Gafanhoto

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde abril de 2014). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Como ler uma caixa taxonómicaCaelifera
Aiolopus thalassinus na Alemanha

Aiolopus thalassinus na Alemanha
Classificação científica
Reino: Animalia
Divisão: Neoptera
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Subclasse: Pterygota
Ordem: Orthoptera
Subordem: Caelifera
Famílias
Acrididae

Charilaidae
Dericorythidae
Eumastacidae
Euschmidtiidae
Lathiceridae
Lentulidae
Lithidiidae
Ommexechidae
Pamphagidae
Pneumoridae
Proscopiidae
Pyrgacrididae
Pyrgomorphidae
Romaleidae
Tanaoceridae
Tetrigidae
Thericleidae
Tridactylidae
Tristiridae

Os gafanhotos, acridianos, acrídios, ticuras ou tucuras[1] são os insetos pertencentes à subordem Caelifera da ordem Orthoptera, caracterizados por terem o fémur das pernas posteriores muito grandes e fortes, o que lhes permite deslocarem-se aos saltos. Algumas espécies formam enormes enxames que podem devastar grandes plantações.

Os gafanhotos são polífagos, se alimentam de folhas de vários tipos de plantas tais como: citros, arroz, soja, pastagens, alfafa, eucalipto e outras.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Gafanhoto" procede do árabe gaf'a, "contraído, com os dedos encolhidos".[2] "Acridiano" e "acrídio" procedem do grego akrís, ídos, "gafanhoto".[3] "Ticura" e "tucura" procedem do tupi tu'kura.[4]

Características[editar | editar código-fonte]

Outras características desta subordem que a distinguem da subordem Ensifera são:

Biologia[editar | editar código-fonte]

Dieta e digestão[editar | editar código-fonte]

Os gafanhotos comem preferencialmente gramíneas, folhas e cereais, mas muitos gafanhotos são onívoros. [5] A grande maioria dos gafanhotos são polífagos. Muitos alimentam-se a partir de várias plantas hospedeiras durante um dia, enquanto outros preferem alimentar-se na mesma planta hospedeira. Apenas uma das 8000 espécies de gafanhoto é monófaga, alimentando-se de uma única espécie de planta. [6]

O sistema digestivo dos insetos inclui um intestino anterior (stomodaeum - a região bocal), um intestino médio (ou mesêntero) e um intestino posterior (proctodaeum - a região anal) . A boca possui mandíbula e glândulas salivares. A mandíbula inicia a digestão mecânica, porém possui pouca capacidade mastigatórica. As glândulas salivares (que se localizam na cavidade bucal) digerem quimicamente os hidratos de carbono (açúcares) presentes nas gramíneas e em outros alimentos similares ingeridos pelos gafanhotos. A cavidade bucal é contínua com a faringe, o esófago e o papo. O papo tem a capacidade de armazenar alimentos. A partir do papo, o alimento entra na moela (ou proventrículo), que possui estruturas quitinosas similares a dentes. A partir daí, o alimento entra no ventrículo (ou estômago). Aqui, as enzimas digestivas misturam-se com o alimento para o digerir. Estas enzimas têm origem no ceco gástrico localizado à volta do estômago. Posteriormente o alimento chega aos túbulos de Malpighi, sendo estes os órgãos de excreção principais. O intestino posterior inclui partes do intestino (incluindo o íleo e o reto), e os resíduos alimentares saem pelo ânus. A maioria do alimento é digerida no intestino médio, mas alguns resíduos de alimentos, bem como resíduos de produtos provenientes dos túbulos de Malpighi são processados no intestino grosso. Estes resíduos possuem principalmente ácido úrico, ureia e aminoácidos, e são normalmente convertidos em pelotas secas antes de serem eliminados.

As glândulas salivares e intestino secretam enzimas digestivas. O intestino médio segrega enzimas, particularmente, proteases, lipases, amilases e invertases, sendo que o conjunto de enzimas específicas que são secretadas, varia de acordo com as diferentes dietas dos gafanhotos.

Sistema nervoso[editar | editar código-fonte]

O sistema nervoso do gafanhoto é controlado por gânglios, isto é, grupos soltos de células nervosas que se encontram na maioria das espécies mais evoluídas que os cnidários. Os gafanhotos possuem gânglios em cada segmento, bem como um conjunto maior destas células na cabeça, sendo portanto considerados no seu todo como o cérebro. No centro do seu cérebro, existe um neurópilo, através do qual todos os gânglios encaminham os seus sinais. No gafanhoto, os órgãos sensoriais (neurónios sensoriais) encontram-se perto do exterior do corpo, consistindo em pequenos pêlos (sensilas), que consistem numa célula sensorial e uma fibra nervosa, que estão especificamente calibradas para responder a determinados estímulos específicos. Apesar de as sensilas se encontrarem por todo o corpo, são mais densas nas antenas, pedipalpos (partes bucais) e cerci (na zona posterior). Os gafanhotos também possuem tímpanos para percepção de som. Estes e as sensilas estão conectados ao cérebro via neurópilo.

Romalea guttata acasalando
Aularches miliaris no Pomar Mangunan, em Dlingo, em Bantul, em Yogyakarta, na Indonésia

Circulação e respiração[editar | editar código-fonte]

Os gafanhotos possuem sistema circulatório aberto, isto é, o seu fluído corporal (hemolinfa) preenche diretamente as cavidades corporais e apêndices. O único órgão fechado, o vaso dorsal, estende-se desde a cabeça, passando pelo tórax, terminando na extremidade posterior do animal. O vaso dorsal é um tubo contínuo com duas regiões demarcadas: o coração, restrito ao abdómen, e a aorta, que se estende desde o coração até à cabeça passando pelo tórax.

A hemolinfa é bombeada para a frente desde as zonas posterior e laterais do corpo do animal através de uma série de câmaras valvulares, cada qual contendo um par de aberturas laterais (ostia). A hemolinfa continua para a aorta e é libertada na zona anterior da cabeça. Bombas acessórias transportam a hemolinfa através das veias das asas, ao longo das patas e antenas antes de fluir novamente para o abdómen. A hemolinfa transporta nutrientes através do corpo e transporta resíduos metabólicos para o sistema de túbulos de Malpighi para ser excretado. Como não transporta oxigénio, o "sangue" dos gafanhotos é verde.

A respiração é levada a cabo através de traqueias, isto é, tubos cheios de ar que abrem nas superfícies do tórax e abdómen através de pares de espiráculos. As válvulas dos espiráculos apenas abrem para permitir a passagem de oxigénio e a troca de dióxido de carbono. As traquéolas, encontradas nas extremidades dos tubos traqueais, irradiam entre as células transportando oxigénio por todo o corpo.

Como alimento[editar | editar código-fonte]

O consumo de gafanhotos é muito antigo e na Bíblia, no Evangelho de Marcos, há a informação que o apóstolo João comia gafanhoto e mel[7] .

Em certos países, os gafanhotos são comidos como uma boa fonte de proteína. No sul do México, por exemplo, eles são apreciados por seu alto teor de proteínas, minerais e vitaminas. Eles normalmente são recolhidos ao entardecer. Em países como a Tailândia e China, é possível encontra-los nos mercados de rua.[8] Normalmente eles são colocados em água por 24 horas, após o que eles podem ser cozidos ou ingeridos crus, secos ao sol, frito, temperado com especiarias, como alho, cebola, chile, e utilizado em sopa ou como recheio para vários pratos.[9]

Em alguns países da África, os gafanhotos são uma importante fonte de alimento, assim como outros insetos, acrescentando proteínas e gorduras na dieta diária, especialmente em tempos de crise alimentar.[10] .


Gafanhotos como alimento para os nativos das Américas[editar | editar código-fonte]

Os gafanhotos, assim como inúmeros invertebrados serviam de alimento para os ameríndios[11] .

Índios de Cartagena coletavam e secavam gafanhotos que serviam de moeda de troca no comércio com povos do interior. Os índios de Tucuman (Argentina) apreciavam estes insetos como alimento[12] , o mesmo acontecendo com os Makuxi da região dos Rio Branco e Rio Rupununi, compreendendo Brasil e Guiana e com os Xavante do Mato Grosso[13] . Índios de Roraima eram outros adeptos do consumo de gafanhotos[14] , assim como os habitantes da região do rio Uaupés, da Amazônia[15] e os Quiapêr de Rondônia[16] .

Os Cahuilla do sul da Califórnia, cavavam longas valetas, onde colocavam areia e pedras aquecidas, e tocavam os insetos para dentro delas para tostá-los e os que não eram comidos na ocasião eram armazenados. Os Paiute do Arizona, Utah e sudeste da Califórnia e Nevada às vezes comiam os gafanhotos crus, mas também os grelhavam em buracos no solo ou diretamente no fogo, os trituravam e os guardavam. Os Washo da fronteira da Califórnia e Nevada pegavam os gafanhotos com as mãos ou ateavam fogo no capim fazendo com que os insetos caíssem em valetas pré-cavadas. Depois de assados eram triturados e guardados para futuro consumo com outros alimentos[17] .

Espécies[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 827.
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 827.
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 38.
  4. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 725.
  5. (1997) "Grasshopper (Orthoptera: Acrididae) Foraging on Grasshopper Feces: Observational and Rubidium-Labeling Studies". Environmental Entomology 26 (6): 1224–1231.
  6. Davidowitz, Goggy. Grasshoppers. Arizona-Sonora Desert Museum
  7. COSTA NETO, Eraldo Medeiros. Antropoentomofagia: sobre o consumo de insetos. P. 17-37. In: COSTA NETO, Eraldo Medeiros. Antropoentomofagia: Insetos na alimentação humana. Feira de Santana. UEFS Editora. 2011, 255 p
  8. Natália Spinacé, Época, p.74-76, 12 de agosto de 2013
  9. Natália Spinacé, Época, p.74-76, 12 de agosto de 2013
  10. Natália Spinacé, Época, p.74-76, 12 de agosto de 2013
  11. CAVALCANTE, Messias S. Comidas dos Nativos do Novo Mundo. Barueri, SP. Sá Editora. 2014, 403p.ISBN 9788582020364
  12. GUTIÉRREZ, Gloria Patricia Arango. La entomofagia em Colombia. P. 171-199. In: COSTA NETO, Eraldo Medeiros. Antropoentomofagia: Insetos na alimentação humana. 255p. Feira de Santana. UEFS Editora. 2011, 255p.
  13. BASTOS, Abguar. A pantofagia ou as estranhas práticas alimentares da selva: Estudo na região amazônica. São Paulo, Editora Nacional; Brasília DF, INL. 1987, 153 p
  14. PEREIRA, Nunes (1892-1985). Panorama da alimentação indígena: Comidas, bebidas & tóxicos na amazônia brasileira. Rio de Janeiro, Livraria São José. 1974, 412 p.
  15. SILVA, Alcionilio Bruzzi Alves da (1901-1987). A civilização indígena dos Uaupés. São Paulo, Linográfica Editora. 1962, 496 p
  16. REVISTA DE ATUALIDADE INDÍGENA. Aventuras de um índio que se tornou sertanista. p. 50-58. In: Revista de Atualidade Indígena. Brasília, Fundação Nacional do Índio. 1979, ano III, nº 19, 64 p
  17. CAMPBELL, Paul D. Survival skills of native California. Layton, Utah, Gibbs Smith Publisher. 1999, 448 p

Galeria[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Gafanhoto
Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Gafanhoto


Ícone de esboço Este artigo sobre insetos, integrado no Projeto Artrópodes é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.