Gaia (mitologia)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde Janeiro de 2011). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Divindades gregas

Zeus arte.jpg
Busto de Zeus
Deuses primordiais
Deuses olímpicos
Deuses ctónicos
Titãs
Divindades aquáticas
Musas
Outras divindades
Deuses primordiais

'Gaia, Géia ou 'Gea é a Terra, a Mãe Terra, como elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora incrível. Segundo Hesíodo, no princípio surge o Caos, e do Caos nascem Gaia, Tártaro, Eros (o amor), Érebo e Nix (a noite).[1]

Gaia gera sozinha Urano, Ponto e as Óreas (as montanhas).[1] Ela gerou Urano, seu igual, com o desejo de ter alguém que a cobrisse completamente, e para que houvesse um lar eterno para os deuses "bem-aventurados".[1]

Com Urano, Gaia gerou os 12 Titãs: Oceano, Céos, Crio, Hiperião, Jápeto, Teia, Reia, Têmis, Mnemosine, a coroada de ouro Febe e a amada Tétis; por fim nasceu Cronos, o mais novo e mais terrível dos seus filhos, que odiava a luxúria do seu pai.[2]

Após, Urano e Gaia geraram os Ciclopes e os Hecatônquiros (Gigantes de Cem Mãos e Cinquenta Cabeças). Sendo Urano capaz de prever o futuro, temeu o poder de filhos tão grandes e poderosos e os encerrou novamente no útero de Gaia. Ela, que gemia com dores atrozes sem poder parir, chamou seus filhos Titãs e pediu auxílio para libertar os irmãos e se vingar do pai. Somente Cronos aceitou. Gaia então tirou do peito o aço e fez a foice dentada. Colocou-a na mão de Cronos e os escondeu, para que, quando viesse Urano, durante a noite não percebesse sua presença. Ao descer, Urano, para se unir mais uma vez com a esposa, foi surpreendido por Cronos, que atacou-o e castrou-o, separando assim o Céu e a Terra. Cronos lançou os testículos de Urano ao mar, mas algumas gotas caíram sobre a terra, fecundando-a. Do sangue de Urano derramado sobre Gaia, nasceram os Gigantes, as Erínias as Melíades. Após a queda de Urano, Cronos subiu ao trono do mundo e libertou os irmãos. Mas vendo o quanto eram poderosos, também os temia e os aprisionou mais uma vez. Gaia, revoltada com o ato de tirania e intolerância do filho, tramou uma nova vingança.

Gaia de Anselm Feuerbach (1875).

Quando Cronos se casou com Reia e passou a reger todo o universo, Urano lhe anunciou que um de seus filhos o destronaria. Ele então passou a devorar cada recém nascido por conselhos do pai. Mas Gaia ajudou Reia a salvar o filho que viria a ser Zeus. Reia então, em vez de entregar seu filho para Cronos devorar entregou-lhe uma pedra, e escondeu seu filho em uma caverna.

Já adulto, Zeus declarou guerra ao pai e aos demais Titãs com a ajuda de Gaia. E durante cem anos nenhum dos lados chegava ao triunfo. Gaia então foi até Zeus e prometeu que ele venceria e se tornaria rei do universo se descesse ao Tártaro e libertasse os três Ciclopes e os três Hecatônquiros.

Ouvindo os conselhos de Gaia, Zeus venceu Cronos, com a ajuda dos filhos libertos da Terra e se tornou o novo soberano do Universo. Zeus realizou um acordo com os Hecatônquiros para que estes vigiassem os Titãs no fundo do Tártaro. Gaia pela terceira vez se revoltou e lançou mão de todas as suas armas para destronar Zeus.

Num primeiro momento, ela pariu os incontáveis Andróginos, seres com quatro pernas e quatro braços que se ligavam por meio da coluna terminado em duas cabeças, além de possuir os órgãos genitais femininos e masculinos. Os Andróginos surgiam do chão em todos os quadrantes e escalavam o Olimpo com a intenção de destruir Zeus, mas, por conselhos de Têmis, ele e os demais deuses deveriam acertar os Andróginos na coluna, de modo a dividi-los exatamente ao meio. Assim feito, Zeus venceu.

Em uma outra oportunidade, Gaia produziu uma planta que ao ser comida poderia dar imortalidade aos Gigantes; todavia a planta necessitava de luz para crescer. Mas ao saber disto Zeus ordenou que Hélio, Selene, Eos e as Estrelas não subissem ao céu, e escondido nos véus de Nix, ele encontrou a planta e a destruiu. Mesmo assim Gaia incitou os Gigantes a colocarem as montanhas umas sobre as outras na intenção de subir o céu e invadir o Olimpo. Mas Zeus e os outros deuses venceram novamente.

Como última alternativa, enviou seu filho mais novo e o mais horrendo, Tifão para dar cabo dos deuses e seus aliados, mas os deuses se uniram contra a terrível criatura e depois de uma terrível e sangrenta batalha, eles conseguem vencer o último filho de Gaia.

Enfim, Gaia cedeu e acordou com Zeus que jamais voltaria a tramar contra seu governo. Dessa forma, ela foi recebida como uma titã Olímpica[3]

Genealogia[editar | editar código-fonte]


Outras versões[editar | editar código-fonte]

Pseudo-Apolodoro[editar | editar código-fonte]

Em Pseudo-Apolodoro, seu mito é semelhante ao contado por Hesíodo.

Urano (Céu) é o primeiro a governar todo o mundo, e se casa com Gaia (a Terra)[4] . Desta união nascem os Hecatônquiros (gigantes de cem mãos e cinquenta cabeças), Briareu, Giges e Coto[4] . Em seguida, nascem os ciclopes, Arges, Estéropes e Brontes, que foram encerrados no Tártaro[5] . Os próximos filhos são os Titãs, os filhos Oceano, Céos, Hiperião, Crio, Jápeto e o mais novo de todos, Cronos, e as filhas titânides Tétis, Reia, Têmis, Mnemosine, Febe, Dione e Teia[6] .

Gaia ficou triste com a destruição dos seus filhos, encerrados no Tártaro, e convenceu os Titãs a atacarem Urano, e deu a Cronos uma foice de adamantina[7] . Os titãs, exceto Oceano, atacaram Urano, e Cronos castrou Urano, jogando suas genitais no mar; das gotas de sangue nasceram as Fúrias, Alecto, Tisífone e Megera[7] .

Após destronarem Urano, os titãs libertaram seus irmãos presos no Tártaro, e escolheram Cronos como seu soberano[7] , mas este encerrou-os de volta no Tártaro, e se casou com sua irmã Reia[8] . Gaia e Urano profetizaram que Cronos seria destronado por seu filho, o que fez Cronos engolir cada filho que nascia de Reia[8] .

Mais tarde, durante a guerra entre Zeus e Cronos, Gaia profetizou que Zeus teria a vitória se ele se aliasse aos prisioneiros do Tártaro, o que foi feito[9] .

Gaia também teve filhos com Ponto (deus primitivo do mar): Fórcis, Taumante, Nereu, Euríbia e Ceto[10] .

Outra previsão de Gaia foi que Zeus e Métis teriam uma filha e um filho, e este derrubaria Zeus; Zeus evitou esta profecia engolindo Métis antes da filha nascer[11] .

Segundo Ferecides de Leros, Triptólemo é filho de Gaia e Oceano[12] .

Mais tarde, foi Gaia que incentivou a guerra entre os gigantes e os deuses olímpicos, fazendo gigantes, seus filhos com Urano, atacarem Zeus[13] . Estes gigantes não podiam ser mortos por deuses, mas Zeus chamou Héracles, que matou vários gigantes[13] [14] . Na sequência da guerra, Gaia teve com Tártaro o monstro Tifão, que foi enterrado por Zeus no vulcão Etna[15] .

Outros filhos de Gaia são:

Referências

  1. a b c Hesíodo, Teogonia, Cosmogonia, 116-133
  2. Hesíodo, Teogonia, Cosmogonia, 134-138. Os filhos estão indicados na ordem que Hesíodo os cita
  3. Hesíodo, Teogonia, tradução e estudo de JAA Torrano. São Paulo: Massao Ohno-Roswitha Kempf/Editores, 1981.
  4. a b Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.1.1
  5. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.1.2
  6. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.1.3
  7. a b c Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.1.4
  8. a b Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.1.5
  9. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.2.1
  10. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.2.6
  11. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.3.6
  12. Ferecides de Leros, citado em Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.5.2
  13. a b Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.6.1
  14. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.6.2
  15. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.6.3
  16. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 2.1.2
  17. Acusilau, citado em Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 2.1.3

Ligações externas[editar | editar código-fonte]