo lamaçento e os húngaros, mais lentos, enquanto a Seleção Alemã-Ocidental pôde contar com chuteiras Adidas de travas especialmente para a situação.[5] A chuva agradou especialmente a Walter, que não jogava tão bem no calor por ter contraído malária anos antes.[5]

Ao final da partida, ele, como capitão, tornou-se o primeiro alemão a receber a taça. Aos 38 anos, Fritz disputou ainda a Copa do Mundo de 1958, onde os detentores do título ficaram na quarta colocação, após perderem para a anfitriã Suécia nas semifinais. A derrota deveu-se em parte à violenta lesão que sofreu de Sigge Parling aos 30 minutos do segundo tempo, com o jogo ainda em 1 x 1.[6] Walter teve de continuar os quinze minutos finais em campo apenas para fazer número, uma vez que não eram permitidas substituições, e nesse tempo os nórdicos conseguiram marcar mais duas vezes e eliminar os alemães.[6] A lesão lhe impediu de atuar na partida pelo terceiro lugar, em que a Alemanha Ocidental perdeu por 6 x 3 para a rival França.[7]

Mesmo tendo se aposentado do futebol em 1959, sofreu forte pressão para que voltasse apenas para disputar, aos 42 anos, a Copa do Mundo de 1962, uma vez que a seleção não conseguira líder à altura dele,[8] mas ele declinou. O simbolismo da conquista de 1954, levantando um pouco a autoestima de um país desolado e isolado,[1] fez com que ele fosse eleito o melhor jogador alemão nos cinquenta anos da UEFA, nos prêmios do jubileu da entidade, superando notáveis concorrentes como Franz Beckenbauer, Uwe Seeler, Gerd Müller, Karl-Heinz Rummenigge, Lothar Matthäus e Jürgen Klinsmann, dentre outros. Walter é também o décimo maior artilheiro da Seleção Alemã, com 33 gols.[9]

Referências

  1. a b c d e f g "O primeiro Kaiser", Especial Placar - Os Craques do Século, novembro de 1999, Editora Abril, pág. 45
  2. "A grande surpresa", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 5 - 1954 Suíça, janeiro de 2006, Editora Abril, págs. 42-39
  3. "Rei do regulamento", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 5 - 1938 Suíça, janeiro de 2006, Editora Abril, págs. 42-43
  4. "Paciência e correria", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 5 - 1954 Suíça, janeiro de 2006, Editora Abril, págs. 42-43
  5. a b "Chuteiras novas", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 5 - 1954 Suíça, janeiro de 2006, Editora Abril, págs. 40
  6. a b "O juiz deu uma ajudinha", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 6 - 1958 Suécia, fevereiro de 2006, Editora Abril, pág. 40
  7. "A defesa colaborou e Fontaine fez a festa", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 6 - 1958 Suécia, fevereiro de 2006, Editora Abril, pág. 41
  8. "O milagreiro de Berna", Especial Placar: Os 100 Craques das Copas, outubro de 2005, Editora Abril, pág. 73
  9. "Os campeões", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 5 - 1954 Suíça, janeiro de 2006, Editora Abril, págs. 42-43

Títulos: 1 Copa do Mundo 1954 2 Campeonato da Alemanha 1950/51, 1952/53

Ligações externas[editar | editar código-fonte]