Gérard Rabinovitch

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Gérard Rabinovitch é um filósofo e sociólogo francês, nascido em Paris em 1948. Ele é pesquisador no CNRS, membro do CERSES (Centre de Recherche Sens, Éthique, Société) e pesquisador associado ao Centro de Pesquisa “Psychanalyse, médecine et société” da Universidade de Paris VII – Denis Diderot. Ele ensina em diversos estabelecimentos universitários franceses e é professor convidado da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (FAFICH – UFMG) no Brasil.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em 1948, em Paris, Gérard Rabinovitch é filho do resistente Léopold Rabinovitch, membro da rede Carmagnole-Liberté dos FTP-MOI de Lyon, deportado como resistente para Dachau, em 1944; e de uma « menina escondida », Anna, nascida Portnoï. É sobrinho do resistente Léon Rabinovitch, também membro da rede Carmagnole-Liberté dos FTP-MOI de Lyon, deportado com seu irmão Léopold para Dachau.

Filosofia[editar | editar código-fonte]

Gérard Rabinovitch situa suas pesquisas e seus escritos numa tradição weberiana, articulada à filosofia política, particularmente aquela que foi construída a partir dos trabalhos da Escola de Frankfurt e de seus herdeiros ou vizinhos, particularmente Hannah Arendt, Walter Benjamin, Ernst Bloch, Siegfried Kracauer. Sua reflexão é alimentada por ideias da clínica psicanalítica e de sua antropologia implícita, mas também da história.

Um novo conceito : a « destrutividade », ferramenta para interpretar o nazismo e os genocídios[editar | editar código-fonte]

Gérard Rabinovitch chega à consistência do conceito de “destrutividade” baseando-se nas contribuições da sociologia fenomenológica (Georg Simmel) e da sociologia compreensiva (Max Weber) para o estudo das afetividades, no campo social. Ele se inspira na hipótese da “ pulsão de morte”, em sua versão heterodestrutiva (pulsão de destruição) que a psicanálise conceitualizou e que faz eco ao conceito kantiano de Mal radical. A noção de “destrutividade” revela-se um conceito fecundo para a interpretação do nazismo, que continua sendo um enigma da cultura ocidental. Em seu livro De la destructivité humaine, fragments sur le Béhémoth[1] , Gérard Rabinovitch destaca e critica os limites do pensamento político, sociológico e filosófico, para pensar o nazismo sob a metáfora hobbesiana do Leviatã. Ele propõe retomar a questão do nazismo, na continuidade de Franz Neumann, sob o ângulo do Behemoth, o antônimo do Leviatã. O Behemoth é um modelo de desorganização, de caos e do gozo criminoso. Gérard Rabinovitch analisa a “quimera” nazista, com sua heroicização da violência, com a valorização da agressividade e a liquidação de todas as normas morais. Essa “quimera” nazista é caracterizada pelas marcas do gangsterismo da ação, das festividades agrícolas de inspiração pagã[2] do biologismo médico e da racionalidade instrumental. Graças a seu conceito de “destrutividade”, Gérard Rabinovitch discute e critica a tese central do sociólogo Zygmunt Bauman, particularmente em sua obra maior[3] , uma vez que Bauman interpreta o nazismo sob o ângulo de uma racionalidade peculiar, a da razão instrumental e da ação instrumental. Em linguagem freudiana, Gérard Rabinovitch apresenta a proposta filosófica, segundo a qual o Leviatã designaria um estado de “laços mortíferos” por excesso de coações, enquanto o Behemoth designaria os “desenlaces tanatófilos”. O autor detalha, além disso, as nunaces entre laços e desenlaces de vida: “a distinção não passa pela alternativa laço/desenlace, mas pelo esquema mórbido ou pela dinâmica erótica que as anima”.[4] . O conceito de destrutividade permite que Gérard Rabinovitch identifique, articule e pense as semelhanças e diferenças entre as condições de possibilidade e as modalidades práticas da Shoah e do genocídio dos Tutsis e dos Hutus moderados de Rwanda, em 1994. Gérard Rabinovitch atualmente continua suas pesquisas sobre o conceito de “destrutividade”, não só através de seus trabalhos sobre o nazismo, sobre o genocídio dos Tutsis e dos Hutus moderados em Rwanda, mas também sobre os marginais e as máfias, bem como sobre os efeitos-“rebote” do nazismo, nas manifestações de desintegração contemporânea do laço social.

Uma ética da desilusão[editar | editar código-fonte]

Baseando-se nas reflexões e nos saberes freudianos, particularmente em O Mal estar na civilização e em suas próprias descobertas ligadas ao conceito de “destrutividade”, Gérard Rabinovitch discute as consequências do caráter plástico da destruição, de sua capacidade de adaptação a situações históricas diversas, sem modificar, no entanto, sua natureza. Afrontando esta verdade desastrosa – a barbárie assombra a humanidade – Gérard Rabinovitch busca fixar as bases de uma ética da desilusão, uma ética que permita à pessoa humana construir barreiras contra a destrutividade que habita a espécie humana.

Reflexões sobre o humor[editar | editar código-fonte]

Gérard Rabinovitch aprofunda e ilustra sua reflexão sobre a ética da Desilusão através de suas análises sobre o humor, verdadeira jóia do trabalho da cultura (Kulturarbeit) depositada no homem. Em seu livro Comment ça va mal? L'humour juif, un art de l'esprit[5] , (Como vai mal? O humor judeu, uma arte do espírito) ele se propõe a pensar a especificidade do humor judeu, sinal e testemunho da cultura e da identidade judias, submetidas a uma tensão interna que lhes é própria, na articulação entre o desencantamento antropológico e a esperança messiânica. Mais recentemente, em sua obra Et vous trouvez ça drôle ?!... variations sur le propre de l'homme[6] (E você acha graça nisso?!... variações sobre o que próprio do homem), Gérard Rabinovitch continua sua reflexão sobre o humor e sua vocação ética, a do bem dizer (bene-dição). Analisando as diferenças e as congruências entre as duas grandes tradições do humor, a do humor judeu e a do humor inglês, Gérard Rabinovitch traz novas luzes sobre as condições de possibilidade do humor e analisa seus efeitos de civilização e de emancipação lúcida. Através de suas pesquisas, Gérard Rabinovitch explora as mudanças de paradigma indispensáveis para que possa prosseguir o trabalho de decodificação e de “desembaraçamento” »[7] do real contemporâneo. Sua obra visa articular a antropologia psicanalítica radical e as questões recorrentes da filosofia política clássica, tais como Leo Strauss e Claude Lefort as formularam. Gérard Rabinovitch estabelece os fundamentos epistemológicos e éticos de uma nova maneira de assumir nossa condição humana, no mundo contemporâneo.

Obra[editar | editar código-fonte]

Em Francês[editar | editar código-fonte]

Principais livros[editar | editar código-fonte]

  • Éthique et environnement, direction de l'ouvrage, La Documentation Française, 1997.
  • Questions sur la Shoah, éd. Milan, collection "Les essentiels", 2000.
  • Le Sourire d’Isaac, L’humour juif comme Art de l’Esprit, éd. Mango/ ARTE éditions Paris, 2002.
  • Abraham Joshua Heschel, un Tzaddiq dans la Cité, direction de la publication, Ed. du Nadir, collection "voix", Paris, 2004.
  • Antijudaïsme et Barbarie, direction de la publication avec Shmuel Trigano, Éditions In Press, coll. Pardes n°38, 2005.
  • Connaissance du Monde juif, direction de la publication avec Évelyne Martini, Éditions du CNDP/CRDP, coll. Documents, Actes et Rapports, Paris, 2008.
  • Comment ça va mal ? : L'humour juif, un art de l'esprit, édition Bréal, 2009.
  • De la destructivité humaine, fragments sur le Béhémoth, PUF, 2009.
  • Et vous trouvez ça drôle ?!... variations sur le propre de l'homme, édition Bréal, 2011.

Principais contribuições em obras coletivas[editar | editar código-fonte]

  • "Dans un monde médusé", Robert Antelme, Essais et témoignages, Ed. Gallimard, Paris, 1996, p. 162-172.
  • "Terrorisme et Résistance, la leçon d’Albert Camus", in Un monde en Trans (dir. Michel Wolkowicz), éd. EDK, Paris, 2009, pp. 56-73.
  • "Nous avons eu de la chance… "/”We were lucky...”, livret – préface (bilingue français - English) au DVD documentaire "Figures humaines"/”Faces of humanity” de Rose Lallier et Élisabeth Logak, Les films de l'Amandier, 2011.
  • "Fragments sur le Behemoth, notes autour d’un syntagme oxymorique", in Destins de la banalité du mal, dir. Michèle Irène Brudny, et Jean Marie Winkler, éd. de l’Éclat, 2011, pp. 51-72.
  • "Camps de concentration et d’extermination", in Dictionnaire de la violence, dir. Michela Marzano, éd des PUF. Paris, 2011, p.183-191.
  • "Destructivité" in Dictionnaire de la violence, dir. Michela Marzano, P.U.F., 2011, p.361-367.

Principais artigos em revistas indexadas[editar | editar código-fonte]

  • "Le trafiquant et ses caves", Travailler, revue internationale de psychopathologie et psychodynamique du Travail, n°7, Laboratoire de psychologie du travail, CNAM, Paris, dec 2001, p. 195-203.
  • "Inquiète ton voisin comme toi-même", notes critiques sur Modernité et Holocauste de Zygmunt Bauman, Travailler, n°10, Revue internationale de psychopathologie et psychodynamique du travail, Laboratoire de Psychologie du Travail, CNAM, Paris, 2003, p. 163-184
  • "Par la voie du Behemoth", Cliniques méditerranéennes, Revue de psychanalyse et de psychopathologie freudiennes, n° 75, Centre interuniversitaire de psychopathologie clinique, Université d’Aix en Provence, éd. Éres, 2007, p.227-246

Em Português (Brasil)[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • "Schoà : Sepultos nas Nuvens", Editora Perspectiva, coll. Khronos, São Paulo, Brasil, 2004.

Principais contribuições em obras coletivas[editar | editar código-fonte]

  • “Reinterpretar o nazismo para pensar o contemporâneo: algumas pistas », in: Dimensões da violência : conhecimento, subjetividade e sofrimento psíquico (Mériti de Souza, Francisco Martins, José Newton Garcia de Araújo - organizadores). Casa do Psicólogo, São Paulo, Brasil, abril 2011, pp. 215-230.

Principais artigos em revistas indexadas[editar | editar código-fonte]

  • "Reinterpretar o nazismo para pensar o contemporâneo : algumas pistas", Psicologia em Revista, vol 8, n° 12, Faculdade de Psicologia da PUC Minas, Belo Horizonte, Brasil, 2002, p. 45-56.
  • "Preocupa o teu próximo como a ti mesmo, notas criticas à modernidade e Holocausto", Agora, n° 2, vol. 6, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil, 2003, p.301-320.
  • "Figuras da Barbárie", Psicologia em Revista, n°17, volume 11, Faculdade de Psicologia da PUC Minas, Belo Horizonte, Brasil, 2005, p.11-28.
  • "Algumas confusões e anomias léxicas na época das sociedades de massa", Veredas do Direito, vol. 4, n° 7, Escola Superior de Direito Dom Helder Camara, Belo Horizonte, Brasil, out. 2007, p. 45-61.
  • "Na via do Behemoth", Agora : Estudos em Teoria psicanalítica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil, 2008, vol. XI, número 1 jan/jun, pp. 137-155.

Em Inglês[editar | editar código-fonte]

Contribuições em obras coletivas[editar | editar código-fonte]

  • "In a Petrified World", On Robert Antelme’s The Human Race, Ed. Northwestern University Press, Illinois, U.S.A., 2003, p. 131-138

Em Alemão[editar | editar código-fonte]

Contribuições em obras coletivas[editar | editar código-fonte]

  • "Von der versachlichenden, allmacht und vom wissenschtlichen denken", in Ethik und Wissenschaft in Europa (Die gesellschasftliche, rechtliche und philosophische Debatte), Verlag Karl Alber, 2000, seite 126-140, ISBN 978-3-495-47811-0

Concepção e direção editorial de sites da internet (Em Francês)[editar | editar código-fonte]

  • Judaïsme et cultures juives, France 5 Éducation, 2007[8]
  • Les enfants dans la Shoah, France 5 Éducation, 2009[9]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

CERSES - CNRS[10]

BREAL - Éditions Bréal [11]

Referências

  1. De la destructivité humaine, PUF, 2009.
  2. De la destrutivité humaine, Gérard Rabinovitch, PUF, p. 85
  3. Modernidade e Holocausto (Modernity and The Holocaust. Ithaca, N.Y.: Cornell University Press 1989. ISBN 0-8014-2397-X). Traduzido por Marcus Penchel. Jorge Zahar Editor ISBN 85-7110-483-2
  4. De la destructivité humaine, Gérard Rabinovitch, PUF, p. 52
  5. Comment ça va mal? L'humour juif, un art de l'esprit, Bréal, 2009
  6. Et vous trouvez ça drôle?!... variations sur le propre de l'homme, Bréal, 2011
  7. Georges Perec, Robert Antelme ou la vérité de la littérature, in Robert Antelme. Textes inédits. Sur L'Espèce humaine. Essais et témoignages, Gallimard, 1996
  8. http://www.curiosphere.tv/judaisme/#intro
  9. http://www.curiosphere.tv/ressource/23297-les-enfants-dans-la-shoah
  10. http://cerses.shs.univ-paris5.fr/spip.php?article112
  11. http://www.editions-breal.fr/auteurs-gerard-rabinovitch-1800.html