Gambozino

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Os gambozinos são seres que, segundo a superstição popular, vivem no campo, embora algumas espécies já tenham se adaptado e hoje também se possam encontrar nos recantos sombrios e húmidos dos parques de algumas cidades. No dicionário[1] , são descritos como uma espécie de pássaros ou peixes, embora se pense que possam ser parecidos com o pirilampo, com o dragão marinho (Phycodurus eques) ou com o ouriço. Há quem ache que são seres da família dos vegetais que vivem debaixo da terra; no começo do século XX houve quem os descrevesse apenas como “pequenos bolbos de uma espécie de lírio” que podem ser comidos[2] . A ideia que se faz destes seres varia conforme a imaginação de cada um.

O glossário escutista[3] define estes seres como um “animal de características especiais, nocturno, e que é muito difícil de caçar. Normalmente caçam-se nos acampamentos.”

A caça aos gambozinos[editar | editar código-fonte]

A caça aos gambozinos é muito popular em Portugal e em várias regiões da Espanha, como na Galiza. A estação de caça está aberta o ano inteiro, e a prática desta modalidade não requer nenhuma licença especial. A caça ao gambozino não visa a obtenção de alimento mas a conservação de tradições, é por isso considerada um desporto. Faz-se geralmente de noite e tradicionalmente são usados sacos de sarapilheira para capturar gambozinos. É tradição organizar caçadas aos gambozinos convidando pessoas ingénuas para se juntarem. Frequentemente são levados nestas caçadas irmãos ou sobrinhos mais novos, é por isso visto como um desporto de família.

A caça aos gambozinos é considerada uma prática ancestral, e, conforme conta Ferraz (1895) no fim do século XIX, quando alguém concordava em ir à caça dos gambozinos “[…] levavam-na uma noite sombria a um sítio escuro e medonho, e collocavão-na com um sacco aberto ao pé de um buraco, como para agarrar nella os gambozinos, que costumavam sair por ali; e assim deixavam ficar o incauto, às vezes, até pela manhã indo-se embora, sob qualquer pretexto, a pessoa que o lá levou”[4] . Em algumas regiões do País a tradição conta também que se deve levar uma lanterna, a qual, quando se chega ao lugar desejado, é apagada deixado o ingénuo às escuras e saindo logo de seguida quem para lá o levou. Para atestar a antiguidade da tradição, Ferraz comenta ainda que “[…] d’este costume se não contão casos modernos, mas antigos, não se apontando mesmo ninguém que se tenha sujeitado a semelhante caçada”.

Embora não haja notícia de alguém que alguma vez tenha visto um gambozino, é "frequente" ouvir um ou outro fanfarrão dizer que já caçou dois ou três gambozinos, só para se vangloriar. Acredita-se que o canto de algumas espécies de gambozinos tem propriedades especiais, que podem ser identificadas nos seguintes versos de João Monge[5] :

“O teu coração parece
Uma pedra sem destino
Dizem que só amolece
Ao canto de um gambozino”

No Entre-Douro-e-Minho este animal imaginário também é conhecido por Pio-Pardo. No Baixo Alentejo é conhecido por (Gramuzilho).

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra provém do peixe Gambusia. Foi durante os anos de ocupação de Portugal no continente africano que investigadores Portugueses introduziram o peixe (original dos rios brasileiros) para controlar a população de mosquitos.

Sempre que era necessário fazer uma contagem/moinotrização da população de peixes utilizava-se a expressão "Vamos aos gambozinos". Expressão essa que ficou. Embora não deva ser confundido com o Gambusia, foi dele que proveio a expressão.

Nota[editar | editar código-fonte]

Campos de férias[editar | editar código-fonte]

Existem ainda Campos de Férias de um movimento chamado Gambozinos ligado aos Jesuítas em Portugal.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Língua portuguesa online.
  2. Medicina Na Beira Interior da pré-história ao século XX. Nº11 Novembro 1997.
  3. Glossário Escutista.
  4. Ferraz, Sequeira. Ir aos gambozinos. Miscelãnea. Revista Lusitana Vol. III Livraria Portuense, 1895
  5. Caçador da Adiça.
  6. Salema, Álvaro et all. Dicionário Enciclopédico de Língua Portuguesa. Publicações Alfa 1992
  7. Afinal eles existem. Mostra da Universidade do Porto.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]