Galeão de Manila

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Galeão espanhol.

Os galeões de Manila eram navios comerciais espanhois que atravessavam o oceano Pacífico, uma ou duas vezes por ano, navegando entre Manila nas Filipinas e Acapulco no México, então Vice-Reino da Nova Espanha. Esta rota de comércio espanhola foi criada em 1565 como alternativa ao domínio português e holandês no oriente, e manter-se-ia até ao início do século XIX quando da Guerra da Independência do México. Acabaria por realizar, quase 50 anos após a sua morte, a ambição inicial de Cristovão Colombo, de navegar de oeste para este, trazendo para Espanha as riquezas das Índias.

Descoberta da rota[editar | editar código-fonte]

A rota comercial espanhola Manila-Acapulco iniciada em 1568 (amarelo) e as rotas rivais Portuguesas (verde) (1479-1640). O mapa indicativo que não reproduz a trajetória fiel dos navios

O galeão de Manila resultou da descoberta de Andrés de Urdaneta que, velejando na frota de Miguel López de Legazpi, descobriu um caminho de retorno de Cebu para o México, em 1565. Tentando o regresso a frota separou-se, com parte navegando para sul. Urdaneta deduziu que os ventos do Pacífico girassem como acontecia no Atlântico. Se no Atlântico os navios faziam uma larga volta para oeste para retomar os ventos que os retornariam da Madeira, a chamada "volta do mar", então, pensou, navegando ao largo para norte antes de apontar a este, apanharia ventos favoráveis que o levariam de volta à costa oeste da América. Embora tenha navegado até 38 graus norte antes de virar a este, a sua dedução compensou: atingiu a costa perto do Cabo Mendocino, na Califórnia, seguindo depois pela costa, para sul até Acapulco. Grande parte da tripulação pereceu nesta viagem inicial para qual não havia levado provisões.

Comércio Manila-Acapulco[editar | editar código-fonte]

O chamado Galeão de Manila transportava porcelanas, seda, especiarias e muitos outros produtos do oriente. Em troca, no retorno seguia carregado com prata do Novo Mundo.[1]

Os produtos orientais viajavam, cruzando o oceano Pacífico das Filipinas para Acapulco, no Vice-Reino da Nova Espanha, uma travessia de 4 meses. Eram então transportados por terra até à costa oeste, e de Acapulco ou Veracruz eram reembarcados, seguindo a "rota da prata" com destino a Sevilha e Cádiz, em Espanha.

O comércio de Manila tornou-se tão lucrativo que os mercadores de Sevilha pediram ao rei para limitar as travessias a apenas dois barcos anuais. Com esta limitação foi determinante construir galeões de grande capacidade, sendo esta já a maior classe de navios até então construida.

Nos 250 anos da rota Manila-Acapulco, de 1565 a 1815, partiram de Manila um total de 110 galeões. No século XVI tinham em média de 1,700 a 2,000 toneladas, feitos de madeiras filipinas, podendo transportar mil passageiros. O Concepción, naufragado em 1638, tinha 43 a 49 m de comprimento, e 2,000 toneladas. O Santísima Trinidad tinha 51.5 m.

Os naufrágios dos galeões de Manila tornaram-se por isso uma lenda, só ultrapassada pelos navios dos tesouros nas Caraíbas.

A viagem pelo Pacífico durava quatro meses, e os galeões de Manila eram o principal contacto entre Manila e o México, e portanto a Espanha. Mesmo após a independência o México manteria relações culturais e comerciais com as Filipinas.

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. Estima-se que cerca de um terço de toda a prata minerada no México e no Peru tenham seguido para Oriente. Hecht, Johanna. "The Manila Galleon Trade (1565–1815)". In Heilbrunn Timeline of Art History. New York: The Metropolitan Museum of Art, 2000– (October 2003)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Almazin M.A. El galeón de Manila. Artes de México, n.º 143, 1971.
  • Martín-Ramos, Clara. Las Huellas de la Nao de la China en México (La Herencia del Galeón de Manila). 2007.
  • Sanchez Aguilar, Federico. El lago español: Hispanoasia, Madrid, Fuenlabrada, 2003 ISBN 84-607-8130-5
  • Schurz, William Lytle. (1917) "The Manila Galleon and California", Southwestern Historical Quarterly, Vol. 21, No. 2, pp. 107–126
  • Schurtz,William Lytle. El galeón de Manila. Madrid : Cultura Hispánica, 1992.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

illus. Spanish American arts influenced by the wares of China