Gala Placídia

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Gala Placídia (à direita) e os seus dois filhos, Valentiniano e Honória

Élia Gala Placídia (em latim: Aelia Galla Placidia; ca. 392Roma, 27 de novembro de 450), filha do imperador romano Teodósio I, foi a consorte de Ataulfo, rei dos godos, e, após a sua morte, imperatriz-consorte de Constâncio III, imperador romano do Ocidente.

[editar] Biografia

Gala Placídia era filha de Teodósio I e da sua segunda esposa, Gala, tendo sido meia-irmã dos imperadores Honório e Arcádio. Sabe-se que nasceu no Oriente, mas desconhece-se o local exacto (talvez em Constantinopla ou Tessalónica). Por volta de 395 mudou-se para o Ocidente com o seu meio-irmão Honório; pensa-se que foi educada na casa da sua prima Serena.

Em 408 o Senado romano consultou-a por causa do cerco a Roma de Alarico, rei dos visigodos, interrogando-a acerca do grau de confiança que se deveria atribuir à sua prima Serena, viúva de Estilicão, general vândalo que tinha servido Teodósio I. Gala aconselhou a morte de Serena argumentando que esta se tinha associado aos inimigos de Roma. Desconhecem-se as razões pelas quais Gala procedeu desta forma em relação à sua prima.

Em 410 assistiu ao saque de Roma pelos Visigodos de Alarico, terminando por ser raptada e levada para a Gália. Em 414 foi forçada a casar com o cunhado e sucessor de Alarico, Ataúlfo, em Narbona, mudando-se o casal para a Hispânia. A cerimónia de casamento seguiu as tradições romanas, dado que Ataúlfo via-se como um restaurador da glória do Império Romano e não como seu destruidor. Com Ataúlfo, Gala teve um filho, Teodósio, nascido em 415, mas que viria a falecer pouco tempo depois, tendo sido sepultado em Barcelona. Quanto a Ataúlfo, morreria assassinado em 416.

Gala Placídia numa moeda romana de cerca de 425-435)

Flávio Constâncio, general de Honório, derrotou os Visigodos e Gala regressou para junto da sua família, após negociações com estes. O seu meio-irmão obrigou-a a casar com Constâncio em 417. Desta união nasceu o futuro imperador Valentiniano III e uma filha, Honória. Graças à influência exercida por Gala junto do irmão, o qual se dizia ter uma paixão por ela, Constâncio seria elevado a Augusto, com o nome de Constâncio III (421), governando o Império Romano do Ocidente junto com Honório. Por sua vez Gala foi elevada ao estatuto de Augusta.

Com a morte de Constâncio, a relação de Gala com o irmão deteriorou-se. Em 423 Gala parte com o seu filho para Constantinopla, onde governava o seu sobrinho Teodósio II, sob acusação de pactuar com os Visigodos. Regressando a Roma em 425, após a morte do irmão, consegue depois da derrota de um usurpador colocar o seu filho Valentiniano como imperador do Ocidente. Contudo, devido à menoridade do filho Gala era a verdadeira monarca. A sua influência foi suprema até 433, quando o magister militum Flávio Aécio começou a se perfilhar como seu rival. Apercebendo-se disso, Gala tentou substituí-lo por Bonifácio, mas derrotada, foi forçada a se retirar da vida política.

Católica devota, Gala apoiou o Papa Leão I na controvérsia eutiquiana. Em Ravena mandou construir várias igrejas e em Roma ordenou a restauração da Basílica de São Paulo fora dos Muros.

Gala faleceu em Roma em 450, mas não se sabe ao certo onde foi sepultada. A tradição atribui como seu túmulo o chamado Mausoléu de Gala Placídia, em Ravena, mas existem muitas dúvidas sobre se de facto esta estrutura arquitectónica (conhecida pelos seus mosaicos) se trata do túmulo da imperatriz.

[editar] Na cultura popular

[editar] Bibliografia

  • BUNSON, Mathew - Galla Placidia em Encyclopedia of the Roman Empire. New York: Facts On File, Inc., 1994.
  • FINES, John - Who's Who in the Middle Ages: From the Collapse of the Roman Empire to the Renaissance. Barnes & Noble Books, 1995. ISBN 1-56619-716-3
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