Gênio (pessoa)

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Um gênio (português brasileiro) ou génio (português europeu) é uma pessoa com grande capacidade mental. Ela pode se manifestar por um intelecto de primeira grandeza, ou um talento criativo fora do comum. Segundo a teoria de Lewis Madison Terman, o nível de QI pelo qual alguém pode ser chamado de gênio é geralmente definido como 140 ou superior[1] no desvio padrão 15. O termo também se aplica a alguém que é um polímata ou alguém habilidoso em muitas áreas mentais. O termo se aplica com precisão a habilidades mentais, mais que físicas, embora seja também usado coloquialmente para indicar a posse de um talento superior em qualquer campo; por exemplo, de Pelé é dito que foi um gênio do futebol, Michael Jackson como um gênio da música e da dança, e até Gandhi, que é tido como um gênio da diplomacia.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Na Roma antiga, o gênio era o espírito guia ou "tutelar" de uma pessoa, ou mesmo de uma gens inteira. Um termo relacionado é genius loci, o espírito de um local específico. Por contraste a força interior que move todas as criaturas viventes é o animus. Um espírito específico ou daimon, pode habitar uma imagem ou ícone, dando-lhe poderes sobrenaturais.

Um termo comparável do folclore árabe é djin, freqüentemente traduzido como "gênio". Note, todavia, que este termo é um falso amigo, não um cognato. Para maiores informações sobre as raízes etimológicas, veja gênio.

Dotados[editar | editar código-fonte]

Gênios são dotados de excepcional brilhantismo, mas freqüentemente também são insensíveis às limitações da mediocridade bem como são emocionalmente muito sensíveis, algumas vezes ambas as coisas. O termo prodígio indica simplesmente a presença de talento ou gênio excepcional na primeira infância. Os termos prodígio e criança prodígio são sinônimos, sendo o último um pleonasmo.

Gênios artísticos podem se manifestar na primeira infância (prodígio) ou mais tarde na vida; de qualquer forma, os gênios eventualmente se diferenciam do restante através de grande originalidade. Gênios intelectuais geralmente tem visões nítidas e concisas de uma dada situação, na qual a interpretação é desnecessária - os factos simplesmente os impactam e eles constroem ou agem de acordo com estes factos, geralmente com tremenda energia. Aqui também, gênios consumados em campos intelectuais começam em muitos casos como prodígios, privilegiados com memória superior, reconhecimento de padrões ou apenas percepção.

A habilidade clássica do gênio musical é a capacidade de reter muitas melodias diferentes em sua cabeça, simultaneamente, e discernir como elas interagem juntas. É dito que os grandes compositores clássicos (Bach, Mozart, etc) podiam reter 5, 6 ou mesmo 7 melodias diferentes em suas mentes de uma vez. Eles podiam escrever música complicada, com muitas partes diferentes simultaneamente sem a necessidade de ouví-la sendo tocada. Em comparação, uma pessoa média pode reter somente uma única melodia em sua mente.

Uma teoria desenvolvida pelo professor de Harvard Howard Gardner, em seu livro de 1983 Frames of Mind, declara que existem sete tipos de inteligência, cada qual com seu tipo de gênio. Veja teoria das inteligências múltiplas para saber mais sobre esse ponto de vista.

O psicopedagogo israelense Reuven Feuerstein desenvolveu a Teoria da modificabilidade cognitiva estrutural. Esta, afirma que o ser humano pode "aprender" a ser inteligente em qualquer fase da vida.

A inteligência é excepcionalmente difícil de quantificar. A medida padrão nos Estados Unidos e em outros países é o teste de Q.I.. Este teste é criticado por muitos por medir somente alguns aspectos da inteligência (discutem-se os apectos acadêmicos e etnocêntricos).

Limitações[editar | editar código-fonte]

Gênios são freqüentemente acusados de falta de senso comum. Casos de gênios em determinadas áreas sendo incapazes de "captar" conceitos corriqueiros são abundantes e antigos; Platão, no Theaetetus (diálogo) fornece uma anedota pitoresca sobre a distração de Thales. Einstein, supostamente, muitas vezes se esquecia se tinha almoçado e costumava calçar meias de cores diferentes. O foco intenso que um gênio coloca em um determinado assunto pode parecer de natureza obsessiva-compulsiva, mas pode também ser simplesmente o resultado de uma escolha feita pelo indivíduo. Se alguém está realizando um trabalho revolucionário em algum campo, a manutenção dos outros elementos da vida pode ser logicamente relegada à insignificância. Apesar da ideia do professor distraído não ser totalmente desprovida de valor, um gênio encontrará tantos problemas emocionais como qualquer outra pessoa. Note as peculiaridades de figuras como Glenn Gould e Bobby Fischer. Tais exemplos são provavelmente produtos de instabilidade mental ou emocional, em vez de gênio per se, embora haja uma correlação pesquisada[2] entre QI e desajustamento social.

Problemas sócio-emocionais são mais preponderantes em gênios com um QI acima de 145. Desenvolvimento assíncrono é a causa principal disto. Como a maioria das crianças não compartilham os interesses, vocabulário ou desejo de organizar actividades das crianças dotadas, as crianças gênio podem ser afastadas da sociedade.

Algumas pesquisas mostram que outras razões além do desajuste tornam difícil para os gênios obterem companhia. Como a inteligência de uma pessoa aumenta, aqueles que elas consideram como pares constituem-se num número cada vez menor de pessoas. Por exemplo, para um QI de 135 somente uma em cada 100 pessoas terá QI igual ou superior. Este número encolhe significativamente a medida que o QI sobe.

Leta Hollingworth introduziu a ideia de uma "faixa de comunicação" efetiva baseada no QI. De acordo com sua teoria, para ser-se um líder efetivo de seus contemporâneos, alguém deve ser mais inteligente, mas não muito mais inteligente do que aqueles que deverá liderar. Isto implica que os gênios podem não ser bons líderes daqueles substancialmente menos dotados e que eles podem nutrir desdém pela autoridade. A teoria também declara que crianças e adultos tornam-se intelectualmente isolados de seus contemporâneos quando existe uma diferença de 30 pontos no QI.[3]

É importante notar que factores sociais e econômicos podem impedir a expressão de um gênio. Tais factores incluem expectativas sociais em relação às mulheres e repressão de minorias. Por este motivo, os aparentes pendores pró-homens e pró-europeus nos gênios actuais e do passado podem não indicar uma diferença real na incidência de gênios biológicos em outros grupos.

Na filosofia[editar | editar código-fonte]

Na filosofia de Arthur Schopenhauer, um gênio é uma pessoa na qual o intelecto prevalece sobre a vontade muito mais do que numa pessoa mediana. Na Estética de Schopenhauer, esta predominância do intelecto sobre a vontade permite ao gênio criar trabalhos artísticos ou acadêmicos que são objectos de pura e desinteressada contemplação, o principal critério da experiência estética para Schopenhauer. Seu distanciamento das preocupações mundanas significa que os gênios de Schopenhauer freqüentemente demonstram características de desadaptação quanto a tais preocupações; nas palavras de Schopenhauer, eles caem na lama enquanto fitam as estrelas.

Na filosofia de Immanuel Kant, gênio é a capacidade para atingir independentemente e compreender conceitos que normalmente teriam de ser ensinados por outra pessoa. No Dicionário de Kant (ISBN 0631175350), Howard Caygill fala que o caráter essencial do "gênio" para Kant era a originalidade. Este gênio é um talento para produzir ideias que podem ser descritas como não-imitativas. A discussão de Kant sobre as características do gênio está grandemente contida na Crítica do Julgamento e foi bem recebida pelos românticos do início do século XIX.

Referências

  1. Gênio. Visitado em 09-02-2009.
  2. (em inglês)-Desajuste social Crianças dotadas como vítimas potenciais de bullying
  3. (em inglês)-The Outsiders Uma análise da condição de gênio
  • BLOOM, Harold. Genius: A Mosaic of One Hundred Exemplary Creative Minds. Warner Books, Novembro 2002. ISBN 0446527173
  • PICKOVER, Clifford A. Strange Brains and Genius: The Secret Lives of Eccentric Scientists and Madmen. Plenum Publishing Corporation, 1998. ISBN 0306457849
  • GLEICK, James. Genius: The Life and Science of Richard Feynman. Pantheon, 1992. ISBN 0679408363
  • GOULD, Stephen Jay. The Mismeasure of Man, revised and expanded. W. W. Norton, 1991. ISBN 039303972

Ver também[editar | editar código-fonte]

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