Gás de cidade

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Gas Works Park em Seattle, onde é preservada a maioria do equipamento que foi usado para produzir gás de cidade, a única destas instalações que ainda existe nos Estados Unidos da América.

Gás de cidade, ou gás de rua é um combustível gasoso manufacturado (gás de síntese), rico em metano, hidrogénio e monóxido de carbono, geralmente obtido a partir da gasificação por pirólise da hulha e de outros carvões minerais. Também pode ser obtido pelo fraccionamento térmico ou catalítico de naftas petroquímicas derivadas de petróleos ou de outros materiais ricos em carbono, como biomassa diversa e resíduos contendo materiais plásticos. Foi um dos primeiros gases combustíveis disponibilizados para uso doméstico, pelo que é por vezes referido, em conjunto com o ar metanado, como um gás da 1.ª família.[1]

O gás de cidade é produzido em unidades fabris, situadas na preferia das cidades a abastecer, nas quais a matéria prima é gasificada, em geral por pirólise, e o gás resultante lavado de fumos e impurezas. O gás é então comprimido e armazenado em grandes tanques, em geral de tecto flutuante, os gasómetros, e a partir deles distribuído para uma rede primária de distribuição que funcionava a baixa pressão (em geral próxima de 1 bar) para minimizar o risco de fuga. A rede primária interliga uma rede de gasómetros de distribuição, mais pequenos, a partir dos quais o gás é fornecido aos consumidores finais através da rede secundária de distribuição, já à pressão de consumo dos aparelhos de queima (em geral 8 mbar acima da pressão ambiente). Todo o processo, incluindo a armazenagem, distribuição e utilização do gás de cidade é sempre realizada em fase gasosa, dadas as baixas pressões utilizadas e a dificuldade de liquefação da mistura gasosa.

O gás de cidade contém um elevado teor de vapor de água, o que permitia a utilização de canalizações de ferro com vedação nas juntas feita com fios de linho ou outro qualquer material higroscópico similar, o que correspondia às tecnologias de baixo custo disponíveis até meados do século XX.

Como os restantes gases da 1.ª família, foi sendo sucessivamente abandonado em favor do gás natural, distribuído a altas pressões a partir de gasodutos e reservatórios de gás liquefeito, mais barato e energeticamente mais eficiente, já que o gás natural tem um índice de Wobbe compreendido entre 48,1 MJ/m3 e 58 MJ/m3, calculado nas condições de referência, em relação ao poder calorífico superior, enquanto o gás de cidade para o mesmo indicador apresenta valores ente 22,4 MJ/m3 e 24,8 MJ/m3, com um poder calorífico superior médio de apenas 17,6 MJ/m3 (4200 kcal/m3),[2] calculado nas mesmas condições de referência.[3] Apesar disso, o 'gás de cidade é ainda utilizado em países ricos em carvão, particularmente quando de baixa qualidade, e com economias sem grande desenvolvimento tecnológico, entre os quais a República Popular da China.

O gás de cidade foi distribuído durante mais de um século na área da Grande Lisboa (hoje substituído pelo gás natural), ainda restando a memória dos gasómetros da cidade. O primeiro contrato para fornecimento de gás de cidade em Lisboa data de 1848.[4]

Composição[editar | editar código-fonte]

A composição do gás de cidade varia em função da matéria prima utilizada, do método de produção e das operações de lavagem a que o gás seja sujeito. Os valores que se seguem (expressos em % volúmica à pressão de fornecimento) são valores típicos de um gás de cidade de última geração, tecnologicamente evoluído, o que é denotado pelos baixos teores em azoto e monóxido de carbono:

Notas

  1. Victor Manuel S. Monteiro, Instalações de Gás na Restauração, Hotelaria e Catering. Lisboa: Lidel, 2006 (ISBN 9789727573011).
  2. Embora como gás da 1.ª família seja expectável um valor do índice de Wobbe no intervalo: 22,4 MJ/m3 ≤ IW ≤ 24,8 MJ/m3.
  3. DL n.º 178/92, de 14 de Agosto.
  4. História da Galp.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]