Gaetano Bresci

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Gaetano Carlo Salvatore Bresci
Nascimento 11 de Novembro de 1869
Coiano di Prato
Morte 22 de Abril de 1901 (31 anos)
Ilha de Santo Estêvão
Ocupação tecelão, jornalista e militante anarquista
Influências
Influenciados
Escola/tradição Anarquismo

Gaetano Carlo Salvatore Bresci[1] (Coiano di Prato, 11 de novembro de 1869Ilha de Santo Estêvão, 22 de maio de 1901) foi um anarquista ítalo-americano tecelão de profissão, especializado em seda, condenado a servidão perpétua e morto pelo assassinato do Rei Umberto I da Itália. Até os dias de hoje é considerado um herói por muitos anarquistas e republicanos.

Militância[editar | editar código-fonte]

Bresci nasceu na localidade de Coiano di Prato, na Toscana, na juventude passou a trabalhar na indústria textil na sua cidade natal, especializando-se na tecelagem da seda. Durante as grandes greves operárias de 1890 e 1891 aproximou-se dos ideais anarquistas tornando-se um ativista libertário. Naquele período na Itália, diversos coletivos libertários passaram a organizar-se e visibilizar a sua oposição à opressão e exploração entre classes existente na sociedade do seu tempo através em atos, greves e protestos.

A reação do governo e da burguesia italiana frente ao avanço das organizações anarquistas e operárias veio em forma de repressão violenta, com diversos militantes presos e desaparecidos. Neste contexto de perseguição Gaetano decidiu emigrar da Itália para os Estados Unidos, estabelecendo-se como tecelão em Paterson, Nova Jérsei.

Em Paterson, localidade onde uma considerável colônia de emigrados italianos se estabelecera, Bresci começou a operar como tecelão, empregando-se num moinho de seda, abrindo também uma tecelagem. Obtendo alguma estabilidade financeira, Gaetano economizava dinheiro, semana após semana, com intenção de fornecê-lo à sua família que passava por dificuldades na Itália.[2] Lá também deu continuidade ao ativismo libertário, sendo um dos fundadores do jornal La Questione Sociale (A Questão Social) publicado em língua italiana.[3]

De acordo com Emma Goldman:

...ele era um habilidoso alfaiate, considerado soberbo por seus clientes, um homem que trabalhava duro, mas seu salário se resumia em apenas quinze dólares semanais. Tinha uma mulher e uma criança para cuidar; e ainda assim ele fazia questão de doar semanalmente contribuições para o Jornal. Ele próprio juntou cento e cinqüenta dólares e emprestou ao grupo do periódico crítico La Questione Sociale. Nas noites de Domingo em que tinha folga ajudava no trabalho de escritório e na propaganda do jornal. Era amado e respeitado por sua devoção por todos os membros de seu grupo.

O motivo: um crime de Estado[editar | editar código-fonte]

Em 1898, mais de trinta anos depois da anexação da Lombardia ao Reino de Itália, a situação econômica tornou-se muito séria. Nesses trinta anos de emigração aproximadamente 519 mil lombardos emigraram para Milão. Lá o custo da farinha e do pão subira devido a demanda mas, indiferente a isto, a Casa de Saboia impôs pesadas taxas a estes produtos, levando muitos à fome e ao desespero. Nesse contexto, multidões insurgiram-se, pilhando moinhos, fornos e padarias.

Emma Goldman registra também:

Em Milão, uma multidão desarmada de manifestantes marchou até o palácio, onde foi cercada por uma força militar italiana sob o comando do general Fiorenzo Bava-Beccaris. O povo ignorou a ordem de dispersar e, diante dessa recusa, o general deu sinal de abrir fogo para os mosqueteiros e canhões, resultando em um banho de sangue, um massacre dos manifestantes. Noventa pessoas morreram, entre elas estava a irmã de Bresci.

O número total de mortos no massacre de Milão nunca foi realmente identificado, mas provavelmente ultrapassou em muito uma centena, sendo o número de feridos muito superior. Entre as vítimas desse incidente encontravam-se também moradores de rua e desempregados que esperavam em uma fila para receber sopa dos frades locais.

O Assassinato de Humberto I por Gaetano Bresci

Pelo cumprimento dos seus deveres e pela sua "corajosa defesa da casa real" Baca-Becaris seria condecorado pouco tempo depois pelo Rei Humberto I. Diante da afronta e em memória aos mortos de Milão, especialmente da sua irmã Bresci enfureceu-se e determinação em assassinar o rei cujo governo se mostrava truculento e desumano com as classes populares já há décadas.

O assassinato de Humberto I[editar | editar código-fonte]

Diante das atrocidades de tamanho crime de estado Bresci viu-se na obrigação de agir. Assim que o jornal devolveu o empréstimo que havia feito, sem revelar qualquer motivo aos seus companheiros, viajou para a Itália de navio.

Numa visita do rei Humberto I a Monza em 29 de Julho de 1900, Gaetano Bresci disparou no seu peito três vezes consecutivas quando o monarca ainda estava sobre sua carruagem e no momento em que havia mandado que parassem para que pudesse ver a premiação desportiva dos atletas do Clube Fortes e Livres. Bresci não resistiu à prisão; deixou-se ser capturado pelo carabinieri Andrea Braggio. Este mesmo carabiniere salvou-o ao protegê-lo de uma tentativa de linchamento da furiosa multidão de presentes.

"Não matei Umberto. Eu matei o Rei. Eu matei um princípio"
frase pronunciada por Bresci imediatamente após o assassinato, em resposta as acusações da multidão.

Precedentes[editar | editar código-fonte]

Antes da execução exitosa levada a cabo por Gaetano Bresci, Humberto I já havia sido alvo de duas outras tentativas de assassinato, ambas também orquestradas por anarquistas. Vinte anos antes, no dia 18 de Novembro de 1878, na cidade Nápoles, o cozinheiro Giovanni Passannante tentara esfaqueá-lo durante uma parada militar. Humberto no entanto conseguiu desviar da faca do libertário enquanto este era duramente atacado pela guarda real. A outra tentativa havia acontecido menos de 3 anos antes da ação de Bresci. No 22 de Abril de 1897 um jovem ferreiro chamado Pietro Acciarito também tentaria esfaquear Humberto igualmente sem lograr êxito. Ambos acabariam loucos após sofrerem agruras terríveis trancafiados por anos em celas menores que suas estaturas e sem latrina abaixo do nível do mar.

Captura e julgamento[editar | editar código-fonte]

Gaetano Bresci durante seu julgamento

Levado a julgamento pelo regicídio, Bresci foi defendido pelo advogado anarquista Francesco Saverio Merlino após a recusa de Filippo Turati. Por seu crime foi sentenciado a morte, em Milão em 29 de agosto de 1900. mais tarde a sentença seria comutada para trabalhos forçados por toda a vida pelo Rei Victor Emmanuel III, sucessor de Umberto I. Este foi o único caso registrado na história em que um rei da Itália comutou uma penalidade.

Às 12:00 do dia 23 de Janeiro de 1901, depois de ser trasladado por mar em um navio de guerra, Bresci foi trancafiado em seu destino final: uma cela de três por três metros, desprovida de qualquer mobília, especialmente construída para ele na prisão da Ilha de Santo Stefano, próxima a Ventotene, lugar para onde muitos outros anarquistas já haviam sido mandados por décadas.

Em menos de um ano Gaetano Bresci foi encontrado morto na prisão. Apesar de ter sido oficialmente anunciado que Bresci teria cometido suicídio, é grande a possibilidade de que ele tenha sido executado por seus guardas.

A reação[editar | editar código-fonte]

Todos os amigos e parentes de Bresci foram presos e acusados numa tentativa de demonstrar que Bresci não havia atuado individualmente, mas sim tomado parte em uma vasta conspiração anarquista internacional. A polícia de Paterson foi mobilizada para demonstra a existência de tal conspiração, mas acabou não encontrando quaisquer evidências. Posteriormente apesar de nenhuma evidência apontar para a ação de outros anarquistas, estes sofreram ataques dos Conservadores, sendo que alguns trabalhadores foram presos no Jornal sem qualquer reação. Na Itália muitos anarquistas foram presos e condenados por apologia ao regicídio. De fato, em homenagem a Bresci foram devotadas festas e brindes, tanto na Itália como em Paterson.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Monumento a Bresci feito por Carlo Sergio Signori, escultor milanês, na cidade de Carrara.
  • Gaetano Bresci e o Rei Vítor Emanuel III da Casa de Saboia, filho de Humberto I, nasceram no mesmo dia: 11 de Novembro de 1869.
  • Na cidade de Carrara existe monumento dedicado a Bresci, uma estátua em mármore de Carrara. O trabalho é do escultor milanês Carlo Sergio Signori (que permaneceu inacabada por causa de sua morte).
  • Na cidade de Prato foi dedicada em 1976, uma estrada ao anarquista companheiro. Ela encontra-se perto da Piazza del Mercato Nuovo.
  • Bresci costumava carregar sempre consigo uma câmera (um pequeno luxo para a época). A máquina fotográfica o acompanhou no dia em que matou Umberto I.
  • Bresci distinguia-se do imigrante italiano médio, por falar o inglês corretamente e interagir muito com a comunidade americana. Grande parte dos imigrantes italianos (especialmente aqueles que primeiro chegaram aos Estados Unidos), relacionava-se e circulavam apenas no âmbito da comunidade italiana, em guetos e bairros como Little Italy.
  • Bresci era muito popular com as mulheres por ser considerado muito desenvolto e elegante.
  • Bresci teve uma filha chamada por sua esposa de Gaetanina. Ao seu tempo ela também foi uma anarquista e, depois da morte de seu pai continuou a lutar por uma vida melhor para os trabalhadores.
  • Bresci Thompson, importante artista plástico estadunidense de Chelsea, recebeu este nome em homenagem do seu pai a Gaetano Bresci, com quem trabalhou na cidade de Paterson, em um moinho de seda.[4]
  • No programa de entrevistas de Serena Dandini da TV italiana, em 8 de Fevereiro de 2007 Ascanio Celestini dedicou a Bresci uma canção que conta história de um matador que entra "como um ladrão na casa do ladrão" - que é o patrão que lhe roubou tudo - para matá-lo.

Referências

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • GRIMALDI, Ugoberto Alfassio. Il re "buono" . Milano, Feltrinelli, 1970.
  • Cesare Gildo Silipo. Un re: Umberto 1, un generale: Bava Beccaris Fiorenzo, un anarchico: Gaetano Bresci .
  • GALZERANO, Giuseppe. Gaetano Bresci: vita, attentato, processo, carcere e morte dell'anarchico che giustiziò Umberto I. Casalvelino Scalo, Galzerano, 2001.
  • MERLINO, Francesco Saverio. Gaetano Bresci defense of the Court of Assizes of Milan. Bologna, Casa Editrice La Controcorrente, 1912.
  • MONTEIRO, Fabrício Pinto. O anarquista terrorista na imprensa escrita no século XIX. Temporalidades – Revista Discente do Programa de Pós-graduação em História da UFMG, vol. 1, n.º 2, ago./dez. 2009. [1]
  • PETACCO, Arrigo. L'anarchico che venne dall'America. Arrigo Petacco. Storia di Gaetano Bresci e del complotto per uccidere Umberto I . Milano, Oscar Mondadori, 2001. ISBN 88-044-9087-X.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Portal Portal da Anarquia

Ligações externas[editar | editar código-fonte]