Fuzileiros navais

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Fuzileiro da Marinha Francesa em 1757.

Um fuzileiro naval é um militar pertencente a um corpo de infantaria de marinha de alguns países. No âmbito de uma marinha, os fuzileiros são normalmente os especialistas na realização de operações de assalto anfíbio, nas abordagens no alto mar, na segurança e ordem interna nos navios de guerra e na defesa das instalações navais em terra. Normalmente, os fuzileiros navais são rigorosamente selecionados e recebem um treinamento especial, sendo considerados tropas de elite.

O termo "fuzileiro" refere-se à antiga designação genérica dos soldados de infantaria armados de espingarda (também referida como "fuzil"). Os soldados de infantaria embarcada de algumas marinhas passaram a ser designados "fuzileiros " ou "fuzileiros navais". Como designação do membro da infantaria naval, o termo é utilizado nas marinhas do Brasil e de Portugal, bem como na generalidade das restantes marinhas da CPLP. Tanto os fuzileiros portugueses como os brasileiros descendem remotamente do Terço da Armada da Coroa de Portugal criado no século XVII.

Para além das marinhas da CPLP, o termo "fuzileiro" também é usado na Marinha Francesa (fusilier marin) e na Armada do Uruguai (fusilero naval). Por outro lado, frequentemente também são traduzidas para o português como "fuzileiros navais" algumas designações estrangeiras de unidades, soldados de infantaria naval, como o termo inglês "marines" ou o termo neerlandês "mariniers".

Fuzileiros navais em alguns países[editar | editar código-fonte]

Brasil[editar | editar código-fonte]

Fuzileiros Navais do Brasil.

Os cerca de 15 000 fuzileiros navais brasileiros formam o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil. Geralmente quando se fala apenas "fuzileiro", subentende-se que se refere à "fuzileiro naval".

O elemento principal do CFN é Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). A FFE, por sua vez, integra a Divisão Anfíbia (de escalão brigada) que constitui a principal unidade dos fuzileiros navais, integrando um batalhão de comando e controle, três batalhões de fuzileiros navais, um batalhão de artilharia, um batalhão de blindados e um batalhão de controle aerotático e defesa antiaérea. Para lá da divisão anfíbia, o CFN inclui também a Tropa de Reforço, o Batalhão de Operações Especiais (Batalhão Tonelero), o Batalhão de Operações Ribeirinhas, o Comando da Tropa de Desembarque, a Base de Fuzileiros Navais do Rio Meriti e sete grupamentos de fuzileiros navais (subordinados aos vários distritos navais).

O Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil tem origem no contingente da Brigada Real de Marinha de Portugal, que chegou ao Brasil - acompanhando a Família Real Portuguesa - em 1808. Com a Independência, o contingente da Brigada Real de Marinha que ficou no Brasil passou a designar-se "Batalhão de Artilharia de Marinha". Em 1864 passou a chamar-se "Batalhão Naval", em 1895 "Corpo de Infantaria da Marinha", em 1924 "Regimento Naval" e em 1932 "Corpo de Fuzileiros Navais".

Portugal[editar | editar código-fonte]

Abordagem de um navio via helicóptero por fuzileiros da Marinha Portuguesa.

Os fuzileiros formam a classe da Marinha Portuguesa, cujos membros são especializados na realização de operações anfíbias, na segurança das instalações em terra da Marinha e na condução de viaturas táticas. Os fuzileiros asseguram também as funções de Polícia Naval (polícia militar da Marinha). A maioria dos fuzileiros integra o Corpo de Fuzileiros da Marinha.

A atual classe de fuzileiros foi criada em 1961, ainda que as suas origens estejam no Terço da Armada criado em 1621 e nos fuzileiros marinheiros da Brigada Real de Marinha criada em 1797. Inicialmente, a classe incluía também os fuzileiros especiais, que integravam os destacamentos vocacionados para a realização de operações assalto anfíbio. Os restantes fuzileiros integravam as companhias e pelotões responsáveis pela defesa de instalações e embarcações e patrulhamento fluvial. Estas unidades tomaram parte ativa da Guerra do Ultramar, nos teatros de operações de Angola, Guiné Portuguesa e Moçambique.

A formação dos praças e sargentos da classe de fuzileiros é realizada na Escola de Fuzileiros em Vale de Zebro. A formação dos oficiais é realizada na Escola Naval no Alfeite, através do curso superior de Mestrado em Ciências Militares Navais, na Especialidade de Fuzileiro.

Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

color photo of a Marine peering through the optics of a large rifle
Atirador de Elite do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos

O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (em inglês: United States Marine Corps; abreviação oficial: USMC) é um ramo das Forças Armadas dos Estados Unidos. Embora o Corpo de Fuzileiros Navais inicialmente servisse somente na segurança de navios da Marinha americana e em táticas anfíbias de guerra, o Corpo de Fuzileiros Navais evoluiu gradualmente até se tornar numa força militar individualizada, com múltiplos objetivos nas forças armadas americanas.

O Corpo de Fuzileiros Navais, com seus 172 mil fuzileiros navais na ativa e mais 40 mil na reserva, é o maior Corpo de Fuzileiros Navais do mundo, que incluem também o Exército, a Marinha, a Força Aérea e a Guarda Costeira. Apenas a Guarda Costeira é menor. Em termos absolutos, porém, o Corpo de Fuzileiros Navais é maior do que as forças armadas de muitos países; é maior, por exemplo, do que o Exército Britânico.

Espanha[editar | editar código-fonte]

Veículos blindados anfíbios AAV-7A1 da Infantaria de Marinha espanhola.

A Infantería de Marina (Infantaria de Marinha) da Armada Espanhola é considerado o mais antigo corpo deste tipo do mundo, uma vez que descende das Companhias Velhas do Mar de Nápoles, fundadas pelo Imperador Carlos V a 27 de fevereiro de 1537.

Na dependência do comandante-geral (um general de divisão), a Infantaria de Marinha espanhola inclui o Terço de Armada (TEAR) e a Força de Proteção (FUPRO). O TEAR é a principal força expedicionária de infantaria de marinha sendo constituído por uma unidade base e pela Brigada de Infantaria de Marinha (BRIMAR). Com cerca de 2000 efetivos, a BRIMAR é a principal unidade anfíbia, integrando dois batalhões de desembarque, um batalhão mecanizado de desembarque, um grupo de mobilidade anfíbia, um grupo de artilharia de desembarque, um grupo de apoio e serviços de combate, uma unidade de reconhecimento e uma unidade de quartel-general. A FUPRO, também com cerca de 2000 efetivos, é responsável por assegurar segurança das instalações e do pessoal da Armada Espanhola. Integra o Terço do Sul, o Terço do Norte, o Terço do Levante, a Unidade de Segurança do Comando Naval das Canárias e o Agrupamento de Infantaria de Marinha de Madrid, todas estas unidades tendo dimensões de batalhões.

Apesar de pertencerem à Armada, os membros da infantaria de marinha espanhola são soldados e não marinheiros, tendo postos com designações iguais às do Exército de terra.

Filipinas[editar | editar código-fonte]

Os Fuzileiros Navais das Filipinas tem uma força de cerca de 10.000 homens divididos em três brigadas. As unidades de fuzileiros incluem as três brigadas de infantaria de manobra, cada uma composta por três batalhões de infantaria táctico com um batalhão de infantaria na reserva e um batalhão de artilharia pesada (composta pelo obuseiro 105 milímetros, 106 milímetros arma sem recuo, juntamente com veículos anfíbios e várias unidades blindadas) . Dois batalhões da Marinha das Filipinas têm funções especializadas: a Força de Reconhecimento do batalhão (Recon) é utilizado para transporte aéreo rápido para áreas problemáticas. Este batalhão Recon também é treinado em ataques de embarque de navios. Os Fuzileiros Navais do batalhão da Guarda é implantado na guerra urbana e em defesa das instalações. A força de Fuzileiros Navais das Filipinas também é considerada a força de choque das Forças Armadas e é a primeira unidade a ser envolvida em qualquer conflito anfíbio ou por via marítima.

França[editar | editar código-fonte]

Fuzileiros da Marinha Francesa em uniforme festivo.

Os fusiliers marins (fuzileiros marinheiros) são os marinheiros da Marinha Francesa responsáveis pela proteção e defesa das instalações navais em terra. Têm como missões: participar em operações terrestres a partir do mar, participar em operações especiais, proteger as instalações sensíveis da marinha e reforçar a proteção dos navios das forças navais.

Existem cerca de 1800 fusiliers marins, que constituem dois grupamentos (nas bases navais de Toulon e de Brest) e sete companhias distribuídas por várias bases navais e aeronavais.

Para lá dos fusiliers marins, a Marinha Francesa integra ainda os commandos marine (comandos de marinha), vocacionados para operações especiais em ambiente marítimo. Os comandos de marinha são recrutados de entre os fusiliers marins.

Os fusiliers marins e os comandos de marinha agrupam-se na FORFUSCO (Força Marítima dos Fuzileiros e Comandos), uma das componentes da Marinha Francesa.

Argentina[editar | editar código-fonte]

A infantaria de marinha argentina constitui o COIM (Comando de Infantería de Marina), um dos quatro comandos operacionais da Armada Argentina. Os seus membros têm postos com designações e distintivos idênticos aos do resto da Armada.

O COIM é composto pela Força de Infantaria de Marinha da Frota do Mar (FAIF), pela Força de Infantaria de Marinha Austral (FAIA), pela Base Naval de Infantaria de Marinha, pelo Comando de Instrução e Avaliação, pelo Batalhão de Segurança do Estado-Maior-General da Armada e pelo Batalhão de Segurança da Base Naval Puerto Belgrano. A FAIF inclui um batalhão de infantaria de marinha, o Agrupamento de Comandos Anfíbios, uma companhia de engenheiros anfíbios e batalhões de comando e apoio logístico, de artilharia de campanha, de veículos anfíbios, antiaéreo e de comuniações. A FAIA inclui dois batalhões de infantaria de marinha.

Várias unidades da infantaria de marinha argentina participaram na Guerra das Malvinas.

Rússia[editar | editar código-fonte]

Fuzileiro Naval da Rússia em exercício militar.

A Infantaria Naval russa, (em russo: пехота Морская) é a força anfíbia das forças armadas russas. A infantaria naval inclui a 65 ª Brigada de Infantaria Naval da frota russa do Pacífico, as brigadas independentes do Norte e as frotas do Báltico e do Mar Cáspio Militar Flotilha e do regimento independente da Frota do Mar Negro.


Referências[editar | editar código-fonte]

  • LEPOTIER, Adolphe Auguste Marie, Les fusiliers marins, Paris: Editions France, 1962
  • AFONSO, Aniceto, GOMES, Carlos de Matos, Guerra Colonial, Lisboa: Editorial Notícias, 2000
  • BAÊNA, Luís Sanches, Fuzileiros, Factos e Feitos da Guerra de África 1961/1974 - Volume I, Lisboa: Comissão Cultural da Marinha / Edições INAPA, 2006

Ver também[editar | editar código-fonte]