Fundição Ipanema

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Fundição Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema em 1884

A Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema, ou Fundição Ipanema, foi uma siderúrgica que existiu na região de Sorocaba, no atual município de Iperó, interior do estado de São Paulo, no Brasil.

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História [editar]

Antecedentes [editar]

Este importante empreendimento industrial foi o resultado de um longo planejamento da Coroa Portuguesa. Foi precedido pelas experiências de fabricação de ferro no morro de Araçoiaba, que começaram ainda no século XVI, com Afonso Sardinha (pai e filho). Ali, no que se chamava vale das Furnas (atual Ribeirão do Ferro), fizeram instalar um forno e duas forjas para fabricação de ferro pelo método direto, reconhecidos como a primeira tentativa de fabricação de ferro em solo americano.

Até à vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, em 1808, a fabricação de ferro era vigiada na Colônia, tendo sido permitida apenas em períodos restritos. O empreendimento iniciado por Afonso Sardinha (pai e filho) funcionava sempre que a Coroa Portuguesa o permitia, destacando-se, depois deles, Domingos Pereira Ferreira, que instalou outros fornos, estes de modelo africano.

A partir da reforma da Universidade de Coimbra, o professor de Química Domingos Vandelli incentivou muitos de seus alunos a estudar mineralogia e metalurgia. A Coroa Portuguesa enviou vários de seus ex-alunos para viagens de conhecimento na Europa. José Álvares Maciel esteve por ano e meio em Birmingham, Inglaterra, e José Bonifácio de Andrada e Silva e Manuel Ferreira da Camara percorreram França, Alemanha, Itália e Suécia por 8 anos. Ao voltar da viagem, Bonifácio foi encarregado de restabelecer a Fábrica de ferro de Foz d'Alge, em Portugal, para onde contratou os metalurgistas alemães Frederico Luiz Varnhagen e Wilhelm Ludwig von Eschwege. Manuel Ferreira da Camara voltou para o Brasil com o projeto de implantar uma Fábrica de Ferro em Minas Gerais. Com a vinda da família real para o Brasil, os dois alemães foram convocados para contribuir na implantação de outros empreedimentos siderúrgicos no Brasil. Em janeiro de 1818 os cientistas naturais alemães Johann Baptiste von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius visitaram a Fundição Ipanema, como descrito no livro Viagem pelo Brasil.

A Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema [editar]

D. Rodrigo de Souza Coutinho, ministro de D. João VI, encarregou Varnhagen e Martim Francisco de Andrada e Silva de projetar uma Fábrica de Ferro moderna que aproveitasse o minério de Araçoiaba. O projeto foi concluído em julho de 1810, orçado em 60 contos de réis. A proposta enfatizava a necessidade de trazer técnicos europeus experientes na técnica siderúrgica.

A empresa foi criada através de Carta Régia de 4 de dezembro de 1810, como uma sociedade de capital misto, com 13 ações pertencentes à Coroa Portuguesa e 47 a acionistas particulares de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia.

Para implantá-la foi criado o Distrito do Ipanema e trazida para a região uma equipe de técnicos sueca, contratada em dezembro de 1809, liderada por Carl Gustav Hedberg.

Além da presença de jazidas de magnetita, foram decisivos para a escolha do local, a abundância de madeira que alimentaria os fornos, e de água, força motriz por excelência até meados do século XIX.

Em 1815, Hedberg foi substituído pelo alemão Ludwig Wilhelm Varnhagen (pai de Francisco Adolfo de Varnhagen), incumbido de construir os altos fornos da fábrica, inaugurados em 1818.

Dos Altos Fornos da Real Fábrica de Ferro de Ipanema saíram armas e munições para a Revolta Liberal, para a Guerra do Paraguai e todos os artigos necessários ao Brasil do século XIX, de panelas de ferro a engenhos de açúcar e café, gradis, , escadas, luminárias, etc., com artigos premiados em feiras nacionais e internacionais, à época.

Considerada o berço da siderurgia nacional, a Real Fábrica de Ferro de Ipanema conserva menos de 20% de seu conjunto original. Os seus altos fornos, geminados, existem até hoje e encontram-se sob a guarda do ICMBio, por meio da Floresta Nacional de Ipanema, em Iperó.

Documentos oficiais da Fábrica encontram-se arquivados e, em sua maioria, para livre consulta, em diferentes instituições: Arquivo Nacional, Biblioteca Nacional do Brasil (Rio de Janeiro) e Arquivo Público do Estado de São Paulo (São Paulo).

Ver também [editar]


Ligações externas [editar]

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